A escrava - obras escolhidas

    Maria Firmina dos Reis

    Hedra
    2021
    162 páginas
    5h 24m
    ISBN-13: 9786589705253
    Português Brasileiro

    A escrava consiste em uma seleção de textos em prosa e poemas de Maria Firmina dos Reis (1822–1917), considerada a primeira romancista negra da história da literatura brasileira. Estão presentes o conto A escrava, de 1887, a novela Gupeva, de 1861, e 32 poemas: dos quais 29 foram extraídos entre os 56 de Cantos à beira-mar (1871), dois da antologia Parnaso maranhense (1861), e o famoso Hino à liberdade dos escravos, originalmente escrito para ser cantado e acompanhado por instrumentos musicais. Nesta antologia, apresentam-se alguns dos principais elementos que caracterizam a literatura da escritora: a situação dos escravizados, que passam a ter protagonismo nas narrativas, o papel da mulher na sociedade, as condições dos povos indígenas, um sentimentalismo romântico amoroso e a exaltação da terra.

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    Trilha de livros picture
    Trilha de livros15/10/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A Escrava

    Se você por algum motivo ainda não leu nada de Maria Firmina dos Reis, este conto de 25 páginas pode ser um bom começo. Uma fuga, uma perseguição e um presságio de morte. Quanto de dor um ser humano pode suportar até que enlouqueça? A dor de um coração arrasado por angústias pode ser mais atroz que a dor do chicote. É um mundo muito injusto um mundo no qual um escritor branco, aristocrata, escravagista e abertamente contrário a abolição como José de Alencar seja tão exaltado enquanto uma filha de escrava, mulher, negra e escritora como Firmina dos Reis, foi por tantos anos legada ao esquecimento. A razão é que nem José de Alencar, nem eu e nem você jamais levou uma chicotada nas costas. Nem foi amordaçado e condenado à uma morte em vida. Só quem já teve correntes nos pés é que pode estremecer de tanta indignação diante de uma verdade como esta. Vamos dar os louros a quem merece. Não somente a um, mas a outros e outras que como Maria Firmina de Jesus, Emília Freitas, Francisca Clotilde, Lima Barreto gritaram por uma causa mais que justa e foram sumariamente silenciados. Nem sequer um simples retrato ou pintura de Firmina ficou para a posteridade. Jamais saberemos qual o verdadeiro rosto de alguém que não tinha como pagar por tais luxos, mas podemos ver o seu coração através de sua literatura. "O machado esquece, mas a árvore recorda " Provérbio Africano

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