Se você por algum motivo ainda não leu nada de Maria Firmina dos Reis, este conto de 25 páginas pode ser um bom começo.
Uma fuga, uma perseguição e um presságio de morte. Quanto de dor um ser humano pode suportar até que enlouqueça? A dor de um coração arrasado por angústias pode ser mais atroz que a dor do chicote.
É um mundo muito injusto um mundo no qual um escritor branco, aristocrata, escravagista e abertamente contrário a abolição como José de Alencar seja tão exaltado enquanto uma filha de escrava, mulher, negra e escritora como Firmina dos Reis, foi por tantos anos legada ao esquecimento.
A razão é que nem José de Alencar, nem eu e nem você jamais levou uma chicotada nas costas. Nem foi amordaçado e condenado à uma morte em vida. Só quem já teve correntes nos pés é que pode estremecer de tanta indignação diante de uma verdade como esta.
Vamos dar os louros a quem merece. Não somente a um, mas a outros e outras que como Maria Firmina de Jesus, Emília Freitas, Francisca Clotilde, Lima Barreto gritaram por uma causa mais que justa e foram sumariamente silenciados.
Nem sequer um simples retrato ou pintura de Firmina ficou para a posteridade. Jamais saberemos qual o verdadeiro rosto de alguém que não tinha como pagar por tais luxos, mas podemos ver o seu coração através de sua literatura.
"O machado esquece, mas a árvore recorda " Provérbio Africano