A menina morta -

    Cornélio Penna

    Faria e Silva
    2020
    400 páginas
    13h 20m
    ISBN-13: 9786581275037
    Português Brasileiro

    Um quadro – que retratava a morte de uma menina, a sinhazinha querida, única alegria em um mundo lúgubre de injustiças – foi o que inspirou Cornélio Penna a desenvolver este romance. Vivido numa próspera fazenda de café do interior fluminense em meados do século XIX, A menina morta, ao narrar o trágico declínio desse lugar cuja grandeza se faz às custas do trabalho e da miséria dos escravos, é uma história de morte e loucura, de decadência e sofrimento, de almas angustiadas e de longos silêncios. A menina, na sua inocência, era quem amenizava o sofrimento dos escravos, quem os protegia e os livrava dos castigos. Depois da sua morte, só restou o horror da escravidão, o vazio e o desespero de almas perdidas. Morre a menina e com ela morrem a alegria e a esperança, e as infelicidades se sucedem num clima de densa tortura moral.

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    Carlos Nunes picture
    Carlos Nunes27/01/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Fenomenal

    Nunca tinha ouvido falar desse livre e nem mesmo do autor, e qual não foi minha surpresa ao saber que ele é meu conterrâneo! Esse livro me foi apresentado com a indicação fortíssima de que o lesse, pois era maravilhoso. Leitura trabalhosa, principalmente por ter que ler no PC (as raras edições disponíveis estão proibitivas), mas MUITO válida! Um romance psicológico intenso, claustrofóbico, misterioso, com uma atmosfera (achei isso genial) totalmente gótica em um ambiente quente e ensolarado. Um romance quase que só com personagens femininas (ou poucos homens que aparecem na trama quase não têm importância), passado inteiramente em uma fazenda de café em algum ponto próximo à divida entre Minas e Rio, nos últimos anos da escravidão. Já de cara nos deparamos com o velório e o sepultamento da menina do título - da qual não sabemos nada, nem o nome - cuja morte vai alterar totalmente a vida e os relacionamentos entre os moradores da fazenda, sejam eles a família, os empregados ou os escravos. Aos poucos, coisas estranhas começam a acontecer nessa fazenda, e o clima de mistério e segredo vai aumentando, até descambar de vez com o retorno da jovem Carlota, irmã mais velha, que estava estudando na capital, e volta para a fazenda para assumir seu papel de filha e herdeira. Apesar de não haver quase acontecimento nenhum - a narrativa é bem lenta, difícil no início, mas essa atmosfera vai envolvendo o leitor até conquistá-lo por completo. Permeando tudo isso, um retrato cru (e contundente) da relação entre a classe branca dominante e a grande massa escrava. Uma obra magnífica, infelizmente relegada ao limbo literário brasileiro. Análise mais completa no meu vídeo (link abaixo)

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