A Menina Morta -

    Cornélio Penna

    Livraria José Olympio
    1970
    458 páginas
    15h 16m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Romance psicológico, introspectivo, intimista e misterioso... vários foram os termos utilizados ao longo do tempo para tentar conceitualizar a obra inclassificável de Cornélio Penna. Todos esses termos que acenam para o privilégio da subjetividade foram forjados, talvez, com o objetivo de contrapor esse escritor à literatura regionalista e social que imperava quando ele estreou. Trata-se, entretanto, justamente, da superação da subjetividade (e, conseqüentemente, da objetividade) em busca de uma sondagem originária do ser, vivida com todos os conflitos da carnalidade e da paixão: a esse caminho, contínua, solitária e verticalmente, o escritor se entrega, no movimento de realização de sua obra, fazendo dela a manifestação de uma luta existencial cujo fim sabe ser inalcançável. Se a angústia é o preço a ser pago por mergulho tão intenso, há que se acatá-la como o destino irrefutável da experiência humana ao se espantar diante dos mistérios da vida. Uma das prosas mais poéticas da tradição brasileira, a ficção de Cornélio Penna se caracteriza por uma construção a um só tempo unitária e mosaical.

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    Carlos Nunes picture
    Carlos Nunes27/01/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Fenomenal

    Nunca tinha ouvido falar desse livre e nem mesmo do autor, e qual não foi minha surpresa ao saber que ele é meu conterrâneo! Esse livro me foi apresentado com a indicação fortíssima de que o lesse, pois era maravilhoso. Leitura trabalhosa, principalmente por ter que ler no PC (as raras edições disponíveis estão proibitivas), mas MUITO válida! Um romance psicológico intenso, claustrofóbico, misterioso, com uma atmosfera (achei isso genial) totalmente gótica em um ambiente quente e ensolarado. Um romance quase que só com personagens femininas (ou poucos homens que aparecem na trama quase não têm importância), passado inteiramente em uma fazenda de café em algum ponto próximo à divida entre Minas e Rio, nos últimos anos da escravidão. Já de cara nos deparamos com o velório e o sepultamento da menina do título - da qual não sabemos nada, nem o nome - cuja morte vai alterar totalmente a vida e os relacionamentos entre os moradores da fazenda, sejam eles a família, os empregados ou os escravos. Aos poucos, coisas estranhas começam a acontecer nessa fazenda, e o clima de mistério e segredo vai aumentando, até descambar de vez com o retorno da jovem Carlota, irmã mais velha, que estava estudando na capital, e volta para a fazenda para assumir seu papel de filha e herdeira. Apesar de não haver quase acontecimento nenhum - a narrativa é bem lenta, difícil no início, mas essa atmosfera vai envolvendo o leitor até conquistá-lo por completo. Permeando tudo isso, um retrato cru (e contundente) da relação entre a classe branca dominante e a grande massa escrava. Uma obra magnífica, infelizmente relegada ao limbo literário brasileiro. Análise mais completa no meu vídeo (link abaixo)

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