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    Pele negra, máscaras brancas -

    Frantz Fanon

    Ubu
    2020
    320 páginas
    10h 40m
    ISBN-13: 9786586497205
    Português Brasileiro
    4.6
    1727 avaliações
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    Primeiro livro de Frantz Fanon, Pele negra, máscaras brancas é um dos textos mais influentes dos movimentos de luta antirracista desde sua publicação, em 1952. Logo de início, se apresenta como uma interpretação psicanalítica da questão negra, tendo como motivação explícita desalienar pessoas negras do complexo de inferioridade que a sociedade branca lhes incute desde a infância. Assim, descortina os mecanismos pelos quais a sociedade colonialista instaura, para além da disparidade econômica e social, a interiorização de uma inferioridade associada à cor da pele – o que o autor chama de "epidermização da inferioridade". Não se compreende a questão negra fora da relação negro-branco. Com erudição, Fanon articula conceitos da filosofia, psicanálise, psiquiatria e antropologia, e autores como Hegel, Sartre, Lacan, Freud e Aimé Césaire (referência literária, intelectual e política que perpassa toda a obra), numa notável linguagem poética, que nos conduz a uma reflexão sobre sua relação com o tema. Um dos principais efeitos da leitura da obra – diz o professor e pesquisador Deivison Faustino no posfácio a esta edição – é fazer leitores e leitoras se descobrirem, seja em sua vulnerabilidade e desamparo, seja angustiados sob a consciência de seus pecados, ou ainda como demônios que impõem sofrimento e dominação a outros, mesmo que a princípio se vejam como anjos. Em um momento de ampliação da luta antirracista e conscientização e incorporação de brancas e brancos a essa luta, este livro continua sendo transformador, em busca de uma sociedade realmente livre e igualitária. A edição da Ubu conta com prefácio de Grada Kilomba e posfácio do especialista em Fanon Deivison Faustino. Textos escritos especialmente para a edição da Ubu. O livro traz ainda textos do intelectual e ativista Francis Jeanson e do historiador Paul Gilroy. Tradução de Sebastião Nascimento, com colaboração de Raquel Camargo.

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    Flávia08/11/2025Resenhou um livro
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    Entre o ser e o olhar: o homem diante de sua própria máscara

    Publicado em 1952, “Pele negra, máscaras brancas”, de Frantz Fanon, é um daqueles livros que não apenas se lê… ele nos atravessa. Fanon, psiquiatra e filósofo nascido na Martinica, escreveu esta obra ainda jovem, movido pela urgência de compreender o que a colonização fez da alma humana. Formado em medicina, influenciado por Sartre e pela fenomenologia (minha abordagem, e o que me prendeu ainda mais), ele uniu ciência, filosofia e poesia para revelar o que há de mais invisível: o peso de viver dentro de uma pele que o mundo insiste em definir. Quando foi lançado, o livro causou desconforto e admiração. Era um grito intelectual e sensível contra a violência simbólica do racismo, mas não o racismo como fenômeno externo, mas como ferida que se infiltra na identidade. Com o tempo, Fanon passou a ser reconhecido como um dos grandes pensadores da libertação, e sua obra ganhou força nas lutas anticoloniais e nos estudos sobre a subjetividade negra. Mas a força deste livro vai além da história ou da política. Ele fala da condição de existir sob o olhar do outro, e de como esse olhar molda, distorce e às vezes aprisiona o que somos. Fanon nos conduz por uma reflexão dura, filosófica, mas profundamente humana: o que resta de nós quando o mundo nos impõe uma máscara? A linguagem é densa, bela e dolorosa. Cada página parece pedir silêncio, como se o autor falasse direto à consciência de quem lê. É impossível sair ileso: o texto desmonta crenças, desafia a neutralidade e revela o quanto ainda pensamos a partir de um olhar colonizado. Não importa se estamos na França, nos Estados Unidos ou no Brasil, Fanon nos mostra que o passado colonial não terminou, apenas mudou de forma. Ao final, a sensação é de confronto e despertar. Fanon não quer piedade, nem revanche. Quer lucidez. Ele nos chama a criar um novo modo de ser, livre da culpa, da inferioridade e do orgulho falso. “Pele negra, máscaras brancas” é sobre aprender a existir de novo, sem heranças impostas, sem medo do espelho, sem o peso do outro sobre nossa pele. É um livro para quem tem coragem de se ver!

    106 curtidas

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    Frantz Omar Fanon

    Psiquiatra, filósofo, ensaísta e revolucionário, lutou junto às forças de resistência no norte da África. Sua vida foi dedicada em transformar as vidas dos condenados pelas instituições coloniais e racistas do mundo moderno.

    12 Livros
    144 Seguidores
    Martinica, Caribe

    Frantz Omar Fanon