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    Pão Seco -

    Muhammad Chukri

    Antígona
    2021
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9789726083849
    Português Brasileiro
    4.3
    6 avaliações
    Leram8Lendo0Querem165Relendo1Abandonos0Resenhas2
    Favoritos0Desejados165Avaliaram6

    Ergui a cabeça para o céu. É mais nu que a terra. Quando a fome grassa no Rife, uma família parte para Tânger em busca de uma vida melhor. Nas noites passadas ao relento, nos becos da cidade, o pequeno Muhammad, orgulhoso e insolente, descobre a injustiça e a compaixão, a tirania da autoridade, a loucura labiríntica da miséria, o consolo das drogas, do sexo e do álcool. E é na prisão que um companheiro lhe desvenda as maravilhas da leitura, mudando para sempre a sua vida. Estreia do autor em Portugal, em tradução directa do árabe, Pão Seco foi publicado originalmente em 1973, na tradução inglesa de Paul Bowles (For Bread Alone), quando os editores de língua árabe não estavam ainda preparados para o caos narrativo, a linguagem crua e a indisciplina gramatical que desafiavam a tradição e o «bom gosto». «Verdadeiro documento do desespero humano» (Tennessee Williams), obra de culto proibida até recentemente nos países árabes por tocar em tabus da sociedade magrebina, este avassalador romance autobiográfico consagrou o autor e continua a iluminar o caminho de várias gerações de renegados marroquinos.

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    Resenhas (2)Ver mais
    Gabriel Lopes  picture
    Gabriel Lopes 09/02/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Este livro merece uma resenha de verdade. Sendo sincero um dos melhores livros que já li, com uma linguagem crua e bruta, sem floreios e subjetividades (pensando que a tradução do árabe para o português manteve minimamente o estilo do autor), mas que carrega uma beleza absurda, talvez por gostar e me sentir atraído por esse tipo de relato. Chukri aprendeu a ler aos 21 anos e traduz em palavras o que viu com seus próprios olhos, em um país assolado pelo colonialismo de dois países dominantes, pela fome e desamparo, onde a população luta para sobreviver como pode, somando a isso a família miserável e o pai desgraçado. Um livro que demorou 10 anos para ser publicado em seu país pelo tabu dos temas que aborda e do estilo "feio" do escritor. Simplesmente sensacional.

    6 curtidas

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    Avaliações

    4.3 / 6
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas33%
    • 3 estrelas17%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Muhammad Chukri

    Muhammad Chukri aprendeu a ler aos 21 anos. Nascido numa pequena aldeia nas montanhas do Rife, em Marrocos, durante os anos de ferro do protectorado espanhol, viveu uma infância e juventude marcadas pela fome extrema, a violência absurda e a fuga para a frente. Foi na escrita que encontrou refúgio e salvação: uma escrita «desde o interior da pobreza» (Bernardo Atxaga), dura e áspera, seca como o pão sem conduto, de uma ferocidade insaciável e amoralidade inclemente. Escritor maldito, com uma obra breve e intensa, repleta de humanidade e amor à justiça, Chukri publicou novelas e colecções de contos — O Louco das Rosas (1979), A Tenda (1985) —, memórias dos dias de transgressão em Tânger, na companhia de Paul Bowles, Jean Genet, Tennessee Williams, Samuel Beckett e William Burroughs, bem como o segundo e terceiro volumes da sua singular autobiografia — O Tempo dos Erros (1992) e Rostos (2000) —, a de um pedinte, ladrão, contrabandista, professor universitário e boémio.

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