Tornar-se negro - ou As vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social

    Neusa Santos Souza

    Zahar
    2021
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9786559790296
    Português Brasileiro

    Obra pungente, intensa e atual – porém por muito tempo esquecida –, Tornar-se negro virou um marco no Brasil ao discutir os efeitos psíquicos do racismo na identidade de pessoas negras. Com novo prefácio de Maria Lúcia da Silva, além do prefácio de Jurandir Freire Costa à edição original, este volume traz ainda textos inéditos de Neusa Santos Souza. Publicado originalmente em 1983, Tornar-se negro foi pioneiro ao conectar a psicanálise com a questão racial. De forma inovadora e potente, a psiquiatra e psicanalista Neusa Santos Souza dedicou um estudo acadêmico à vida emocional de negros e negras, justificado pela absoluta ausência de um discurso nesse nível elaborado pelo negro acerca de si mesmo. Partindo da própria experiência de ser negra numa sociedade de hegemonia branca, Neusa analisa uma série de depoimentos dados a ela, assinalando neles as consequências brutais do racismo e da introjeção do padrão branco como o único caminho de mobilidade social para o negro. São histórias de vida de dez personagens que se autodefinem e falam das estratégias para a ascensão, cujo custo emocional é o da sujeição, negação e apagamento de suas identidades, sua cultura e seus corpos. Intelectual brilhante, Neusa Santos Souza deixou imensa contribuição para o movimento negro e a prática psicanalítica. Reeditar Tornar-se negro é reacender o seu legado, manter viva a sua memória.

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    Roseane Corrêa21/07/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Eu me torno a cada dia

    Neusa Santos Souza foi uma pesquisadora muito respeitada. Com cerca de 60 anos de idade, suicidou-se sem antes jamais ter dado sinais de depressão ou de que pudesse um dia recorrer ao gesto extremo de tirar a própria vida. Em seu livro trás para o debate a branquitude, o mito da democracia racial e as sequelas emocionais de negros que rechaçam a própria imagem em busca de um padrão, que não é o negro. Não existe democracia e sim uma ditadura racial onde o referencial é o branco. Neusa, mulher negra, militante, trabalhadora da saúde mental fez o trabalho utilizando o método estudo de caso e a técnica de história -de-vida, assim ela entrevista 10 pessoas negras do Rio de Janeiro que estão em ascensão social. Ler esse estudo é como se estivesse lendo a própria mente. Todas as situações aqui relatadas ou é vivenciada ou testemunhada pela população negra em ascensão. Aqui fala- se em ser negro dentro de uma sociedade branca. O branco é lido como padrão e como única possibilidade de ?tornar-se gente?. Para isso existe o desconhecimento e negação de toda uma história e ancestralidade. Propositalmente a história do povo negro vem sento contada por livros escritos por pessoas brancas onde a trajetória inicia-se com a escravidão, o negro é inferiorizado, subjugado, desumanizado, infantilizado. Ao ascender socialmente, tem-se a intenção de romper com todas essas desqualificações inicia-se o processo de deixar de ser negro. Geralmente esse processo de inicia em casa, na família, no local de convívio: *penteia esse cabelo, tá parecendo uma negrinha *passa um creme nessa perna, tá parecendo nega de morro *se arruma direito tá parecendo um preto ... Ser o melhor é uma das perspectivas pra compensar seu ?defeito? porém ser Branco lhe é impossível então cria-se um ciclo de auto desvalorização, timidez, retraimento, ansiedade, submissão... A identidade negra é um processo em construção. Oxalá estamos mais avançados do que em 1983 quando foi feito a pesquisa. Esse avanço só foi possível quando nós tomamos de assalto o protagonismo de nossa história. Passamos nós a escrever e contar a nossa história. Ainda temos muito que crescer, como conclui a autora ?ser negro não é uma condição dada, a priori. É um vir a ser. Ser negro é tornar-se negro.? Livro essencial para quem estuda auto cuidado, saúde mental da população negra, auto ódio, reprodução de racismo pela população negra... Bons estudos

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