Saber-se negro é viver a experiência de ter sido violentado de forma constante, continua e cruel, pela dupla injunção de encarnar o corpo e os ideais do Ego do sujeito branco e de recusar, negar e anular a presença do seu corpo negro. Ante a desvalorização sistemática dos atributos físicos do sujeito negro, seu corpo se opõe à identidade branca, que ele é coagido a desejar. Diante da “ferida” que é a representação da sua imagem corporal, o negro oprimido pela violência racista procura cicatrizar o que sangra. No desejo de embranquecer, deseja a sua própria extinção, e sucumbe no combate contra a realidade do seu corpo, com tentativas de “correção” física e submissão ao código do comportamento tido como branco. Este livro procura romper a precariedade de estudos sobre a vida emocional dos negros. Diante da flácida omissão com que a teoria psicanalítica tem tratado deste assunto, a autora apresenta reflexões profundas e inquietantes sobre o custo emocional da sujeição, da negação da própria cultura e do próprio corpo. O negro que se empenha na conquista da ascensão social paga o preço do massacre de sua identidade. Toma o branco como modelo de identificação, como única possibilidade de “tornar-se gente”.
Tornar-se Negro (Coleção Tendências #nº 4) - Ou as vicissitudes da identidade do negro brasileiro em ascensão social
Neusa Santos Souza
Graal
1983
90 páginas
3h 0m
ISBN-10: 6559790290
Português Brasileiro
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