Moisés Negro -

    Alain Mabanckou

    Malê
    2021
    228 páginas
    7h 36m
    ISBN-13: 9786587746630
    Português Brasileiro

    Moisés Negro é a história da vida de um órfão congolês. Seu nome completo é Tokumisa Nzambe po Mose yamoyindo abotami namboka ya Bakoko, que significa "Demos graças a Deus, o Moisés negro nasceu na terra de nossos ancestrais" em lingala. Seu nome grandiosamente profético o leva a um destino que é muito diferente do que o do Moisés bíblico. Moisés entra em sua adolescência em um orfanato para viver com uma gangue de outros órfãos, onde sobrevivem de pequenos furtos, e depois sozinho, segue pelas ruas da cidade de Pointe-Noire. Ao longo do romance, Moisés passa de figura parental em figura parental, incluindo Papa Moupelo, o padre que lhe dá seu nome "quilometricamente estendido"; a enfermeira da escola, Sabine Niangui; e uma senhora zairense em Pointe-Noire apelidada de Maman Fiat 500. O romance apresenta através do submundo de Pointe-Noire a realidade politicamente repressiva do Congo-Brazzaville nas décadas de 1970 e 1980.

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    Kira' picture
    Kira'05/03/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "E sobretudo a Pimentinha, que fazia questão de ser um personagem de ficção porque não aguentava mais ser um personagem na vida real..." Muito bom, seria favoritado se fosse um pouco maior e pudesse ter se aprofundamento mais ainda em todas as questões que se apresentam. Tem muita coisa acontecendo nesse livro, questões políticas, sociais, transtornos mentais... Foi muito interessante conhecer sobre a República do Congo e também levemente sobre seu vizinho: A República Democrática do Congo (antigo Zaire). Às reflexões acerca do colonialismo nos países africanos: "Quando os Brancos vieram para a África, tínhamos as terras e eles tinham a Bíblia. Eles nos ensinaram a rezar de olhos fechados: assim que os abrimos, os Brancos tinham a terra, e nós a Bíblia." É um acompanhar de uma vida de sofrimento, esperando que Pimentinha possa finalmente ter um final feliz, mas tudo se torna cada vez mais trágico até o derradeiro fim, no qual o personagem é tomado pela loucura. "Uma vida de consecutivas perdas e tiranias remetem Moisés para a loucura. E é a voz da insanidade que encerra, a partir de uma prisão, está alegoria sobre o universo da ditadura e da cleptocracia que é confrontado pela esperança de um desiludido personagem. Afinal, este Moisés, este salvador do mundo não salva a si próprio. E desfalece, incapaz de escapar de um lento aprisionamento que se iniciou no asilo da sua infância." E está incrível frase da revista da TAG que se refere a República do Congo, mas poderia muito se tratar do Brasil: "Em um país em que o único objetivo de poder é se perpetuar a qualquer custo, mesmo as frestas do sistema não são um lugar seguro".

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