Moisés negro (TAG Curadoria - Dez/2020) -

    Alain Mabanckou

    Malê;TAG Experiências Literárias
    2020
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9786588526010
    Português Brasileiro

    Não é fácil ser Tokumisa Nzambe po Mose yamoyindo abotami namboka ya Bakoko. A começar por seu longo nome, que significa "Demos graças a Deus, o Moisés negro nasceu na terra dos ancestrais". A maioria das pessoas chama ele de Moisés. Depois, há o orfanato onde ele mora, dirigido por um patife político malicioso, Dieudonne Ngoulmoumako, e onde ele é aterrorizado por dois irmãos órfãos - os gêmeos Songi-Songi e Tala-Tala. Mas depois que Moisés se vingou dos gêmeos, os gêmeos o colocam sob sua proteção, escapam do orfanato e se mudam para a movimentada cidade portuária de Pointe-Noire, onde formam uma gangue que sobrevive de pequenos furtos. O que se segue é um conto engraçado, comovente e grandioso que narra a jornada trágica de Moisés pelo submundo de Pointe-Noire e o mundo politicamente repressivo do Congo-Brazzaville nas décadas de 1970 e 80. O retrato vívido de Mabanckou do colapso mental de Moisés ecoa o trabalho de Victor Hugo, Charles Dickens e Brian DePalma em Scarface, confirmando o status de Mabanckou como um dos maiores contadores de histórias. Moisés negro é uma nova extensão vital de seu ciclo de romances sobre Pointe-Noire, que se destacam como um dos projetos ficcionais mais grandiosos e engraçados de nosso tempo.

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    Kira' picture
    Kira'05/03/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "E sobretudo a Pimentinha, que fazia questão de ser um personagem de ficção porque não aguentava mais ser um personagem na vida real..." Muito bom, seria favoritado se fosse um pouco maior e pudesse ter se aprofundamento mais ainda em todas as questões que se apresentam. Tem muita coisa acontecendo nesse livro, questões políticas, sociais, transtornos mentais... Foi muito interessante conhecer sobre a República do Congo e também levemente sobre seu vizinho: A República Democrática do Congo (antigo Zaire). Às reflexões acerca do colonialismo nos países africanos: "Quando os Brancos vieram para a África, tínhamos as terras e eles tinham a Bíblia. Eles nos ensinaram a rezar de olhos fechados: assim que os abrimos, os Brancos tinham a terra, e nós a Bíblia." É um acompanhar de uma vida de sofrimento, esperando que Pimentinha possa finalmente ter um final feliz, mas tudo se torna cada vez mais trágico até o derradeiro fim, no qual o personagem é tomado pela loucura. "Uma vida de consecutivas perdas e tiranias remetem Moisés para a loucura. E é a voz da insanidade que encerra, a partir de uma prisão, está alegoria sobre o universo da ditadura e da cleptocracia que é confrontado pela esperança de um desiludido personagem. Afinal, este Moisés, este salvador do mundo não salva a si próprio. E desfalece, incapaz de escapar de um lento aprisionamento que se iniciou no asilo da sua infância." E está incrível frase da revista da TAG que se refere a República do Congo, mas poderia muito se tratar do Brasil: "Em um país em que o único objetivo de poder é se perpetuar a qualquer custo, mesmo as frestas do sistema não são um lugar seguro".

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