Alguma poesia -

    Carlos Drummond de Andrade

    Editora Record
    2022
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9786555874617
    Português Brasileiro

    Livro de estreia de Carlos Drummond de Andrade, Alguma poesia retorna em novo projeto, com posfácio de Ronaldo Fraga. No meio do caminho, Poema de sete faces e Quadrilha estão entre os poemas mais conhecidos de Carlos Drummond de Andrade, e todos fazem parte de Alguma poesia, seu livro de estreia, publicado em 1930, quando o poeta tinha 28 anos. Aqui, mais inequivocamente do que em qualquer outra de suas obras, transparece a influência da Semana de Arte Moderna de 1922 e, sobretudo, de Mário de Andrade, com quem Drummond manteve uma farta correspondência literária. O ideário e a estética modernistas estão presentes na maneira como o poeta se coloca no mundo – recusando antigas idealizações e inserindo-se no cotidiano, “como qualquer homem da Terra”. Estão também no delicioso senso de humor que caracteriza muitos dos poemas aqui reunidos – Cidadezinha qualquer, Papai Noel às avessas, Cota zero e Balada do amor através das idades são bons exemplos. E, por fim, estão no enfrentamento do nacionalismo como tema, caso de Europa, França, Bahia e Fuga, entre outros. A rebeldia alegre da modernidade surge acompanhada de uma lucidez inquieta, que traz questionamentos éticos, políticos e existenciais, pondo em dúvida o avanço técnico e o progresso – “Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples”, escreve o poeta. Em meio a poemas marcados pela juventude e o frescor, já se revelava, com traços firmes, a típica inteligência drummondiana. As novas edições da obra de Carlos Drummond de Andrade têm seus textos fixados por especialistas, com acesso inédito ao acervo de exemplares anotados e manuscritos que ele deixou. Em Alguma poesia, o posfácio é do estilista Ronaldo Fraga. O leitor encontrará também bibliografias selecionadas de e sobre Drummond; e a seção intitulada “Na época do lançamento”, uma cronologia dos três anos imediatamente anteriores e posteriores à primeira publicação do livro. Bibliografias completas, uma cronologia de vida e obra do poeta e as variantes no processo de fixação dos textos encontram-se disponíveis por meio do código QR localizado na quarta capa deste volume.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo26/07/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Prazer, Drummond

    Certas coisas me deixam perplexo na vida. Uma dessas perplexidades aconteceu nos últimos anos ao ler este "Alguma poesia", primeiro livro publicado pelo gigante Carlos Drummond de Andrade. Sempre tive curiosidade de ler o poeta mineiro de verdade, fugir das armadilhas proporcionadas pela internet. Despretensiosamente comprei este livro. Entretanto, vocês não podem imaginar a minha surpresa ao descobrir que esta obra foi a carta de apresentação do poeta ao mundo. Nela estão, simplesmente, três dos principais poemas da língua portuguesa. Conversando com uma amiga minha que estimo muito, apontei que havia poucas resenhas ou comentários para este livro, o que chamou minha atenção. Em resposta, ela me disse: "poesia mexe com os sentimentos, talvez seja por isso". E é a mais pura verdade. Algo tão simples que eu nem tinha percebido... Em "Alguma poesia" os sentimentos são despertados em cada um de nós, mesmo que a conexão entre o poeta e os leitores seja fraca ou, pior ainda, não exista. A questão é que você vai ler algo que não há igual por aí. Aliás, este é um livro incrível para apresentar o que foi o movimento modernista do Brasil em todos os seus campos artísticos e, de quebra, mostrar a beleza que só a nossa poesia possui. Eu tenho problemas com versos livres, confesso. Entretanto, a maneira como Drummond dispõe seus versos no papel, a sua quebra brusca com os formalistas em alguns dos textos, é cativante. Além dos conhecidíssimos "Poema de sete faces", "No meio do caminho" e "Quadrilha", destacaria a ironia fina do eu lírico em "Também já fui brasileiro", "Política literária", "Cidadezinha qualquer" e "Explicação"; a melancolia presente em "Sentimental", "Nota social", "Poesia" e "Música"; e, por fim, não posso deixar de citar a precisão sobrenatural na escolha das palavras em "Cota zero" e "Quero me casar". Drummond lançou este livro em 1930 e, 90 anos depois, época em que escrevo minhas humildes impressões, é quase ensurdecedor perceber como ele estava à frente de seu tempo. Uma das leituras mais prazerosas que já fiz.

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