Senhores do Orvalho (Acervo #18) -

    Jacques Roumain

    Carambaia
    2022
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9786586398649
    Português Brasileiro

    Uma das obras fundadoras da literatura haitiana traz uma história de amor e luta, de valorização da cultura negra e da tradição, da exploração de recursos naturais e da solidariedade O romance tem como protagonista Manuel, que volta para seu povoado no Haiti depois de quinze anos vivendo em Cuba como cortador de cana. Ao retornar, a paisagem que encontra em Fonds Rouge não é a mesma: após décadas de desmatamento, a terra está seca, as fontes de água desapareceram, e a população padece da miséria e da fome. Além disso, uma briga entre famílias locais criou uma rivalidade incontornável, e os moradores, que sempre trabalharam a terra coletivamente, com a tradicional coumbite, estavam desunidos. É nesse contexto que Manuel surge como uma espécie de herói, para, entre a experiência adquirida com os trabalhadores cubanos e um mergulho nas tradições ancestrais, tentar unir sua gente e encontrar uma solução para a miséria. O livro, que só tinha tido uma edição no Brasil em 1954, em uma coleção coordenada pelo escritor Jorge Amado, ganhou nova tradução, por Monica Stahel, e vem acompanhado de um posfácio escrito por Eurídice Figueiredo, professora da Universidade Federal Fluminense e especialista em literatura haitiana.

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    Ana Sá04/10/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Livro não surpreende, mas seduz e enriquece o leitor

    Coloco o romance de Jacques Roumain no rol das narrativas que não surpreendem muito o leitor, mas que valem a pena por seu valor literário e cultural. O livro chega a ser previsível, mas é bonito e bom de ler. A leitura flui e encanta em muitos momentos. Trata-se do romance tido como fundador da literatura haitiana moderna (publicado originalmente em 1944), com evidente beleza estética em muitas passagens. Só o enredo já é um baita convite: Manuel retorna ao Haiti depois de 15 anos trabalhando com a cana de açúcar em Cuba, de onde volta influenciado politicamente. Ao se deparar com um lar devastado pela seca e pela exploração da mão de obra dos trabalhadores rurais, a personagem se dedica a promover a união e a revolta do povo do campo. As referências às matrizes africanas da cultura haitiana são um ponto forte do livro. Nesse ponto, foi inevitável notar elos com a cultura negra/afro-brasileira também. Como eu antecipei, é daqueles romances onde há uma surpresa (ou plot?) apenas no fim, mas que leva o leitor pela mão até o fechamento da história. Gostei muito da experiência de leitura! Foi prazerosa! Ah, eu li a tradução mais antiga, intitulada "Os donos do orvalho", e cheguei a este livro por causa da recomendação feita pelo autor de "Torto Arado", Itamar Vieira Jr. Como era de se esperar, não decepcionou!

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