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    O livro de areia -

    Jorge Luis Borges

    Editora Globo
    2001
    119 páginas
    3h 58m
    ISBN-10: 852503343x
    Português Brasileiro
    4
    1070 avaliações
    Leram1854Lendo109Querem1119Relendo0Abandonos27Resenhas79
    Favoritos45Desejados1119Avaliaram1070

    Última coletânea de contos publicada pelo autor traz de volta temas que lhe são caros, sob um olhar maduro e aguçado. Tradução do professor e ensaísta Davi Arrigucci Jr. Em treze histórias muito diversas, seguidas de um breve epílogo, Jorge Luis Borges molda variações sintéticas dos temas obsessivos e recorrentes de seu percurso de contista. Com mãos experientes de artesão, imprime nelas a modelagem modesta, serena e essencial que lhes garante a eficácia pelos meios mais concisos e, de quebra, o encanto indefinível de um objeto perfeito da natureza. O outro abre o conjunto pelas espirais do tempo e o motivo do duplo, que Borges aprendeu a admirar nas páginas lidas e relidas de Robert Louis Stevenson e refaz agora em delicada chave pessoal. O Congresso alastra-se por vastidões infinitas: a narrativa mais ambiciosa da série leva uma empresa crescente a se confundir com o cosmos e a soma dos dias, não sem antes enredar, lúdica e ironicamente, traços autobiográficos do autor em seu projeto fantástico. A invenção diabólica de um livro de areia vai além das outras fábulas todas desconcertantes e uma, pelo menos, terrível (There are more things) , pois contém um desígnio secreto: prender para sempre a atenção e a memória do leitor entre as folhas incalculáveis de sua monstruosa trama.

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    Régis Maz picture
    Régis Maz13/06/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Treze histórias diversas

    O Livro de Areia lançado em 1975 é a última coletânea de contos publicada por Borges, nele o autor desenvolve temas que já fizeram parte de outras histórias suas ao longo da vida, são contos que têm um sentido quase mágico e que despertam no leitor a sensação de estar em um sonho onde a narrativa detalhada e versátil do autor mostra uma percepção apurada da alma humana nos convidando a mergulhar no teor expressivo e fantástico de seus textos. O primeiro conto traz o tema do duplo, do Doppelgänger; tema esse que sempre entusiasmou Stevenson, de quem Borges gostava bastante, o segundo conto foi inspirado pelas ficções de Kafka, temos também um conto que alude a Lovecraft: a quem Borges sempre julgou um parodista involuntário de Poe; e temos outros contos que falam de cansaço, da melancolia, de amores fugazes, do tempo, da efemeridade da vida, de assassinato político e o último é sobre um livro inconcebível com um volume de páginas infinitas onde nenhuma é a primeira e nenhuma é a última, trazendo novamente a obsessão do autor por labirintos à sua narrativa. E como sempre tiveram contos com os quais eu me envolvi mais e outros com os quais eu me envolvi menos, sem que isso fizesse dessa uma leitura menos prazerosa e instigante. Gosto de como a narrativa fantástica de Borges me faz sentir e de como me faz pensar. Essas treze histórias muito diversas me fizeram companhia nessas últimas manhãs, me fazendo admirar ainda mais a escrita hipnótica de Borges. Gosto muito da forma como o autor escreve seus contos e como insere fatos históricos misturando ficção e não-ficção, tornando a experiência de ler seus textos intensa e extremamente original. Recomendo.

    98 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4 / 1070
    • 5 estrelas34%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas23%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas1%
    Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo profile picture

    Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo

    Mais conhecido como Jorge Luis Borges, foi um escritor, poeta, tradutor, crítico e ensaísta argentino. Em 1914 sua família se mudou para Suíça, onde ele estudou e viajou para a Espanha. Em seu retorno à Argentina em 1921, Borges começou a publicar seus poemas e ensaios em revistas literárias surrealistas. Também trabalhou como bibliotecário e professor universitário público. Em 1955 foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional da República Argentina e professor de literatura na Universidade de Buenos Aires. Em 1961, destacou-se no cenário internacional quando recebeu o primeiro prêmio international de editores, o Prêmio Formentor. Seu trabalho foi traduzido e publicado extensamente no Estados Unidos e Europa. Borges era fluente em várias línguas. Morreu em Genebra, na Suíça, em 1986. Sua obra abrange o "caos que governa o mundo e o caráter de irrealidade em toda a literatura". Seus livros mais famosos, Ficciones (1944) e O Aleph (1949), são coletâneas de histórias curtas interligadas por temas comuns: sonhos, labirintos, bibliotecas, escritores fictícios e livros fictícios, religião, Deus. Seus trabalhos têm contribuído significativamente para o gênero da literatura fantástica. Estudiosos notaram que a progressiva cegueira de Borges ajudou-o a criar novos símbolos literários através da imaginação, já que "os poetas, como os cegos, podem ver no escuro". Os poemas de seu último período dialogam com vultos culturais como Spinoza, Luís de Camões e Virgílio. Sua fama internacional foi consolidada na década de 1960, ajudado pelo "boom latino-americano" e o sucesso de Cem Anos de Solidão de Gabriel García Márquez. O escritor e ensaísta John Maxwell Coetzee disse sobre ele: "Ele, mais do que ninguém, renovou a linguagem de ficção e, assim, abriu o caminho para uma geração notável de romancistas hispano-americanos".

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    Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo