Os Prêmios (Clássicos Modernos #41) -

    Julio Cortázar

    Abril
    1975
    467 páginas
    15h 34m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    Grupo diverso de cidadãos de Buenos Aires, ganhadores de uma loteria fomentada pelo governo argentino, embarca em um navio misto – de passeio e de carga, portanto – para desfrutar de seu prêmio: um cruzeiro oceânico. Uma vez lá, uma inquietação se instaura nos passageiros pelas restrições no livre trânsito através da embarcação e pela falta de informações sobre o trajeto da viagem. Volume 41 da coleção Clássicos Modernos, capa dura, Abril Cultura, 1975.

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    Gabriel Oliveira picture
    Gabriel Oliveira14/06/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um romance diferente e um escritor notável

    [~A resenha será um pouco longa pois não vi ninguém falar desse livro~] Os Prêmios é um romance muito diferente de tudo que eu já li e confesso que, se tivesse pego esse livro em outro momento de minha vida, certamente teria abandonado. Trata-se de um livro onde não há uma preocupação, por parte do autor, em mastigar as coisas. Temos aqui uma obra composta de praticamente 90% em diálogos, o que me fez lembrar de peças de teatro. Acompanhado a isso, um narrador em terceira pessoa que se infiltra na mente de alguns personagens e passa por suas consciências. Os personagens, por sinal, são MUITO densos e complexos, e é preciso tirar o chapéu para a habilidade de Cortázar em construir diálogos aparentemente banais mas que sugam a atenção. As personagens femininas dão um show à parte. Não é um livro fácil de se ler. Uma das razões é que não existe um protagonista específico aqui, em contraste com outras obras do gênero. Obviamente alguns personagens são centrais na trama, em oposição a outros que não. Há também o andar do enredo: você acompanhará dezenas e dezenas e dezenas e dezenas de páginas sem que algo aparentemente "empolgante" aconteça. Esse não é um livro de ação, embora exista um breve trecho onde esse tipo de coisa aconteça; por falar nele, o narrador (falando com a voz do autor) ainda ironiza a situação toda dizendo que aquela batalha toda está parecendo mais um "romance de banca de jornal". Particularmente amei essa ironia. Um outro ponto é o experimentalismo dentro de solilóquios de um determinado personagem; existe, nesses trechos, uma forte tendência ao surrealismo que pode incomodar os que não tem uma "mente aberta" a novas possibilidades narrativas. Vamos ao ponto negativo: a edição que li, da clássicos Abril, do ano de 197... e lá vai cacetada, apresenta uma tradução bem mal-feita. Ou então o que existe é uma ausência de revisão. Só sei que existem trechos com erros muito gritantes. Um exemplo é uma frase mais ou menos assim: "verga na vulva"; trata-se de sexo. "Verga" que espanhol significa algo como "pênis" e a tradutora optou por ignorar isso, por motivos que só Deus sabe. Enfim... É um livro que vale a pena ser lido por amantes da literatura latino-americana. Especialmente por aqueles que gostam de propostas ousadas, de linguagem inovadora e de personagens densos.

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