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    Três Contos (Prosa do Mundo) - Um coração simples; A Legenda de São Julião Hospitaleiro; Herodíade

    Gustave Flaubert

    Cosac & Naify
    2004
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-10: 8575033441
    Português Brasileiro
    3.8
    455 avaliações
    Leram603Lendo43Querem576Relendo1Abandonos16Resenhas47
    Favoritos18Desejados576Avaliaram455

    Uma nova tradução faz justiça à fama destes contos considerados pela crítica o testamento literário de Gustave Flaubert (1821-1880) e um dos pontos altos da ficção do século XIX. São histórias exemplares que confirmam plenamente a visão certeira, a riqueza de recursos e a modernidade da prosa do autor, reunindo os temas e as preocupações de sua fase mais madura. No primeiro conto, "Um coração simples", Flaubert acompanha a biografia rasa de uma criada fiel e generosa, até a reviravolta representada pela chegada de um papagaio de estimação. O protagonista do segundo, "A legenda de São Julião Hospitaleiro", é um santo medieval que, apesar de sua aura, comete uma longa fieira de crimes. Já "Herodíade" narra o epísódio bíblico da morte de São João Batista, porém de uma perspectiva desencantada, como luta pelo poder. O livro traz uma seleção, feita pelos tradutores, de trechos de cartas de Flaubert, nos quais se lê comentários do escritor sobre Três contos.

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    Guilherme M15/04/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Dois contos e um terceiro

    Última obra completa do autor de “Madame Bovary”, “Três contos” foi publicado em 1877, a três anos da morte do escritor. A prosa de Flaubert é fluida, agradável e extremamente elegante. O primeiro conto (“Num coração simples”) elege como protagonista uma empregada doméstica devota e analfabeta. Como aponta o tradutor Samuel Titan Jr. na apresentação do livro, a força desse retrato singular é tratar “com honras de personagem principal uma figura que, o mais das vezes, seria mais uma na multidão de personagens secundárias que povoam um romance” (p. 9/11). O segundo conto (“A legenda de São Julião Hospitaleiro”) reinventa a história bíblica de um santo com maestria tal que a narrativa ganha vida própria, sem dependência de pesquisa prévia pelo leitor. Isso não ocorre com o terceiro conto, “Herodíade”. Nele, Flaubert narra outro episódio bíblico – a morte de São João Batista – de uma perspectiva também particular, mas inteiramente subordinada ao prévio conhecimento do leitor. Por óbvio, isso não compromete o valor artístico da obra, mas limita o alcance da leitura de cada um. Eu, que pouco conheço da Bíblia, não consegui sustentar o interesse no decorrer desse conto. Naturalmente, o autor sabia que isso poderia acontecer. Em carta ao escritor Guy de Maupassant, revelou: “enfim, começarei minha ‘Herodíade’. Terminei minhas anotações e agora estou desemaranhando meu plano. O difícil aqui é dispensar, na medida do possível, as explicações indispensáveis” (p. 142). Particularmente, acredito que Flaubert não apenas sabia que o conto ficaria insuportável se contivesse todas as explicações bíblicas possíveis, como aceitava que essa não seria uma leitura acessível ou interessante a todos. Ainda assim, os dois primeiros contos são extraordinários e só por si valem a leitura.

    22 curtidas

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    3.8 / 455
    • 5 estrelas22%
    • 4 estrelas42%
    • 3 estrelas29%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas1%
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    Gustave Flaubert

    "Madame Bovary sou eu", disse Gustave Flaubert quando os juízes lhe perguntaram quem teria sido o modelo da sua personagem, durante o seu julgamento, em 1856. Ele foi acusado pelo governo francês de ter escrito uma "obra execrável sob o ponto de vista moral". Mas foi absolvido pela Sexta Corte Correcional do Tribunal do Sena, em Paris, em fevereiro de 1857. Resultado de cinco anos de trabalho, seu romance de estréia, "Madame Bovary", é uma dura depreciação dos valores burgueses. Segundo alguns críticos conservadores, Flaubert ridicularizou sua própria condição social. Afinal, o autor era filho de um médico provinciano rico e vivia de rendas em sua idade adulta na propriedade rural do pai. A história de Emma Bovary, que trai o marido para fugir da vida medíocre, é um retrato da incapacidade mental, emocional e moral das sociedades provincianas. Flaubert se dizia um estudioso da estupidez humana e colecionava episódios de burrice publicados em livros e jornais. Para ele, estupidez era mais freqüente na província. A falta de inteligência também foi o tema de "A Tentação de Santo Antão" (1874). Em 1840, como prêmio por ter concluído os estudos secundários, ganhou uma viagem para os montes Pirineus e para a ilha de Córsega. Ao passar por Marselha, viveu um namoro com Eulália Foucaud de Langlade. O idílio foi inspiração para a obra "A Educação Sentimental" (1869). Entre 1849 e 1851, o autor viajou para a África, onde colheu informações para "Salambô" (1862), sobre a queda de Cartago. Flaubert foi um dos autores mais importantes do Realismo, movimento estético de reação ao Romantismo europeu no século 19, influenciado pelas teorias científicas, a Revolução industrial e a linha filosófica de Augusto Comte (o Positivismo). Ele levou à perfeição o ideal do romance realista de harmonizar a arte e a realidade. Sua obra se caracteriza pelo cuidado na sintaxe, na escolha do vocabulário e na estrutura do enredo. Em 1866, recebeu a Legião de Honra do governo francês. Pouco antes de sua morte, vendeu propriedades para evitar a falência do marido de sua sobrinha. Passou a viver de um salário como conservador da Biblioteca Mazarine. O romance "Bouvard et Pécuchet" foi publicado inacabado, postumamente.

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    Gustave Flaubert