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    Zero -

    Ignácio de Loyola Brandão

    Codecri
    1975
    285 páginas
    9h 30m
    ISBN-10: 5445647852
    Português Brasileiro
    3.9
    340 avaliações
    Leram547Lendo30Querem738Relendo1Abandonos34Resenhas31
    Favoritos19Desejados738Avaliaram340

    Publicado em 1974, primeiramente na Itália e só depois no Brasil, Zero é um romance que oferece um retrato pungente de sua época, pois foi escrito pela necessidade de grito diante da Ditadura Militar Brasileira (1964-1985), um período marcado pela censura cultural e o controle dos indivíduos no que eles tinham de mais íntimo, assim como a prisão, tortura e assassinato de pessoas que se opusessem de qualquer forma ao regime. Extremamente experimental, Zero intenta retratar o caos tanto no conteúdo quanto na forma e isso fica evidente pelos vários tipos de textos que se apresentam ao longo da narrativa: a simulação de recortes de jornal, propagandas, cartazes, inscrições de banheiro, letras de músicas e inúmeros outros tipos de texto vão criando uma paisagem do país e seu contexto histórico-social.

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    Resenhas (31)Ver mais
    INGRID MAYARA ALLEBRANDT picture
    INGRID MAYARA ALLEBRANDT14/01/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Uma desordem organizada

    Publicado na Itália em 1974, Zero foi lançado no Brasil em 1975 e no ano seguinte recebeu o prêmio de “Melhor Ficção”, da Fundação Cultural do Distrito Federal. Poucos meses após a premiação, foi censurado pelo Ministério da Justiça e proibido em todo o território nacional. Voltou à circulação em 1979. De início, o livro parece não fazer sentido devido a sua estruturação caótica. É uma união de diversos fragmentos textuais e recursos gráficos como: ilustrações, poesia concreta, provérbios, breves textos jornalísticos e enciclopédicos e até mesmo trechos bíblicos. Há também algumas colunas indicando que algo ocorre em paralelo à vida dos personagens. O autor utiliza-se de uma linguagem popular bastante semelhante à oralidade, com uma mistura de português, espanhol e inglês. Além disso, o uso de vírgulas e outras pontuações estão dispostas de maneira peculiar. O livro trata principalmente da vida de José, um homem comum que, ao se casar com Rosa, luta para construir uma vida estável em uma cidade marcada pela repressão do regime militar. O sonho de Rosa era ter uma vida "normal"; uma casa própria com comida, marido, filho e cachorro. José não possui grandes objetivos na vida, mas sua esposa o convence a comprar uma casa. Ele se esforça para conseguir tal objetivo de maneiras ilícitas; não exatamente por amor, mas basicamente para ela parar de perturbá-lo. Certo humor é empregado no livro, equilibrando os momentos de tensão (roubos, execuções, (des)ordem política e social). Há o erotismo escancarado que deixa um desconforto físico e mental. Particularmente, eu me incomodei bastante com essa parte, no entanto, acabou sendo uma das minhas favoritas porque pude conhecer melhor o interior da personagem Rosa. Aproximadamente na metade do livro, pude notar certa regularidade nos fragmentos. Ao mesmo tempo em que há o caos estrutural, há também uma bagunça organizada, que dá uma boa ideia dos acontecimentos ditatoriais reais do Brasil, que ao pesquisar sobre o livro, descobri que de fato esse era o propósito; ou também, acho que daria para considerá-lo como uma distopia brasileira: novas leis e regras que antes seriam absurdas, exagerada imposição militar para o "bem" da população, censura com objetivo de alienação e idealizações éticas e morais. Sinceramente, não sei se recomendo esse livro às pessoas sensíveis ao erotismo e escrita considerada marginal. Quanto à estrutura em fragmentos, tive facilidade porque é algo parecido com as redes sociais, onde acompanhamos as histórias dos nossos amigos, rolamos o mouse, de repente vemos uma notícia triste e perturbadora, rolamos o mouse, nos deparamos com uma imagem engraçada, rolamos o mouse e prosseguimos com algo que lembre uma citação ou poema; e assim seguimos a vida, para melhor ou para pior.

    39 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 340
    • 5 estrelas32%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas9%
    • 1 estrelas2%
    Ignácio de Loyola Brandão profile picture

    Ignácio de Loyola Brandão

    Desde pequeno, Loyola sonhava conquistar o mundo com sua literatura; se não, pelo menos voltar vitorioso para sua cidade natal. Sua carreira começou em 1965 com o lançamento de Depois do Sol, livro de contos no qual o autor já se mostrava um observador curioso da vida na cidade grande, bem como de seus personagens. Trabalhou como editor da Revista Planeta entre 1972 e 1976. Dono de um "realismo feroz", segundo Antonio Candido, seu romance Zero foi publicado inicialmente em tradução italiana. Quando saiu no Brasil, em 1975, foi proibido pela censura, que só o liberou em 1979. Em 2008, o romance O Menino que Vendia Palavras, publicado pela editora Objetiva, ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano.

    76 Livros
    160 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Ignácio de Loyola Brandão