Apologia de Sócrates -

    Platão

    Edipro
    2015
    80 páginas
    2h 40m
    ISBN-13: 9788572836845
    Português Brasileiro

    A Apologia de Sócrates é o registro de uma das defesas mais famosas e polêmicas da história do direito e da justiça ocidentais. Paralelamente, trata-se de uma pequena obra-prima literária de um dos assistentes dessa defesa: Platão, um dos discípulos de Sócrates. O filósofo que perpetuou conceitos como "conheça-te a ti mesmo" e "só sei que nada sei" foi condenado e passou dias na clausura, filosofando sobre a imortalidade da alma, antes de sua execução. Sócrates inicia seu discurso advertindo os juízes de que pronunciará exclusivamente a verdade. Assinada pelo jovem Meleto, juntamente com Anito e Lícon, que, pelos costumes da época, tinham direito a fazer declaração jurada, a acusação indiciava Sócrates por não reconhecer os deuses que o Estado reconhecia, por introduzir novos cultos e, também, por corromper a juventude, motivos pelos quais receberia pena capital, caso fosse condenado. A tese defendida por Sócrates é a de que nada mais fazia do que filosofar. Inclusive, declarou que preferiria a morte a deixar de se dedicar à filosofia, e, infelizmente, foi o que aconteceu, uma vez que foi condenado por um júri composto de 501 homens atenienses. O pensador considerou vergonhosa a postura de seus julgadores pelo fato de terem sido per suadidos a acautelarem-se para não serem ludibriados pela sua "extraordinária capacidade de oratória", que seus acusadores lhe atribuíram.

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    Dyllan Johnny07/04/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Onde há sim vergonha há também medo.

    Sócrates era desses incômodos confrontadores, chato iluminado, gênio por natureza. O mais interessante é vê-lo, sem precisar de deuses, seguir firme em sua moral interior. Ele carrega, no discurso, o ouvinte por caminhos disfarçados com perguntas, sem que o entrevistado perceba suas intenções. Ao falar da morte, nos desarma: e se for ela o verdadeiro descanso? E se for uma dádiva muito maior que estar vivo? E se lá, encontrarmos nossas maiores inspirações? Como podemos afirmar que a partida é uma subtração e não um ganho? Diante do fim, ele não treme. Temer o desconhecido seria ignorar a beleza do mistério. (“Aquelas coisas que não sei se acaso são boas jamais temerei nem evitarei.”) “Me diga então, por Zeus: que tão belo feito é esse que os deuses efetuam valendo-se de nós como seus servidores?” “Doar não seria uma arte se déssemos a alguém aquilo de que não precisa absolutamente...” “não há quem venha a se salvar, dentre os homens, depois de se opor genuinamente a vocês (juízes) ou a qualquer outra maioria.” “prefiro muito mais morrer depois de ter me defendido desta maneira a ter que viver daquela. Pois nem numa causa, nem numa guerra, não se deve maquinar isto: de tudo fazer para escapar da morte.” “Para o homem bom não há mal algum, nem quando vive, nem quando morre.” “Mas agora é hora de partirmos: eu, para morrer, e vocês, para viver. Quem de nós vai para melhor, a todos é inaparente..”

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