Quando evocamos a grandeza do Egito Antigo, um nome vem imediatamente à nossa mente: Ramsés, o faraó que reinou durante 60 anos, combateu inúmeros inimigos e cujos feitos estão talhados em esculturas nos templos egípcios e em narrativas poéticas. No primeiro volume desta maginífica saga - "O Filho da Luz" -, Ramsés deu provas ao faraó Sethi de que merecia ser escolhido como seu sucessor. Enfrentando inúmeras ciladas e a cólera de Chenar, seu irmão mais velhoe herdeiro natural do império mais poderoso do mundo, Ramsés foi iniciado na sagrada e suprema função. Neste segundo volume - "O Templo de Milhões de Anos" - finalmente chega o dia da coroação de Ramsés. E ele dispõe das mais favoráveis condições para reinar com prosperidade, justiça e sabedoria: o amor de Nefertari, a grande esposa real, e da mãe Touya, a sólida rede de amigos. tecida desde a adolescência, e o apoio incondicional de Moisés, o hebreu. Contudo, à sombra, os complôs se multiplicam. Conseguirá Ramsés perceber as ciladas que Chenar continuará preparando para tomar-lhe o poder? Outros inimigos ocultos trabalharão para destronar Ramsés e instalar a miséria e o desequilíbrio espiritual no Egito, dentre eles um poderoso mago negro, seu próprio cunhado e um de seus amigos mais confiáveis. Em meio a todas essas ciladas, o amor e a sabedoria de Nefertari ajudarão Ramsés a vencer os adversários, visíveis e invisíveis. O casal real escolherá a única via possível: construir um templo.
Ramsés - O Templo de Milhões de Anos
Christian Jacq
Grandioso, informativo e previsível
Estava pensando sobre o que devo dizer a respeito deste segundo volume da série de Ramsés e cheguei à conclusão de que ele se assemelha muito ao primeiro volume. A habilidade de Christian Jacq na reconstrução do Egito Antigo continua presente, claro, que com mais riqueza de detalhes e com uma amplificação dos elementos religiosos, políticos e simbólicos. No entanto, esse cenário forte contrasta bastante com a construção dos conflitos e com os personagens que deveriam ser capazes de causar alguma tensão no reinado do grande faraó Ramsés. Aqui, o mesmo padrão do primeiro livro se repete: conspirações surgem, são rapidamente identificadas e a tensão é esvaziada sem nunca chegar a ser uma grande ameaça. O que deixa claro o quanto o autor não optou conscientemente por criar conflitos verdadeiramente capazes de impactar e desestabilizar o que historicamente é conhecido sobre a vida e o reinado de Ramsés. Eu gostei muito do desenvolvimento de Moisés, ele realmente parece ser um contraponto à religião egípcia, só espero que ele não seja rapidamente descartado, assim como Menelau. As intrigas de Chenar, agora aliado aos hititas, novamente me pareceram previsíveis e pouquíssimo envolventes; acho que funcionam mais como um recurso narrativo para reafirmar a superioridade de Ramsés do que como uma ameaça real. E Acha, amigo de infância do faraó, me causou imensa decepção, pois estava esperando complexidade e acabei frustrada em minhas expectativas de que houvesse um conflito mais humano e ambíguo. Infelizmente, o autor, até aqui, tem evitado qualquer subversão mais ousada de seu personagem central. As tramas contra Ramsés se esvaziam muito rapidamente, o que diminui a capacidade de causar qualquer emoção ou catarse, o que termina por tornar a leitura confortável, mas também repetitiva. A série ainda me entretém e pretendo finalizá-la, mas dificilmente espero me surpreender com os próximos volumes. Por outro lado, o romance acerta em pontos específicos, como a exploração dos elementos místicos e a dimensão simbólica que é governar o Egito e dialogar com o invisível de sua cultura. Ouso fazer também um paralelo que evidencia o contraste entre Sethi, que possuía uma autoridade silenciosa e imponente, e Ramsés, que é descrito como fogo e torrente em constante movimento, e dizer que esse é um dos pontos mais inspirados do livro. Também gostei do destaque dado à construção de Pi-Ramsés e à presença hebraica, retratada como trabalhadores livres, pagos, com períodos justos de descanso, em forte oposição ao mito bíblico da escravidão. E também da inclusão da herança de Akhenaton e do culto a Aton, o deus único, que teve o poder de acrescentar densidade histórica e ideológica à narrativa. Ao final, O Templo de Milhões de Anos me entreteve e informou, principalmente pelo cuidado na ambientação e na descrição da estrutura do Egito Antigo. Contudo, sinto que a recusa do autor em se arriscar com conflitos mais profundos ou reviravoltas mais impactantes acabou limitando o impacto da obra. Em minha opinião, a reverência que Christian Jacq insiste em fazer à figura histórica de Ramsés é justamente o que torna sua ficção previsível e excessivamente contida.
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