O Livro de Areia -

    Jorge Luis Borges

    Editora Globo
    1975
    126 páginas
    4h 12m
    ISBN-10: 8525003077
    Português Brasileiro

    Tradução do professor e ensaísta Davi Arrigucci Jr. Em treze histórias muito diversas, seguidas de um breve epílogo, Jorge Luis Borges molda variações sintéticas dos temas obsessivos e recorrentes de seu percurso de contista. Com mãos experientes de artesão, imprime nelas a modelagem modesta, serena e essencial que lhes garante a eficácia pelos meios mais concisos e, de quebra, o encanto indefinível de um objeto perfeito da natureza. O outro abre o conjunto pelas espirais do tempo e o motivo do duplo, que Borges aprendeu a admirar nas páginas lidas e relidas de Robert Louis Stevenson e refaz agora em delicada chave pessoal. O Congresso alastra-se por vastidões infinitas: a narrativa mais ambiciosa da série leva uma empresa crescente a se confundir com o cosmos e a soma dos dias, não sem antes enredar, lúdica e ironicamente, traços autobiográficos do autor em seu projeto fantástico. A invenção diabólica de um livro de areia vai além das outras fábulas todas desconcertantes e uma, pelo menos, terrível (There are more things) , pois contém um desígnio secreto: prender para sempre a atenção e a memória do leitor entre as folhas incalculáveis de sua monstruosa trama.

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    Régis Maz13/06/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Treze histórias diversas

    O Livro de Areia lançado em 1975 é a última coletânea de contos publicada por Borges, nele o autor desenvolve temas que já fizeram parte de outras histórias suas ao longo da vida, são contos que têm um sentido quase mágico e que despertam no leitor a sensação de estar em um sonho onde a narrativa detalhada e versátil do autor mostra uma percepção apurada da alma humana nos convidando a mergulhar no teor expressivo e fantástico de seus textos. O primeiro conto traz o tema do duplo, do Doppelgänger; tema esse que sempre entusiasmou Stevenson, de quem Borges gostava bastante, o segundo conto foi inspirado pelas ficções de Kafka, temos também um conto que alude a Lovecraft: a quem Borges sempre julgou um parodista involuntário de Poe; e temos outros contos que falam de cansaço, da melancolia, de amores fugazes, do tempo, da efemeridade da vida, de assassinato político e o último é sobre um livro inconcebível com um volume de páginas infinitas onde nenhuma é a primeira e nenhuma é a última, trazendo novamente a obsessão do autor por labirintos à sua narrativa. E como sempre tiveram contos com os quais eu me envolvi mais e outros com os quais eu me envolvi menos, sem que isso fizesse dessa uma leitura menos prazerosa e instigante. Gosto de como a narrativa fantástica de Borges me faz sentir e de como me faz pensar. Essas treze histórias muito diversas me fizeram companhia nessas últimas manhãs, me fazendo admirar ainda mais a escrita hipnótica de Borges. Gosto muito da forma como o autor escreve seus contos e como insere fatos históricos misturando ficção e não-ficção, tornando a experiência de ler seus textos intensa e extremamente original. Recomendo.

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