Cartas sobre Tolerância (Fundamentos do Direito) -

    John Locke

    Ícone Editora
    2004
    496 páginas
    16h 32m
    ISBN-13: 9788527407731
    Português Brasileiro

    Para melhor apreciar o desenvolvimento da doutrina da tolerância, talvez nos seja preciso estudar antes de tudo o ponto ao qual Locke leva, a própria Carta sobre a tolerância. Sua argumentação mais forte, da qual tudo depende, e à qual ele mais se fixa, é certamente a distinção da comunidade política e da comunidade religiosa, a distinção da separação radical das funções da Igreja e as do Estado.

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    Tales Vieira22/10/2019Resenhou um livro
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    Primeira geração de Direitos Humanos - Liberdade - Tolerância

    A ''Carta sobre a tolerância'' está inserida em um contexto próprio de formação do que hoje se conhece como ''direitos de primeira geração'' dentro do estudo dos Direitos Humanos, que compreende as liberdades civis e políticas. Aqui, o pai do liberalismo, o inglês John Lock questiona com que autoridade um cristão (seja de qual ramo for) empreende guerra contra outro cristão ou pagão, o que vai contra a afirmação de valores como liberdade, propriedade e individualidade, típicas do liberalismo clássico. Penso que os próprios liberais deveriam ler mais Locke para entender que a visão intervencionista deles não é fundamentada em teóricos da sua própria corrente filosófico-política. Concordo com Locke quando ele diz que há de se ter respeito pela autonomia privada e direitos civis, quando ele diz que o Estado não deve promover uma religião específica e respeitar todas e por último quando ele diz que os padres e pastores só são autoridades dentro da sua Igreja, e não necessariamente sobre a sociedade. É uma lástima abrir o jornal e ver notícias de ataques contra centros religiosos, em um clara afronta ao individualismo e liberdade de crença/profissão de fé. Em uma visão mais radical, diria que no Brasil ainda não foram consagrados sequer os direitos de primeira geração, ao passo que alguns doutrinadores já apontam uma quarta ou quinta. Os direitos civis e políticos vem sendo ameaçados por todos os lados, o que não é saudável para nenhum lado da balança política que queira viver em uma democracia. O cuidado maior, penso, é justamente com os que declaradamente não querem viver na democracia.

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