“O Leitor como metáfora” de Alberto Manguel foi publicado no Brasil pela editora Sesc em uma edição belíssima, com diagramação perfeita para conversar com o texto nas margens.
Manguel vai se debruçar sobre três principais metáforas que simbolizam o leitor e sua relação com a literatura; enfatizando seus aspectos positivos e negativos.
- Leitor como Viajante
Fazendo um paralelo com “A Divina Comédia”, o autor desenvolve a ideia da leitura como descoberta do mundo.
Ao mesmo tempo que a leitura permite conhecer novos lugares, culturas, experiências, ela também pode fazer com que o leitor se deixe levar apenas pela aventura e não encontre sentido na viagem, evitando o exercício de autorreflexão.
“A experiência da leitura e a experiência da viagem vida afora espelham uma a outra” p.31
- Leitor na Torre de Marfim
Aqui temos referência à Hamlet, que por vezes se vê paralisado pelo excesso de pensamento. A Torre de Marfim que surgiu como um refúgio para reflexão em busca da compreensão e tradução do mundo, passou a ter uma conotação negativa de esconderijo intelectual, um local para fugir e se alienar do mundo.
“Numa época em que os valores que a nossa sociedade apresenta como desejáveis são os da velocidade e brevidade, o lento, intenso e reflexivo processo da leitura é visto como ineficiente e antiquado.” p. 104
- A Traça
Citando Dom Quixote e, por vezes, Madame Bovary, o autor desenvolve a questão do consumo desenfreado das palavras sem se beneficiar de seus significados e ser devorado por elas, já o ponto positivo está na vivacidade com que o leitor se envolve com o texto. A ingestão cuidadosa das palavras é crucial para diferenciar uma leitura profunda de uma superficial.
“Todo leitor já sentiu, ao menos uma vez, o poder avassalador de uma criatura de palavras, apaixonando-se por certo personagem, detestando visceralmente outro, tendo a esperança de emular um terceiro.” p. 113
Leitura mais que recomendada, com um texto acessível, me identifiquei em diversas situações.