O primeiro e mais famoso livro sobre viagem no tempo chega em edição especial, com ilustrações inéditas, tradução primorosa e extras. Ao contar a história de um cientista inglês que embarca em uma fabulosa jornada a um mundo futuro, desconhecido e cheio de mistérios, H. G. Wells inaugura um dos principais temas da ficção científica. A bordo de sua Máquina do Tempo, o cientista que narra esta história parte do século XIX para o ano de 802701. Nesse futuro distante, ele descobre que o sofrimento da humanidade foi transformado em beleza, felicidade e paz. A Terra é habitada pelos dóceis Eloi, uma espécie que descende dos seres humanos e já formou uma antiga e enorme civilização. Mas os Eloi parecem ter medo do escuro, e têm todos os motivos para isso: em túneis subterrâneos vivem os Morlocks, seus maiores inimigos. Quando a Máquina do Tempo que levou o Viajante some, ele é obrigado a descer às profundezas para recuperá-la e voltar ao presente. Misturando uma imaginação singular, um tema inovador e muitas reviravoltas, A Máquina do Tempo foi o primeiro romance publicado por H. G. Wells, em 1895. Chamado de gênio e considerado um pioneiro, Wells abriu caminho não só para seus livros e sua visão de mundo, mas para novas possibilidades na literatura. EDIÇÃO ESPECIAL COM ILUSTRAÇÕES INÉDITAS, TRADUÇÃO, PREFÁCIO e NOTAS DE BRAULIO TAVARES e EXTRAS.
A Máquina do Tempo -
H. G. Wells
A MÁQUINA DO TEMPO
Um inventor brilhante da era vitoriana constrói um dispositivo capaz de viajar no tempo, que ele utiliza para visitar a humanidade a 800 mil anos no futuro, onde encontra uma distopia. Roteiro básico, não? Um clichê, alguém poderia dizer. Porém, este livro aqui é o criador de todos os clichês que vemos hoje envolvendo viagens no tempo. É simplesmente louco pensar que este livro tinha sido lançado em 1895, há quase 130 ANOS !!!!! Herbert George Wells é um daqueles casos únicos de mentes a frente do seu tempo, que ditam regras e criam obras que, tantos anos após o seu lançamento, conseguem ainda ser relevantes. É só dar uma olhadinha no site estante virtual e ver quantas edições existem desse livro só aqui no Brasil. Como eu disse, a temática é simples: o personagem apenas conhecido como "viajante do tempo" reúne em sua casa alguns amigos para mostrar o seu grande invento e relatar como foi a sua viagem para o ano de 802 mil e alguma coisa... Acho muito interessante a escolha de Wells de começar a narrativa dando a entender que a humanidade vive uma utopia, com seres frágeis e quase andrógenos com túnicas coloridas que vivem soltos pelas florestas, cantando e dançando, alimentando-se de frutas. Tratam-se dos Elói. Não há nenhum perigo, nenhum predador, nenhuma doença... Enfim, um mundo perfeito. Com o cair da noite e o medo nos olhos das pequenas criaturas surgindo é que o viajante percebe que há algo mais naquele mundo. Sua máquina do tempo foi roubada, então ele passa a explorar este mundo novo atrás de sua invenção. Durante sua jornada acaba percebendo que há fossos espalhados, que dão acesso a todo um mundo subterrâneaneo: embaixo daquele mundo perfeito, operando máquinas, está a raça simiesca dos Morlocks (Alô, X-Men!!), extremamente sensíveis à qualquer luminosidade e que, depois de milênios vivendo no subterrâneo e com escassez de comida, passam a canibalizar os Elói. É um choque quando nosso viajante e nós leitores descobrimos isso, já que ambas as raças descendem da humanidade que nós conhecemos. E aqui está a cereja do bolo: o viajante raciocina que os Elói descendem da burguesia dominante de seu tempo, que firmaram seu direito de viver na superfície longe de qualquer perigo e tornando-se, por isso, fracos de força e raciocínio, enquanto que os Morlocks descendem da classe operária, sempre vivendo abaixo da superfície e longe da luz do sol, em minas de carvão, fábricas fechadas, dormindo em quartos subterrâneos de grandes propriedades (como a mãe de Wells, por exemplo), fazendo as engrenagens do mundo girar. Essa é uma discussão interessante e que confere ao futuro imaginado por Wells não só uma boa dose de lógica e sentido, como gera uma bela crítica à diferença de classes. Desse aspecto da obra é que vem a minha única crítica: o livro poderia muito bem ser mais longo, aprofundar mais a crítica, além do fato de um mundo de 800 mil anos no futuro ser uma grande tela em branco, onde o autor poderia pirar e viajar à vontade. Os Morlocks poderiam ter sido um pouco mais humanizados e explorados também, afinal, eles são assim devido a milênios de servidão. Porém esse livro é quase um conto de tão curto. Nesta edição há um prefácio escrito pelo próprio Wells, cerca de 30 após o lançamento, onde o próprio admite que ainda era um escritor pouco experiente na época. De qualquer forma, por mais curta que a história seja, aqui está ela, ganhando uma resenha admirada em pleno ano de 2023! Resumindo: leitura altamente recomendada ! TS: Eloy - Ocean (1977).
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