O Colecionador

O Colecionador John Fowles




Resenhas - O Colecionador


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Gladston Mamede 21/10/2019

Fantástico. Cruel e angustiante, mas verdadeiro. Asfixiante, mas muito bem escrito e desenvolvendo uma questão secundária, anexa ao mote essencial (o rapto que é narrado nas primeiras páginas): quando os medíocres podem, quando se atribuem e exercem um poder. O ensaio sobre artes plásticas, inserido nalgumas passagens, é digno de nota. A diferença de perspectivas, por igual. Amei, apesar da história difícil. Um grande livro.
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Kênia Cândido 19/10/2019

Simplesmente Espetacular!
O Colecionador escrito pelo John Fowles é um desses clássicos que sempre escutei falar e tinha muita vontade de lê-lo. Quando busquei o It do Stephen King na biblioteca pública daqui de Ribeirão das Neves, para ler, também procurei a versão antiga do livro O Colecionador para pegar empresto.  Infelizmente a biblioteca da minha cidade é muito carente e não contém um catálogo bom de clássicos estrangeiros. 


   Para ser bem sincera, não tenho a edição maravilhosa que a Darkside Books lançou e também nunca consegui uma parceria com a editora. Então recorri aos sebos virtuais e finalmente consegui uma edição bem antiga do livro com um preço  bem camarada.  Fiquei muito grata com a conquista do livro, pois posso conhecer  a história e realmente, foi uma leitura simplesmente espetacular!


   O livro vai contar a história de Frederick Clegg, um rapaz solitário que vive com sua tia Annie e sua prima Mabel. Por ser um pouco esquisitão, Frederick tinha muita dificuldade de arrumar amigos e devido a isso, dedicava sua paixão em colecionar borboletas quando não estava trabalhando como funcionário público. Através da sua dedicação que aprendeu ainda criança, quando ia pescar com seu tio Dick, Frederick conquistou prêmios  por causa da coleção magnífica que tinha em casa.


   Mas tudo mudou da água para o vinho, quando Frederick conquistou uma fortuna ao ganhar na loteria esportiva. Para começar, ele resolveu comprar um casarão antigo no campo da Inglaterra, com um anexo abaixo do porão que era usado como uma adega para vinhos para também dedicar-se a sua segunda paixão, chamada Miranda Grey.  


   Frederick simplesmente era obcecado por Miranda, uma garota extrovertida que estudava artes e morava em frente ao prédio que Frederick trabalhava. Cheia de vida e amigos, Miranda era completamente oposto de Frederick. Mas isso não impediu de Frederick nutrir um amor doentio por Miranda sem ela saber da existência dele. Após arquitetar um plano para Miranda se apaixonar por ele, Frederick sequestra a jovem Miranda e a leva para este anexo que foi preparado para recebê-la. 

Para ler O Colecionador, o leitor precisa comprar as ideias do escritor e entender que essa história foi escrita em 1963 e John Fowles conseguiu, de maneira brilhante, fazer o leitor aprofundar na mente dos dois personagens. Com isso, a leitura fluiu rapidamente porque Clegg e Miranda são personagens fortes. Especialmente a Miranda  que trouxe uma transformação fascinante. 


   A primeira parte do livro, o autor  John Fowles, mostrou com riqueza de detalhes todos os pensamentos de Frederick Clegg. Apresentando seus motivos de sequestrar Miranda e são trechos perturbadores. Confesso que tiveram momentos que fiquei agoniada com a maneira de Frederick enxergava várias situações.  Nas primeiras páginas, John Fowles conseguiu que eu tivesse empatia pelo personagem, mesmo sabendo que ele estava agindo errado, porque Clegg cuidava da Miranda com muito respeito e carinho. 


   Na segunda parte, o livro apresenta o diário da Miranda e através dos seus pensamentos registrados no diário, o leitor conhecer o ponto de vista dela dentro dessa situação de confinamento. Tudo que ela está sentindo no momento e o estado psicológico dela. Também são trechos fortes. Além disso, Miranda conta um pouco do seu passado, as pessoas que ela relacionava e alguns fatos da sua vida. Acho que foi a forma que ela encontrou como escape da atual situação.


   Com as duas partes do livro lidas, o leitor consegue diferenciar as classes sociais que esses dois personagens possuem, eles mostraram claramente como são completamente opostos. Clegg idolatrava Miranda totalmente dando ela tudo que ele imaginava que Miranda queria. Menos a liberdade que ela tanto desejava. Dessa maneira, o leitor chega à terceira parte, retornando para a narrativa de Frederick  para conhecer o desfecho da história. Particularmente, foi um final incrível, pois adoro finais que chocam e faz entrar ainda mais na mente do personagem. Sendo ela sombria ou não. 


    Mais um livro na lista de favoritos com expectativa saciada positivamente. Se você gosta do gênero thriller psicológico, com certeza você precisa conhecer a história de O Colecionador. É um clássico fantástico e ao mesmo tempo tenso que espero reler futuramente. Espero que até lá, eu tenha a edição da Darkside para conhecer o prefácio com Stephen King.  Acho que não seja uma leitura para qualquer leitor, mas eu adorei a leitura. Agora quero muito conhecer a versão cinematográfica da história. Espero que também seja impactante.
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Ana 18/10/2019

péssimo.
Ódio foi o que senti quando terminei de ler esse livro, depois de todo o tédio, achei que o final traria alívio, ou pelo menos excitação, mas foi extremamente triste e pesado. Conclui que não é de forma alguma meu tipo de livro, dando uma olhada em todo seu hype, achei que seria um dos melhores do ano, porém, decepção. Apesar de tudo, trouxe algumas reflexões sobre coisas que não pensava até o momento.
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bloodymary 16/10/2019

As duas primeiras partes do livro narram os mesmos ocorridos, só que inicialmente da parte do sequestrador e depois da sequestrada, vi (muitas) pessoas reclamando disso, porém pra mim funcionou, não lembro de ter lido nada assim antes. Outra reclamação que vi por aqui, foi dos personagens e por isso estavam dando nota baixa para o livro, iniciando pelo meio protagonista, o nosso colecionador, não vejo problema no personagem ser misógino ou algo do tipo, afinal ele é o vilão, ele tem problemas psicológicos, ele é um stalker, um sequestrador, suas características ruins não deveriam ser motivo para baixar a nota da obra, muito pelo contrário, dá mais personalidade a esse cara, assim como Miranda, reclamar que ela é chata, não diminui a personagem, apenas mostra como ela é humana, além disso, ela foi sequestrada, não podia se esperar que ficasse feliz. E sim, me peguei entediada várias vezes nas partes que ela viajava e falava do professor e bla bla bla, mas quando você pensa na situação, seus pensamentos são mais compreensíveis, mesmo que pareça chato ou sem sentido, quem sabe como agir em um sequestro?
E sobre o final, SÓ PORQUE NÃO TERMINA COM UM FINAL FELIZ QUER DIZER QUE O LIVRO É RUIM!
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pusum 21/09/2019

O desejo pela borboleta azul
O meu terceiro livro, este foi o que me fez repensar muito, no que aprendemos quando lemos algo desse gênero literário. É uma história que eu não sabia que poderia existir em livros só em noticiários da época ou em jornais. Eu dei quatro estrelas não pelo livro ser ruim, mas pela sua história de que tanto me deixou assustada e horrorizada, entretanto me gerou uma curiosidade para entrar na cabeça dos personagens desta trama psicológica de John Fowles com destino a entender mais sobre alguém que não sente empatia nem compaixão por um ser.
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Erika Almeida 18/09/2019

Obsessão, amargura e solidão
Terrívelmente perfeito...
Um romance tenso e pesado, do qual é impossível parar de ler....
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Pris 17/09/2019

"amor", obsessão e solidão
O Colecionador é o romance de estreia de John Fowles. Ele retrata através do ponto de vista de ambos os protagonistas, a história de obsessão de Frederick Clegg pela jovem Miranda Grey.

Durante um primeiro momento, conhecemos a história a partir da visão de Clegg. Ele é um jovem que foi abandonado por sua mãe quando ainda era criança e foi criado, posteriormente, pela sua tia Annie e durante esse período conviveu com a deficiente Mabel. Durante a sua juventude adquiriu um passatempo muito peculiar: colecionar borboletas. Ele saia em expedições com seu tio, em buscas dos espécimes mais atrativos e raros.
Certo dia, ele se deparou com Miranda, uma moça que, segundo a sua perspectiva, seria inalcançável. Entretanto, isso mudou quando ele ganhou uma fortuna em apostas, e decidiu sair do emprego na Câmara Municipal e se dedicar somente à colecionar borboletas, sendo o seu próximo alvo, justamente, Miranda Grey.
Desse modo, ele começa a planejar de forma astuta o crime, pensando em todos os detalhas para que ninguém desconfiasse do que ele iria fazer. Até que, enfim, chega o momento e ele consegue concluir o seu objetivo.
Nesse contexto, eu pude perceber que Fred sempre foi muito solitário que, apesar de cultivar conhecidos, não cultivou amigos, amizades verdadeiras. Que pesar de apesar ter sido criado pela irmã de sua mãe, ele nunca encontrou nela um apoio, uma mãe. E além disso, teve de lidar com a indiferença de Mabel. Sem falar, do julgamento cotidiano que ele sofria das pessoas na rua, que o consideravam diferente.
Portanto, acredito que o isolamento social vivido durante a sua vida contribui para que ele desenvolvesse esse comportamento egoísta, que o levou a raptar Miranda. Não estou aqui defendendo o que o personagem fez, mas quero mostrar que a sociedade, mesmo que de forma inconsciente, contribuiu para que ele desenvolvesse essa mente perversa.

Posteriormente, a narrativa é retrata através da perspectiva de Miranda. Essa parte da trama é contata através de um diário, em que ela demonstra não só a vivência dela durante o cativeiro, mas também histórias que ela vivenciou antes do sequestro.
Dentre essas vivências, ela dá um destaque excessivo a sua história com G.P, um amigo apresentado a ela por sua tia Caroline. Desse modo, ela relata, através de alguns diálogos, encontros "reveladores" que ela teve com ele.
Além disso, é possível perceber durante sua escrita, o sofrimento psicológico imposto por Fred, e como ela tenta se agarrar a lembranças antigas para sobreviver.

O final, de fato, não é surpreendente, pois no decorrer da trama é possível prever o rumo que a história vai tomar. Desse modo, o final só confirmou aquilo que eu já esperava: não existe amor, existe perversão, obsessão e, principalmente, solidão.
Erica.Martins 17/09/2019minha estante
Ãtima resenha! ; )
Tbm achei o livro bem interessante


Pris 17/09/2019minha estante
Obrigadaa :)




Jaine Jehniffer 09/09/2019

Muito bom
O Colecionador tem como protagonista duas personagens. Mas a narrativa se passa em três mentes. Isso porque Frederick é um personagem de duas facetas. Por um lado, é uma pessoa solitária, colecionador de borboletas, que não se encaixa nos padrões sociais e que sofre por um amor não correspondido. Por esse seu lado, o leitor facilmente pode se identificar e sentir compaixão e até mesmo ficar triste com a situação dele.

Guiado pelo amor irracional que ele sente, Frederick se transforma em uma outra pessoa. Um ser mesquinho, egoísta e obsessivo, que toma atitudes injustificáveis em nome de seu suposto amor. O tempo todo esse lado negro se justifica ao lado solitário, de forma que o lado solitário passa a acreditar que as atitudes do lado negro não foram erradas.

A terceira mente que acompanhamos é a de Miranda, a espécime rara da coleção de Frederick. Miranda é uma menina que apesar, ou devido, a sua inocência, não se deixar abater pelas circunstâncias. Miranda é ainda dona de um imenso coração, que mesmo sofrendo com o lado negro de Frederick sente piedade dele.

A narrativa é dividida em duas partes. Primeiro acompanhamos a mente de Frederick e percebemos quando o seu lado negro começa a tomar forma. Os seus dois lados assumem forma na narrativa alternadamente e por vezes um lado domina o outro. Depois somos levados para dentro da mente de Miranda e nos deparamos com a mudança de pensamento da personagem. Comparando suas recordações com o que ela está se transformando, percebemos uma metamorfose. Miranda deixa de ser uma menina inocente e se transforma em uma mulher determinada a se libertar.

Ao final da leitura do livro é emocionante. Essa emoção pode vir de várias formas, desde a revolta até a tristeza. A narrativa do livro em sua maior parte é fluida e densa, com exceção da segunda parte da história a que acompanhamos Miranda. A segunda parte, apesar de sua importância na narrativa, por vezes apresenta recordações e personagens lentos e que cansa atenção do leitor. A história apresenta ainda alguns buracos na narrativa que podemos justificar mentalmente para o bem da fluidez da história, mas que ainda assim são falhas.

site: https://www.paginasetakes.com.br/l/o-colecionador-john-fowles/
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Evelyn Marinho 03/09/2019

"Sei o que algumas pessoas achariam, elas achariam meu comportamento peculiar." - Frederick Clegg; vulgo Ferdinand, vulgo Caliban, vulgo o Colecionador.
É um tipo de livro que vale a pena? Pode-se dizer que sim. O inicio do livro me prendeu de tal forma que eu pensei : pronto! Ja entrou para o favorito. Mas a 2 parte estraga. Se alguém quiser ler o livro de uma forma rápida e ter uma ótima experiência, pule a 2 parte, te garanto que não vai fazer diferença alguma. O final eu amei, mesmo sendo algo que talvez esperávamos, mas pra mim foi perfeito! Não é tudo aquilo que dizem principalmente pela parte da Miranda, mas é um livro que perturba, e que talvez irá te deixar pensando por horas após termina -lo. Curti e recomendo!
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Nati - @_fantasticomundoliterario 28/08/2019

Perturbador
Miranda Grey é dona de uma beleza estonteante e uma jovem cheia de vida. Ela é uma estudante de arte, tem muitos amigos e leva uma vida interessante em Londres....Ela é tudo que Frederick Clegg não é.

Frederick é um homem sem expectativa alguma da vida. Colecionador de borboletas, ele inesperadamente conquista uma fortuna através de um jogo de loteria esportiva. Sua vida tediosa se divide entre o seu "passatempo" de observar a jovem Miranda, por quem nutre uma paixão platônica, e planejar sequestrá-la. E ele consegue por seu plano em pratica com a ajuda do dinheiro que ganhou.

O livro é narrado a partir do ponto de vista de sequestrador e vítima. Essa não é uma leitura fácil, principalmente porque não há grandes reviravoltas e plots twists, ela se mantém uma linha reta sem grandes emoções até o ápice final. Clegg narra grande parte de sua admiração por Miranda, quase que endeusando-a. Dá pra ver o quanto ele a idealiza. Miranda por sua vez, e totalmente possuída de razão, consegue demonstrar desprezo pelas atitudes egoístas do criminoso.

Esse livro mexe com a nossa cabeça de uma forma louca. Algumas vezes cheguei a ter pena de Frederick porque a vida toda ele foi um homem solitário e senti uma profunda antipatia pela vítima por suas atitudes esnobes. Foi necessário interromper a leitura por vezes, respirar fundo e falar em voz alta: "Calma aí, o cara é louco e não merece minha simpatia."

O Colecionador é um clássico da literatura inglesa que perpetua o nascimento de um psicopata, a luta entre classes sociais, machismo, feminismo, o que pode ser considerado arte ou não. É uma leitura angustiante, principalmente a parte narrada por Miranda em seu diário. Não espera uma sequência de ações eletrizantes, este livro se concentra na mente de seus personagens e em como eles deixam cair suas máscaras nessa relação vítima/sequestrador.

O final é arrepiante e perturbador. As últimas 50 páginas me deixaram sem fôlego e terminei a leitura com o coração palpitando. Fiquei horrorizada com a capacidade do ser humano em demonstrar toda a maldade que há em si. Leitura favoritada!

site: https://instagram.com/_fantasticomundoliterario
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Cris Ingrid | @catarseliteraria_ 26/08/2019

Minha opinião - O Colecionador
Escrito em 1963, o romance narra a história de Frederick Clegg, um funcionário público que coleciona borboletas e, subitamente, se torna dono de uma fortuna. Sem grandes ambições na vida, Fred passa a ter um único desejo: sequestrar a bela Miranda, seu amor platônico, mulher que ele vem observando obsessivamente há tempos.

A trama se desenvolve com a disformidade da personalidade de Clegg, que tem a seu favor apenas a superioridade de força, contra a vitalidade e inteligência de Miranda que, contando com sua “superioridade de caráter”, confunde e ofusca o medíocre sequestrador.

Que o Fred tem um seríssimo problema psicológico/psiquiátrico, ninguém duvida, já que ninguém são da cabeça ganharia uma fortuna e pensaria em gastá-la em um sequestro. Ele é louco de um jeito calmo, estranho, que quase poderia passar por normal. Nem só por ser a vítima, Miranda é mais palatável do que ele. Ela é insuportável, arrogante e até presunçosa. É claro que eu sentia pena pela situação horrorosa na qual o Fred a colocou, mas não consegui gostar dela.

De todas as maneiras que eu imaginei que esse livro acabaria, nada passou perto da forma como ele realmente acabou. Ainda não sei dizer se essa quebra de expectativa foi boa ou ruim. De todo o modo, O Colecionador é um grande exemplar de como nasce um serial killer.


site: @catarseliteraria_
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Maria 23/08/2019

Primeiramente, é o livro mais bonito que tenho em casa, ficando pouco à frente de "O Tempo Desconjuntado", do Philip K. Dick. Darkside sempre faz um trabalho de respeito.

Sobre o livro, eu adorei a construção do personagem Frederick/Ferdinand/Calibã, bem mais que a da Miranda, creio que porque ele é muito mais presente na narrativa que ela, e quando não, a Miranda nos conta tudo por meio de anotações em diário. Não aguento mais diários. Gostei de saber sobre a antiga vida da Miranda, seus amigos, sua rotina, porém ela tinha um ar de superioridade simplesmente por julgar que o Frederick era um ignorante incapaz de apreciar a verdadeira arte (mesmo que ela só fosse uma universitária que fazia desenhos). Mas tudo bem, eu não seria legal com o meu sequestrador. Algo que notei é que o Stephen King já leu todos os livros já escritos, porque TUDO o que leio tem um comentário ou até mesmo uma introdução dele.

Ademais, a relação entre Miranda e Frederick foi bem explorada, com diálogos riquíssimos e cenas de desgraçar a cabeça (mordaça que o diga, e não, não é BDSM aqui). Sinto que ambos os personagens possuem uma dualidade: os atos do Frederick não podem ser justificados por seus problemas, mas que tinha problemas sérios, tinha; Miranda tentava parecer maravilhosa e intelectualmente superior ao Frederick, mas nós textos do diário se mostrava uma garota sensível e manipulável. É um livro tão bom que eu nem leria novamente, a escrita me cativou tanto que não aguentaria passar pelo mesmo sufoco.
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Isabella @epilogo.literatura 19/08/2019

O Colecionador
Romance de estreia de John Fowles, O Colecionador foi publicado pela primeira vez em 1963, e ficou esgotado no Brasil durante muitos anos, até o relançamento em 2018 pela Darkside. Essa nova edição, maravilhosa por sinal, conta, além do texto de Fowles, com uma introdução escrita por Stephen King ( a qual aconselho ler no final, pois esta contém spoilers!) e um posfácio com todas as referências artísticas citadas na história.

Frederick Clegg é um louco! Vivendo sua vida medíocre, solitária e menosprezada pela sociedade, Clegg tem, essencialmente, dois hobbies: colecionar borboletas e alimentar seu amor platônico por Miranda Grey. Sua vida, no entanto, muda totalmente quando ele ganha na loteria. Com muito dinheiro e tempo disponível, Clegg elabora, despretensiosamente no início, um plano de sequestro, com o único objetivo de Miranda o conhecer e passar a gostar dele, ao ponto de se apaixonar. Loucura, certo?

A história é dividida em quatro partes, e narrada pelos dois únicos personagens, Clegg e Miranda. Na primeira parte, acompanhamos os loucos devaneios e justificativas de Clegg para executar o crime e o convívio dele com sua querida “hóspede”. A parte psicológica é interessantíssima. Esse psicopata realmente acredita que o que está fazendo é correto, justificável e ainda confia fielmente no sucesso de sua empreitada, a qual resultará em Miranda optando viver com ele para sempre. O seu plano é brilhantemente pensado e executado, porém, sua vivência com Miranda mostra que Clegg, mesmo sendo psicopata, é extremamente submisso, e acaba nutrindo sempre uma espécie de complexo de inferioridade.

A primeira parte segue desde toda arquitetura do plano de sequestro, sua execução e decorre até um ponto chave da convivência entre sequestrador e sua vítima. Logo em seguida temos o diário de Miranda na segunda parte, que nos conta a história do primeiro dia de sequestro até o mesmo ponto chave, porém agora, esses dias são narrados pela jovem moça.

Angústia e desespero resumem o relato de Miranda. A privação de liberdade a submete, principalmente, a um sofrimento psicológico, cheio de altos e baixos. A parte relacionada ao cárcere contada por Miranda é extremamente perturbadora, mas suas lembranças sobre sua vida e sobre seu próprio amor platônico por um cara mais velho (e escroto!), me desculpem aos fãs do livro, é um porre! Além de toda essa nostalgia chata e arrastada que ela conta, Miranda ainda é extremamente prepotente e mimada. Ela usa de diferenças de classe e intelecto como superioridade diante do Clegg, o que fez com que eu não conseguisse gostar dessa personagem e sofrer muito para ler esta parte do livro.

Após o encontro destas duas partes no ponto chave, as parte 3 e 4 são dedicadas a conclusão do livro, novamente narradas por Clegg. O desfecho é muito bom, mesmo parte dele já sendo esperado. Conseguimos prever o que acontecerá com Miranda com o desdobramento da história, deixando o diferencial para o desenvolvimento de Clegg, o que me agradou bastante.

Confesso que esperava mais desse aclamado clássico da literatura. John Fowles constrói a psicologia por trás do sequestro de maneira esplendorosa, em ambos os personagens. Mas a lentidão, principalmente na parte da Miranda, a prepotência da jovem e a falta de uma personalidade um pouco mais forte por parte de Clegg chegaram, inclusive, a me irritar em certos momentos. É um livro ok, na minha opinião, nada maravilhoso como muitos acham.
19/08/2019minha estante
Concordo plenamente, como disse na minha resenha, achei Miranda insuportavelmente egoista, prepotente e pretensiosa, o comportamento dela de âEu sou o centro do mundoâ me incomodou tanto quanto a psicopatia do próprio Clegg.


Isabella @epilogo.literatura 20/08/2019minha estante
Fico feliz de mais alguém achar isso! A maioria das pessoas só fala maravilhas desse livro




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