Incidente em Antares

Incidente em Antares Erico Verissimo




Resenhas - Incidente Em Antares


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Isabel.Souza 28/10/2019

Uma sátira da sociedade Brasileira
Um pouco arrastada, mas muito incrível e enriquecedora. Na verdade foi uma leitura obrigatória para uma disciplina na faculdade: escolher um romance do autor e escrever uma resenha. Fiquei feliz em entrar em contato com o autor, pela primeira vez, por esse livro. Nunca tive muita curiosidade em ler Erico, mas depois "Incidente em Antares" com certeza vou ler muitas coisas do autor, me apaixonei pela escrita e sutileza com que ele narra as mazelas do ser humano.
Bem o livro é dividido em duas partes, na primeira parte, intitulada como "Antares", Erico vai descrever como a cidade fictícia de Antares é fundada, toda a história do decorrer dos anos e décadas, as famílias e guerras, assim como, toda a podridão envolvida no sistema político da cidade. Ao mesmo tempo o autor traça, com primazia, uma linha temporal da política brasileira, sua formação e personalidades. As coisas se misturam, Antares é influenciada por muitas coisas que ocorrem no brasil e alguns personagens históricos aparecem no enredo, como por exemplo o Getúlio Vargas, que vai intervir na briga de duas famílias importantes: os Campolargos e os Vacarianos.
A segunda parte chamada de "O Incidente" é quando a leitura começa a render mais. Erico constrói uma sátira da sociedade brasileira. A cidade fica paralisada por conta de uma greve geral, sete pessoas vão a óbito, mas os habitantes são impossibilitados de prosseguir com o enterro pois os coveiros estão em greve também. Então, os cadáveres levantam dos caixões e segue ao centro da cidade para exigir o próprio enterro. Neste momento, a ironia e o sarcasmos tomam conta da narrativa. Os representantes da cidade tentam lidar com a situação, mas são desmascarados pelos defuntos que expõem toda a podridão de Antares em plena praça pública.É interessante observar que o Erico se preocupa em retratar as instituições sociais colocando em evidência os vários problemas e questões que estavam no auge quando o livro foi escrito, em plena ditadura militar: o estado, o judiciário, a elite, a saúde e a igreja, são abordados em forma de denúncia. A concepção de que cada vez mais os vivos serão julgados pelos mortos, principalmente dentro do âmbito político, traz à tona a responsabilidade de nossas ações em quanto vivos, a responsabilidade das nossas ações perante as outras pessoas e as consequências geradas a partir de tudo isso. Enfim, eu gostei muito dessa leitura, indico para quem gosta de história, política, ou simplesmente um bom, e bem escrito, livro.
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Carlos Marques 23/10/2019

O Incidente e a História
Este talvez seja o livro de autor nacional que mais tenha me agradado. O uso de fatos históricos como cenários para o desenvolvimento da trama e o lado fantástico com sua crítica a condição humana, fazem com que ele possa ser considerado uma obra de arte.
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Zito 15/10/2019

O incidente
Publicado em 1971, Incidente em Antares de Erico Veríssimo aborda a realidade fantástica de uma cidadezinha do sul do Brasil onde passa por uma situação bastante inusitada. Dividida em duas partes, o livro primeiro aborda a história de Antares e da seus personagens, mais precisamente dos personagens do clã Vacariano e dos Campolargos que disputam o controle da cidade. Logo em seguida é narrado o incidente do dia 13 de dezembro de 1963 que durante uma greve geral é barrado o sepultamento de 7 mortos que mais tarde "voltariam" para enfernizar a vida de seus desafetos e vasculhar os segredos de seus conterrâneos na expectativa de assim serem enterrados.
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livrodebolso 14/10/2019

Na primeira parte, Erico Verissimo faz um retrato da cidadezinha do interior, Antares (fictícia), que recebeu esse nome de um astrônomo que passava por lá, sendo homônimo de uma estrela da constelação de Escorpião, e, aos olhos do patriarca da família Vacariano, parecia significar "lugar com muitas antas". Toda a história do lugarejo pode se confundir com a de qualquer outra cidade de interior da época; o coronelismo lidera o povo, as desavenças familiares (entre Vacarianos e Campolargos) ditam as regras, as disparidades políticas fazem da vida de todos um inferno.
A violência herdada pelos integrantes das duas famílias, na segunda geração, é absoluta; o derramamento de sangue em troca da vitória do nome é certa; e a necessidade de defender uma opinião irrevogável é prioridade (qualquer forasteiro tem o dever de pertencer a um grupo, defender um lado, escolher entre "biscoito ou bolacha" haha). Entretanto, os netos dos chefes de família (e portanto, filhos dos supraditos violentos), estudados, não viram necessidade de tanto ódio e acabaram por se tornar grandes amigos. .
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Entrelaçada à história de Antares está a própria história política do Brasil. Juntamente com as opiniões dos protagonistas, Veríssimo dá uma aula de História sobre Getúlio Vargas - que na narrativa tem grande importância - e os demais presidentes subsequentes, explicando e criticando as sucessões da presidência.
Ademais, Antares se torna objeto de pesquisa de professores/estatísticos que pretendem escrever um livro descritivo sobre o lugar, tornando possível ao leitor conhecer mais das figuras peculiares às margens do Rio Uruguai.
Tudo isso serve de introdução ao relato do famigerado incidente.
Uma greve geral é iniciada na cidadezinha, e a duplicidade das opiniões se torna insuportável. Existem dois médicos, dois padres, dois pontos de vista, e dois grupos irredutíveis de pessoas ávidas por defender o que acredita. E, como "tragédia pouca é bobagem", morrem em Antares sete pessoas (dentre as quais, Dona Quitéria Campolargo, figura importante da cidade). Estando os coveiros participando da greve, estes se recusam a enterrar os defuntos, que por sua vez (isso mesmo, os defuntos!) decidem também fazer greve: eles se recusam a morrer. Na sexta-feira 13 de dezembro de 1963, levantam de seus caixões reivindicando o direito de um sepultamento digno.
E, como às vezes, é melhor não contrariar o absurdo, os figurões da cidade se veem argumentando com o advogado morto (que representa os demais). Além da exigência por seus direitos, os mortos decidem dedurar tudo que sabem de ruim sobre os moradores da cidade. Desde os atos ilícitos, como contrabando, tortura, prostituição, roubo de dinheiro público, até os segredos mais íntimos das famílias mais sérias. O resultado é: "doze separações de casais seguidas de oito reconciliações; quatro casais "estranhados" porém mais tarde reconciliados; três maridos que deram sumantas nas esposas; duas esposas que agrediram fisicamente os maridos; dois duelos a bala, do qual resultaram dois feridos, mas sem gravidade; três homens fugidos da cidade; incontáveis pessoas que se haviam cortado o cumprimento umas às outras. No setor saúde: trinta e dois acessos nervosos; vinte e cinco ataques cardíacos, mas nenhum fatal; e dezenas de casos de disenteria e distúrbios gástricos". Sem mencionar todas as explicações que se seguiram entre os políticos da cidade, e que, no fim das contas, entre todas as obras proibidas realizadas comumente na prefeitura, nenhuma foi de grande surpresa para ninguém.
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Dan 11/10/2019

Um recorte
Essencialmente político, alegórico
dimensionalidade metafórica e uma boa reflexão socio política.
Dormi em alguns pontos, mas ninguém que me convença de que falar de política é sempre empolgante.
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Riri 23/09/2019

Muito bom!
Dos livros que li de Érico Veríssimo, esse desgustei de maneira diferente.
A entrada do livro, temática sobre política. Estranhei a princípio, porém passando as páginas, fui me encantando.
O prato principal: o incidente.
A narrativa me prendeu em especial na descrição minuciosa do incidente.
Que livro de encantos!
Alguns trechos me puseram a refletir sobre meu modo de ler notícias da mídia, sobre a minha maneira de encarar o real e o imaginário.
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Victor Contrera 20/09/2019

Apesar de um claro posicionamento político na obra, Érico Verissimo consegue analisar bem e criticar regimes autoritários tanto de esquerda quanto direita.
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Stefani 20/09/2019

O melhor do autor!
A premissa inicial é a mesma de O Tempo e o Vento: a história de uma cidade fictícia no interior do Rio Grande do Sul, com suas famílias importantes, ricas e inimigas. Na primeira parte de O Incidente em Antares, Érico narra justamente a formação da cidade desde que era um povoado. Passa pela geração de duas famílias: os Campolargos e os Vacarianos, que são inimigos de morte e mais tarde vêm a se acertar após um pedido do Getúlio Vargas. Tá aí outra semelhança com O Tempo e o Vento: a ficção histórica e a citação de personagens importantes da nossa história. Não só da história do Brasil como também do RS (tem Getúlio Vargas em pessoa interagindo com os personagens, muitas menções à Leonel Brizola, Pinheiro Machado, Borges de Medeiros, Júlio de Castilhos e praticamente todos os presidentes brasileiros e governadores do RS desde o fim do Império até a Ditadura).

A primeira parte é exatamente uma ficção histórica que começa pouco antes da independência e vai além do que foi O Tempo e o Vento, até pouco depois do início da ditadura, mostrando o impacto de vários momentos históricos na vida da população de Antares.

O que diferencia e dá a grande guinada na obra é o realismo fantástico que começa na segunda parte. Ocorre uma greve geral no município e 7 mortos são impedidos de ser sepultados. Esses mortos resolvem levantar de seus caixões e ir até o centro da cidade, literalmente, atormentar os vivos. Uma matriarca de uma das famílias mais abastadas da cidade, o principal advogado da cidade, uma prostituta, um bêbado, um preso político que foi morto pela política e um sapateiro anarco-sindicalista. Todos eles começam a contar os podres das pessoas que conhecem, desde casos de corrupção até orgias e traições. Dá pra imaginar que a cidade vira um caos. A eterna hipocrisia, que sobrevive até hoje na nossa sociedade dita "conservadora", é desmascarada em praça pública e na frente de mais de mil pessoas.

O livro tem um tom humorístico, tem muita informação, tem história, tem política e tem muitas semelhanças com nossa sociedade até hoje.
Antares é uma cidade fictícia do RS, mas poderia ser qualquer outra cidade real. Seus principais clubes são o Rotary e o Lions, os principais centros de eventos o Clube Comercial e o Clube Caixeiral Campestre, exatamente os mesmos quatros que existem em Passo Fundo (minha cidade) até hoje, por exemplo.

Tem trechos em que o Érico fala dele mesmo com sarcasmo e modéstia, tem outros que ele faz um crossover com o próprio Tempo e o Vento e, mais uma vez, tem um personagem que representa o próprio autor. Além de trechos que falam coisas que voltaram à moda hoje em dia, como dizer que se Jesus voltasse à Terra hoje seria preso, e crucificado de novo.

É uma obra que segundo consta no pósfacio, o Érico fez para criticar a ditadura, defender a liberdade e dar testemunho do seu tempo. É uma das últimas obras do Érico, escrita no auge da sua carreira e que portanto mostra o melhor do autor.
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Yago 30/07/2019

O Brasil nu e cru
Adorei este livro, achei-o muito bem escrito e incrivelmente didático. É possível aprender muito sobre a história do Brasil na epoca pré ditadura e pós ditadura e como isso se torna contemporâneo com a chegada deste novo velho e ultrapassado presidente eleito. Bom este vai ser um livro que guardo na memória. E será impossível de esquecer.


Bom
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Daniel 28/07/2019

Romance Histórico e Realismo Fantástico
Considero Érico Veríssimo um dos autores de clássicos brasileiros como a trilogia O Tempo e o Vento e este Incidente em Antares.

Autor de temática regional, seus livros são ambientados no Rio Grande do Sul e retratam as tradições gaúchas.

Incidente em Antares é um pouco diferente. Na primeira metade, o autor faz do livro um verdadeiro romance histórico inserindo as personagens da fictícia cidade de Antares, na fronteira da Argentina, nos principais eventos do Rio Grande do Sul e do Brasil, incluindo famílias em lados opostos na Guerra dos Farrapos e na Revolução Federalista e a repercussão das políticas trabalhista de Getúlio Vargas e seu suicídio.

Na segunda parte, o autor envereda pelo realismo fantástico, com um seleto grupo de mortos insepultos que saem de seus caixões e retornam à cidade para expor a todos as mazelas dos seus próceres. Nos dois grupos (dos mortos e dos próceres) todos os segmentos da sociedade estão representados: o caudilho local, a prostituta, o prefeito, o delegado, o bêbado, o juiz de direito, o advogado, o padre, o empresário capitalista, o sindicalista, o artesão e o cidadão comum.

Se vale à pena?? Claro!! É uma boa maneira de conhecer um pouco da história do Rio Grande e do Brasil e se deleitar com as impossíveis situações vividas pelos habitantes de Antares.




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Nivia.Oliveira 31/05/2019

Parti para a política. Não, não sou candidata. Li o livro de Erico Verissimo. "Incidente em antares" fala de política de um jeito muito simples e divertido. E não sei porque a história parece tão atual... Lava-jato, "companheiros", disputa de poder... Infelizmente vou ter que concordar com a definição para "povo" brasileiro dada por um dos personagens: "Que é o povo? Um monstro com muitas cabeças, mas sem miolos. E esse 'bicho' tem memória curta."
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André Esteves 28/05/2019

Atemporal
Esse livro é o que podemos chamar, sem exageros, de uma verdadeira obra prima atemporal. Em 2019, permanece atualíssimo. Verissimo é muito bem-sucedido na tarefa de mostrar que, mesmo com o progresso das civilizações, a humanidade segue incorrigível. Nunca esquecerei essa leitura.
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Sabryelle Torres 25/05/2019

Na pequena cidade de Antares, os funcionários públicos estão em greve, incluindo os coveiros, mas quando figuras excêntricas e importantes da cidade morrem, quem irá enterrá-las? Dessa forma, os próprios defuntos se levantam para cobrar o que lhes é de direito, além de cada um ter algo a revelar sobre a população antarense.

O que mais gostei no livro foi a primeira parte que conta a história cultural e familiar da cidade de Antares, perpassando por relatos históricos, pela divisão familiar entre Vacarianos e Camporlagos e as curiosidades dessa região. Além disso, também é muito interessante o fato do enredo ter uma ligação com história da política brasileira na Era Vargas, dessa forma os discursos dos personagens, sobre esquerdismo, comunismo são idênticos ao que ouvimos atualmente. Érico foi muito inteligente ao unir esse pano de fundo mais sério a uma história cômica em que os defuntos retornam a sociedade para revelar velhos segredos.

Incidente em Antares é a sátira perfeita sobre a nossa situação política atual.
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Rafael 03/05/2019

"Um dia os mortos despertam" Escreveu Érico.
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Sasso 23/04/2019

Curioso
Preciso dizer que salvei esse livro de uma caçamba de material de construção; não sei se algum dia teria comprado. Mas, tendo entrado assim na minha vida, decidi ler. E gostei! Erico conta a história de Antares, primeiramente sua formação histórica - como tantas outras cidadelas interioranas - e depois o andamento do "incidente" em si. Uma forte crítica à sociedade coronelista, corrupta, ditatorial, mandatária, xenófoba, dentre tantas outras, dessas cidadelas interioranas. Me ajudou bastante a ver "o outro lado", o lado popular, a pensar no social, a pensar no povo. Toques de humor existem aos montes, mas todos eles bem sutis. É uma crítica também ao "nada muda" da vida, à indiferença frente às injustiças, às mazelas dos líderes políticos e dos maus funcionários diversos. "Que é o povo? Um monstro com muitas cabeças, mas sem miolos. E esse "bicho" tem memória curta". Falas como essas fazem parte das críticas do autor. Uma frase que gostei muito é a que diz "Comunista é o pseudônimo que os conservadores, os conformistas e os saudosistas do fascismo inventaram para designar simplisticamente todo o sujeito que clama e luta por justiça social". Fantástica a fala do Padre que sugere ao Delegado que prenda Jesus, se este reencarnasse, visto que suas "ideias" são subversivas. Termino com outra fala fantástica: "Às vezes neste mundo é preciso mais coragem para continuar vivendo do que para morrer".
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