A Intrusa

A Intrusa Júlia Lopes de Almeida




Resenhas - A Intrusa


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Janaína 06/05/2020

"Na vida, como nos folhetins, os romances fazem-se por si"
Júlia Lopes de Almeida foi vítima de uma injustiça histórica cometida pela Academia Brasileira de Letras. Apesar de ter colaborado para fundação da ABL, ela não pôde figurar entre os imortais pelo simples fato de ser mulher. Assim, a cadeira de número 3, que deveria pertencer à Júlia, foi concedida ao seu marido Filinto de Almeida.

O seu romance A Intrusa foi publicado em formato de folhetim no Jornal do Comércio e a primeira edição do livro lançada em 1908. Na história, que se passa no Rio de Janeiro, temos o rico viúvo Argemiro Cláudio, que está em busca de uma governanta para administrar sua casa e ser responsável pela educação de sua filha Maria da Glória. Maria vive em uma chácara com os avós maternos, os barões do Cerro Alegre, mas Argemiro deseja ter a companhia da filha em sua residência com mais frequência. Ele é fiel a memória da esposa, que no leito de morte o fez realizar um juramento: jamais se casaria novamente. Deste modo, ao contratar Alice Galba para a função, Argemiro impõe uma condição, que eles não se vissem nunca, para que assim não paire nenhuma suspeita sobre a mulher que deveria zelar pela filha.

A questão racial foi um ponto do livro que me chamou atenção e me fez refletir sobre o lugar na sociedade reservado às pessoas negras nos primeiros anos da República. O personagem negro do livro é o copeiro Feliciano e em inúmeras passagens ressalte-se a cor da pele dele: “o negro, todo empoado e bem vestido”, “a baronesa já não ouviu as razões do preto e gritou para o marido, num desabafo” e por aí vai. Dos demais personagens não é preciso ressaltar a cor, já que o “padrão” é serem pessoas de pele clara.

Durante a leitura senti falta de conhecer mais sobre a visão e sentimentos de Alice e também achei o final um pouco corrido. Apesar disso, foi uma leitura muito prazerosa, que prendeu minha atenção do início ao fim. Gostei bastante deste romance e espero ler mais obras da Júlia.

Escolhi ler a versão original, que está em domínio público, ao invés da versão com a linguagem adaptada pela editora Pedrazul. Acredito que foi a melhor escolha que fiz, pois, a escrita não é difícil e além disso me fez mergulhar ainda mais no contexto das personagens. Temos o uso de algumas palavras menos usadas atualmente na língua portuguesa, mas nada que comprometa o entendimento ou que não se possa facilmente consultar o significado no dicionário do kindle.
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Elis 28/07/2020

Delícia.
É deliciosamente bom. E tem o desfecho que precisamos! Adorei cada página, vibrei com cada personagem.
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Enza Cerqueira 08/10/2016

Um clássico nacional à moda inglesa!
(Resenha publicada originalmente no blog Escritoras Inglesas em julho/2016 logo após o lançamento do livro)

Júlia Lopes de Almeida é uma escritora brasileira e abolicionista nascida em 1862. Autora de vários livros, a carioca também compôs o rol dos idealizadores da Academia Brasileira de Letras e destacou-se no âmbito literário com seus romances e contos juntamente com o marido, também escritor.
Neste ano, a Editora Pedrazul trouxe para o seu rico catálogo um dos romances mais famosos de Júlia: A Intrusa, que conquista o amante de clássicos ingleses com suas inúmeras referências à literatura da terra da rainha.
A obra narra a chegada de uma governanta à casa do advogado Argemiro e como ela afeta a vida em sua residência. Ele é um advogado que reside no Rio de Janeiro, capital do Brasil durante a virada do século, logo após a instauração da república no país. Argemiro perdeu a esposa cedo e jurou, no leito de morte da mulher, que se manteria fiel à amada e não tornaria a se casar.
Anos passam sem que Argemiro se interesse ou tenha um contato maior com qualquer
mulher, porém, quando chega a hora da filha crescida começar a se portar como uma moça e sua casa fica de ponta cabeça devido às manias de um empregado folgado, o advogado resolve contratar uma governanta para educar a filha e colocar seu lar em ordem. No entanto, ela seria contratada com uma condição: que nunca se encontrasse com o seu patrão.
Neste contexto, surge, então, a misteriosa Alice Galba. A jovem aceita o emprego, estranhamente, sem pestanejar após uma entrevista com Argemiro onde comparece vestindo um véu que lhe cobre a face, impedindo o patrão de vê-la.
Ele desconfia de que a moça só poderia ser bem pobre e necessitada para aceitar um emprego sob tais condições, mas, com o passar do tempo, Alice demonstra ter qualidades que uma moça de classe baixa não poderia ter. Além de ler em outros idiomas, as lições passadas à sua filha Glória são ricas e profundas e Argemiro começa a perceber uma mudança de comportamento da filha, mas não só isso: seu lar está diferente, o relaxo e descuido do empregado Feliciano saem de cena e os cuidados graciosos de Alice começam a ser percebidos pelo patrão em cada cantinho de sua residência. Assim, ela começa a conquistá-lo aos poucos, sem, contudo, jamais ter sido vista.
"É extraordinário. Desde que esta mulher entrou em minha casa eu sou outro homem, muito mais tranquilo e muito mais feliz. Nunca a vejo, mas a sinto; sua alma de moça enche estas salas vazias de juventude e de alegria."
Assim, a fama dos cuidados e talentos de Alice começa a correr no círculo social de Argemiro, entre seus amigos, padre Assunção, a interesseira Senhora Pedrosa e entre os sogros. Os primeiros brincam com a possibilidade do colega acabar se apaixonando, o religioso apoia a governanta, a Senhora Pedrosa fica indignada com o escândalo e as possibilidades cada vez mais remotas de conseguir uma união vantajosa entre a filha e o advogado, já os últimos... a sogra é a mais incomodada com a situação.
"Nunca a vi, mas a conheço, adivinhei-a; abstraí da personalidade. Ela é o meu conforto; a minha segurança, a minha felicidade."
A sogra rechonchuda não consegue admitir a ideia de outra mulher assumindo o comando da casa cuja senhora tinha sido sua filha e que devia permanecer viva no coração de Argemiro e, por isso, começa a tramar várias maquinações para descobrir mais a respeito de Alice e se livrar da jovem e misteriosa governanta, que parece querer tomar o lugar da santa e amada filha além de estar certa de que a moça está a esconder algum segredo sombrio de seu passado... Será que ela consegue desvendar o mistério no qual Alice está envolvida antes que Argemiro de fato se apaixone pela governanta e quebre o juramento feito à falecida filha?
A Intrusa é um romance leve e divertido que se assemelha aos nossos romances ingleses favoritos no sentido de retratar a sociedade do período em que foi escrito sem poupar algumas críticas sutis a figuras hipócritas e extravagantes presentes na época, personificadas na Senhora Pedrosa e na Baronesa, sogra de Argemiro. É um livro curto e gostoso de ler, os personagens, carismáticos e bem brasileiros, proporcionam certa identificação com o leitor e fazem com que a leitura seja bastante agradável.
O estilo de Júlia, nada prolixo, ao se afastar das descrições intermináveis características de alguns autores do gênero Romântico, aproxima-se de nós leitores contemporâneos e facilita a leitura. A Intrusa é um clássico surpreendente, delicado e encantador. É uma pena que Júlia Lopes de Almeida não ocupe uma posição de mais destaque dentro da nossa literatura. Resta esperar que a Pedrazul nos presenteie com mais obras da escritora, que se mostrou tão habilidosa com as palavras quanto as escritoras inglesas que tanto estimamos, publicadas pela editora.
Júlia Lopes traz as características que mais amamos nos romances ingleses e une ao que o nosso Brasil tem de melhor e, por isso, seu romance é um prato cheio para quem é afeiçoado à literatura inglesa e quer dar uma chance aos clássicos nacionais, mas tem receio. A Intrusa é adorável; é aquele tipo de livro que não se quer terminar e, ainda assim, não vê a hora de descobrir o desfecho, aquele livro que, quando é terminada a sua leitura, permanece conosco por muitos e muitos dias... o melhor tipo de livro.
"[...] ela para mim não é uma mulher, mas uma alma. Não a vejo, não lhe toco, a sua imagem material é para mim tão indiferente como um pedaço de pau ou uma pedra. Para mim, basta-me a sua representação, neste aroma, peculiar dela e que paira sutilmente por toda a minha casa; nesta ordem, que me facilita a vida, e no gosto com que ela embeleza tudo em que toca e em que pousa a vista. É uma educada. Parece-me que ela deve ter estudado à sombra de castanheiros ingleses, entre campos de tulipas e jacintos tão diversa ela me parece ser das outras mulheres."
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Clube do Livro 04/08/2016

Resenha do Blog Clube do Livro e Amigos por Amanda Bonatti (Completa)
A obra de Júlia Lopes de Almeida retrata o papel da mulher na sociedade da época, onde o trabalho continua sendo sempre relacionado a afazeres domésticos, e o casamento acaba sendo o modo como a heroína consegue sua ascensão social.


A trama:
A intrusa é uma das principais obras de Júlia Lopes de Almeida e que retrata a sociedade da época em todas as suas camadas, desde a nobreza já decadente até o período pós escravatura. Alice Galba é uma jovem de vinte anos contratada meio a contragosto, como governanta pelo viúvo Argemiro, para que cuide da casa e da educação de sua filha, Maria.
Fiel à memória da mulher, Argemiro impõe uma estranha regra ao contratar a moça: que eles não se vejam nunca. Porém aos poucos, ele acaba se encantando pelo bom trabalho da governanta e pelos efeitos positivos que a mesma causa sobre a sua filha. Argemiro começa a ficar curioso sobre Alice Galba, e até mesmo interessado em conhecê-la, porém, a Baronesa, mãe da falecida ex-mulher de Argemiro, quer a todo custo evitar a aproximação dos dois, lembrando-o constantemente da promessa que ele fizera à sua filha, de que nunca se casaria novamente.
O livro é um belo retrato do Brasil no século XIX, onde as mulheres eram vistas apenas pelos seus bons atrativos como esposas e donas do lar. O trabalho exercido pelas mulheres era visto como algo decadente, pois apenas as que não conseguiram arranjar um bom casamento é que precisavam trabalhar. Tudo o que a mães das meninas jovens mais desejavam era que elas se casassem com um bom partido, mesmo que fosse um viúvo ou um homem bem mais velho. A intrusa é um clássico maravilhoso, um livro desses que são leitura obrigatória e que nos fazem sentir os gostos e os aromas da nossa história, onde podemos até mesmo entender os preconceitos e ideias que nasceram há muito tempo atrás, mas que ainda se arrastam até os dias de hoje.

site: http://clubedolivro15.blogspot.com.br/2016/08/resenha-intrusa-julia-lopes-editora.html
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LuizaSH 20/11/2018

Eu vivi uma relação um tanto estranha ao ler esse livro. A leitura em si não me agradou muito, porém fiquei pensando que se houvesse uma adaptação em filme ou série, até novela, eu assistiria e provavelmente iria curtir. Não sei bem explicar esse sentimento, mas foi isso que me ocorreu.
Em alguns momentos eu senti que a autora perdia tempo da narrativa descrevendo cenas que, ao menos na minha opinião, não acrescentavam no centro da história, que era falar sobre o estranho relacionamento entre o patrão - o advogado Argemiro - e a governanta - Alice -, que estipularam no contrato de simplesmente não se verem!
Argemiro é viúvo, fez uma promessa à falecida esposa, em seu leito de morte, de que jamais amaria nem casaria com nenhuma outra mulher. E a sogra do cara faz questão de lembrá-lo disso o tempo todo, a ponto de tomar conta da vida do cara, um comportamento chato até dar raiva, e o Argemiro simplesmente deixa, o sogro também faz nada. O advogado tem uma filha pré-adolescente criada sem lá muitas regras, mas que com o convívio com Alice vai aprendendo um monte de coisas, que só servem para deixar a avó mais paranoica e controladora ainda. E sem falar no Feliciano, empregado folgado que usa e abusa dos bens e do dinheiro do patrão, mas que perde essas suas "regalias" quando a governanta começa a trabalhar na casa e ele passa a odiá-la por isso.
Bem no fim do livro, diria talvez os dois últimos capítulos, até que eu curti um pouco mais, mas já era tarde para o enredo me conquistar.
Janinha 06/01/2019minha estante
Essa sogra é insuportável!




Eduarda 01/10/2018

A vivacidade de uma sombra
Argemiro é um advogado muito ocupado, viúvo há nove anos, que decide dar um basta na desorganização de sua casa – administrada sobretudo pelo ex-escravo Feliciano - e na criação amimada de sua filha Glória pelos avós maternos. Assim, entra na sua vida e na vida de sua família Alice Galba, uma jovem de 25 anos que começa a influenciar completamente o ambiente e a vida do advogado, ainda que ele nunca a veja.

Quem aí já conhece Júlia Lopes de Almeida? Confesso que antes da Pedrazul relançar esse clássico eu nunca havia ouvido esse nome. Uma pena essa carioca - que além de romancista foi contista, cronista e teatróloga – seja tão pouco conhecida.
A história de Alice talvez não agrade a todos, principalmente aqueles acostumados com cenas de romance. E me refiro aqui até mesmo à mais simples delas... um passeio no parque, um beijo na mão, um olhar mais demorado. Não é disso que se trata a história e é essa a maior sacada. Conseguimos torcer por um romance entre duas pessoas que praticamente nunca se viram. Um dos motivos, é claro, é a sogra de Argemiro, o arquétipo perfeito da sogra víbora.
É incrível como a autora consegue sustentar uma protagonista através apenas de relatos feitos por outros personagens. É assim que vemos Alice durante toda a história... ela é uma incógnita não somente para seu patrão, mas acaba sendo também para nós leitores. Júlia Lopes de Almeida mereceria ser louvada apenas por isso.

Mas é claro que o livro é extremamente válido por várias outras razões. Questões levantadas de forma sutil como, por exemplo, o machismo e o racismo que eram praticamente regra em tal época (a história se passa no final do século XIX), a escrita ágil e divertida, os personagens carismáticos e bem construídos. Acho que valem menção aqui o padre Assunção, melhor amigo de Argemiro, e a levada menina Glória.
Eu poderia ficar horas falando desse romance que, mesmo sendo tão curto, é rico em personagens. Num país de Machado e Alencar, A “intrusa” Júlia Lopes de Almeida merecia mais destaque na nossa literatura. Esse livro nos encanta com seu frescor e vivacidade e é nada menos que adorável!

site: http://cafeidilico.com/blog/2018/09/a-intrusa-julia-lopes-de-almeida.html
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Lusia.Nicolino 09/01/2020

Uma leitura deliciosa, se considerarmos que foi escrita em 1905!
Aconteceu comigo e pode ter acontecido com você, de conhecer, estudar Rachel de Queiroz, Cecília Meirelles e Clarice Lispector, mas nunca ter ouvido falar de Julia Lopes de Almeida. Mas, sempre é tempo de reparar.

Eu comecei por A Intrusa. Narrado em terceira pessoa, um verdadeiro clássico nacional à moda europeia! Uma história de amor que, como pano de fundo, retrata uma época com seus costumes e, por que não, curiosidades.

Se embarcar nessa aventura, estará no fim do século XIX, no Rio de Janeiro, em plena Belle Époque e conhecerá o advogado Argemiro, viúvo que quer se libertar das amarras do seu criado e ter uma casa mais organizada, com as finanças da administração doméstica em dia e de forma justa, para receber sua filha Glória, de 11 anos, que vive com a avó materna. Para isso, escreverá um anúncio em um jornal e contratará a única candidata que se apresenta e, aceito os termos da contratação, a trama se desenrola. Por que será conhecida como A Intrusa? Qual a cláusula do contrato que causa espanto a toda gente?

site: https://www.facebook.com/lunicolinole
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Carla Solayne 31/07/2016

Tema abordado interessante, mas tudo muito superficial...
Esse livro fala essencialmente sobre idolatria a uma pessoa morta! O contexto da história é muito interessante, mas faltou alguma coisa, não sei bem o quê...
A sogra, o sogro, o viúvo e o padre, por vezes, me deram nos nervos ao defenderem uma promessa tão ardorosa feita pelo marido diante do leito de morte de sua esposa moribunda. A sogra é totalmente louca, extremista, idolatra e sobrevive completamente em função do fantasma da filha morta, exigindo do genro o tempo todo que cumpra com a sua promessa de fidelidade eterna. O sogro é passivo, mosca morta e só sabe seguir os comandos da mulher, é um verdadeiro bobalhão! O padre é outro que tem oras que é a favor da presença da governanta e oras acha que o marido tem que cumprir com a loucura de tal promessa! O viúvo em alguns momentos é super irritante por deixar a sogra tomar as rédeas da sua vida e aceitar com tanta covardia e inércia os comandos e desmandos dessa louca em sua vida, a quem ainda chama de "mamãe"!
Apesar de, a principio, ter achado o contexto da história muito interessante, não consegui me conectar com nenhum dos personagens, pois foram desenvolvidos de forma superficial, especialmente a governanta que praticamente não abre a boca em todo o livro e só a conhecemos ao final, ou seja, boa parte da história se passa apenas a descrevendo sem destacar qualquer traço da sua personalidade.
Senti falta de um certo embate em torno do tema, já que o que ocorre é que a sogra fica o tempo todo exigindo que as pessoas, em especial o genro, não se esqueçam da sua filha e a continuem a venerando mesmo depois de morta e todos que convivem com esta situação abaixam a cabeça para tal atitude. Isso fez com que o tema não fosse explorado de forma mais profunda.
Não sei se minhas expectativas estavam muito altas a espera de um romance que não se desenvolveu suficientemente, por isso o livro me decepcionou. O enredo, a meu ver, que fala de um tema tão interessante poderia ter sido muito mais aprofundado e a história poderia ter sido melhor explorada. No geral, achei tudo mediano e com um final resolvido de forma extremamente rápida, sem um bom desenvolvimento e sem muitas firulas...
Lili 08/01/2018minha estante
Esse é o problema desses autores atualmente,escrita rasa personagens sem desenvolvimento.


Gabi 27/02/2019minha estante
Estou lendo esse livro atualmente e já estou com o pensamento completamente igual ao seu. Inclusive vim verificar nas resenhas se mais alguém teve a mesma linha de raciocínio que eu. Confesso que por isso estou tendo um pouco de dificuldade em concluir a leitura, pois acho que o título do livro não condiz com a história em si, uma vez que o foco e a forma como a história é abordada é completamente diferente do que o livro inicialmente ?promete?. Enfim, concordo completamente com os pontos abordados na sua resenha. Acho que no contexto da história eu vejo a Alice mais como um detalhe do que como uma protagonista!




Thalita Branco 01/08/2016

Resenha ~ A Intrusa - Júlia Lopes de Almeida
Algemiro está descontente com a forma como as coisas são administradas em sua casa. Suspeita que o funcionário usa suas roupas e fuma os seus charutos. A conta da costureira é alta mas encontra furos na toalha de mesa. Nada parece ser feito com zelo. Viúvo, permitiu que a filha morasse no interior com os avós maternos, mas em uma visita nota o quanto a criança é mimada, selvagem e sem bons modos. Resolve então contratar uma governanta.

Coloca um anúncio no jornal solicitando uma pessoa para cuidar da casa com uma condição: em hipótese alguma deve ver a contratada. O motivo? Quando a esposa faleceu, pediu angustiadamente que Algemiro jamais torna-se a se casar, promessa prontamente feita pelo fiel marido.

Apenas Alice responde ao anúncio. Uma vez na casa, não demora para Algemiro notar as diferenças. Solicita que a filha o visite uma vez por semana para ser educada pela moça e logo a criança mal criada passa a ter um comportamento melhor. As altíssimas contas da casa despencam. Tudo agora é resplandecente na residência de Algemiro.

Não demora para Alice ser vista com desconfiança por amigos da família e principalmente pela mãe da enlutada, que não consegue se desprender da filha falecida e teme que o genro se apaixone por ela, quebrando sua promessa. Logo todos estão contra a pobre Alice, tentando persuadir Algemiro contra a moça e principalmente tentando descobrir quem ela realmente é.


Clássico nacional, A Intrusa se mostrou mais uma narrativa sobre ciumes que sobre amor, não se isso seja um problema. A edição da Pedrazul Editora possui o português atualizado, portanto é um livro bastante fluido ainda que algumas passagens sobre politica sejam um pouquinho maçantes. Os acontecimentos são interessantes e você se sente instigado para saber como a história terminará. E aí que reside o maior problema. Achei que a história termina de forma um tanto quanto abrupta. Não gostei das últimas páginas. Com certeza levaria uma nota maior caso houvesse um maior entrosamento final acerca de algumas questões.

Mas ainda assim essa narrativa nacional com gostinho de clássico inglês merece ser lida. Eu tenho uma certa bronca de clássicos nacionais por conta dos que fui “obrigada” a ler para o vestibular. Na época eu não tinha maturidade suficiente para alguns deles e queria mais saber de Harry Potter e cia. Então fiquei bastante contente por ter lido esse e gostado. O final pode não ter me agradado de todo, mas A Intrusa é um livro com personagens marcantes e que me faz pensar sobre várias coisas.

site: www.entrelinhasfantasticas.com.br
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Daniel 25/01/2018

Uma intrusa que não te dará sossego antes da última página
Resenha no link abaixo!

site: https://blogliteraturaeeu.blogspot.com.br/2018/01/a-intrusa-de-julia-lopes-de-almeida.html

Léo 29/01/2018minha estante
Li e me empolguei mais pra adquirir meu exemplar e claro começar a ler!


Daniel 29/01/2018minha estante
Leia, Léo! Depois desse livro, sou fã assumido de Júlia Lopes de Almeida rs. Tentarei ler "A Falência" ainda este ano.




Aline.Andrade 03/02/2020

Só leiam
Essa escritora foi injustiçada demais quando foi barrada de entrar na ABL (que ela ajudou a criar) somente por ser mulher. Pra piorar, colocaram o marido dela, que era um zero a esquerda (minha opinião aki), pra ocupar a cadeira que deveria ser dela. Eu tenho como meta ler todos os livros dela. Esse foi o primeiro e só posso dizer e amei.
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Luci Eclipsada 31/08/2017

Grata intrusão
Romance é um gênero da literatura surgido no século XVII e que rapidamente popularizou-se entre os que apreciavam a leitura de livros. Entre suas características podemos destacar a maneira híbrida como uma trama pode ser facilmente composta pela manifestação de outros gêneros textuais, como: novelas, cartas, narrativas de viagem e assim por diante; além, também, de possuir estilos e linguagens variadas.
O fato é que o Romance tal qual o conhecemos veio evoluindo e se reinventando através de subgêneros menores hoje tão utilizadas quanto à época em que foram criados. Assim, partindo do pressuposto de evolução do romance e o surgimento de subgêneros dentro deste grande gênero, temos o Romance Urbano, ainda chamado de Romance de Costumes, que nada mais é do que o romance que retrata uma determinada esfera social onde reproduz, por meio das palavras, os costumes da sociedade sem deixar de tecer críticas aos hábitos sociais. Dentro da literatura, este subgênero do Romance está ligado a Escola Literária Realista (Realismo) do século XIX, onde o narrador se coloca na trama como uma espécie de observador de seu tempo, enfatizando conflitos amorosos e problemas socioeconômicos.
No Brasil temos grandes escritos que representam com maestria o Romance Urbano/Costume, tais como José de Alencar e Joaquim Manuel de Macedo; mas, estes escritores são mais que conhecidos e consagrados; agora, o que pouca gente sabe é que temos entre esses grandes homens uma igualmente grande mulher, a desconhecida Júlia Lopes de Almeida, contista, romancista, cronista, teatróloga e, infelizmente, relegada a uma quase não existência sabe-se lá por qual razão.
Felizmente ainda é possível encontrar alguma coisa, bem escassa, produzida pela escritora e disponível na internet, além de alguns parcos títulos à venda em sebos; porém, também podemos nos deliciar, ao menos um pouco, com o fato de uma editora, ainda que pequena, ter se dedicado a lançar no mercado um dos romances de costume mais interessante que você lerá atualmente: A Intrusa (Editora Pedra Azul, 2016: 232 páginas).
No referido romance, o leitor é transportado a uma Rio de Janeiro do século XIX onde se concentra, praticamente, toda a elite brasileira da época já que esta era a capital da recém-instaurada República com suas grandes diferenças sociais. Na trama de Lopes, um rico, bem-sucedido, bonito e viúvo advogado, que prometera jamais casar-se novamente, decide contratar uma governanta para tomar conta de seu lar e, consequentemente, ensinar um pouco de bons modos a filha mimada que mora com os avós maternos, mas que vez ou outra desfruta de sua companhia. Apesar das críticas que recebe por cogitar inserir em seu lar uma mulher qualquer para cuidar de suas coisas e de sua filha, o advogado leva a ideia adiante e contrata, sob a condição de jamais ter contato com sua governanta, Alice Galba, uma jovem misteriosa que se mostrará muito acima das expectativas do advogado que, com o passar dos meses, começa a nutrir pela mulher, ainda que inconsciente, certa admiração, o que irá instigar o ciúme exagerado de sua ex-sogra que não admite em hipótese alguma que o ex-genro descumpra a promessa de nunca mais se casar feita a sua filha no leito de morte.
O Romance de Lopes consegue trazer todos os elementos dos romances urbanos que conhecemos, mas sob a ótica de uma mulher/escritora que com o olhar muito acurado de sua época consegue, mesmo sutilmente, pincelar questões sociais muito pontuais ao longo de todo romance, como o preconceito de uma sociedade predominantemente patriarcal e machista que era incapaz de ver com bons olhos uma mulher independente sem imaginar malícia por de traz de sua conduta.

"Não duvide! Uma governanta de casa de um viúvo só, vinda por anúncio de jornal... de ter ao menos um defeitozinho, e olha que o da curiosidade é quase virtuoso [...]" (p.129)

O preconceito racial enraizado na sociedade é outra questão levantada, prova disse é o personagem Feliciano, um negro que não apenas rejeita sua condição como exterioriza sua ira por ser quem é: negro.

"Revoltado contra a natureza que o fizera negro, odiava o branco com o ódio da inveja, que é o mais perene. Criminava Deus pela diferença das raças. Um ente misericordioso não deveria ter feito de dois homens iguais dois seres dessemelhantes.
Ah se ele pudesse despir-se daquela pele abominável, mesmo que a fogo lento, ou a afiados gumes de navalha, correria a desfazer-se dela com alegria. Mas a abominação era irremediável. O interminável cilício terminaria até que, no fundo da cova, o verme pusesse nua a sua ossada branca..." (p. 137)

De tudo o mais que o romance trata, temos uma brevíssima pincelada, também, nos aspectos políticos da nova república, uma questão que era de grande interesse da autora, mas que em A Intrusa não foi aprofundado, apenas representado pela inserção de dois personagens políticos dentro da trama que entre uma conversa e outra com o advogado Argemiro, por exemplo, fazem alusão as manobras políticas a que estão sujeitos para atingirem seus objetivos.

"[...]A ação de governar vai se tornando cada vez mais perigosa nesta terra... Nós temos maus auxiliares e o povo tem má fé... A oposição,m agora, serve-se de todos os meios para impedir-nos os passos, usando das asmas mais pérfidas, que são as do ridículo e as da calúnia..." (p. 118)


Enfim, Júlia Lopes de Almeida nos mostrou com este pequeno grande romance que é A Intrusa, o quão rica a literatura nacional teria sido se a mulher tivesse tido meios de produzir escritos ao invés de ter sido durante tanto tempo relegada a subserviência do lar, não que ser dona de casa seja algo ruim, longe disso, mas a mulher pode ir muito mais além disso. Veredito final: livro recomendado fortemente a todos e todas desejosas de livros escritos por grandes figuras femininas.

site: http://conformealetra.blogspot.com
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Alex Nascimentto 17/05/2018

A trama gira em torno de Agemiro, um viúvo rico e advogado, que após a morte de sua esposa leva uma vida de luto e recolhimento. Ele é pai de Maria, uma garota adorável que precisa de uma governanta, já que ele próprio só a vê uma vez por semana. Logo após ser lançado o anúncio no jornal, a jovem Alice, de vinte e cinco anos, chega a casa de Agemiro em busca de emprego, mas a avó da garotinha parece não gostar muito do acontecido nem da maneira como a governanta cuida de sua neta e administra o lar, segundo ela a moça quer roubar o lugar de sua falecida filha. Agemiro está longe dali e nunca sequer viu Alice, mas de certo modo começa a nutrir um carinho e gratidão por tudo aquilo que a moça tem feito em sua ausência. Ele quer a todo custo encontrar com Alice, a intrusa, e realmente conhecê-la de uma forma melhor, só que a sua sogra trama um plano para colocar a moça em maus bocados, causando assim sua partida, mas o viúvo não aceita e faz de tudo para ter sua amada a seu lado, em seu lar. ????????????????????
?? É um romance de época que se passa nas terras cariocas, de início fiquei meio confuso com alguns pontos da estória, principalmente pelo fato da narrativa nos mostrar Alice pelos olhos dos outros personagens. Vale ressaltar que a presente obra foi escrita em 1905, e que vem atraindo muitos leitores, pois é um livro muito bom e questionante! ????????????????????
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Déborah - @lisossomos.lisos 19/10/2016

Pra ler no busão: A intrusa
Não tenho mais nada a falar sobre a trama, pois a sinopse é bem completa.
Vemos exatamente o que diz nela e se eu falar mais alguma coisa seriam spoilers.

Sendo assim, vamos nos ater ao fato de que Argemiro contratou dona Alice e sua regra maior é que nunca topasse com ela na casa e assim foi feito.
Quando ele entrava a moça se escondia. É claro que ninguém acreditava na história e achavam que ela era amante dele, mas a moça continuava firme em seus princípios e não se deixava levar pelo disse que disse.

O poder que ela teve sobre Maria, filha de Argemiro, foi espetacular. Ela mudou a menina da água para o vinho. Deixou de ser mimada e egoísta para aprender a ser educada e bondosa.

O problema (ou talvez a solução) foi que Argemiro passou a se sentir muito bem com todas as transformações que Alice provocou em sua vida e de vez em quando ficava bem tentado a vê-la, mas não dava o braço a torcer.

Por fim, a sogra era um porre seu maior intento era infernizar o homem lembrando que ele deveria ficar viúvo para sempre devido a sua promessa a mulher no leito de morte. Padre Assunção era meio que o conector da história, pois era o único que falava tanto com Alice como com Argemiro e confesso que de vez em quando o padre irritava pelo jeito dele.

Eu AMO romances de época, então fiquei super empolgada quando vi que esse era mais ou menos assim.

Ele até é de época, mas nada tem a ver com o tipo que estamos acostumados a ver. Ele é um romance de época onde a mocinha não fica suspirando pelo mocinho (que no caso não é tão mocinho).

O fato do principal já ser viúvo e ter uma filha deu um quê a mais na narrativa. Ele não é o tipo de protagonista que era arrogante e cai de amores pela mocinha.

Por isso afirmo que esse livro é tão diferente e é nessas diferenças que ele nos conquista.

A capa tem tudo a ver com a história.

A diagramação é bem bonita e não encontrei nenhum problema de revisão.

Recomendo o livro pra quem gosta de um bom romance de época, mas quer se aventurar num tipo diferente.

site: http://lisos-somos.blogspot.com.br/
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