Um Útero É do Tamanho de um Punho

Um Útero É do Tamanho de um Punho Angélica Freitas
Angélica Freitas




Resenhas - Um Útero É do Tamanho de um Punho


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Carina 11/09/2013

A voz feminina na poesia
Um livro mediano, porém ousado. Angélica Freitas sabe dar voz a muitos dos conflitos femininos - e incorporando a voz da mulher que se calou durante séculos, dispara seus versos em um continuum. Ainda que os poemas sejam unidades isoladas, alguns dos que estão no livro só têm sentido de ser quando apreendidos dentro do seu contexto. É o conjunto que dá a força da obra - lidos isoladamente, os versos, por vezes, não funcionam.

Nota: 7,0

Trechos:

“uma mulher gorda
incomoda muita gente
uma mulher gorda e bêbada
incomoda muito mais
uma mulher gorda é uma mulher suja
uma mulher suja
incomoda incomoda
muito mais

uma mulher limpa
rápido
uma mulher limpa”.

mulher depois

queridos pai e mãe
tô escrevendo da tailândia
é um país fascinante
tem até elefante
e umas praias bem bacanas

mas tô aqui por outras coisas
embora adore fazer turismo
pai, lembra quando você dizia
que eu parecia uma guria
e a mãe pedia: deixem disso?

pois agora eu virei mulher
me operei e virei mulher
não precisa me aceitar
não precisa nem me olhar
mas agora eu sou mulher
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Livrogram 29/09/2014

Sobre um útero...
Esqueça os clichês sobre feminismo e literatura feminina e se deixe levar pela poesia de Angélica Freitas. Elogiado pela crítica e pelo público no início de 2013, este livro é um dos exemplos da nova poesia contemporânea brasileira: consistente em suas proposições e capaz de nos surpreender. Depois de seu livro de estreia, 'Rilke Shake', a autora nos apresenta 'Um útero é do tamanho de um punho', reunindo poemas ora sutis ora francamente questionadores sobre a condição da mulher contemporânea. Angélica evoca os humores, dores e amores relacionados à ideia de feminino - sempre em construção e transformação. A autora também dialoga com a contemporaneidade de forma surpreendente, como na série '3 poemas com o auxílio do Google'. Este é um livro delicioso! Angélica também edita a revista de poesia Modo de Usar & Co., junto com outros poetas. Em versão impressa e virtual e contando com ótimas traduções, a revista é um excelente meio para descobrir novos autores de poesia ao redor do mundo. Eis aqui uma autora que vale a pena acompanhar!

site: https://www.youtube.com/user/livrogram2014
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Parisina 08/03/2015

" A mulher é uma construção"
É um livro forte e intenso. O mundo feminino está escancarado e pode ser sentido de uma forma visceral desde a capa até a última página. Li em um dia todo de uma vez. Acho que vc entende melhor a essência da obra. Acredito que não da para ler as poesias de forma fragmentada realmente, pois elas fazem parte de um conjunto. Ainda assim, muitas vezes, não entendi alguns momentos e alguns versos. Talvez por não ser uma leitora de poesias. O livro, no entanto, é uma experiência muito legal!
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Eduardo 22/11/2012

"(...)
eu quando corto
relações corto
relações
não tem essa de
briga de torcida
todos os sábados
(...)"

:D
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Henri Marc 31/01/2018

Creio que a grande sacada desse livro esteja no título. Um título protesto.
Porém não vi nenhuma genialidade literária, não vi poesia à altura das grandes poetas feministas, daqueles que, talvez, grande parte das leitoras e leitores deste livro não devam conhecer.
No mais, como poesia é péssimo. Como manifesto pode até se ter relevância.
Mas não é isto que se julga, mas apenas a capacidade literária, algo que falta.

Pensei que iria encontrar literatura à altura de Sor Juana Inés de La Cruz, Florbela Espanca, Gabriela Mistral, Delmira Agustini, Alfonsina Storni, Julia de Burgos. Pensei que as poesias que continham nestes livro fossem para além do planfetário, coisa que não vi.

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Paty 22/01/2014

Em Um útero é do tamanho de um punho, Angélica faz uma poesia fina, direta e cheia de verdade, com um humor inteligente, meio que jocoso, com uma doce certa de ironia, força de alguém que não tem medo das palavras, ao contrário, as usa muito bem e sabe pra onde as está levando.

Como o próprio título sugere, o mote de suas poesias é o feminino, as mulheres, é um livro feminista? Sim, mas não é de e nem há panfletagem. Há denúncia, mas não é algo bruto; ela observa e relata como a mulher é vista, apontada, moldada, o que fica muito claro na primeira parte do livro com O "uma mulher limpa". Angélica reinventa e dá uma nova roupagem ao preconceito, quando o incorpora para expor justamente toda a sua face cômica que já deveria ter sido percebida por todos há muito tempo!
As poesias são cheias de nuances e significados que vão além de sua rima forte e de sua falsa simplicidade.
Falam da forma ostensiva que a mulher é vigiada, seja sobre a forma como se veste, pelo seu peso, sua beleza. Ainda traz poemas sobre a transsexualidade, o homossexualismo feminino, falam das ilusões, desilusões e desejos de toda mulher.

Um útero não é o mesmo que um punho e muito menos tem a sua força física, isso é claro, mas se você quiser parar e pensar só um pouco, mesmo não estando muito acostumado a isso, vai entender que esse órgão de posse apenas do feminino, carrega toda uma supremacia, tem sim muito poder! Mas ao mesmo tempo, se formos analisar o avesso dessas costuras tão bem tecidas pela autora [e como sugere tão belamente a capa da edição], vamos enxergar que esse mesmo útero deixa de ser algo sagrado, prendendo a mulher à uma única prioridade.

Como eu falei, não sou boa para falar de poesia, aliás, nem sei se sou boa em fazer poesia, mas Angélica Freitas é, e muito! Ela nos atinge em cheio e, o melhor, sem precisar empunhar um punho fechado!

Postado originalmente aqui:


site: http://almadomeusonho.blogspot.com.br/2014/01/um-utero-e-do-tamanho-de-um-punho.html#more
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li.ebizio 29/06/2015

Sobre as várias mulheres
Eu li um útero é do tamanho de um punho no final de 2014. Li em uma tacada só. Cada poema me deixava com vontade de ler o que Angélica Freitas reservava na próxima página. Usando a ironia e o humor, a poeta versa sobre a mulher. Ou melhor, sobre as mulheres. A mulher ideal que é "diferente das mulheres". A de vermelho. A de respeito. A suja e a limpa. E tantas outras que enchem as páginas do livro.

Os poemas conseguiram de maneira simples dar voz a diversos pensamentos que eu não conseguia expressar. Por exemplo, a distinção entre mulher limpa e mulher suja, que é exatamente a separação que a sociedade faz. "Mulher de respeito" mostra em dois versos a vigilância sobre a vida íntima feminina enquanto "mulher de vermelho" (em mais versos) o faz com o modo de vestir e agir.

Meu poema favorito - que eu acho que resume a discussão presente no livro - é "A mulher é uma construção"

site: http://deretasegmento.blogspot.com.br/2015/02/livro-3-um-utero-e-do-tamanho-de-um.html
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Patricia.Colmenero 31/05/2016

Poemas feministas, refletem de forma engraçada e irônica sobre a condição da mulher.
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Dani 18/05/2018

Sempre tive vontade de ler o livro, e ela só aumentou quando o procurei algumas vezes e ele estava esgotado. Pensei: "Nossa, esse livro deve ser muito bom!". Depois da leitura, fiquei decepcionada. Sei que isso é muito subjetivo, mas essa poesia não me agradou de jeito algum.

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Fernanda.Gehrke 22/08/2016

Sobre mulheres e seus úteros
Entre risadas e algum amargor na boca, os poemas em "Um útero é do tamanho de um punho", editado pela extinta editora Cosac Naify, falam muito sobre o ser mulher, se ver mulher, se aceitar como mulher. O poema que dá título ao livro é um dos mais fortes, um grito pelos direitos das mulheres para decidir, por conta própria e sem qualquer tipo de interferência da política, da religião ou dos homens, o que fazer com o próprio corpo. Os poemas estão divididos em subtítulos: “Uma mulher limpa”; “Mulher de”; “A mulher é uma construção”; “3 poemas com auxílio do Google”; “Argentina” e “O livro rosa do coração dos trouxas”.
Os poemas escritos com auxílio do Google revelam muito sobre como o machismo ainda está presente. Para escrevê-los, a autora digitou, no buscador, alguns inícios de frases com a palavra mulher. O que se revelou foi um mar de preconceito, machismo e misoginia entre os assuntos mais pesquisados, que o preenchimento automático indica nesses casos. Por exemplo: A mulher quer (primeira opção: ser amada; segunda opção: um cara rico).
Gostei de um poema em particular, que diz muito sobre a família tradicional brasileira, aquela em que a mulher trabalha muito mais e ganha muito menos dinheiro e reconhecimento que o homem: Mulher de valores.
No link tem mais.

site: http://meudesafiodeleitura.blogspot.com.br/2016/08/livro-21-um-utero-e-do-tamanho-de-um.html
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Camila Márcia 09/11/2017

Não me identifiquei, mas tem muita coisa boa
Recentemente o livro Um Útero é do Tamanho de um Punho escrito pela Gaucha Angélica Freitas ganhou uma nova edição pela Companhia das Letras, mas a edição que li foi a digital publicada pela Cosac Naify, e não se trata de um livro inédito, tendo em vista que sua primeira edição data de 2013.

Admito que só vim conhecer o livro após as divulgações da Companhia das Letras para a nova edição, e como gosto de ler obras escritas por mulheres que falam sobre mulheres e ainda mais com um título tão interessante como Um Útero é do Tamanho de um Punho fiquei bastante empolgada.

Soube que era um livro de poesias e por ter pouca quantidade de páginas encaixei a leitura do e-book no meio de outras leituras que estava fazendo

Gostei do título e da própria intertextualidade que ele apresenta, e já deixa também a impressão de que o livro vem a tratar de algo interior, subjetivo das mulheres, em outras palavras, as poesias giram em torno do universo feminino, sobre temas do cotidiano, temas tabus e polêmicos, mas confesso que mesmo falando de um universo do qual faço parte não consegui me identificar tanto assim com o que estava lendo.

Fica claro que Angélica Freitas é uma feminista, mas Um Útero é do Tamanho de um Punho, não tem como objetivo levantar bandeira ou mesmo clamar e expor uma emancipação sexuais ou busca de direitos igualitários, mas objetiva falar de mulher para mulher, não sobre as lutas, mas sobre o dia a dia, suas lutas pessoais e individuais consigo mesma e não engajadas na sociedade. É como dizem: mulheres são difíceis de decifrar, até porque lutamos em nosso interior e também temos que lutar contra o mundo machista e cheio de limitações para com as mulheres. Queremos cruzar todas as barreiras: psicologicamente, de pensamento e físicas. Tarefa árdua, mas que deveria ter como primeiro passo o autoconhecimento: o que você acredita?

Muitas vezes levantamos bandeiras do feminismo e esquecemos de refletir o que acreditamos ser o movimentos, pois mesmo autoproclamado-nos feministas temos e agimos com alguns pensamentos machistas já tão arraigados em nossa educação.

Enfim, mesmo não sendo um dos melhores livros de poesia que já li sobre o universo feminino, Um Útero é do Tamanho de um Punho serviu-me como um norte para levantar várias reflexões pessoais e algo assim não tem preço, não é mesmo?

Então, indico o livro? Sim. Apesar de não ter me identificado tanto, houve algumas poesias que realmente apreciei e as reflexões que fiz durante a leitura vou carregar durante a vida. Acho válido também a leitura por ser de uma escritora nacional que conhece a realidade feminina brasileira, mesmo que essa realidade seja a também de muitas outras nações.

site: www.delivroemlivro.com.br
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Alana 20/04/2016

Sinopse : "Esta obra reúne 35 poemas que têm a mulher como centro temático - procurando definir que figura feminina é essa que é, segundo a autora, desenhada e desconstruída incessantemente, e questionando de um lado o mundo, de outro a própria identidade."

Fui atraída pelo titulo da obra, que por sinal, é o titulo de um dos melhores poemas deste livro. Angélica Freitas trata a questão do "ser" mulher sob a ótica feminista, usando brilhantemente eventos aparentemente banais do cotidiano da mulher para denunciar as pequenas violências inseridas em seu dia a dia e em seus pequenos gestos.

Ela fala de mulher suja, mulher limpa, mulher de respeito,a mulher em construção, a mulher "depois" (nesse, em especial, ela trata da identidade de gênero), a mãe de família...

Sera que o corpo da mulher pertence a ela mesma?

Um Útero é do Tamanho de um Punho é aquele livro que você lê sem pausas, pois os poemas, apesar de individuais, são interligados pelo contexto que ela vai construindo. O conjunto é que da sentido à obra.

Não tenho costume de ler livros de poesias e tenho plena certeza que estive alheia à muitas mensagens nas entrelinhas e nas referencias, o que prejudicou minha impressão final: não achei o livro forte, como muitos que leram, alegaram. Mas é uma obra límpida e de fácil leitura, capaz de gerar reflexões a quem, ainda, desmerece esse debate.
Gustavo 30/01/2017minha estante
Que legal esse tema de empoderamento feminino. Muito bom. Você conhece Chimamanda Ngozi? Meu irmão me apresentou e ela é maravilhosa. O livro dela Sejamos todos feministas é muito legal.




Tali 20/01/2019

Empoderamento!
O livro é realmente muito bom! Nós trás reflexões e críticas, principalmente com relação à sociedade. Gostei muito, ainda mais por serem poemas. É incrível como as poucas palavras da autora são significativas e trazem uma mensagem.
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Ísis 04/04/2019

Não gostei
Particularmente, a maioria das poesias não me tocou. Não sei o porquê, mas não foi um livro que me instigou. Poesias eu levo a sério, precisam me fazer vivenciar cada verso. Isso não ocorreu como eu desejava...
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Ana 06/01/2019

Meu comentário está sendo feito imediatamente após a conclusão da primeira leitura completa (já tinha lido uns poucos poemas) de Um Útero é do Tamanho de um Punho, mas sei que ele merece um retorno futuro. Embora eu não tenha sentido o impacto forte que muitas mulheres sentiram ao ler o livro, não teve nada nele que me desagradou. Ao contrário, gostei demais de muitas coisas. Uma em especial: os poemas estão quase sempre entrelaçados a elementos infantis/infantilizantes como contos de fada, cantigas de roda e de ninar, e até mesmo a língua do p. Ou com elementos que se assemelham a lições, códigos de conduta (por exemplo, as referências ao animal impuro bíblico). Ou os olhares dos vizinhos, ou o reflexo das opiniões gerais nas buscas do Google.
Para mim, a Angélica Freitas foi sensacional quando mesclou ironia a esse tom de sermão-infantilizante. Não sei se tem como uma mulher não resgatar esse tom em algum lugar (ou em muitos) das suas memórias, tom que seria impensável caso os poemas tratassem do universo masculino-adulto. Isso criou em mim a sensação de que o sentido dos versos (o universo feminino) se desenvolvia num espaço de certa constrição: o ponto de vista do outro, e sempre do outro, sobre o que é ser mulher. Mas, apesar dessa constrição, o universo se desenvolvia. É exatamente como a gente cresce. Mas a própria ironia da autora já é demonstra uma forma de ultrapassagem, resistência.
Além disso, também gostei muito do tom despretensioso, da maneira de pensar a si mesma que me pareceu muito honesta (pra mim isso é mérito)...
Super recomendado.
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