Humilhados e Ofendidos

Humilhados e Ofendidos Fiódor Dostoiévski




Resenhas - Humilhados e Ofendidos


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Jumpin J. Flash 19/04/2010

Um Dostoiévski menor
Esse o mestre deve ter escrito só para pagar algumas contas. Uma obra menor, com certeza. Não sei se o autor quis fazer surpresa com a revelação da paternidade de Nelli, mas qualquer pessoa deduz isso desde a metade do livro. Romancezinho burocrático...
Dom Ramirez 14/05/2013minha estante
precisava contar pra quem não leu?




Lipe 09/04/2019

Personagens que só desejavam ser amados. Não há palavras para descrever Nelly (Helena) e Ivan!
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Steph Mostav 19/06/2020

Gente humilhada, ofendida e oprimida
São muitos os paralelos entre Humilhados e ofendidos e Gente pobre, não só pela posição dos dois na carreira do Dosta (um deles foi seu romance de estreia, o outro o romance do retorno após os anos aprisionado). Ambos tratam de questões sociais em Petersburgo, ou ainda, da análise psicológica que os efeitos dessas questões sociais tem sobre os personagens. Nos dois casos, são personagens que representam a "gente oprimida" pela miséria, pela fome, pelo trabalho exploratório, pelas calúnias contra as quais não podem responder com dignidade porque não estão em posição de privilégio. Em um dos trechos do livro, o protagonista Vânia, que tem muitos traços autobiográficos, é questionado a respeito dos temas dos livros que escreve: por que ele fala de pessoas pobres, funcionários falidos, porões sujos e não a respeito do esplendor e da beleza dos salões da elite russa? A resposta do personagem é simples, mas nos diz muito a respeito do projeto de literatura do autor: entre a "alta esfera" ele só encontra o tédio e não há nada o que ele possa fazer por eles, porque já tem tudo. Já os miseráveis, os endividados, os doentes e famintos eram (e ainda são) excluídos da literatura, ou representados através de caricaturas que não os mostram como pessoas complexas, dotadas de ideias, sentimentos e contradições. Outro elemento autobiográfico é a resposta de Vânia à crítica que ele sofria por se "esgotar literariamente" e perder sua saúde ao escrever em prazos apertados e sem tempo para corrigir os desleixos: ao contrário de escritores abastados (como Turgueniev), ele dependia do dinheiro das publicações para sobreviver. Humilhados e ofendidos tem uma coleção de personagens memoráveis que certamente inspiraram suas obras futuras: tanto o ingênuo e irresponsável Aliocha quanto o teimoso velho Nikolai Serguiêitch, a tenaz Nelli, que sofreu tantas injustiças ainda criança, Maslobóiev, o tipo malandro e o personagem mais interessante do livro, o príncipe Valkóvski. Como antagonista, ele cumpre muito bem o papel: é dissimulado, egoísta, interesseiro, cruel e até sádico e protagoniza todas as melhores cenas do livro, de confronto direto ou indireto com sua figura cínica, sua ausência de moralidade e sua lógica individualista e contrária à toda tentativa de mudança na sociedade. Meu capítulo preferido, o décimo da terceira parte, é inteiro dedicado ao diálogo entre o príncipe e o protagonista. Ainda que não tenha a maturidade de estilo e profundidade temática dos seus cinco grandes romances, Humilhados e ofendidos não deixa de merecer todos os elogios. É meu décimo livro lido do Dosta e é impressionante: o cara não erra uma.
Aurélio prof Literatura 09/01/2021minha estante
Boa resenha. Não há como não se apaixonar por Dosta.




Franco 22/04/2017

Friendzone à moda russa
Se quiséssemos brincar e resumir, daria para dizer que o livro é uma grande novela sobre uma grande friendzone (meu, uma épica friendzone, que o protagonista foi brutalmente friendzoneado). E que, afinal, é uma historinha de amor e seus percalços...

Mas indo além da brincadeira resumitiva, a profundeza da obra vai em duas direções: o social e o psicológico. Isso significa que vamos assistir aquela 'historinha' do amor ganhar uma sustância dada pelas classes sociais e pelas dinâmicas de uma sociedade interesseira, e também pelo incrível, louvável e invejável desenvolvimento que Dostoiévski dá aos personagens (é um desvendar sugerido, insinuado, às vezes com toque irônico, mas sempre na medida para que a gente compreenda as razões psicológicas das atitudes que praticam aquelas personagens).

E aí que o livro deixa de ser sobre uma friendzone, ou sobre uma historinha de amor, e torna-se um retrato humano e também um tanto sociológico. Sim, tem lá uns toques meio dramáticos demais para o sabor de hoje em dia, mas nada que estrague a experiência.

E tudo isso numa escrita agradável (ótima tradução, nem parece um clássico russo rs) e estruturada em muitas subdivisões (confesso que páginas e páginas de texto corrido e sem fim tendem a me chatear).

E a cereja do bolo, o que faz o livro certamente valer a pena, é o final: uma apunhalada certeira destilando a nostalgia de tudo o que não foi e poderia ter sido.
Amendoa 03/12/2018minha estante
"O protagonista foi brutalmente friendzoneado" kkkkkk adorei




MarceloL 24/05/2015

Impecável, envolvente e doloroso
É impossível permanecer indiferente ante Humilhados e Ofendidos. É um livro sobre dor, sofrimento e humilhações - mas sobretudo sobre gentileza. Sobre como podemos resistir às ofensas a que estamos diariamente expostos.
Dostoievsky faz uma análise brilhante de todos os principais personagens deste livro, e eu me envolvi de tal forma com todos eles - concordando ou discordande de suas visões - que terminar essa história foi muito doloroso.
O final do livro é doloroso por si só, na verdade - o futuro permanece indefinido, mas o passado está sempre vivo, pronto para atormentar por cada escolha errada e palavra dita. E (o que dói mais ainda) quem mais sofre são os mais puros, os mais necessitados, os mais ofendidos.
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Cristiano.Vituri 05/09/2014

O perdão ou condenação?
A genialidade de Dostoievski, a flor da pele!

Num romance normal, o narrador geralmente é o próprio personagem principal e passa por todos os tipos de provações, não é?
Sim, mas isso é Dostoievski e em sua obra nada é trivial. Ivan, o narrador, que tinha tudo pra ser feliz ao lado da amada(Natacha), é trocado por um filho de príncipe(Aliocha) e começa a contar a história que deveria ser sua. Surpreendente.Assim, o título começa a se justificar: sofrimento, dor e agonia (maestria do autor).

O livro faz o leitor ora dar razão a um personagem, ora a outro.As opiniões vão sendo formadas com o desenrolar da história, a degradação da familia Ikhmieniev através da figura da filha Natacha(desonrada por Aliocha) é desoladora, o pai indignado, não perdoa a filha e essa sofre.
Paralelo a isso a história da menina Nelli(orfã e abandonada pelo pai e avó, mendiga, abusada e psicologicamente destruída), seu sofrimento é de partir o coração. Realidade russa nua e crua.



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Matheus Cunha 17/04/2014

O Mestre.
Um final de matar!
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Carina 19/02/2014

A Complexidade das Classes
Humilhados e Ofendidos, talvez eu não consiga descrever o tanto que me identifico com esse livro e com os livros do Fiódor Dostoiévski. E mesmo depois de ler ele algumas vezes, sempre encontro mais alguma coisa, uma parte que passou despercebida e que quando leio novamente me surpreendo. Os livros dele são assim, tem sempre uma coisa nova nessa incrível literatura velha.
Fiódor é envolvente, faz com que a gente enxergue as duas faces da mesma moeda de um jeito que nenhum outro escritor faz. E é por causa disso que, para mim, ele foi e sempre será o melhor escritor que já existiu.

Numa narrativa atraente, o livro foi elaborado para os dois seguintes temas: "Orgulho x Perdão".

Um amor até que correspondido, mas de maneiras diferentes. Vânia (Ivan) queria Natacha como sua. Para ela, ele era um irmão. E é assim que ele se comporta durante todo o livro. Ela teve uma paixão pelo filho de um príncipe, um cabeça de vento, leviano. Uma fuga. Um pai humilhado pelo bestial príncipe e ofendido pela filha, que o abandonou. Uma mãe que chora. No meio dessa trama toda surge uma criança: Elena, mais conhecida como Nelli. Nelli, pobrezinha. Uma criança terrivelmente maltratada. Maltratada pelo infeliz destino que teve e que no decorrer do livro você descobre que ela está ligada a tudo e a todos. Nelli consegue fazer com que o pai de Natacha, Nikolai, perdoe sua filha quando ela foi deixada pelo filho do príncipe. E para conseguir fazer Nikolai perdoar sua filhinha, ela teve que vencer o seu próprio orgulho e contar a sua história de vida.
É uma história extremamente complexa, com diálogos inteligentes e envolventes, que te faz querer ler o livro de uma só vez.
Um livro para ser lido e relido.
Recomendo!

CGM
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Givaldo Júnior 13/12/2013

Uma Obra Prima
Simplesmente perfeito. Este foi o primeiro livro que me fez chorar. É simplesmente uma obra prima da literatura.
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Roberto Ramalho 08/11/2018

A dor pode ser eventual; a permanência nela pode ser uma escolha.
Este é um daqueles livros que parecem "ter pouca história para contar". No entanto, na maioria das ocasiões, é na simplicidade que está as maiores lições. Humilhados e ofendidos nos mostra como, às vezes, a imersão no sofrimento pode ser consequência de nossa própria escolha. Que melhorar uma situação pode estar ao alcance do mero abandono do orgulho próprio, e que levar a má sorte para o túmulo pode, certamente, ser um caso de livre arbítrio.
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Ana 13/08/2018

Amor..
Toda a história se resume em amar alguém e as consequências que este sentimento traz consigo.... O amor paternal/maternal e sua força se mostra mais forte que as tradições daquela época e o amor entre os amantes é tão forte que os personagens se sacrificam o tempo todo em prole daqueles que amam. Todas as ofensas e humilhações sofridas decorrem desde estado de espírito que é amar... O final e profundo e emocionante..
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Léia Viana 12/08/2017

“Reparei que, num recinto apertado, até os pensamentos sentem-se apertados.”
“A minha tendência é supor o pior antes do melhor... um traço infeliz, próprio do coração endurecido. Mas não tenho o hábito de esconder meus defeitos.”

Em algumas partes comovente, em outras trágicas, intercalando um ritmo dinâmico, lento e alucinante Dostoiévski conta a história de Ivan , um escritor sonhador, idealista mas que não consegue se sustentar com o seu trabalho, com problemas de saúde e com um coração apaixonado por Natacha que acaba fugindo com outra pessoa, o causador da desgraça de sua família.

Esta obra retrata a profundidade de um ideal humanitário, no trato preciso com o sofrimento moral e social, com o abuso do poder econômico sobre a vida dos desfavorecidos. Ele ilustra, também, os limites do amor e da compaixão, quase demente da maioria das suas personagens, prontos a odiar e a amar da forma mais radical, exagerando ou engolindo o seu orgulho, mudando de atitudes constantemente, contrastando com a personalidade de um príncipe hipócrita capaz de tudo para atingir os seus fins de enriquecimento por qualquer meio.

É uma obra espetacular, que nos leva a pensar o quão cruéis podemos ser com o próximo em benefício próprio. Foi meu primeiro Dostoiévski e estou muito empolgada para ler outras obras desse escritor.

“É surpreendente o que um raio de sol pode fazer com a alma humana.”

Leitura recomendada!
Marcos.Azeredo 23/08/2017minha estante
Um dos melhores livros que já li.


Junior 13/12/2017minha estante
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Marcos 05/06/2017

O perdão
Dostoiévski entre tantos romances exprime caracteres que foge a narrativa do enredo de seu romance para pulsar a razão da existência. Livro luminosos e primoroso onde a alma humana está em constante agonia apesar de um olhar as vezes crítico as vezes compassivo do narrador. Esta fuga é que engrandece a obra, tanto pelo seu estilo linguístico como pela autenticidade de suas personagens. Em "Humilhados e Ofendidos", tanto tempo se passa em um ano, mas preso ao passado estamos condenados a sermos humilhados e ofendidos. Um dos poucos romances onde o perdão morre no tempo. Mas apesar de tudo sempre há uma ponta de esperança para terminarmos uma obra, uma romance, uma vida, e distante da redenção vivemos a experiência de encontrar pessoas que nos trazem sentido a vida. É o segundo livro que leio do autor. Dostoiévski é talvez o autor mais significativo e que mais profundamente determinou em suas personagens o vigo da literatura e cultura mundial. Não há quem passe despercebido sem ter lido seus romances. Estou apenas iniciando! Ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem, para que vos torneis filhos do vosso Pai que está nos céus, pois que Ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos. (Mateus 5:43-45). Perdoar é antes de tudo constrição. Obra magnífica depois do ato!!!
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Deghety 09/11/2016

Humilhados e Ofendidos
Com personagens singulares e com personalidades completamente acentuadas, Humilhados e Ofendidos apresenta, além de uma bela história, uma descrição do que são sentimentos a flor da pele.
A humilhação e ofensa causada pelos sentimentos, seja amor, ódio, orgulho, honra, nobreza, perfídia, etc.
Marcos.Azeredo 13/04/2017minha estante
Um dos melhores livros de Dostoievski que já li.




Um Dedo de Prosa [e Poesia] 21/05/2012

Entre as cores e as facetas do ser humano
Pensar em Dostoiévski é pensar em ritmo absoluto e contínuo. Não diferente, em Humilhados e Ofendidos observa-se o "tudo pelo" dos personagens em relação aos sentimentos a que mais nos apessoamos. A comoção e a tragédia se propagam nas demências dos personagens prontos e radicais, às vezes exagerando no contraste entre as atitudes e a personalidade. A marca da hipocrisia no conflito é oferecida pela vontade de sobrepor-se através de uma estratégia cuja humilhação e a ofensa ficam ao encargo dos interesses daqueles que mais possuem riqueza e poder (inclui-se o poder da tortura).
Em Humilhados e Ofendidos as emoções fortes e um desenrolar alucinante da trama revelam a dissecação dos diversos tipos de amar. Tão logo, nos jogos dos interesses, a realidade social da época é explorada nos aspectos mais sombrios, acredita-se, visando ao "humanismo dos humilhados" acima das desgraças. Obra reveladora das cores nobres e comuns em contraste com as facetas do ser humano.
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