Me Chame Pelo Seu Nome

Me Chame Pelo Seu Nome André Aciman


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Resenhas - Me Chame Pelo Seu Nome


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We're All Mad Here 26/01/2018

Um livro avassalador!
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Opinião sem spoilers
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Por alguns dias eu fui Elio...
Por alguns dias eu fui um adolescente de 17 anos em algum lugar da Riviera italiana...
Por alguns dias eu fui apaixonado por um homem chamado Oliver...
Por alguns dias nós nos amamos e ele me mostrou toda alegria e toda a dor que é possível sentir....
Ele é mais eu do que eu mesmo !!!


Essa é a mágica desse livro: ele não te conta uma história, ele faz você vivê-la.

O modo como a história é construída produz esse efeito de identificação entre protagonista e leitor.... (não importa seu sexo, sua orientação...)

O leitor é sugado (literalmente feito refém) para o ponto de vista de um adolescente de 17 anos chamado Elio, que ao passar as férias de verão na casa dos pais na Riviera Italiana, conhece um jovem filósofo chamado Oliver, de 24 anos, que chega para se hospedar lá.

A primeira parte é uma ode à literatura da paixão. É como se o autor tivesse anatomizado o cérebro de uma pessoa apaixonada e tivesse colocado no texto cada mínimo detalhe de seus pensamentos, aflições, inseguranças, medos, tormentos, pequenas alegrias e loucuras insanas.

O leitor se identifica porque qualquer um que já tenha se apaixonado na adolescência por alguém que parecia absolutamente inacessível vai compreender perfeitamente a verdade estarrecedora de cada minúcia, a aflição em querer ser visto e notado, mas não fazer a menor ideia de como...

O leitor é cativado pelo único ponto de vista do livro, o de Elio. Você quer viver o que é narrado! É quase uma angústia. Você começa a sentir o que apenas os melhores autores conseguem fazer: você começa a sentir o que o protagonista sente.

É literatura da mais alta qualidade, tecida com um cuidado exemplar com as escolha de cada palavra, com a construção de cada período, cada parágrafo.

Há algumas soluções maravilhosas para a narrativa. No momento em que Elio conversa com Oliver para lhe contar tudo que sente, eu fiquei literalmente me mordendo para saber como ele conduziria o diálogo e ficou perfeito, nenhuma palavra desnecessária, nenhuma fora do lugar.


A partir da página cem, começa a ficar cada vez mais claro para o leitor que o narrador em primeira pessoa não é nada confiável. Não por ser desonesto, mas simplesmente por estar perdidamente apaixonado. O leitor vai aos poucos percebendo que as conclusões a que ele chega não são nada confiáveis; a percepção do narrador está completamente distorcida pelos sentimentos contraditórios do desejo. Portanto, qualquer conclusão que o leitor possa tirar do comportamento de Oliver pode ser muito equivocada, mas aí já é tarde, pois o leitor já está tão envolvido que se deixa levar.

Esse é o grande trabalho que Elio e nós leitores temos durante a leitura: descobrir quem o Elio é, o que ele deseja e o que Oliver deseja. Como o leitor só tem a perspectiva do Elio, não é uma tarefa fácil entender a razões de tudo que acontece.

Algumas coisas de que eu não gostei:

- O envolvimento do Elio com uma amiga dele: Elio passa da categoria de amante apaixonado para categoria de adolescente mimado e caprichoso (ele vai acabar magoando-a). Mas é necessário entender que isso faz parte da personalidade dele: impulsivo, nunca nega o desejo, pelo contrário, segue o desejo sem qualquer reflexão (ele está se descobrindo).

- A ideia quase escatológica de identidade entre os corpos: o autor segue a ideia de uma intimidade máxima entre os dois e cria uma cena escatológica (a cena do "Deixa eu ver" em Roma). Eu pessoalmente prefiro a sabedoria dos antigos: sempre deve haver uma certa distancia, me identificar com o outro em um grau máximo não significa me fundir ao outro em um nível escatológico.

- Na ânsia de criar personagens não estereotipados, o autor cria personagens que são homens, se comportam como homens héteros, se interessam por mulheres e quase que por um acaso do destino vivem um amor.

Mas tudo é perdoável em relação a um livro tão magnífico, tão bem escrito. Uma narrativa poderosa que te envolve em um grau máximo.

A partir do momento em que os laços se estreitam e os dois se envolvem sexualmente começa um show de fantasia erótica. Seria muito fácil para o autor cair em um monte de clichês, em fantasias batidas, mas de novo, o autor não decepciona. É um jogo erótico muito bem construído e na verdade, até quase o final o livro é muito sensual: a imagem do verão na Itália, dos corpos com bastante pele a mostra, o suco de damasco, os pêssegos maduros, o sexo à tarde e na praia....

Uma das características mais interessantes do livro é essa constante avaliação que Elio faz sobre quem ele é, o que ele realmente deseja e o que Oliver deseja. Por isso o tema central do livro talvez seja realmente o reconhecimento da própria identidade.

Filme: a cena escatológica não é mostrada no filme e a grande cena do pêssego é cortada ao meio tendo uma solução totalmente diferente. A cena do pêssego tem uma carga emocional enorme no livro, no filme, censurada, ela não tem sentido.

O filme todo é muito bonito, mas muito menos POTENTE que o livro, pois parece mais preocupado em não mostrar demais ou não mostrar nada que choque muito as pessoas. O filme é menos melancólico, pois termina antes da época em que o livro termina. Além disso, as paisagens luxuriantes do norte da Itália (?) aparecem com um fotografia, na minha opinião, meio apagada. Esperava algo mais exuberante do filme!

Há uma cena no filme que faz falta no livro: o Elio pedindo para a mãe dele ir buscá-lo depois da viagem (quem já passou por isso sabe, é como ser engolido por um oceano).

Eu amei o filme por não ter esquecido de nenhum detalhe, mas não se trata de um "amor de verão" (para saber por que, só lendo o livro e seu final).

“Mystery of Love” do Sufjan Stevens é a música mais que perfeita para essa história!

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Opinião com spoilers
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Após fazer o leitor se identificar com a paixão de Elio, depois com seus desejos e impulsos, depois com seu amor correspondido, vem a separação e um lapso de tempo ABSURDAMENTE MELANCÓLICO.

É melancólico porque eles se separam por muito tempo, de forma quase absoluta e a morte de alguns personagens desperta no leitor um sentimento de tristeza: o tempo passou, algumas pessoas morreram e naturalmente o leitor chora.... Eu chorei compulsivamente....

> É legal perceber nas cenas de sexo do filme, que as cenas em que o Elio faz sexo com a Marzia, há sempre um enorme VAZIO ao redor do casal... Já nas cenas em que o Elio faz sexo com Oliver, os corpos preenchem TODA a cena, são maiores que a cena ....

Embora o autor diga em entrevista que "amor" é a melhor palavra para descrever o livro, eu creio que seja um livro sobre o desejo, mais do que sobre o amor. Sobre duas pessoas que não conseguiram ir além do desejo.

Oliver tem um temperamento típico do estereótipo dos norte europeus e norte americanos: é mais frio, esconde mais facilmente o que sente, internaliza aquilo que sente, é mental, reflexivo ...

Elio é o oposto: o estereótipo latino: impulsivo, intenso, inconstante, acaba deixando muito evidente aquilo que ele quer e aquilo que ele deseja sem muita reflexão:



"Encostou meu corpo contra a parede e começou a me beijar, pressionando o quadril no meu, seus braços quase me tirando do chão. Meus olhos estavam fechados, mas percebi que ele parou de me beijar para olhar em volta; pessoas poderiam estar passando. Eu não quis olhar. Ele que se preocupasse com isso...." (pág. 237/238)



Enquanto Elio não nega a paixão e se entrega de corpo e alma ao desejo, Oliver faz o contrário, ele inibe o desejo sempre que possível, internaliza, introjeta os sentimentos, reflete....

Devido ao facto de a narrativa ser em primeira pessoa, o leitor nunca fica sabendo os reais motivos das atitudes de Oliver. O leitor conhece apenas indiretamente o temperamento dele.

Mas não há motivos objetivos fortes (penso eu) para que eles não fiquem juntos.

> A profissão não é motivo: ele é filósofo, na academia e nos círculos intelectuais ninguém está interessado se a pessoa dorme com homens ou mulheres. Relembre as passagens em que os dois estão no círculo de poetas e o narrador/autor deixa claro que ninguém está muito interessado nisso. Se ele fosse advogado, médico, talvez a preocupação fosse válida;

> A diferença de idade também não é um empecilho tão grande quanto o livro tenta mostrar. Não é preciso ser muito inteligente para perceber que diferenças pequenas de idade entre pessoas mais novas são significativas, mas diferenças de idade entre pessoas mais maduras não são.

Há casais em que, mesmo diferenças de 10 anos ou mais se tornam insignificantes. Os dois se tornam tão parecidos com o passar do tempo que às vez nem é possível dizer quem é o mais velho e quem é o mais novo.

E desde quando diferença de idade é empecilho para alguém nesse mundo?

> Oliver não precisa escolher uma entre as duas coisas: poderia ter se casado enquanto Elio se formava e os dois poderiam voltar a se envolver alguns poucos anos depois (como muitos apaixonados fazem!)...


O mais provável é que Oliver escolha uma vida para o olhar do outro, o olhar do pai (que é intolerante), o olhar da sociedade, em detrimento do próprio desejo.

Afastar-se de alguém com quem se tem tamanha identificação de forma permanente, é no mínimo covardia.

Se há uma identificação no nível em que eles se identificam um com o outro, é natural que haja uma necessidade de manter o outro ao redor de si.

O Oliver acaba sendo um covarde!


Ocorre que a paixão sempre se dá pelo reconhecimento no outro de algo que há em nós mesmos. Desejar o outro é desejar ao mesmo tempo TER o outro e SER o outro:


"Eu queria muito que meus ombros fossem como os de Oliver. assim talvez eu não os desejasse. ... Eu queria ser como ele? Eu queria ser ele? Ou só queria tê-lo? Ou 'ser' e 'ter' são verbos imprecisos no emaranhado do desejo, em que ter o corpo do outro para tocar e ser o outro que desejamos tocar são a mesma coisa, apenas margens opostoas de um rio que passa de nós a ele, volta a nós e a ele novamente, em um ciclo sem fim em que as cavidades do coração, como as armadilhas do desejo, os buracos de minhoca do tempo e as gavetas de fundo falso a que chamamos identidade compartilham uma lógica sedutora, segundo a qual a distância mais curta entre a vida real e aq não vivida, entre nós e o que queremos, é uma escada em caracol projetada com a crueldade impiedosa de M.C. Escher. Quando separam nós dois, Oliver?..." (pág. 81/82)



POR ISSO ELES SE APAIXONAM E SE IDENTIFICAM TANTO UM COM O OUTRO.... eles vivem através do outro o que eles não conseguem sozinhos: Oliver se entregar ao desejo, Elio, saber conduzir o desejo....


É trágico, é muito triste, mas a tragédia se dá por escolha, não por imposição... Oliver escolhe não ir além do desejo e joga fora tudo que eles poderiam ter sido e construído juntos.

Principalmente se a gente lembra que esse desejo não vem apenas de atração física, mas uma identificação em vários níveis, principalmente INTELECTUAL.

Mas Oliver escolhe não viver esse amor (escolhe viver como um ator interpretando uma outra pessoa que ele não é). Como se eles pudessem simplesmente ignorar o desejo que sentem e viver, como Oliver diz, uma vida paralela.

Minha experiência de vida diz que isso não está ao alcance dos seres humanos: não dá para ignorar o desejo como se fosse um interruptor liga e desliga e viver essa vida paralela como se nada tivesse existido (a pessoa fecha a porta e ele sai pela janela...).

Ignorando que existe alguém lá fora no mundo "mais eu do que eu mesmo"....

Essa talvez seja a incoerência mais grave.

Eu particularmente acredito em uma dimensão TRÁGICA desse tipo de amor com essa identificação em vários níveis (Cor Cordium). Nenhuma vida paralela é possível diante de tal nível de identificação.

O que faz o romance ser um tanto incoerente: Gostaria muito de saber como alguém que se lembra dos detalhes de uma experiência há vinte anos, não tem a coragem de viver um amor tão irresistível e intenso como esse. É quase sobrenatural !!!

O facto de o autor, de acordo com entrevistas, originalmente ter tido vontade de "apenas fazer um romance na Norte da Itália devido a férias frustradas" talvez explique algumas incoerências... E qualquer busca por coerências serão sempre frustradas, pois não houve uma preocupação real com isso (o autor justifica o facto de o leitor não ter notícia do que se passa no mundo ao redor dos personagens dizendo que o romance é "interno"...seja lá o que isso signifique...)... .

Estamos falando de um texto marcante, mas não de um Henry James (óbvio), por exemplo, em que várias hipóteses interpretativas podem ser seguidas até a formação de quadros coerentes e igualmente válidos da realidade sugerida no texto. Nesse caso, talvez essas linhas interpretativas se desfaçam no ar em incoerências inconvenientes, o que torna o texto mais plástico, mais gráfico e menos verossímil.


Depois de ler o livro eu fiquei me perguntando afinal por que esse livro é tão triste? Por que ele me toca de forma tão profunda?

Talvez porque eu não entenda e não aceite que depois de um relacionamento tão íntimo os dois se separem totalmente durante tanto tempo (20 anos).... O que significa ser "Cor Cordium" de alguém, se esse alguém vai embora e se casa com outra pessoa? Mesmo que eles não mantivessem um relacionamento íntimo (sexualmente), por que não mantiveram a amizade durante esse tempo todo?

Isso é o que mais incomoda e é o mais difícil de aceitar: nem mesmo a amizade !!!

Você pode achar que tudo isso não passa de confabulações racionais, mas se eu estou errado, qual a diferença entre um amor verdadeiro e um estranho qualquer na rua???


Tudo faz mais sentido agora, Oliver tem medo até de abraçar Elio quando conta a ele que vai se casar, e mesmo mais de uma década depois ele tem medo de tomar uma bebida com Elio quando os dois se reencontram. Oliver não pode manter sequer a amizade porque a memória de tudo ainda persiste e ele tem medo do que ainda sente por Elio. Só 20 anos depois eles conseguem se reencontrar no verão de 2003. Oliver fugiu de seu desejo por Elio por 20 anos.

Oliver afasta Elio de sua vida como a castelã que manda matar o amante depois da primeira noite juntos, para que ele não conte nada a ninguém, mas principalmente para que não volte a desejá-lo mais uma vez....(pág. 167)

Eles têm tudo que a maioria de nós talvez nunca conheça: uma atração física que perdura por todos esses anos, uma atração intelectual, uma identificação em vários níveis.

Mas eles estão próximos de novo, agora.... e vivos.... Como Ulisses, 20 anos depois ele está de volta!

Algum ser humano consegue fugir ao desejo para sempre?

Por esse ponto de vista, o final pode ser mais aberto do que parece... e quem sabe vinte anos depois não seja a hora certa para que os dois possam ir além do desejo um pelo outro! Eu prefiro acreditar que sim, pelo menos para me consolar um pouco do desespero que eu senti ao terminar de ler o livro....



* Não é necessário interpretar a filosofia de Heráclito do livro e do filme de forma tão melancólica achando que, se tudo muda, então tudo chega ao fim e pronto (dando um prazo de validade para todo amor). A filosofia de Heráclito, aliás como bem mostra o filme, diz que algumas coisas para continuarem as mesmas, precisam mudar.

É possível amar alguém para vida inteira? Sim e Não. Sim, porque você não é mais o mesmo e, portanto, o amor pode se renovar sempre. Não porque você não é mais o mesmo e, portanto, o amor acaba.... Não é isso que define se o amor vai persistir ou não. Para mim não se trata de um "amor de verão"....
thiagomatjas 14/02/2018minha estante
que linda sua resenha!! me senti assim também


We're All Mad Here 16/02/2018minha estante
Eu terminei de ler esse livro em uma sexta-feira no trabalho e eu quase morri de tanto desespero, melancolia, choro... Minha colega de trabalho até perguntou o que tinha acontecido, se alguém tinha morrido kkk


Raul 09/03/2018minha estante
Fico feliz por nao ter sido a unico que senti um pouco de desespero ao terminar de ler o livro. Na verdade ainda o estou processando. Mas suas palavras é exatamente como me senti. Ótima resenha!


Clau.Potter 18/03/2018minha estante
Obrigada!!!!..muito obrigada pela resenha tão rica em detalhes...vc me ajudo a fechar alguns raciocinios que ficaram no ar depois de ter lido duas vezes o livro....ao ler senti como se tivese a oportunidade de analizar esta historia, agradeço muito.
Muito obrigada de novo ?


Gabriela.Ribeiro 16/05/2018minha estante
Gostei demais da sua resenha, porque senti esse seu mesmo desespero, rs. Vi o filme, amei e procurei o livro. Ainda não superei o final dessa história. Fico repassando diversos momentos na minha cabeça e tanto o livro quanto o filme abordam temas poderosos. Fala sobre amadurecimento, desejo, conformismo, amor. Chorei demais lendo e vendo o filme por causa dos personagens em si, mas agora fico chorando porque to analisando a minha própria vida com outra perspectiva. Estou num processo de aceitação dessa história e sua resenha veio num ótimo momento!


Bernardo.Baethgen 08/06/2018minha estante
bem, eu acho que é possível amar alguém assim, sim. de acordo com a personalidade e a experiência ou falta de da pessoa. elio é um garoto timido. e mesmo depois de uma entrega física assim tão direta e something like hot, elio continua um garoto puro. justamente é essa a pureza com que ele se entrega a oliver. para o personagem elio, ele está apaixonado e pronto. oliver é o salvador, o pery, romeo, lohengrin, edgardo - lucia di larmmermoor - e andrea chénier. elio me faz ouvir tambem puccini, la boheme e madama butterfly ( a insensibilidade de oliver é digna da de pinkerton); elio concebe a relação com oliver como "um romance para o resto da vida", uma la boheme sem fim. ate que a realidade - ou talvez o destino - bate à porta (beethoven?) oliver não tem um pingo de hesitação em deixar elio, um elo, um fardo do qual já esta cansado. butterfly teve a alternativa do harakiri, imposto pelo codigo da sociedade japonesa. elio está livre para continuar vivendo. com dor, sentindo-se só e arrasado.


Douglas 10/07/2018minha estante
Gostei muito da tua resenha!!!
Terminei de ler ontem à noite e fiquei bem melancólico ou até mesmo triste depois do final do livro. Eu não esperava que o autor fosse tratar daqueles 20 anos de afastamento e os fatos deste período, mas sim que haveria uma cena final de despedida, um choro ali e outro lá, talvez se fosse assim, poderia ser mais fácil de lidar, pois a imaginação poderia nutrir uma ideia de reencontro próximo que não estivesse escrito no livro.


Massi 26/07/2018minha estante
É justamente por eles terem tido um relacionamento tão íntimo e intenso que eles não podem ser apenas amigos! O afastamento é mais que compreensível, no meu ponto de vista.




Daniel 19/01/2018

Sobre Pêssegos
Este livro tem uma história bastante simples e linear. Não há grandes reviravoltas na trama, a não ser, é claro, no coração adolescente do protagonista narrador. E isso o livro retrata muito bem: aquele verão que muda a vida da pessoa, quando nos apaixonamos pela primeira vez. E dá-lhe sofrimento, dúvidas, insônias... e deleites.

O autor soube captar muito bem a atmosfera daquela passagem conturbada da adolescência para a vida adulta, aquele turbilhão de sensações (negação, reconhecimento, assimilação, aceitação). Soube também com precisão dosar a sensualidade e o erotismo sem parecer grosseiro ou piegas.

Agora, o que realmente me agradou neste livro foi a ausência de violência, homofobia, doença e morte, temas que sempre aparecem em livros com temática gay. É claro que estamos muito distantes de um mundo sem homofobia. É óbvio que a literatura e as artes de um modo geral também servem como denúncia... Alguns leitores até poderão achar que o cenário paradisíaco italiano e os pais do Elio, tão compreensivos, são idealizados demais... Mas achei muito reconfortante ver retratado este outro lado: uma história de amor, de amadurecimento, autoconhecimento. Como aquela nostalgia boa que sentimos de um verão inesquecível.


E sobre o filme, há algumas diferenças com o livro: as cenas de sexo são bem mais pudicas no filme; no filme não há a menina Vimini; no livro a estória continua décadas depois da despedida dos protagonistas. O roteiro bem amarrado, os atores escolhidos (apaixonantes), as lindas locações na Itália, a trilha sonora... Tudo torna um caso raro no qual podemos dizer que o filme é tão bom quanto o livro.
Pepê 19/01/2018minha estante
eu adorei o filme


Raphael 19/01/2018minha estante
Muito obrigado pela sua resenha! Estou completamente ansioso para que o me chegue logo (deve acontece hoje, reze por mim kkk) e assim eu possa começar a ler. O filme então, nem se fala, acabei baixando em um torrent qualquer que achei na internet, porém não consegui assistir ainda, pois rola aquele sentimento de traição. Como se eu devesse esperar o fim do livro e o lançamento no cinema. Entende isso? Mas enfim. Obrigado realmente pela resenha, gostei bastante da sua opinião. Abraços.


Daniel 22/01/2018minha estante
Eu também saí encantado do cinema...
E quando ouvi Psychedelic Furs me deu vontade de dançar com eles rs


Douglas 24/01/2018minha estante
e maneira deliciosa, o livro consegue mensurar elementos que lhe dão leveza ? o frescor adolescente, o envolvente clima do verão italiano, a sensualidade dos corpos suados ao sol, a música pop dos anos 1980 ? e outros que representam toda a angústia do amadurecimento.


thiagomatjas 14/02/2018minha estante
Adorei a resenha, obrigado.


Bernardo.Baethgen 08/06/2018minha estante
com certeza não é um amor de verão não. nem de longe!!!! o livro tem uma temática muito próxima de alexis, de yourcenar. mas in fact, a obra tem o mesmo desencanto à la schoppenhauer, expresso de forma sublime em tristan und isolde. a grande diferença é que em call me by your name, não há a tão esperada fusão de almas, manifesto destino na opera de richard wagner.elio é um garoto extemamente tímido, inocente; a maneira como ele se entrega a oliver é de uma pessoa muito simples, no fundo. gente mais fria, mais desconfiada, manteria uma distancia tecnica,principalmente, a partir do momento em que oliver se mostra arrogante a respeito da origem etimologica da palavra abricot. naquele momento eu realmente gelei. professor perlman foi muito cordial e calmo. só não concordei - digamos, muito - com a trilha sonora. melomano clínico, eu usaria wagner e cesar franck, faure e algumas obras para violão com o grande narciso yepes.


Bernardo.Baethgen 15/06/2018minha estante
o unico senao que ponho no filme é que algumas musicas poderiam ter sido incluidas como o libestod de tristan und isolde, que iria na direção da personagem do elio. ou ainda o maravilhoso e terrível concerto no. 1 para piano e orquestra de brahms, um concerto composto pelo grande compositora quando tinha a idade de elio. alias, a profundidade de elio é digna da que encontramos na musica de brahms




João Hipólito 07/01/2018

Me chame de Oliver
O melhor livro que li nos últimos dez anos.
Uma narrativa tão intensa e cativante que me faz querer excluir todos os favoritos só para deixar o romance de Elio e Oliver reinando absoluto.

Estou devastado com o final, que não é trágico mas muito triste. Na metade do livro eu já estava chorando e estou até agora.

Me Chame Pelo Seu Nome entra para uma lista muito seleta de livros que indico para absolutamente todos.
Wally 08/01/2018minha estante
Estou muito ansioso o meu está pra chegar essa semana. E já sei que vou morrer de amores por essa história! ??


Camilla 13/01/2018minha estante
Terminei agora e não consigo parar de chorar! Devastada foi a única palavra que eu soube para descrever meus sentimentos! Que livro! Que amor! Que Élio! E que Oliver!


João Hipólito 16/01/2018minha estante
[SPOILER] Camilla, por mais que o Oliver, no fundo, não tenha esquecido o Elio, é muito triste ver que ele seguiu outro caminho; Que casou, COM UMA MULHER, teve filhos... Só queria que eles tivessem ficado juntos, envelhecessem juntos e, por fim, morressem juntos. Seria o final perfeito.
Estou relendo o livro e chorando, de novo.


Camilla 17/01/2018minha estante
[SPOILER] Pois é João! Super triste ver o Oliver não se permitindo ser plenamente feliz e viver! Como ele diz, ele esteve em coma por todos esses momentos de casamento com uma mulher, ter filhos e tal.. acho que quem mais sofreu nisso tudo, foi o Oliver.. talvez por não ter tido a sorte do Elio de ter sido criado por pessoas tão maravilhosas! E eu ainda esperava que a visita no final, fosse permanente.. quando ele disse "entrar no taxi.." me bateu um P*** depressão. Triste! Mas ainda assim LINDO!


leooc 18/01/2018minha estante
Concordo com você, que me faz ter a vontade de excluir todos os favoritos e deixar somente este reinando absoluto!!!!


Didi 18/01/2018minha estante
Eu não chorei no filme. Nem no livro até o momento onde o filme vai. Até aí. Depois disso a narração dos próximos anos é muito triste, eu vi minha vida ali, e não consegui parar de chorar até a última linha. Totalmente devastador. Esse livro ficará gravado na minha alma o resto da minha vida.


João Hipólito 19/01/2018minha estante
Camilla, você disse tudo: "Triste! mas ainda sim LINDO!"

Infelizmente nem todo mundo está preparado para viver foram dos padrões impostos pela sociedade, ainda mais naquela época... Mas eu achava que o Oliver está afim de quebrar esses padrões, por mais difícil que fosse para ele. Não aconteceu... E todos nós sofremos com o Elio.

Você já assistiu o filme? O final me deixou esperançoso...


João Hipólito 19/01/2018minha estante
[SPOILER] Didi, acho que eu estava de tpm quando li pela primeira vez hsuhasuha Por isso chorei tanto... Mas também chorei porque sabia que os dois tinham poucos dias para ficar juntos e, de alguma forma já imaginava que não aconteceria de novo. E realmente não aconteceu.
Aquele final, com os dois ao mesmo tempo próximos e tão distantes é de partir o coração. Impossível conter as lágrimas.


thiagomatjas 14/02/2018minha estante
concordo totalmente!! último capítulo sabe-se lá como li entre lágrimas!! rs
I'm devasted!! =(


thiagomatjas 14/02/2018minha estante
Concordo totalmente! Um ótimo livro, não sei como li o último capítulo em meio as lágrimas!!
I'm devasted!! ?




Rafael 27/01/2018

Magistral!
O casal deste romance começa com a paixão ardente que sufoca o protagonista e se transforma em melancolia. Um amor desses que nasce sem avisar e cresce silenciosamente dentro de nós e que por fim nos consome e causa dependência. Muitas vezes enquanto você lê você se pergunta qual é o objetivo destas falas sem sentidos, destes acontecimentos monótonos do dia-a-dia, de toda essa enrolação. Mas a vida é uma enrolação, é uma sofocação de sonhos, ela é puro medo e covardia. E para mim esse é o ponto alto do livro. Cada detalhe do romance deles adicionado traz mais profundidade a obra. Essa é a beleza. Os pensamentos do protagonista dissecados criam uma face arrogante e egoísta. Mas lá no final, no finalzinho você entende porque ele é assim. É neste ponto que você entende tudo que ele sente. É o ódio de viver constantemente escondendo seus sentimentos, se moldando ao olhos dos outros, cuspidos em sarcasmo, numa guerra fútil egocêntrica para apenas ter a falsa sensação de domínio sobre o outro. É sobre falar e perder o pouco que se tinha. É sobre se silenciar e sofrer em silêncio.
Um dos livros mais tocantes que já li. Nas últimas páginas chorei tanto que passei a noite remoendo. Magistral!
Mauriceia.Soares 28/01/2018minha estante
Amei o livro meu amigo é Amei mas ainda ter o prazer de ter lindo esse livro maravilhoso com vc Rafael canal ???so não gostei da parte que choramos fiquei vermelha parecendo um tomate mas valeu muito a pena


Mauriceia.Soares 28/01/2018minha estante
Amei o livro mas amei mas ainda ter lindo ele com vc meu amigo Rafael canal foi o melhor livro que JÁ lemos juntos é maravilhoso SÓ não gostei da parte que choramos fiquei parecendo um tomate vermelho mas valeu a pena


thiagomatjas 14/02/2018minha estante
Também não sei como consegui let as últimas páginas com tanta emoção!!


Bernardo.Baethgen 08/06/2018minha estante
call me by your name é uma obra-prima digna de um tristan und isolde. para mim elio é sem duvida um inocente, um ingenuo. oliver é um sujeito completamente pausteurizado. li alguns trechos do livro - estou comprando hoje e ansioso por te-lo em mãos - e acho que a leitura de james ivory é muito muito sensível. o elio de chalamet é um garoto timido e extremamente sincero. apaixonado e absolutamente inocente. marzia é uma jovem muito forte, fortissima, de uma honestidade absoluta. o engraçado é que quando vi o filme pela primeria vez ( foi na internet, lenta e jurássica) eu odiei até onde assisti. queria jogar note com net, filme e tudo pela janela do apartamento. mas...no momento em que oliver da a explicação etimológica da palavra abricot, falei para mim mesmo que o filme tinha algo sério. a partir daí o filme me pegou pela goela e fiquei preso a ele. call me by your name é ao mesmo tempo richard wagner e pushkin - o eugene onegin. só que tatiana consegue se libertar de eugene, ao passo que elio, não. não seria exagerado afirmar que elio sofreu um "estupro" emocional, e até certo modo, físico. mesmo que tenha "consentido". podemos ver isso quando ele tem a ansia de vômito em bergamo - roma no livro - oliver, que como mais velho deveria cuidar de elio, vai ate ele, mais por um certo senso de obrigação do que por compaixão - alias, compaixão é o que oliver não tem. de maneira alguma. na cena em que ele vê elio dormindo no hotel, calmamente, o que ele vê, na verdade, é que aquilo o estava incomodando. um peso, um elo que ele, oliver, não tinha qualquer intenção de ter ou arcar. é tocante quando eles se despedem na estação (filme) o gesto com a mão direita meio fechada na garganta - estava literalmente tentando tirar aquela sensação de sufoco, de aperto - e oliver? nada, nem um gesto de compaixão, rachmones ( em yddish). entra no carro de 2ª classe e pronto! foi-se. que elio fique com a sensação de dor, solidão, e até mesmo de culpa ( afinal, não é ele, elio, o esquisito?) por não ter ficado com oliver. oliver é um sedutor da altura do duque da mantova, em rigoletto. oliver joga tremendamente com elio, como na cena da relva. ele faz algo do tipo: "nao vou me aproximar de voce, é voce quem fará isso". e anella? e mr. perlman? o que poderiam fazer?
no principio achei anella muito chata. mas depois a vi com outros olhos. que mãe! só que uma mãe européia! mas no fundo uma yddishe mamme! só que européia! apesar do carinho, da segurança, do amor, o mundo de elio é um mundo silencioso, quase vazio. apenas marzia e mafalda trazem algo de vivo. há amor entre elio e os pais, que ao meu ver entendem - já tarde - a necessidade de serem mais verbais, mais warmly. cheguei à náusea quando oliver diz a elio pelo telefone que sentira mr. perlman e anella falarem com ele como se fosse com um genro ou something like that. dá para perceber o asco que oliver sente. oliver é o medíocre bem sucedido. elio é genuinamente inteligente, nada academico, mas original, vital. e igualmente vital, absolutamente sincera é sua entrega. pelo que li, me parece que temos que ler desconfiando, não das palavras, dos sentimentos de elio, mas de suas conclusões, precipitadas, equivocadas, pelo grau de ingenuidade e paixão em que o personagem se encontra




leooc 18/01/2018

Um Clássico Moderno
Quando você inicia a leitura de "Me Chame Pelo Seu Nome" você imediatamente é transportado para a Itália em um verão paradisíaco e uma vez que você se encontra ali, será muito difícil esquecer essa experiência. Elio é o narrador da história, que irá compartilhar um de seus verões na casa de seus pais, que além de ser parada para jantares entre intelectuais, amigos e vizinhos, abriga a cada ano, um novo escritor durante seis semanas. Com a chegada desse novo integrante à casa, Elio se vê diante sentimentos nunca antes experienciados, e parte em busca por entender todo esse turbilhão de impulsos.
Durante essas seis semanas vamos descobrindo (e vivenciando) a beleza do desejo, da paixão e do amor, puro, verdadeiro e eterno.
Com sua escrita extremamente sensual, erótica, bela, crua, inteligente, e incrivelmente delicada, Aciman constrói um dos romances mais tenros e belos que já tive o prazer de ter em mãos, conjuntamente com um dos finais possivelmente mais incrível de um livro. Recomendadíssimo!
We're All Mad Here 28/01/2018minha estante
Concordo com tudo, menos sobre o final.... a incerteza me levou ao desespero....eu voltei e reli umas dez vezes tentando ter certeza....




K.G | @entaoeuli_ segue lá bb 20/01/2018

Escrita " Bonita" pra pouco conteudo.
ENTAO EU LI ME CHAME PELO SEU NOME.... E PACEIRAS EU TO BEM CHATEADO.

To chateado porque eu queria ter gostado mais desse livro, queria vir na internet e elogia-lo em todos os lugares, porque a Literatura LGBTQ(RSTUVXZ) merece SIM, estar mais presente, merece sim, um maior reconhecimento, fico feliz pelo sucesso do livro, mas infelizmente ele nao aconteceu pra mim.

Resumidamente a sinopse, é a historia de um garoto que o pai dele meio que da aulas de verao pra escritores, e em um desses veroes, ele acaba se apaixonando por um desses rapazes, Que é um rapaz mais velho mais maduro... e os dois meio que vao tendo ai os seus " vamo no banheiro pra gente se beijar" so que no caso aqui é um penhasco.

A primeira coisa que impacta nesse livro logo no começo é a forma com que o autor escreve. É UM ESCRITA EXTREMAMENTE POETICA, extremamente romantica e floriada, por parte de um dos personagens, que narra a historia em primeira pessoa.

Quase nao existem dialogos, o livro possui Longas e longas descrições, tipo UM PARAGRAFO PRA EXPRESSAR QUE O CARA TA LOUCO PRA DAR (nao disse o que....).
Isso pra mim torna a leitura EXTREMAMENTE MAÇANTE em alguns momentos, e torna a historia UM POUCO IRREAL, ja que as pessoas nao se expressam dessa forma. O que faz com que a escrita seja bonita, porem rasa, nao me transmitiu sentimentos, nao me transmitiu verdade.

Por outro lado o autor conseguiu trazer BELEZA a narrativa, conseguiu trazer leveza, ATE AS CENAS DE SEXO SAO FOFAS.

O enredo pra mim tambem ficou MUITO A DESEJAR, durante 90% do livro, o autor traz uma historia MUITO CLICHE, bastante previsível, e ele mascara tudo isso com uma escrita bonita, MAS SE VC PEGAR O CERNE DA HISTORIA, é morna, sem graça, sem surpresas.

Os protagonistas sao MUITO IRRITANTES, O mais jovem é imaturo e carente, o mais velho, é um pouco " embuste" e distante. Não conseguir TORCER, NAO CONSEGUI GOSTAR DELES.

O final tem uma amadurecida na historia, mas eu ainda nao sei se gostei ou nao do rumo que as coisas tomaram

Pra mim é um livro que peca no excesso, e tambem peca por faltar muitas coisas.

O livro nao tem inconsistências, nao tem furos, a sua experiência com ele vai depender muito da sua visao de RELACIONAMENTO, de romance, DE NARRATIVA, vai muito da sua percepção pessoal.

AGORA VOU VER O FILME, PQ TEM UMAS CENAS, QUE EU NEM COMECEI A VER, MAS A CALCINHA JA CAIU COM A UMIDADE. HAHA
Laiana Michelle 20/01/2018minha estante
Qria ver tua resenha de Não conte a ninguém da Rebecca Done...


Zotori 18/02/2018minha estante
Acho que você foi a única pessoa que descreveu exatamente o que eu sento com essa leitura.


Alessandra 17/03/2018minha estante
Exatamente o que eu pensei! Tava até me achando estranha por não estar morrendo de amores pelo livro. Leitura maçante demais. Descrições demais. Diálogos de menos.


Tatiana Patrícia 15/05/2018minha estante
Também me senti assim... Querendo muuuito gostar do livro, massss...
Não foi o que eu esperava!


Marli.Ramires 05/09/2018minha estante
Geralmente estou de acordo com suas resenhas! Mas este livro eu achei mais realista do que sonhador sabe? O rapaz que estava descobrindo a própria sexualidade passa essa situação de crise, do tipo: gosto dele, mas gosto dela também. Um dia estava de boas com os próprios desejos e no dia seguinte estava subindo pelas paredes. (ALERTA DE SPOILER) E o final.... ah o final.... que gostaríamos de ter visto e não vimos está mais próximo da realidade do que nunca! Como abir mão das próprias realidades e se lançar num relacionamento completamente novo e não exatamente aceito pela sociedade? Acho que faz muito sentido para muitas pessoas hoje em dia...




Lucas.Crissanto 28/01/2018

Sem fôlego
Uma leitura sufocante, em que você não consegue respirar com tanta tensão que o personagem nos passa, tudo é narrado de uma forma minimalista até mesmo algo que seria insignificante se torna algo admirável e importante, a cada minuto você espera pelo momento que que Elio vai ser saciado, e a cada momento você percebe que a sede de Elio por Oliver nunca será saciada,a tensão sexual do livro também é algo extremamente excitante, a escrita de forma poética foi uma novidade agradável para mim e que torna o livro muita mais especial, enfim, a obsessão de Elio nos prende e nos coloca dentro da história fazendo parte daquela obsessão por Oliver!
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Lara 25/01/2018

Honesto e agridoce
Fazia um tempo que eu não lia algo que me deixava tão imersa no enredo.
Me Chame Pelo Seu Nome foi uma surpresa maravilhosa e inesquecível. Foi uma excelente escolha como o primeiro livro lido em 2018. E que livro, meu Deus!!!!
Primeiro eu me senti rapidamente dentro da narrativa, que é extremamente subjetiva e até poética em certos momentos, com um tom melancólico e agridoce. Depois, veio a conexão quase que imediata com o protagonista, Elio, me vi nele em incontáveis momentos e tudo na personalidade dele me pareceu real, sem ser forçado. O livro em si foi bastante real pra mim.
O relacionamento retratado era bastante honesto e puro e, a cada descrição melancólica e regrada de sentimentalismo, eu me via mais e mais interessada nas páginas. O final não podia ter me arrebatado mais. Obviamente chorei, como a boa emotiva que sou, com tudo o que autor colocava nas entrelinhas. Amor, arrependimento, tempo, memórias, tudo ali em cada parágrafo.
André Aciman conseguiu me deixar obcecada até terminar a última frase. E com certeza finalizei a leitura com tudo o que li reverberando por um tempo, que dura até hoje.
We're All Mad Here 28/01/2018minha estante
Idem....




spoiler visualizar
Marli.Ramires 05/09/2018minha estante
Oi Edu, também fiquei com a pulga atrás da orelha ao ver como o Elio tinha essa montanha russa de emoções. Mas depois repensei pois ele é um jovem muito novo e estava descobrindo a sexualidade e testando o que realmente era bom pra ele. Então gostava de sair com a moça e ao mesmo tempo com o Oliver. O final também me decepcionou no sentido de que sempre queremos ler o felizes para sempre, mas no caso dele, entendi que o Oliver tinha alguém e não deixou se abrir para uma vida completamente nova com alguém tão novo como o Elio. Mas que sofreu por isso. E lembrou com carinho durante toda a vida daquele verão. Já o Elio, me pareceu que não ficou exatamente com alguém fixo e que sempre teve o Oliver como uma paixão permanente. é lindo o livro. Eu amei. Mas é triste.




Lopes 27/01/2018

Quando o alvo não existe
"Me chame pelo seu nome" poderia ser aquela obra que... não, não poderia. André Aciman se preocupa pouco com a literatura, eu diria quase nada, ou absolutamente nada, entretanto isso poderia ser bom, mas infelizmente não é. Seu livro é uma sutil ideia, ou mais refinada, daquelas obras adocicadas, que remontam uma paixão a partir do clichê que essa palavra evoca. Os preâmbulos que a história vai dominando soam como um diário, dos mais chatos, onde uma paixão é posta acima do fazer a linguagem sussurrar. A literalidade atrapalha qualquer vocação que a obra venha a querer num sentido artístico. Os lugares e conversas sobre arte, ou que remetam a ela, serve para o refinamento, mas é uma tentativa tola. Uma tentativa de um autor que se assemelha com "O terceira travesseiro", de Nelson Luiz de Carvalho, no que diz respeito a literalidade, que é nada além do que uma história impressa num papel. São tantos clichês que ofusca qualquer diálogo mais profundo, pois até nos diálogos mais vivos, o autor prefere inserir a realidade numa obra sobre a paixão e a efervescência do amor. É querer falar de algo cheio utilizando o vácuo.
Edu 27/01/2018minha estante
não li, não assisti ao filme, e não tenho nenhum respaldo para falar da obra. mas queria registrar que achei interessante ler uma opinião divergente da maioria que tenho visto sobre esse livro. eu gosto quando isso ocorre, seja em um sentido, seja no outro.


Lopes 28/01/2018minha estante
Obrigado, Edu. As divergências são importantes. E meu comentário tem sempre, como todos, que ser revisto numa possível releitura.


gabriela z 29/01/2018minha estante
Concordo. Eu até gostei do livro, mas realmente tem muito clichê...achei também muito melodramático, passou da conta. Sentimentalismo em excesso.


Anderson 04/03/2018minha estante
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Marli.Ramires 05/09/2018minha estante
Gostei do que vc disse ao Edu, que comentou também. Que a sua resenha pode ser revista em outro momento. Também acredito que às vezes não estamos naquele clima para aquele livro.




Elivelton 01/02/2018

UM LIVRÃO DA POR**
Este livro talvez seja uma das histórias mais marcantes que já li, digo isso por alguns motivos que fizeram com que a narrativa torna-se encantadora, sensível e poética. Me Chame Pelo Seu Nome, de André Ancian, é um livro de temática LGBTQ, que narra a história da relação entre Elio e Oliver. Uma narrativa simples e linear que retrata a relação de dois rapazes, mas que foge daquela fórmula de livros com a temática LGBTQ, fórmula essa que sempre procura retratar personagens que são rodeados de preconceitos, violência, doenças e mortes. Talvez por retratar uma história que vai por outro caminho que não seja esses que citei que a narrativa tenha me conquistado de um jeito extremamente marcante. Friso aqui que tais assuntos precisam ser debatidos e retratados, pois é a realidade da comunidade LGBTQ, mas ser rodeado apenas com esses assuntos cria uma imagem negativa sobre as relações homoafetivas e ao termos contato com uma simples história sobre o amor enche-nos de sentimentos bons.

Me Chame Pelo Seu Nome é um livro sensível sobre o amor que nos conta a história de Elio, um singelo rapaz de 17 anos, que convive com a arte e literatura e faz delas sua grande paixão. Conhecemos Oliver, um universitário de 24 anos que é convidado a passar um período de seis semanas em uma cidade do interior da Itália para concluir seu manuscrito a respeito de um filósofo grego e ser uma espécie de assistente do pai de Elio, na qual é um professor universitário bastante importante.

A narrativa é formada pelas memórias de Elio daquele verão que passou com Oliver, ou seja, nosso narrado é o próprio Elio relatando suas experiências, descobertas e anseios daquele verão que deixou marcas em sua vida. O autor soube captar muito bem essa atmosfera conturbada da adolescência para a vida adulta de Elio, aquele turbilhão de sensações (negação, reconhecimento, assimilação, aceitação). Soube também dosar a sensualidade e o erotismo sem parecer grotesco ou piegas.

O desenvolvimento da relação de Elio e Oliver e a transição da amizade para o envolvimento mais afetivo é de certo modo sutil, tranquila e até previsível, visto que o foco não é necessariamente a relação dos dois, mas todo o sentimento que engloba esse momento. Outro ponto de destaque do livro é a forma como o autor retrata a diferença de idade dos personagens e como eles encaram essa situação que para muitos é uma barreira na relação.

Volto a frisar que enalteço Me Chame Pelo Seu Nome pelo fato da ausência de violência, homofobia, doença e morte, temas esses que como já citei aparecem com uma enorme frequência em livros de temática LGBTQ. É claro que estamos distantes de um mundo ausente desses males e a literatura sendo uma "ferramenta" de denúncia a respeito dessa violência direcionada ao público LGBTQ acaba por alcançar diversos públicos. Penso que muitos leitores poderão achar que o cenário retratado e a forma como os pais do Elio, principalmente o pai dele que constrói um dos mais belos e importantes diálogos da narrativa, lidam com as situações postas são idealizadas de modo exagerado, mas reconforto-me em ver retratado outro ponto de vista a respeito de uma relação homoafetiva: uma história de amor, de amadurecimento e de autoconhecimento.
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Chá 20/02/2018

Uma história de descobertas
Esse livro é intenso tal qual nossos desejos de 17 anos e trata de temas diversos, que vão além do amor e da paixão. "Me chame pelo seu nome" fala sobre amizade, descobertas, desejos, sobre saber de si e do outro. Sobre no outro se encontrar, sem necessariamente precisar daquele ser para viver. Não é um romance piegas e chega a um grau quase filosófico sobre a existência de si e dos desejos.

Embarcamos em direção à Costa da Itália, na década de 1980, em que é possível imaginar as paisagens, a rotina da família, o modo de vida dos habitantes. A casa onde Elio passa os verões, na qual seus pais tinham o hábito de fornecer um quarto para que um escritor pudesse terminar seu manuscrito e em troca ajudar na organização de papeladas de seu pai, é cenário de profundos sentimentos.

A vida do garoto muda quando chega para passar seis semanas na sua casa um escritor de 24 anos, Oliver, que desejava terminar seu manuscrito. Os desejos de Elio por Oliver são confusos e conflitantes, e o leitor consegue observar cada autoquestionamento de Elio, pois o livro é narrado inteiramente em primeira pessoa.

A sensação, ao fazer a leitura, é de que conseguimos sentir os cheiros, o ar, o calor daquela cidade italiana. Aciman conseguiu aproximar o leitor e fazer dessa obra não apenas uma história visualmente imaginável com todas as suas cargas emocionais, mas também sensitiva, trazendo-nos desejos, gostos e aquela vontade de ler na piscina, tomar café da manhã ao ar livre, caminhar pela livraria e percorrer de bicicleta os mesmos percursos de Elio.

É uma história muito real, nada me pareceu forçado na construção narrativa. O livro se desenrola de modo a vermos o relacionamento dos dois sendo construído numa transição da amizade para um envolvimento afetivo, que é singelo e chega a uma profundidade na qual se observa diálogos profundos, em que muita coisa é compreendida sem precisar ser dito exatamente o que se queria e sentia.

Se eu já havia amado o filme, passei a ter um carinho acolhedor pelo livro. Até hoje sinto e vejo o azul desses dias na Itália...
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cris.leal.12 26/01/2018

Agridoce...
Receber hóspedes durante o verão em sua mansão na Riviera Italiana, era o modo como um renomado professor universitário ajudava jovens escritores a revisar seus manuscritos antes da publicação. O convidado no verão de 1983 é Oliver, um professor universitário americano, de 24 anos, que pretende revisar sua dissertação sobre Heráclito, o filósofo grego que afirmou que tudo está em permanente mudança, por isso é impossível entrar no mesmo rio duas vezes, pois as águas já são outras e nós já não somos os mesmos.

Elio, o filho de 17 anos do estimado anfitrião, imediatamente se encanta por Oliver e descobre a intensidade da primeira paixão. Mesmo incerto sobre sua sexualidade, atormentado e amedrontado, o rapaz fica obcecado pelo americano. Apesar de não compreender bem o seu objeto de desejo, que ora o incentiva, ora o trata com distanciamento, Elio deseja e sonha com o primeiro encontro e o primeiro beijo. Determinado, investe na sua intuição e, aos poucos, em meio às lindas e ensolaradas paisagens da costa italiana, Oliver entrega os pontos e um romance quente e intenso floresce entre eles.

O livro é contado por Elio, que numa narrativa inquieta e tocante, vai nos mostrando como aquele relacionamento de verão moldou seu coração para sempre. Com rara sensibilidade, André Aciman constrói um universo no qual se reconhecem as mais delicadas e fortes emoções do primeiro amor. Sem sombra de dúvida, "Me Chame Pelo Seu Nome" comove e inspira, independente de orientação sexual.

Em uma entrevista o autor disse: "O interessante é que eu não usei a palavra 'amor' no livro, mas esta é a única palavra que pode descrever o que acontece no romance, porque não há outra explicação. É um amor de uma vida inteira de uma pessoa para outra."

É bem assim!

site: http://www.newsdacris.com.br/2018/01/resenha-me-chame-pelo-seu-nome-de-andre.html
Rafael 26/01/2018minha estante
É maravilhoso!


cris.leal.12 27/01/2018minha estante
Gostei muito também!




Leo Oliveira 21/02/2018

A minha relação com "Me chame pelo seu nome" é um pouco conturbada, talvez eu tenha colocado expectativa demais, me frustrado com algumas cenas específicas ou o livro simplesmente não funcionou para mim. E isso não quer dizer que ele não seja bom e bem escrito, mas a história de Elio e Oliver me incomodou - principalmente - na forma como é narrada. A construção de fatos e a maneira como eles foram desenvolvidos me irritaram em alguns momentos, a montanha russa de emoções dos personagens deixou o enredo inconstante e extremamente entediante. A primeira parte foi maravilhosa e me conectou de imediato aos personagens, mas as demais - com exceção da última "Canto Escuro" que foi simplesmente incrível - me fizeram revirar os olhos e fechar o livro inúmeras vezes (e isso é bem gritante uma vez que levei um mês para lê-lo).

Eu queria, do fundo do meu coração, ter gostado mais da história e aproveitado ela da mesma forma que muitos outros leitores. Mas, como falei, a narrativa de Aciman e a forma como seus personagens se comportam não me agradaram nem um pouco.
Augusto 11/03/2018minha estante
Quero muito ler ??


Keu 08/04/2018minha estante
Já minha relação com este livro foi maravilhosa li em dois dias não consegui largar da história.




Manu 16/04/2018

Um suspiro a cada página
É com o coração em frangalhos, semirecuperada de três metros de ranho escorrendo pelo nariz, que venho falar de Me chame pelo seu nome – o livro que está marcando minha volta definitiva à leitura, parcialmente abandonada de um ano pra cá.

O livro foi lançado em 2007, mas demorou isso tudo pra chegar ao Brasil porque só agora foi de interesse dos filhos da puta dos marketeiros, aproveitando o sucesso da adaptação cinematográfica que foi uma das candidatas ao Oscar 2018 e um dos melhores filmes que assisti no ano passado. Bom, a justiça tarda, mas não falha. A divina, no caso. Acho. Porque o que importa é que, mesmo já tendo assistido ao filme, a leitura de Me chame pelo seu nome foi uma das mais prazerosas e marcantes dos últimos tempos.

Eu diria que, desde as primeiras páginas, minha vontade era de largar tudo, antecipar minha cidadania italiana e viajar pra Europa a fim de fazer jus ao tamanho do meu nariz junto aos meus semelhantes. Não sei exatamente qual foi a mágica de Aciman (inclusive, estou estudando isso), mas ele transformou uma história repleta de dias de marasmo em uma linda confissão de desejo e um turbilhão de sentimentos conflitantes que determinaram o ritual de passagem de Elio. Aciman demonstra ser um profundo conhecedor das ações e reações humanas, do que idealizamos, experimentamos e sofremos com o primeiro amor. Me chame pelo seu nome é pura poesia que me deixou absolutamente fascinada e envolvida. É literatura de alta qualidade que parece ter sido amarrada com parágrafos de palavras escolhidas a dedo. Nada sobra, nada falta: tudo feito na medida para arrancar suspiros frequentes.

Em passagens fluidas, Elio nos conta suas lembranças daquele verão dos anos 1980 que o marcaria para sempre em uma linguagem coerente com o perfil de um adolescente acima da média, que lê filosofia e estuda música erudita, mas cheias de visceralidade, delicadeza e erotismo. Me chame pelo seu nome é sobre Elio; sobre autodescobertas, tanto sexuais quanto de identidade no mundo. É impressionante como me peguei ansiosa, como Elio, para descobrir se o que ele tanto queria iria se concretizar, ao mesmo tempo em que o medo era óbvio e angustiante. "É melhor morrer ou falar?" E o Elio queria, e que se reflete totalmente no título da obra, era mais do que observar e amar cada pedacinho de Oliver: era ser o Oliver, estar nele, sob suas roupas, em sua pele, e que Oliver também experimentasse o mesmo. Intenso, como geralmente é.

O filme é muito fiel ao livro, salvo pequeninas mudanças, inclusive no final. A cena do pêssego está presente, e longe de ser escandalosa. Como no filme só podemos interpretar a linguagem corporal de menino Timothée Chalamet e, no livro, o que ele sente é bastante destrinchado, talvez neste fiquem mais "compreensíveis" suas intenções. E para a Galera Chata do Caralho™ de plantão, Me chame pelo seu nome não bate na tecla da homofobia, do ser gay ou não ser, ou da aceitação. Não que a obra original precise confirmar a ausência dessas questões no filme, porque eu sou da opinião de que filme não é obrigado a abordar tema nenhum (como esses, por exemplo, do universo LGBT). E, sinceramente, nem é preciso que o livro diga com todas as palavras; só o fato de Elio e Oliver demorarem tanto para enfim colocarem as cartas na mesa já implica nesse contexto.

Inclusive, pincelando isso com chave de ouro, aquele monólogo MARAVILHOSO do pai do Elio que há no filme está aqui, quase integralmente idêntico. Não vou transcrever porque seria spoiler, mas é algo sobre não evitar sentir dor, porque evitar o que quer que seja é um desperdício. O tipo de trecho de um livro que você tem vontade de grifar, recortar, colar na parede, criar gif e enviar para todos os contatos do Whatsapp, depois de dar um abraço.

Terminei Meu chame pelo seu nome da melhor maneira possível: com a voz de Sufjan Stevens entoando Mystery of love na minha cabeça. Sem fôlego. Certa de que precisaria recomendá-lo ao maior número de pessoas imaginável.


"Encontramos as estrelas, você e eu. E isso só acontece uma vez na vida"

site: http://www.vemaquirapidao.com/2018/04/me-chame-pelo-seu-nome-andre-aciman-resenha.html
Clau.Potter 28/05/2018minha estante
Resenha maravilhosa, fiquei cativadae identificada com as suas palavras....parabéns pelo seu texto sincero e tocante.


Manu 28/05/2018minha estante
Poxa, eu que fico feliz com esse comentário. Muito obrigada


Bernardo.Baethgen 25/06/2018minha estante
gostei muito de sua resenha, mas me ajude. fiquei meio sem chão com o fim. por favor leia a minha resenha e me ajude




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