Fique Comigo

Fique Comigo Ayòbámi Adébáyò




Resenhas - Fique Comigo


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Rafa Laisa 23/07/2018

Recebi esse livro da Tag Inéditos que eu assinei porque vi que a sinopse era rica, profunda e totalmente diferente do tipo de livro que eu costumo ler, o que foi um grande fator impulsionador pra minha assinatura, já que eu estava mesmo querendo expandir meu leque de leituras.

É difícil relativizar as situações vividas por Yejide em relação a seu marido e à família dele, porque a cultura Iorubá, como retratada no livro, é bem diferente da nossa. É importante não perder de vista esta noção e a importância, portanto, da relativização. Depois de alcançar este primeiro objetivo, fica um pouco mais fácil não ler a história sob uma perspectiva preconceituosa, o que nos abre a uma experiência realmente dramática do livro.

Porque o livro é dramático. Muito.

Não dramático do tipo mimimi, como o título inclusive pode sugerir. Aliás, o titulo não se refere à uma situação de dependência emocional e carência brega, como podemos pensar à primeira vista. Tem a ver com o significado do nome de uma das personagens, e este significado está intrinsecamente relacionado à trama.

Ao terminar de ler o livro, você fica com aquela sensação de que as coisas poderiam ser diferentes se os personagens tivesse agido de forma diferente. O que foi o problema ? Orgulho demais? Empatia de menos (ou demais)? Foi a mágoa? O remorso? Quem foi o culpado? Porque ALGUÉM tem que ser o culpado.

Certo?

CERTO?

Fique comigo é um drama super envolvente e cativante. Não é um livro bonito, não é um livro agradável, não é um livro feliz. É um livro profundo. A autora consegue fazer com que o leitor conheça o sentimento de cada um dos personagens e o motivo por trás de cada uma das atitudes tão destrutivas, tão nocivas, mas ao mesmo tempo carregadas de tanta consideração pelo próximo, de forma que tudo se torna compreensível, ainda que não seja aceitável. São páginas recheadas de amor, de mágoa, de aceitação e de algo maior que entrelaça todos esses sentimentos em um único pacote chamado vida.

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Paloma | @ourbookself 27/06/2020

surpreendente
esse livro é de uma complexidade que até agora não consigo explicar o que senti durante toda a leitura. são emoções e mais emoções em cima da realidade e das relações humanas. incrível.
se esse é o primeiro livro romance da autora, tenha misericórdia de nós rs.
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Laís 16/06/2020

Haja coração
Nossa senhora, haja coração para acompanhar tudo o que a Yejide e o Akin passaram. doído demais sentir o desespero deles (a autora descreveu muito bem todos os sentimentos dos dois), e que só vai aumentando conforme o andamento do livro. tiveram algumas situações que eu consegui adivinhar o final mas ainda sim me surpreendi na hora das revelações. não vou falar muito sobre o livro, só espero que mais e mais pessoas leiam. achei os personagens, todos, incríveis, cada qual com suas inúmeras facetas, aqui não tem essa coisa de bom ou mal, verdade ou mentira, tudo se mescla numa coisa só. e gente, que escrita maravilhosa, eu li esse livro mais rápido do que pensei que leria, e depois dos 40% não consegui largar de jeito nenhum. a Yejide teve que aceitar muita coisa por viver num país que ou você engravida ou você não passa de um "homem". é muito duro ver como a Yejide e o Akin deixam de ser um casal companheiro e passam a ser praticamente estranhos por causa de toda uma pressão em cima deles, mas claro, pressões um pouco diferentes uma da outra. na minha leitura, percebi que a gente acompanha a decadência deles como casal e como um ser individual, cada qual com seus medos, inseguranças e segredos, mas que no final, há sim esperança.
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Gabriela.Pimenta 15/06/2020

Fique Comigo
Yejide e Akin estão casados há 4 anos e ainda não tem filhos, apesar de ambos terem concordado que seu relacionamento seria poligâmico, a pressão dos familiares de Akin para que ele tome uma segunda esposa e assim possa ter descendentes é enorme. Enquanto isso Yejide faz de tudo para engravidar, desde consultas com especialistas em fertilidade até rituais com curandeiros. Apesar de se amarem muito, aos poucos a imposição da cultura patriarcal nigeriana vai minando não só o casamento deles, como também a saúde mental de Yejide.
Este livro tem capítulos curtos, é narrado sob o ponto de vista dos dois personagens principais o que torna a leitura muito fluída. Acompanhamos não só a história do casamento de Yejide e Akin como também o momento político turbulento pelo qual a Nigéria passou nos anos 80, pano de fundo de toda a narrativa.
É o tipo de livro em que o leitor é surpreendido a cada capítulo, sendo impossível fazer um julgamento absoluto da personalidade de casa personagem. Até porque é uma cultura totalmente diferente, que nos faz pensar sobre as consequencias nefastas de uma sociedade tão machista, misógina e patriarcal como a da Nigéria.
Foi uma excelente experiência de leitura para mim, o livro trouxe uma mistura de sentimentos e me provocou várias reflexões necessárias, enfim eu realmente mergulhei na história! Recomendo esse livro pra quem gosta de dramas familiares e procura por uma leitura viciante e cheia de reviravoltas.
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Fla @resenhasdaflablog 30/03/2020

Fique Comigo | Ayòbámi Adebayo
Em Fique Comigo, romance de estreia da autora Ayobami Adebayo, carrega uma narrativa visceral que tem como pano de fundo o cenário político da Nigéria de 1980. Ao mesmo tempo em que a escritora narra um relacionamento carregado de segredos, mentiras e traições, a trama é cercada pela cultura do país.

Após várias tentativas de driblar seus familiares, Akin e Yejide se veem pressionados por não terem concebido nenhum filho durante seus quatro anos de casados. Um visita inesperada de sua madrasta pega Yejide de surpresa e a mesma é obrigada a aceitar que seu marido se case com outra mulher. A reação de Yejide não é a das melhores, ela e Akin já haviam conversado inúmeras vezes sobre esse assunto, onde sempre deixara claro que não aceitaria poligamia em seu casamento.

Essa é apenas a ponta do iceberg para as varias revelações e reviravoltas que ambos terão que enfrentar para tentar salvar seu casamento.

Contudo a obra tem como tema central a poligamia e o papel da mulher na sociedade. Uma narrativa clara, fluida e super enxuta, os capítulos são alternados entre Akin e Yejide e dividido em quatro momentos na vida do casal, e quanto mais nos aprofundamos na leitura mais nos emocionamos com as situações e as dores sofridas.

Outro fator muito importante na narrativa é a quantidade de elementos pessoais que a autora introduziu na obra, como a ambientação e a política. As cidades citadas na estória Lagos, Ilesa e Ife foram cidades que a mesma nasceu e morou respectivamente. Em 1985, um dos anos em que os relatos se passam, era um momento bastante preocupante no cenário político no país onde sofriam inúmeros golpes e o representante do governo nessa época era o Ibrahim Babangida, citado algumas vezes na narrativa. 

site: https://resenhasdaflablog.com.br/fique-comigo-ayobami-adebayo/
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Pandora 21/05/2020

Estava lendo cinco livros ao mesmo tempo, três deles quase no fim, então aconteceu uma coisa que me fez estagnar as leituras, eu simplesmente passei quase duas semanas sem conseguir me concentrar. Daí vi uma postagem sobre este livro e pensei que começar algo novo talvez me animasse. Bastaram dois dias para finalizar esta leitura, mesmo com o tempo escasso. E ela foi gratificante de uma forma que não sei mensurar.

Esta narrativa se passa na Nigéria em dois momentos: a época atual, que no caso é 2008 e, em flashback, nos anos 80/90.

A Nigéria é o país mais populoso da África, com mais de 250 grupos étnicos; os principais são: hauçá-fulani, iorubás e igbos. Yejide e Akin, os protagonistas desta história, são iorubás, e ainda que eles sejam instruídos, economicamente estáveis e profissionais bem sucedidos, têm que lidar com a tradição de trazerem filhos ao mundo para perpetuar a família. Como Akin é o primogênito, a pressão por um herdeiro é ainda maior.

Quando, após quatro anos de casamento, nenhuma criança habita o lar do casal, um dia a madrasta de Yejide e o tio de Akin surgem na casa deles com Funmi, a escolhida para segunda esposa. Aquela que deve engravidar e “chamar” a gravidez de Yejide.

Embora os pais de Yejide e Akin fossem polígamos, eles tinham se decidido pela monogamia antes mesmo de se casarem. Por isso, ao ver a segunda esposa à sua frente e entender que o marido já sabia do acordo, Yejide se sente duplamente traída. A partir daí, ela se vale de medidas desesperadas para engravidar e, consequentemente, livrar-se da rival.

A narrativa se divide em quatro partes e se alterna entre Yejide e Akin. Apesar de se passar num país de cultura diversa da nossa, para mim foi muito fácil sentir-me próxima de Yejide nos vários momentos em que ela estava só com sua dor. Também porque perdi uma filha recém-nascida e pude entender algumas atitudes da personagem que pareceram inadequadas ou egoístas.

Pena que não há nenhuma nota sobre as palavras e expressões em iorubá, o que me fez recorrer algumas vezes à internet. Mas ao mesmo tempo foi bom, porque me permitiu ver um vídeo explicativo sobre abiku (aquele que nasceu para morrer), além da recomendação de outro livro, “Exu e a ordem do universo”, dos doutores Síkírù Sàlàmi (Baba King) e Ronilda Iyakemi Ribeiro, que reúne informações sobre o orixá Exu como é cultuado em várias regiões do território iorubá.

Enfim, um livro sobre a vida, os acontecimentos, nossas atitudes e sentimentos e os desdobramentos disso tudo.

“Amei Yejide desde o primeiro momento. Não tenho dúvida. Mas há coisas que nem mesmo o amor é capaz de fazer. Antes de me casar, eu acreditava que o amor podia tudo. Porém, logo descobri que ele não era capaz de suportar o peso de quatro anos sem filhos. Quando o fardo é pesado demais e o carregamos por muito tempo, até mesmo o amor se verga, racha, fica prestes a se despedaçar, e às vezes se despedaça de fato. Mas, mesmo quando está em mil pedaços aos nossos pés, não significa que não seja mais amor.”
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Nay Botelho | @Umsonhodeleitura 20/02/2020

Incrível, o livro é rico em cultura, tem uma evolução de personagem maravilhosa e é puro drama (que geralmente é um gênero que não curto muito) mas, nesse livro foi tão mas tão bem construído.
Eu achei que não tinha curtido muito até o final quando eu comecei a refletir sobre a história e sobre o quanto ela me tocou
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Samantha 22/02/2020

ADÉBÁYÒ. Ayòbámi. Fique Comigo. Rio de Janeiro: Harper Collins, 2018.
Yejide e Akin se conheceram na época da faculdade e em pouco tempo se casaram, mesmo vivendo em uma sociedade poligâmica, concordaram que não adotariam tal prática. A vida do casal era satisfatória para ambos, até que a pressão social para ter um filho começou a sufocar cada vez mais e vários problemas apareceram aos poucos de maneira a minar o relacionamento.


A partir do título e da premissa desse livro, imagina-se um romance que trate de separação, podemos descrevê-lo assim, mas é bem mais sobre o processo de desestruturação do relacionamento em questão. E algo que não se pode fazer aqui é supor alguma coisa porque plot twist é o sobrenome da autora (sic).


Em Fique Comigo vários pontos são abordados e posso ressaltar alguns, como: a construção de um relacionamento e como é necessário pautá-lo em verdade e diálogo; as artimanhas que algumas pessoas são capazes só para conseguir o que querem; ética; e a cultura nigeriana.


Já acho a maternidade supervalorizada aqui no Brasil, em que há uma áurea mística de que não há coisa melhor no mundo mesmo que você passe  não dormir, tenha milhões de preocupações a mais, reduza o seu tempo e etc... Quando me deparo com livros nigerianos percebo o quanto isso tudo pode ser ainda pior no sentido de atrelar a maternidade à respeito e formação da mulher (isso é bem comum de ouvir aqui também, de que você só se torna verdadeiramente mulher depois de ter um filho). Levanto essa questão porque mesmo havendo uma diferença cultural enooorme, nesse quesito a exigência da reprodução é muito semelhante. A questão feminina é abordada em vários momentos durante o livro, como quando uma cliente de Yejide supõe que Bolu não vai conseguir ir à faculdade porque é bonita, por exemplo, ou quando o médico chama Akin para falar sobre a doença do filho e possíveis consequências para o casamento dele.


Para além dessa questão de relacionamento e exigências sociais, Ayòbámi nos fornece um pano de fundo político e econômico da Nigéria entre os anos 80 e 2000, os frequentes golpes de estados e a tentativa de instaurar uma democracia.


Essa foi uma leitura que me surpreendeu bastante por sua narrativa, antes da metade eu já não sabia mais o que esperar dele! A falta de escrúpulos de Akin me fez ter raiva, nem todo o amor que ele aparenta ter por Yejide justifica suas estranhas escolhas.

site: https://degraudeletras.wordpress.com
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Stefânia Cedro 04/06/2020

UMA DAS MELHORES LEITURAS DO ANO!
Esse é o livro de estreia da Ayòbámi Adébáyò, que foi aluna das maravilhosas Chimamanda Ngozi Adichie e Margaret Atwood (Que sonho ein?). O livro ficou na lista de melhores do ano dos jornais "The New York Times" e "The Guardian", além de ter sido finalista em um dos maiores prêmios da literatura do Reino Unido.

Com isso tudo, é difícil não criar expectativas, não é mesmo? E não se preocupe em criar, pois o livro atenderá todas elas.

Nessa história, ambientada na Nigéria, iremos acompanhar Yejidi e Akin, um casal que contra toda a cultura de seu país, decidiu que viveriam a monogamia. Akin jurou a Yejidi que ela sempre seria a única mulher em sua vida, porém, depois de anos de casamento e ela não conseguir dar um filho a ele, com toda a pressão da sociedade e da família, Akin acaba cedendo e aceitando uma segunda esposa pelas costas de sua mulher. Mas Yejidi estava disposta a qualquer coisa para engravidar e mostrar que ela deveria ter sido a única em sua vida, não importa o preço.

Ao iniciar essa leitura, somos presenteados com uma narrativa fluída, que nos deixa curiosos logo de cara. Confesso que se não estivesse lendo ele em leitura conjunta com algumas amigas, provavelmente teria lido tudo em menos de um dia.

Achei incrível poder conhecer mais sobre a cultura nigeriana, eu não tinha ideia de que era um país que aceitava a poligamia. E amei mais ainda a maneira delicada que a autora abordou os temas do livro.

É impossível não se indignar com a maneira que Yejidi é tratada por não conseguir engravidar, como se ela não estivesse fazendo o suficiente. É impossível o psicológico não ficar ferrado quando você é tratada como se sua única razão de existir é para procriar e se você não é capaz disso, não tem valor nenhum.

O livro me trouxe uma enxurrada de sentimentos, e como já falei várias vezes aqui, isso é o que faz eu amar uma leitura. Quando um livro me faz sentir qualquer coisa, é porque consegui mergulhar na história e me colocar na pele dos personagens.

Ao ler esse livro e amar, percebi o quanto meus gostos mudaram no decorrer dos anos.
?
Se você quer um livro pra te arrebatar, essa é a escolha certa!
Jessy 04/06/2020minha estante
Seriiooo :0 Achei tão triste! Não sou muito fã de livro triste rsrs


Stefânia Cedro 04/06/2020minha estante
Eu achei muito cru, muito real. É triste, mas é a realidade de muitas mulheres (talvez não tanto o final, que achei que se perdeu um pouquinho e por isso tirei uma estrela, mas no geral sim).




spoiler visualizar
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sabsneri 23/05/2020

Fique Comigo foi um dos livros mais marcantes de 2019. Não é uma leitura fácil, não é leve. Este debate questões polêmicas e complexas da cultura nigeriana, como o papel da mulher como progenitora, e os sacrifícios feitos em nome da família. É mt difícil ler sobre algo que não faz parte da nossa cultura, porque acabamos tendo um olhar preconceituoso naqueles atos. Contudo, no momento que a leitura vai fluindo e você encara aquelas situações com os olhos dos personagens, começa a perceber o teor do drama: não há vítimas ou culpados. Isso tudo tendo como plano de fundo o retrato fiel das turbulências políticas na Nigeria nos anos 80.
Terminei o livro aos prantos, mas valeu à pena! É uma obra atemporal e necessária.
Jacque 23/05/2020minha estante
Ahhh sua resenha me deixou com vontade de ler, nunca tinha ouvido falar desse livro, vai entrar na lista




Biblioteca Álvaro Guerra 13/02/2020

Fique Comigo é um livro de tentativas. Em um momento você pode estar com raiva da família de Akin , no outro você está chorando de desespero com Yejide. A escrita da autora trás o sofrimento da personagem para o leitor, a raiva e desespero e, ao mesmo tempo nos deixar sensibilizado.

Empreste esse livro na biblioteca pública.

Livro disponível para empréstimo nas Bibliotecas Municipais de São Paulo. Basta reservar! De graça!

site: http://bibliotecacircula.prefeitura.sp.gov.br/pesquisa/isbn/9788595083196
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July 19/06/2020

Fique comigo
Fique comigo é uma das histórias mais emocionantes e triste que já li.
Tem capítulos curtos e narrados pelos dois personagens principais, isso deixa a história muito interessante e fácil de compreender os sentimentos e sofrimentos internos que cada um passa.

Ambientada na Nigéria entre os anos de 1985 e 2008, conta a história de Yejide e Akin. Enredados na tradição Nigeriana os dois se casam e logo começa as cobranças por um (muitos) filho, eles já estão casados a quatros anos e nada. A pressão como sempre é em cima da mulher, e esta já tentou de tudo, desde consultas com especialistas até rituais com curandeiros.

Pela cultura Nigeriana a poligamia é permitida, e devido a pressão por parte de sua família, Akin toma outra mulher como esposa, Funmi. Mesmo os dois se amando muito a cultura tem uma influência muito forte em suas vidas, e isso vai aos poucos sendo um divisor de águas em sua relação.

O livro é muito bom o leitor é surpreendido a cada capítulo. Vale muito a pena.
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Cah 04/02/2020

Fique comigo... Apesar de tudo?
Um romance nigeriano para pensar sobre relações familiares, amorosas e culturais. É aconselhável não escolher um lado, procure estar aberto ao entendimento, ouça o que os personagens tem a dizer, reflita. Até que ponto você iria para encobrir uma mentira? Um misto de suspense e porque não dizer amor.
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Helder 30/11/2018

Escolhas desesperadas
Ayòbámi Adébáyo, a autora deste livro é nigeriana, tem 30 anos, foi colega de classe de Chimamanda Ngozi Adichie e teve Margaret Atwood como sua professora no curso de Escrita Criativa.

Este seu primeiro livro traz uma estória extremamente forte, que para nós brasileiros chega junto com um choque cultural, pois a realidade tratada aqui é algo muito distante da nossa cultura.

Na primeira parte da leitura, parece muitas vezes  que estamos lendo sobre algo que aconteceu na era medieval, mas não, a autora ambienta sua estória nas décadas de 80, 90 e 2000, motivo pelo qual é difícil não se chocar com o inicio deste livro.

Fique Comigo conta uma estória de amor.

O livro começa em 2008, onde sabemos que o casal não está mais junto, mas volta à década de 80, onde Akin e Yejide se conhecem na universidade, se apaixonam e se casam tomando uma decisão: Serão monogâmicos. Diferente dos seus pais, que tem diversas esposas, costume normal na Nigéria de então.

Akin é o primeiro filho da primeira esposa de seu pai. Yejide é filha da segunda esposa de seu pai, que morreu eu seu parto. Yejide cresceu sendo rejeitada por suas madrastas e muitas vezes sendo responsabilizada pela morte da mãe pelo próprio pai. Sendo assim ela encontra em Akin e sua família, o apoio e conforto que nunca teve.

O casamento deles segue bem até que um dia a madrasta dela e o pai de Akin chegam à residência do casal com Funmi, uma garota mais nova,  e informam que ela será a segunda esposa de Akin.  Eles estão casados há 4 anos, porém até agora Yejide não conseguiu engravidar. Ambos fizeram exames e aparentemente não tem problemas. Mas a mãe de Akin não aceita mais esperar, então se Yejide não consegue realizar sua obrigação, ela deve ficar de lado e deixar a outra realizar o seu papel.

“Esta vida não é difícil, Yejide. Se não pode ter filhos, basta permitir que meu Akin tenha filhos com Funmi. Veja, não estamos pedindo que você deixe de ocupar seu lugar na vida dele, estamos apenas dizendo que deveria chegar para o lado para que outra pessoa possa sentar”

O texto da autora pega forte nesta e outras cobranças sofridas pela mulher nigeriana. Se o casal não tem filho, a culpa é da mulher que se torna uma pária dentro da família.

“Você já viu Deus em uma sala de parto parindo um bebê? Diga-me Yejide, já viu Deus na maternidade? As  mulheres fabricam crianças, e se você não consegue fazer isso então não passa de um homem. Ninguém deveria chama-la de mulher.”

Yejide sente-se frustrada e traída, principalmente ao perceber que Akin já sabia daquela combinação, mas infelizmente não pode fazer nada contra a situação, pois na cultura do país todo homem tem que gerar descendentes.  A cena inicial onde ela recebe a noticia de que está sendo substituída e ainda tem que continuar na posição submissa fazendo e servindo comida para os “convidados” chega a dar um embrulho no estomago, fisgando o leitor e nos deixando sem ação.

A entrada de Funmi no relacionamento do casal, mexe gravemente com a cabeça de Yejide, que passa a buscar maneiras alternativas para engravidar, como chás, rezas e até cultos, desencadeando inclusive uma gravidez psicológica.

Akin, realmente ama Yejide, mas não consegue se desvencilhar das convenções sociais. Ele evitou ao máximo aquele segundo casamento. Mas ao ver o estado de sua esposa, ele passa a tomar diversas decisões extremas que a autora irá nos expondo aos poucos, nos deixando cada vez mais chocados.  Por mais que imaginemos o que tenha acontecido, quando a autora nos confirma, aquilo causa um incomodo.

Qual sacrifício você seria capaz de fazer por amor?  Você está fazendo aquilo pela outra pessoa, ou por você mesmo? Amor ou egoísmo?

E os filhos chegam, mas aquilo que deveria ser a solução acaba se tornando um problema maior ainda que vai crescendo como uma bola de neve. Trazendo uma cruz impensável para  este casal carregar.

São tantos erros. Tanta incompreensão. Tanta falta de dialogo e nada tinha me preparado para tudo aquilo. Quando você acha que eles já passaram por tudo, a autora cria mais uma situação difícil. O livro traz um turbilhão de sentimentos e nos faz calçar os sapatos de Yejide e Akin e pensar como teríamos agido sobre tanta pressão.

É um pensamento simplista dizer que nunca nos submeteríamos aquilo, pois na nossa distância cultural dizemos que aquilo é impensável, mas quanto não fazemos em nosso dia a dia para manter aparências, status, dinheiro. Não magoar aos outros. Não magoar a nós mesmos?

Este livro é sim extremamente atual. Até o nome,  Fique Comigo, que parece um nome de romance barato tem um significado muito especial. Mulheres com certeza se envolverão mais com a estória, mas o texto deste livro é universal. É um livro sobre família, sobre sacrifícios e sobre empatia.

O final traz uma pequena redenção, mas impossível não sentir o peso da jornada e de todo o tempo perdido. Uma mentira nunca irá se tornar uma verdade por mais que acreditemos nela.

Leiam este livro e compartilhem com todos aqueles que você ama. É um livro necessário.

“Amei Yejide desde o primeiro momento. Não tenho duvida. Mas há coisas que nem o amor é capaz de fazer. Antes de me casar, eu acreditava que o amor podia tudo. Porém, logo descobri que ele não era capaz de suportar o peso de quatro anos sem filhos. Quando o fardo é pesado demais e o carregamos por muito tempo, até mesmo o amor se verga, racha, fica prestes a se despedaçar, e às vezes se despedaça de fato. Mas, mesmo quando está em mil pedaços aos nossos pés, não significa que não seja mais amor”.
Kah 01/12/2018minha estante
Eu acho que vc faz resenha melhor que mto booktuber por aí viu! Só acho!


Helder 01/12/2018minha estante
Poxa, Kah, obrigado. Consegui despertar sua vontade de ler? Então valeu a pena. Este livro é um ótimo presente de Natal. E pode esperar por mais, pois a Black Friday rendeu por aqui. E suas leituras como vão?


Kah 01/12/2018minha estante
Sim, foi sua resenha que atiçou a vontade de ler este livro, já está na listinha de desejados! Tô empacada num livro da lisa Gardner chamado "bem atrás de vc" que vi o Victor do geek freak falando bem, mas detestei e to empurrando com a barriga. Ai comecei a ler o monstrologista que é super legal e tentando desencalhar os homens que não amavam as mulheres. Veremos o que vira kkkk


Helder 01/12/2018minha estante
Já vi este video do Geek Freak e este livro da Lisa Gardner está na minha lista também. Já a serie Millenium, os 3 primeiros livros são necessários. Vá em frente, pois são ótimos.




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