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    A Menina Morta -

    Cornélio Penna

    Artium
    2001
    484 páginas
    16h 8m
    ISBN-13: 9788586039188
    Português Brasileiro
    4.4
    54 avaliações
    Leram78Lendo5Querem314Relendo0Abandonos1Resenhas10
    Favoritos3Desejados314Avaliaram54

    Romance psicológico, introspectivo, intimista e misterioso... vários foram os termos utilizados ao longo do tempo para tentar conceitualizar a obra inclassificável de Cornélio Penna. Todos esses termos que acenam para o privilégio da subjetividade foram forjados, talvez, com o objetivo de contrapor esse escritor à literatura regionalista e social que imperava quando ele estreou. Trata-se, entretanto, justamente, da superação da subjetividade (e, conseqüentemente, da objetividade) em busca de uma sondagem originária do ser, vivida com todos os conflitos da carnalidade e da paixão: a esse caminho, contínua, solitária e verticalmente, o escritor se entrega, no movimento de realização de sua obra, fazendo dela a manifestação de uma luta existencial cujo fim sabe ser inalcançável. Se a angústia é o preço a ser pago por mergulho tão intenso, há que se acatá-la como o destino irrefutável da experiência humana ao se espantar diante dos mistérios da vida. Uma das prosas mais poéticas da tradição brasileira, a ficção de Cornélio Penna se caracteriza por uma construção a um só tempo unitária e mosaical.

    Edições (4)

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    Resenhas (10)Ver mais
    Carlos Nunes picture
    Carlos Nunes27/01/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Fenomenal

    Nunca tinha ouvido falar desse livre e nem mesmo do autor, e qual não foi minha surpresa ao saber que ele é meu conterrâneo! Esse livro me foi apresentado com a indicação fortíssima de que o lesse, pois era maravilhoso. Leitura trabalhosa, principalmente por ter que ler no PC (as raras edições disponíveis estão proibitivas), mas MUITO válida! Um romance psicológico intenso, claustrofóbico, misterioso, com uma atmosfera (achei isso genial) totalmente gótica em um ambiente quente e ensolarado. Um romance quase que só com personagens femininas (ou poucos homens que aparecem na trama quase não têm importância), passado inteiramente em uma fazenda de café em algum ponto próximo à divida entre Minas e Rio, nos últimos anos da escravidão. Já de cara nos deparamos com o velório e o sepultamento da menina do título - da qual não sabemos nada, nem o nome - cuja morte vai alterar totalmente a vida e os relacionamentos entre os moradores da fazenda, sejam eles a família, os empregados ou os escravos. Aos poucos, coisas estranhas começam a acontecer nessa fazenda, e o clima de mistério e segredo vai aumentando, até descambar de vez com o retorno da jovem Carlota, irmã mais velha, que estava estudando na capital, e volta para a fazenda para assumir seu papel de filha e herdeira. Apesar de não haver quase acontecimento nenhum - a narrativa é bem lenta, difícil no início, mas essa atmosfera vai envolvendo o leitor até conquistá-lo por completo. Permeando tudo isso, um retrato cru (e contundente) da relação entre a classe branca dominante e a grande massa escrava. Uma obra magnífica, infelizmente relegada ao limbo literário brasileiro. Análise mais completa no meu vídeo (link abaixo)

    13 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    4.4 / 54
    • 5 estrelas50%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas13%
    • 2 estrelas2%
    • 1 estrelas0%
    Cornélio Penna profile picture

    Cornélio Penna

    Cornélio Penna foi um romancista, pintor, gravador e desenhista do Brasil. Participou da Segunda Fase do Modernismo no Brasil e criou o realismo psicológico brasileiro.<br>Penna iniciou seus estudos em Campinas, formando-se em Direito em São Paulo em 1919 e, no ano seguinte, deu início a sua carreira artística na cidade do Rio de Janeiro. Lá realizou sua primeira exposição pessoal, em 1920, tendo trabalhado como pintor, gravador, ilustrador, jornalista e desenhista em jornais ou de forma independente. Na década de 1930 abandona as artes plásticas em favor da literatura, a qual passa a dedicar-se integralmente.<br>Escreveu quatro romances na linha psicológica de ficção brasileira (1935-1954): os romances Fronteira (1935), Dois romances de Nico Horta (1939), Repouso (1948) e A Menina Morta (1954). A Menina Morta é considerado um dos melhores romances já escritos no Brasil. Suas histórias são caracterizadas pelos capítulos curtos e pela criação de uma atmosfera de estranheza.<br>Com sua morte, deixa inacabado Alma Branca.

    8 Livros
    11 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Cornélio Penna