Carta sobre a tolerância -

    John Locke

    Hedra
    2007
    104 páginas
    3h 28m
    ISBN-13: 9788577150502
    Português Brasileiro

    Teórico máximo do pensamento liberal e do individualismo, Locke realça neste famoso escrito o valor e a prática da tolerância como ato político. Carta Sobre a Tolerância foi redigida em latim durante o exílio político de Locke na Holanda sob o título de Epístola de tolerantia, e no mesmo ano traduzida para o inglês por William Popple. A tradução que ora apresentamos ao leitor segue essa versão inglesa Carta pois foi a ela que Locke se referiu posteriormente, constanto também na maioria das edições de suas obras. Locke defende nesta carta que as ações dos cidadãos, principalmente as religiosas, devem ser defendidas pelo Estado, desde que essas ações não contrariem a função principal do Estado: defender a vida, a liberdade e a propriedade. A reivindicação por tolerância se baseia, portanto, no direito natural à liberdade, o que tem como pressuposto, a separação entre Estado e Igreja, idéia revolucionária para o cenário político de então.

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    Tales Vieira22/10/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Primeira geração de Direitos Humanos - Liberdade - Tolerância

    A ''Carta sobre a tolerância'' está inserida em um contexto próprio de formação do que hoje se conhece como ''direitos de primeira geração'' dentro do estudo dos Direitos Humanos, que compreende as liberdades civis e políticas. Aqui, o pai do liberalismo, o inglês John Lock questiona com que autoridade um cristão (seja de qual ramo for) empreende guerra contra outro cristão ou pagão, o que vai contra a afirmação de valores como liberdade, propriedade e individualidade, típicas do liberalismo clássico. Penso que os próprios liberais deveriam ler mais Locke para entender que a visão intervencionista deles não é fundamentada em teóricos da sua própria corrente filosófico-política. Concordo com Locke quando ele diz que há de se ter respeito pela autonomia privada e direitos civis, quando ele diz que o Estado não deve promover uma religião específica e respeitar todas e por último quando ele diz que os padres e pastores só são autoridades dentro da sua Igreja, e não necessariamente sobre a sociedade. É uma lástima abrir o jornal e ver notícias de ataques contra centros religiosos, em um clara afronta ao individualismo e liberdade de crença/profissão de fé. Em uma visão mais radical, diria que no Brasil ainda não foram consagrados sequer os direitos de primeira geração, ao passo que alguns doutrinadores já apontam uma quarta ou quinta. Os direitos civis e políticos vem sendo ameaçados por todos os lados, o que não é saudável para nenhum lado da balança política que queira viver em uma democracia. O cuidado maior, penso, é justamente com os que declaradamente não querem viver na democracia.

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