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    Contos completos -

    Caio Fernando Abreu

    Companhia das Letras
    2018
    760 páginas
    1d 1h 20m
    ISBN-13: 9788535931280
    Português Brasileiro
    4.6
    170 avaliações
    Leram213Lendo197Querem860Relendo2Abandonos22Resenhas22
    Favoritos63Desejados860Avaliaram170

    Pela primeira vez, a reunião de todos os contos de um dos autores mais viscerais da contracultura brasileira. Publicados entre as décadas de 1970 e 1990, os contos de Caio Fernando Abreu são o retrato de uma geração. Os tempos autoritários e sombrios dos anos de chumbo aparecem nesta reunião não apenas como pano de fundo, mas como parte constituinte de uma prosa que se consagrou pelo estilo combativo e radical. Vida e obra, aqui, se misturam a ponto de biografia se transformar em literatura e vice-versa. Em Contos completos, o leitor tem a chance de percorrer toda a produção do autor no gênero da prosa breve. O volume abarca seis títulos — Inventário do ir-remediável (1970), O ovo apunhalado (1975), Pedras de Calcutá (1977), Morangos mofados (1982), Os dragões não conhecem o paraíso (1988) e Ovelhas negras (1995) —, além de dez contos avulsos, sendo três deles inéditos em livro. O livro inclui, por fim, textos de Italo Moriconi, Alexandre Vidal Porto e Heloisa Buarque de Hollanda, que jogam luz sobre a atualidade de Caio Fernando Abreu. Ao escrever sobre amor, morte, medo, sexualidade, solidão e alegria, o autor de Onde andará Dulce Veiga? constrói personagens complexos e absolutamente profundos em cada detalhe. Com verve e sensibilidade, o escritor da paixão, na alcunha de Lygia Fagundes Telles, soube como ninguém combinar delírio e lucidez, euforia e angústia, luz e sombra.

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    Resenhas (22)Ver mais
    João Guilherme Gurgel picture
    João Guilherme Gurgel06/08/2023Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Obrigado, Caio.

    “Nos poços PRIMEIRO VOCÊ CAI num poço. Mas não é ruim cair num poço assim de repente? No começo é. Mas você logo começa a curtir as pedras do poço. O limo do poço. A umidade do poço. A água do poço. A terra do poço. O cheiro do poço. O poço do poço. Mas não é ruim a gente ir entrando nos poços dos poços sem fim? A gente não sente medo? A gente sente um pouco de medo mas não dói. A gente não morre? A gente morre um pouco em cada poço. E não dói? Morrer não dói. Morrer é entrar noutra. E depois: no fundo do poço do poço do poço do poço você vai descobrir que.” Caio Fernando Abreu dispensa comentários: seu nome é tão repetido e reverenciado que chega a ser um choque saber que já partira deste mundo há mais de vinte anos. Mas creio na raríssima atemporalidade; existem certos escritores capazes de descrever situações tão universais e, simultaneamente, tão íntimas, que sua obra (poética; sim, mesmo sendo em prosa, seus textos são pura poesia) simplesmente não tem data de validade. Alguns contos retratam dilemas nas relações humanas (“Pela passagem de uma grande dor” ; “Linda, uma história horrível”), já outros relatam marcantes experiências sexuais (como não esquecer do clássico “Sargento Garcia”?). Houve aqueles em que gargalhei, e outros que foram capazes de genuinamente me emocionar. Caio Fernando Abreu participou de minha rotina: durante um bom tempo, antes de dormir, lia um conto do autor. E quando os contos se esgotaram, fui lendo e relendo, e cada vez mais me apaixonei por sua escrita. Um volume que merece ser lido calmamente, deliciando-se com cada minúcia da escrita. O volume é muito completo e vale o preço de venda. Recomendo.

    29 curtidas

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    Avaliações

    4.6 / 170
    • 5 estrelas65%
    • 4 estrelas26%
    • 3 estrelas7%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas1%
    Caio Fernando Loureiro de Abreu  profile picture

    Caio Fernando Loureiro de Abreu

    Caio Fernando Loureiro de Abreu nasceu no dia 12 de setembro de 1948, em Santiago, no Rio Grande do Sul. Jovem ainda mudou-se para Porto Alegre onde publicou seus primeiros contos. Cursou Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, depois Artes Dramáticas, mas abandonou ambos para dedicar-se ao trabalho jornalístico no Centro e Sul do país, em revistas como Pop, Nova, Veja e Manchete, foi editor de Leia Livros e colaborou nos jornais Correio do Povo, Zero Hora, O Estado de São Paulo e Folha de São Paulo. <br /><br />No ano de 1968 — em plena ditadura militar — foi perseguido pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), tendo se refugiado no sítio da escritora e amiga Hilda Hilst, na periferia de Campinas, São Paulo. <br /><br />Considerado um dos principais contistas do Brasil, sua ficção se desenvolveu acima dos convencionalismos de qualquer ordem, evidenciando uma temática própria, juntamente com uma linguagem fora dos padrões normais. <br /><br />Em 1973, querendo deixar tudo para trás, viajou para a Europa. Primeiro andou pela Espanha, transferiu-se para Estocolmo, depois Amsterdã, Londres — onde escreveu Ovelhas Negras — e Paris. Retornou a Porto Alegre em fins de 1974, sem parecer caber mais na rotina do Brasil dos militares: tinha os cabelos pintados de vermelho, usava brincos imensos nas duas orelhas e se vestia com batas de veludo cobertas de pequenos espelhos. Assim andava calmamente pela Rua da Praia, centro nervoso da capital gaúcha. <br /><br />Em 1983 transferiu-se para o Rio de Janeiro e em 1985 passou a residir novamente em São Paulo. Volta à França em 1994, a convite da Casa dos Escritores Estrangeiros. Lá escreveu Bien Loin de Marienbad. <br /><br />Ao saber-se portador do vírus da AIDS, em setembro de 1994, Caio Fernando Abreu retorna a Porto Alegre, onde volta a viver com seus pais. Põe-se a cuidar de roseiras, encontrando um sentido mais delicado para a vida. Foi internado no Hospital Menino Deus, onde posteriormente veio à falecer.

    51 Livros
    1.849 Seguidores
    Rio Grande do Sul, Brasil

    Caio Fernando Loureiro de Abreu