Entrar
    Book cover
    Compartilhar
    Editar
    • Sinopse
    • Edições3
    • Vídeos0
    • Grupos0
    • Resenhas18
    • Leitores1007
    • Similares5
    Skoob logo

    Saiba mais

    Quem somosTermos de usoFale conoscoCentral de ajudaPrivacidade

    Fique por dentro

    Livros em destaque

    Explore

    LivrosAutoresEditorasLeitoresCortesias

    Siga nas redes sociais

    Baixe o app

    Google PlayApp Store

    Santuário -

    William Faulkner

    Abril
    1982
    257 páginas
    8h 34m
    ISBN-14: 00000000000000
    Português Brasileiro
    3.9
    253 avaliações
    Leram437Lendo20Querem534Relendo1Abandonos15Resenhas18
    Favoritos20Desejados534Avaliaram253

    O mais conhecido de Faulkner, que o notabilizou, sobre ele escreveu o romancista, crítico literário e membro da Academia Francesa, André Malraux, ao apresentar a obra aos franceses, em 1933, no seu prefácio: "Há um destino único, que se levanta por trás de todos esses seres diferentes e assemelhados, como a morte atrás de uma enfermaria de incuráveis. Disse também, que "Sanctuary" representa 'a inserção da novela policial na tragédia grega'. Diz ainda, Malraux: 'O essencial não é que o artista seja dominado, mas que, passados cinqüenta anos, ele escolha cada vez mais aquilo que o domina em função de sua arte. Alguns grandes romances foram, antes de mais nada, para seus autores, a criação da única coisa que os pôde ocultar. E da mesma forma que Lawrence se volta para a sexualidade, Faulkner se refugia no irremediável." Também o escritor sul-americano Mario Vargas Lhosa, que hoje se encontra entre os nomes mais importantes da Literatura Universal, deu o seu depoimento sobre o célebre romance de Faulkner, Sanctuary, no seu livro de ensaios "A verdade das Mentiras", publicado pela editora ARX no Brasil, em 2ª edição, no ano de 2002: Na verdade, "Sanctuary" é uma das obras-primas que escreveu e que merece figurar, depois de "Luz de Agosto" e de "Absalom!, Absalom!", entre os maiores romances da saga Yorknapatawpha. A verdade é que por seu tremendismo (movimento artístico espanhol, formado no século XX) horripilante, pela crueldade e pela pusilanimidade potencializadas que expõe num nível de vertigem e pelo sombrio pessimismo que o reveste, o livro é irresistível. Precisamente: somente um gênio poderia ter contado uma história com semelhantes episódios e personagens, de um maneira que terminasse, não somente aceitável, mas, inclusive, feiticeira para o leitor. À extraordinária maestria com que está contada, esta história feroz, até o absurdo, deve sua auréola de ser uma inquietante parábola sobre a natureza do mal e sobre essas ressonâncias simbólicas e metafísicas que tanto excitaram a fantasia dos críticos.

    Edições (3)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover

    Similares (5)

    Ver mais
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    • book cover
    Resenhas (18)Ver mais
    Flávia picture
    Flávia01/07/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O INFERNO NÃO REDIMIDO: FAULKNER E A QUEDA DA HUMANIDADE.

    ⚠️ Esta resenha contém informações que podem ser consideradas spoilers ⚠️ Publicado em 1931, “Santuário” é um dos romances mais impactantes e controversos do norte-americano William Faulkner, ganhador do Nobel e um dos grandes nomes da literatura do século XX. Escrito num momento de crise pessoal e financeira, Faulkner admitiu mais tarde que o livro foi concebido com intenção comercial para chocar e vender. E de fato, vendeu. Mas ultrapassou qualquer cálculo de mercado: o que surgiu foi uma obra densa, sombria e radical, que revela o que há de mais perverso numa sociedade sustentada por desigualdades, conformismo e brutalidade. Se à primeira vista “Santuário” parece apenas uma narrativa de crime e degradação (como a maioria das resenhas aqui no Skoob apontam), à medida que nos aprofundamos, o que vemos é um romance sobre falência moral. Faulkner faz aqui uma crítica direta ao sistema judicial, ao ideal da família sulista, à falsa superioridade da elite branca e ao modo como o poder masculino é exercido (e naturalizado) por meio da violência. Seu alvo é um Sul norte-americano decadente, hipócrita, em que honra, justiça e civilidade não passam de verniz. O santuário, no fundo, é irônico: não há nada de sagrado aqui. Só ruína! Mas de fato “Santuário” não é mesmo um livro fácil. Pelo contrário! É um mergulho profundo num universo perturbador, e, aqui, eu alerto: lê-lo é desconfortável (e precisa ser!). Porque Faulkner não escreve para suavizar, mas para desnudar o horror social e humano que preferimos ignorar. Ao tirar o leitor da zona de conforto, ele nos obriga a confrontarmos uma cultura da violência, de mecanismos de opressão e dos abismos afetivos que sustentam o mundo em que vivemos. É literatura feita para ferir, para marcar e, com isso, provocar reflexões e questionamentos. No centro da trama está a violência, e especialmente a violência masculina. Mas o que Faulkner faz não é criar monstros, e sim revelar o colapso da masculinidade tradicional. Os homens do romance não são heróis. São fracos, covardes, impotentes e cruéis. A imagem idealizada do cavalheiro sulista é desmontada por figuras como Goodwin (violento), Gowan (omisso), Popeye (impotente e manipulador) e até Horace Benbow (bem-intencionado, mas ineficaz). Nenhum deles protege, acolhe ou repara. Todos, de algum modo, falham e essa falha não é exceção, mas a regra. As mulheres, por sua vez, aparecem em posições diferentes conforme seu lugar social. Temple, jovem burguesa, ao ser retirada de seu espaço protegido, não encontra acolhimento nem mesmo entre outras mulheres. Inserida num ambiente onde o abuso é normalizado, passa a ser tratada como igual, e não como vítima. Isso revela algo perverso: quando o trauma é regra, ele deixa de chocar. Figuras como Ruby e Miss Reba, que representam aqui as mulheres pobres, exploradas, não enxergam a dor de Temple como exceção, mas como parte do cotidiano. Faulkner denuncia assim não só o abuso em si, mas a normalização da violência, especialmente a sexual e contra as mulheres. E mais: ele expõe como a proteção burguesa é uma ilusão, onde a inocência feminina era tida como um privilégio de classe. Existe um momento quando Temple diz “não posso mais usar essas roupas”, e aqui se expressa a perda da sua identidade e a contaminação irreversível da sua subjetividade. Miss Reba, ao tratá-la como sortuda por ter sido "escolhida" por um homem "rico", revela uma sociedade que romantiza o criminoso bem-sucedido, enquanto esse privilégio que atribuem a ela é só o disfarce elegante de sua objetificação. Outro ponto central neste romance é a crítica ao sistema de justiça. Faulkner não faz panfleto: ele encena dilemas morais profundos. Temple é a mulher que ganha voz, mas a custa de um trauma, traz uma narrativa distorcida pelo sofrimento, e o tribunal ignora isso. A justiça, sedenta por resolver, prefere punir rápido,  e um homem é condenado não só pelo que fez, mas pelo que representa. E isso nos coloca diante de perguntas inquietantes: é justo punir alguém por um crime que não cometeu, ainda que seja culpado de outros? E se ele era co-participante... até que ponto isso justifica atribuir a ele a pena total pelo crime? É neste momento em que a ética entra em colapso. Afinal, onde a verdade é frágil, a vingança veste a roupa da justiça. A grandeza de Faulkner nesta obra está em não oferecer respostas fáceis. Ele não inocenta o culpado, mas tampouco santifica a multidão, e mostra que a justiça feita pelas próprias mãos pode ser brutal, mas desmacara o quanto o sistema institucional também falha. E se o culpado morre, e os outros envolvidos seguem impunes... o que isso diz sobre a verdadeira justiça? E para tornar esse livro ainda mais grandioso, ao final, Faulkner dá uma guinada desconcertante, narrando a história trágica de um homem e sua origem marcada pelo abandono, rejeição e falta de amor. Sem desculpar seus crimes, Faulkner sugere uma pergunta incômoda: e se a violência não nasce apenas da maldade, mas do desamparo? E se o ódio é filho da ausência? Um criminoso, com a sua virilidade esvaziada, cruel, incapaz de amar ou ser amado, encarna a violência que nasce da carência absoluta. Seu destino final, sem glória, sem redenção, nos força a pensar: quem forma um monstro? E Temple? A Temple que volta para casa não é a mesma jovem cheia de ilusões que de lá saiu. Está viva, mas como um corpo vazio. A cena final, ao lado do pai, é pura devastação simbólica. Rodeada por música, elegância, harmonia, ela está longe, ausente, e completamente morta por dentro. A maior tragédia de “Santuário” talvez esteja aí: a morte simbólica de uma mulher jovem. Ela sobrevive, sim, mas carrega em si todas as mortes anteriores de cada um dos personagens dessa trama. É o nada que engole o que restou depois que tudo foi violado. Faulkner não entrega um final de conto de fadas, e “Santuário” está longe de oferecer qualquer conforto. Ao invés disso, ele desmonta ilusões, expõe a brutalidade que estrutura as relações humanas para revelar as contradições profundas do Sul que tanto conhecia. Não há heróis aqui, só o mal-estar inevitável de quem ousa olhar por trás da máscara da civilização. Obs.: Este ano, ao ler “O Filho Nativo”, de Richard Wright, fiquei incomodada com a forma com que ele apresenta a violência do personagem como consequência direta e única do seu passado cruel. Já em “Santuário”, Faulkner aborda esse mesmo passado difícil, mas, em vez de impor respostas, ele desafia o leitor a pensar por si mesmo, e essa liberdade que tece toda a genialidade da obra.

    156 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.9 / 253
    • 5 estrelas32%
    • 4 estrelas36%
    • 3 estrelas21%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas4%
    William Faulkner profile picture

    William Faulkner

    Sem diploma do secundário (ensino médio), o prêmio Nobel de Literatura em 1949, e prêmio Pullitzer em 1955 e 1963 (póstumo), William Falkner viveu em sua pequena cidade no Estado mais pobre dos Estados Unidos, o Mississipi. Só viajava para Hollywood para arranjar trabalho como roteirista. Indo e vindo, entre 1932 e 1955, trabalhou para os estúdios Metro, Fox e Warner. Como escreveu o crítico brasileiro Sérgio Augusto: "Só aderiu ao cinema porque precisava de dinheiro. Tinha 35 anos e acabara de escrever 'Luz em Agosto'. A venda de seus livros mal dava para pagar a conta da luz. Seus primeiros quatro livros não venderam mais de 2 mil exemplares cada. Seu primeiro (e único) best seller, 'The Wild Palms', é de 1939". Por volta de 1958, a Fox tentou trazê-lo de volta. Na época, Faulkner, que já não estava mais tão necessitado de dinheiro, recusou o convite. Após publicar "O Fauno de Mármore" (1924, poemas), Faulkner foi a Nova Orleans para conhecer o círculo literário em torno da revista literária "The Double Dealer", que publicava Hart Crane, Ernest Hemingway, Robert Penn Warren e Edmund Wilson. Além dos contos para a revista, Faulkner fez seu primeiro romance "Paga de Soldado". Tímido, ele preferia a companhia de seus amigos caçadores e dos vizinhos de seu sítio a outros escritores e intelectuais. Seus primeiros livros traziam características da literatura do fim do século 19. "O Povoado", o primeiro romance da "Trilogia Snopes", é um retrato irônico das grandes depressões que antecederam a Guerra Civil norte-americana. Em "Os Invictos", publicado no ano de sua morte, o escritor constrói um conflito de éticas e mentalidades entre o velho Sul e a nova realidade americana após a Guerra Civil. Faulkner entrou numa nova fase, quando encontrou seu estilo nas obras "O Som e a Fúria", "Enquanto agonizo", "Santuário", "Luz de agosto", "Dr. Martino e Outros Contos", "Pilão", "Absalão! Absalão!" e "Palmeiras Selvagens". A violência destes livros está em primeiro plano e, às vezes, os personagens têm uma meia vitória aqui e ali. Em "Enquanto agonizo", Faulkner costura dezenas de monólogos de 15 pessoas para mostrar o perfil psicológico de uma família que conduz o corpo da matriarca ao cemitério. A partir de "O lugarejo", o destino dos personagens de Faulkner não é mais tão trágico. Ao menos surge alguma esperança para a condição humana como uma promessa de liberação. Em "Desça Moisés", sobre a luta do personagem Ike McCaslin contra a devastação da mata, Faulkner denuncia injustiças. Além de viagens necessárias à sua carreira, Faulkner continuou enfurnado no Mississipi até se tornar escritor residente da Universidade de Virgínia. O contato com os estudantes está registrado no livro "Faulkner na Universidade".

    147 Livros
    349 Seguidores

    William Faulkner