Esfinge -

    Coelho Neto

    Legatus
    2020
    226 páginas
    7h 32m
    ISBN-13: 9781838047351
    Português Brasileiro

    Esfinge conta a história do cotidiano da pensão de Miss Barkley, no Rio de Janeiro do início do século XX, que é habitada por pessoas das mais diferentes ocupações. A rotina da casa de pensão é alterada com a chegada de James Marian, um hóspede inglês excêntrico e recluso. Sua presença causa espanto e admiração em todos devido à sua aura de mistério e a uma peculiaridade física: ostenta um rosto de beleza feminina mas tem um esbelto e forte corpo masculino. O narrador da história, em determinado momento, conquista a confiança do inglês, que confia-lhe então um manuscrito de sua autoria contendo o relato de sua vida, narrando desde a infância até o presente momento. Mergulhado em uma narrativa fantástica, cheia de misticismo, encanto, terror e tragédia, o protagonista desvendará o segredo por trás da aparência ambígua de James Marian, e partilhará do desespero de um homem em busca da solução do mistério que atormenta sua própria alma.

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    Daniel Braga09/06/2021Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Esfinge, de Coelho Neto

    Um livro que me deixou curioso Desde o lançamento de Esfinge, de Coelho Neto, pela Editora Legatus, minha curiosidade estava a mil. O autor carrega em sua história a glória e o esquecimento. Escolhido como bode expiatório dos Modernistas, acabou jogado no ostracismo da história. Infelizmente morreu sem merecer tal final. Nota importante para o projeto gráfico do livro, belíssimo por sinal. Uma obra que dá prazer em abrir e que te remete à uma outra época. Certamente uma cápsula do tempo toda bem ornamentada. Prefácio do Editor Giancarlo D’Anello assina um belíssimo prefácio como editor da obra. Ali ele aponta fatos sobre a importância da leitura de Coelho Neto, além de pontos de destaque sobre sua história. Excelente texto que já apresenta bem o autor maranhense. Prefácio de Alexander Meireles da Silva Os prefácios de Alexander Meireles da Silva certamente já são um dos paratextos que mais procuro atualmente nos livros que leio. Ele aqui vai além, trazendo uma fotografia esmiuçada da obra, que foi seu objeto de doutorado. Um texto inegavelmente cirúrgico que ajudará demais o leitor a entender a mente de Coelho Neto. Decifra-me ou te devoro A obra de Coelho Neto realmente bebe na fonte de Frankenstein. Apesar disso ela consegue utilizar com maestria essa influência e ainda assim imprimir sua própria digital. O autor entretanto diverge neste ponto de Mary Shelley de maneira poética e especialmente trágica. Ele opta por mostrar, através da oposição, um efeito tão similar quanto o de Frankenstein em torno de sua natureza peculiar. Enquanto na obra de Shelley temos o abandono, em Esfinge já percebemos o acolhimento. Seu tutor, Arhat, é um exímio médico e arcanista (Magna Ciência). Estes conhecimentos o permitem materializar sua criação. Além de Arhat ensinar James Marian, ele lhe destina toda sua fortuna, um fator importante de aceitação social que o leitor perceberá pela leitura. James Marian ainda assim é cercado pela melancolia extrema de sua existência única, buscando da mesma forma entender quem é realmente. O fato dele ser um transexual é uma característica fundamental junto a toda reflexão que a obra aborda. O narrador sem nome torna-se um confidente de James Marian e descobre nele poderes muito além do entendimento humano. Isto o leva certamente ao limite e por pouco não se torna outra vítima da verdade fantástica daquele ser. Considerações finais Em suma, uma obra que precisa ser lida por todos os amantes do gótico e do horror. Rica em personagens e tipos nacionais, espelha uma época brasileira que vale ser lembrada. Ademais, uma história que afirma sua presença na literatura fantástica com maestria. O posfácio de M. Elizabeth Ginway é outro texto importante, pois desnuda partes da obra que precisam de reflexão e atenção. Indico demais a leitura. Reli Frankenstein há pouco tempo e a leitura de Esfinge, de Coelho Neto, em seguida foi, sem dúvida surpreendente. Espero que seja dessa forma para você também. Resenha publicada no blog Canto do Gárgula

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