Trois contes - Un coeur simple - La légende de Saint Julien l'Hospitalier - Hérodias

    Gustave Flaubert

    Folio Gallimard
    2003
    185 páginas
    6h 10m
    ISBN-13: 9782070364244

    "Je me souviens d'avoir eu des battements de cœur, d'avoir ressenti un plaisir violent en contemplant un mur de l'Acropole, un mur tout nu (celui qui est à gauche quand on monte aux Propylées). Eh bien ! je me demande si un livre, indépendamment de ce qu'il dit, ne peut pas produire le même effet. Dans la précision des assemblages, la rareté des éléments, le poli de la surface, l'harmonie de l'ensemble, n'y a-t-il pas une vertu intrinsèque, une espèce de force divine, quelque chose d'éternel comme une principe ?" Ce principe, évoqué par Flaubert à l'adresse de son amie George Sand, c'est celui des Trois contes qu'il publie en 1877, trois ans avant sa mort, et qui sont comme le testament littéraire où s'affirme son ultime conception de l'écriture. Récits éblouissants, limpides, et cependant énigmatiques. Un cœur simple, La Légende de saint Julien l'Hospitalier et Hérodias nous conduisent de l'Occident moderne à l'Orient des débuts de notre ère : entre mots et images, ils nous parlent du quotidien et du sacré, et de notre inexorable besoin d'éternité.

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    Guilherme M15/04/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Dois contos e um terceiro

    Última obra completa do autor de “Madame Bovary”, “Três contos” foi publicado em 1877, a três anos da morte do escritor. A prosa de Flaubert é fluida, agradável e extremamente elegante. O primeiro conto (“Num coração simples”) elege como protagonista uma empregada doméstica devota e analfabeta. Como aponta o tradutor Samuel Titan Jr. na apresentação do livro, a força desse retrato singular é tratar “com honras de personagem principal uma figura que, o mais das vezes, seria mais uma na multidão de personagens secundárias que povoam um romance” (p. 9/11). O segundo conto (“A legenda de São Julião Hospitaleiro”) reinventa a história bíblica de um santo com maestria tal que a narrativa ganha vida própria, sem dependência de pesquisa prévia pelo leitor. Isso não ocorre com o terceiro conto, “Herodíade”. Nele, Flaubert narra outro episódio bíblico – a morte de São João Batista – de uma perspectiva também particular, mas inteiramente subordinada ao prévio conhecimento do leitor. Por óbvio, isso não compromete o valor artístico da obra, mas limita o alcance da leitura de cada um. Eu, que pouco conheço da Bíblia, não consegui sustentar o interesse no decorrer desse conto. Naturalmente, o autor sabia que isso poderia acontecer. Em carta ao escritor Guy de Maupassant, revelou: “enfim, começarei minha ‘Herodíade’. Terminei minhas anotações e agora estou desemaranhando meu plano. O difícil aqui é dispensar, na medida do possível, as explicações indispensáveis” (p. 142). Particularmente, acredito que Flaubert não apenas sabia que o conto ficaria insuportável se contivesse todas as explicações bíblicas possíveis, como aceitava que essa não seria uma leitura acessível ou interessante a todos. Ainda assim, os dois primeiros contos são extraordinários e só por si valem a leitura.

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