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    O Túnel (Coleção Folha Literatura Ibero-Americana #5) -

    Ernesto Sabato

    Folha de S.Paulo
    2012
    151 páginas
    5h 2m
    ISBN-13: 9788579490514
    Português Brasileiro
    4
    711 avaliações
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    Favoritos22Desejados935Avaliaram711

    Lançado em 1948, este livro extraordinário foi escrito, segundo seu autor, "a partir de uma subjetividade total". Em 1953, no livro Heterodoxia, Sábato comentou sua obra: "Enquanto eu escrevia esse romance [...], muitas vezes me detinha, perplexo, para avaliar o que estava saindo, tão diferente do que havia previsto. E, sobretudo, me intrigava a importância crescente que iam assumindo o ciúme e o problema da posse física. Minha ideia inicial era escrever um conto, o relato de um pintor que enlouquecia ao não conseguir comunicar-se [...] nem mesmo com a mulher que parecia tê-lo entendido por intermédio de sua pintura". Ao final, "o desespero metafísico se transforma em ciúme, e a história que parecia destinada a ilustrar um problema metafísico se transforma em romance de paixão e crime".

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    Renata Cereser Sogi picture
    Renata Cereser Sogi14/07/2016Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O amor, na cabeça de um insano, pode ser o sentimento mais errado do mundo.

    . “O ciúme satisfez-se, mas o vingado estava louco”. (Machado de Assis) O TÚNEL é uma leitura que eu diria ser, no mínimo, desconcertante. Afinal, não é todo dia que a gente encontra um narrador que, logo na primeira página, está disposto a contar como matou uma mulher casada por quem estava perdidamente apaixonado. É assim que começa O TÚNEL, de Ernesto Sabato, já nos prendendo a atenção nas primeiras linhas. O protagonista narrador, Juan Pablo Castel, é um artista plástico na casa dos 40 anos, terrivelmente tímido e desesperado devido ao isolamento, que encontrou em María Iribarne a idealização obsessiva de ultrapassar a solidão. A narrativa de Juan é caracterizada por um estado constante de desorientação perante um mundo, para ele, sem lógica. Ele parece sempre envolto em uma nuvem de prostração, com bloqueio para exteriorizar seus sentimentos. Mais do que uma confissão, o livro é uma espécie de desabafo, mas pela forma como organiza os fatos e relata os sentimentos, Castel não está se justificando ou buscando a simpatia do leitor: só precisa contar o que ocorreu. Ele assume que assassinou a única pessoa que o compreendeu, que poderia ouvi-lo, mas embora sua narrativa seja permeada de sentimentos, nem por isso vê-se em desespero pelo seu ato. Juan Pablo conheceu María em uma de suas exposições. Conta-nos que Maria foi a única pessoa a notar uma minúscula cena em um de seus quadros: uma mulher em uma janela. Fica obcecado por ela, passa a persegui-la, declara seu amor. Seu ciúme é doentio, o amor o deixa angustiado, pois a mente desajustada de Castel transforma María na luz de sua vida para depois rapidamente rebaixá-la a um ser responsável por toda a sua dor. Por sua incapacidade de criar conexões com outras pessoas, isolado em seu próprio mundo, seus pensamentos tornaram-se seu maior inimigo, que acaba levando-o ao extremo da loucura. Como jamais poderia imaginar ser tomado por tamanho ciúme, ódio e angústia, a única ação que lhe pareceu objetiva foi dar fim a vida daquela que julgava ser a raiz de todo o seu infortúnio. Gostei do livro e do estilo de Sabato. Na minha opinião, ele criou um dos romances psicológicos mais bem construídos e impactantes da história da literatura. O TÚNEL tem uma notável construção de personagens, é verdadeiro mergulho nas profundezas da alma humana, fazendo com que os leitores atestem seus próprios medos e fantasmas. Sabato tem um estilo furioso e angustiante, mas vale cada página. “(…) havia um só túnel, escuro e solitário: o meu, o túnel em que transcorrera minha infância, minha juventude, toda a minha vida. E num desses trechos transparentes do muro de pedra eu tinha visto essa moça e tinha pensado ingenuamente que ela vinha por outro túnel paralelo ao meu, quando na realidade pertencia ao vasto mundo, ao mundo sem limites dos que não vivem em túneis; e talvez tenha se aproximado por curiosidade de uma de minhas estranhas janelas e entrevira o espetáculo de minha inescapável solidão, ou tenha ficado intrigada com a linguagem muda, a chave de meu quadro.” O livro termina com uma frase (ou oração?) de Castel, que diz “Senhor, livra-me de mim”. “Deus existe, mas às vezes dorme, seus pesadelos são nossa existência”. (Ernesto Sabato)

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