Adam Bede -

    George Eliot

    Oxford University Press
    2008
    544 páginas
    18h 8m
    ISBN-13: 9780199203475

    George Eliot's first full-length novel, Adam Bede paints a powerful portrait of rural life, seduction, faith, and redemption. First published in 1859, this innovative novel carried its readers back sixty years to a time of impending change for England and the wider world. Eliot's penetrating portrayal of the interaction of ordinary people brought a new social realism to the novel, in which humor and tragedy co-exist, and fellow-feeling is the mainstay of human relationships. This is the first edition based on Eliot's final revision of the novel in 1861, using the definitive Clarendon text. It includes Eliot's journal entry on the real-life origins of the story and broadsheet accounts of Mary Voce, whose execution provided the germ of the novel. Carol Martin's superb Introduction sheds light on the novel's historical context and some of the main issues it explores: the role of work, class, and relations between the sexes, and Eliot's belief that the artist's duty is "the faithful representing of commonplace things." The book includes comprehensive notes that identify literary and historical allusions.

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    jota 1106/11/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    MUITO BOM: um tanto longo, primeiro romance de Eliot já traz as qualidades que iriam consagrá-la definitivamente em Middlemarch, sua obra-prima

    Lido entre 26 de setembro e 04 de novembro de 2022. Com Adam Bede (1859) minha lista de obras lidas de George Eliot, ou Mary Ann Evans (1819-1880), cresceu um pouco mais, foi para quatro. Primeiro li o excelente, monumental (882 páginas) Middlemarch (1871), depois o ótimo Silas Marner, o Tecelão de Raveloe (1861) e em seguida o apreciável O Moinho à Beira do Rio Floss (1860). Em Portugal a primeira obra de Eliot recebeu o título de O Carpinteiro do Vale dos Fenos, que era mesmo a profissão de Adam. Desconheço se houve alguma tradução brasileira desse livro alguma vez. A história do hábil e trabalhador moveleiro se desenvolve entre 1799 e 1807 num fictício vilarejo rural inglês, Hayslope, e envolve personagens de comportamento bastante diverso. Adam Bede ama Hetty Sorrel, bela e vaidosa jovem que vive na fazenda arrendada pelos tios; ela ama o simpático Arthur Donnithorne, filho do dono de terras e futuro herdeiro delas; o quadro é ainda acrescido por Dinah Morris, jovem pregadora metodista, coisa pouco comum para mulheres naquela época. Por sua vez, Dinah desperta a paixão do abnegado Seth Bede, convertido ao metodismo, mas diz-lhe que não pretende abandonar suas prédicas religiosas para casar-se um dia, o que deixa o irmão de Adam bastante frustrado. Como eu ignorava o que era o metodismo, consultei a Wikipédia e transcrevo aqui o que encontrei: “Metodismo foi um movimento de avivamento espiritual cristão ocorrido na Inglaterra do século XVIII que deu origem à Igreja Metodista em 1739 e enfatizou a relação íntima do indivíduo com Deus, iniciando-se com uma conversão pessoal e seguindo uma vida de ética e moral cristã.” Dinah pregava então nos vilarejos próximos e seus tios eram os mesmo tios de Hetty; o comportamento das duas moças, tão distinto numa e noutra, gerava enorme contraste. Assim como depois veremos o imprudente egoísmo de Arthur contrastar fortemente com a seriedade de princípios de Adam. Conforme a narrativa vai crescendo dramaticamente então os personagens vão mudando psicologicamente, mostrando outras facetas que desconhecíamos, mas não apenas isso. Pois Eliot se preocupava também com a caracterização do ambiente social na mudança do século XVIII para o XIX, destacava o papel da mulher, da religião, das relações entre as classes sociais, meios de produção, vida familiar cotidiana etc. Quer dizer, o pano de fundo histórico e social é quase tão importante quanto as relações amorosas que se dão entre os personagens centrais. Por sua literatura adulta George Eliot mereceu mais tarde a admiração de outra importante escritora inglesa, Virginia Woolf. Até certo ponto Adam Bede parece ser uma história essencialmente romântica, de encontros e desencontros amorosos – e é grande parte do tempo isso mesmo, ainda que envolva sedução e traição –, mas depois se torna quase uma narrativa policial ou uma história bastante dramática. E tudo isso porque a bela e sensual Hetty se deixa levar cada vez mais pelos encantos do aristocrata Arthur, que a considera apenas um flerte. Hetty sonha que o jovem nobre irá desposá-la um dia e então se tornaria uma dama. Ela deixaria a casa dos tios e o trabalho de produzir manteiga, sua especialidade, teria uma vida rica, divertida, confortável. Cede seu corpo ao rapaz, que logo depois parte de Hayslope pois será escudeiro do reino, sem saber que Hetty estará grávida em breve. Conhecendo apenas parte da verdade do romance entre Arthur e Hetty, Adam quer a moça assim mesmo para casar-se com ela. Mas pouco antes da realização do matrimônio Hetty foge do vilarejo em busca do amado Arthur. Tem muita dificuldade em seus deslocamentos, falta-lhe dinheiro para o transporte, alojamento e alimentação, não consegue encontrar o rapaz, então por vezes pensa em se matar. O bebê nasce no meio do caminho e esse fato vai complicar muito mais as coisas para ela. Porém contar além disso seria entregar um tanto do suspense que envolve boa parte do livro e faz crescer o interesse do leitor pelo final da história. Que alguns capítulos antes traz de volta à cena a pregadora Dinah Morris: com sua bondade e espiritualidade ela procura confortar Hetty Sorrel em seus piores momentos. Então ficamos à espera do desfecho: o que acontecerá com a bela inconsequente, presa e julgada por um tribunal e o sofrido e ainda apaixonado por ela Adam Bede? É ler para saber.

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