- O romance organiza-se como um poema dramático construído por meio de uma colagem fragmentária e de transposições de imagens e símbolos, sempre em linguagem delicada, elegante, rica e sensual. -
É assim que o posfácio da obra descreve o romance de Tayeb Salih. Eu não poderia ter escolhido melhores palavras.
A história é de uma intensidade tão latente que as vezes se torna difícil de entender. Ela é um tanto quanto caótica: o leitor as vezes se perde a respeito de quem está narrando a cena.
O autor brinca com o leitor: uma hora é o narrador (personagem “sem nome”), noutras o próprio Mustafa Said, e outras tantas vezes é o Mustafa quem fala pela boca do narrador sem nome…
A violência presente no livro é contada de forma poética e com um toque sensual, o que foi bastante inusitado.
Um ponto interessante é a desconstrução do “colonizado perfeito” que saiu do Sudão e foi para Londres subjugar (de alguma forma) o povo que explorou seu país. Nesse caso, Said subjugava o coração de diversas mulheres… e com uma delas ele encontrou sua queda.
Com um final agonizante ficamos apenas com a expectativa de que o narrador “sem nome” tenha tido um destino diferente de Mustafa Said: “Socorro! Socorro!”
A resposta pra isso fica com a imaginação de cada leitor.