Frankenstein

Frankenstein Mary Shelley




Resenhas - Frankenstein


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Mateus 30/09/2010

Frankenstein sempre foi para mim sinônimo de terror e monstruosidade. Quando alguém dizia o nome, ligava a um monstro aterrorizante e sanguinário, com o corpo grotesco e deformado. Tal foi minha surpresa ao ler o livro quando descobri que na verdade o monstro não se chamava Frankenstein e nem era aterrorizante como eu imaginava.

Sinceramente, Frankenstein está mais para drama do que para terror. Entrei no mundo de Mary Shelley achando que estava entrando em um mundo assustador e bizarro, mas acabei entrando mesmo num universo triste, melancólica e de proporções graves. Foi uma decepção? Em certos aspectos sim. Mas mesmo não sendo o grande terror que eu imaginava, se mostrou um livro dramático excelente e que nos faz pensar na vida.

O Dr. Frankenstein tentou aquilo que muita gente sonha: vencer a morte. Mas tudo o que conseguiu foi criar um monstro horrível, que amedronta todos aqueles que passam por perto. E o monstro é malvado, como sua aparência leva a crer? Absolutamente não. Tem o coração mole, é bondoso e está pronto a ajudar os outros. Mas o mundo acaba tornando-o abominável, por ser excluído de tudo. Quem não se tornaria assim em tal situação?

O monstro, que a primeira vista deveria me amedrontar, acabou me conquistando. Comecei o livro achando-o bizarro, e terminei achando-o a criatura mais sofrida e solitária do planeta. Tudo o que fez ou deixou de fazer foi pelo fato de ter sido abandonado e desamparado por seu criador. Seu criador o abandonou, deixou-o a mercê do mundo, para que todos fizessem o que queriam com ele. Quando ele percebe em que situação está é que começam seus assassinatos e mortes. Todo sangue derramado não foi nada mais nada menos do que a consequência de tudo o que o mesquinho Dr. Frankenstein fez.

Se analisarmos bem, veremos que o monstro é uma metáfora para todos os excluídos da sociedade, todos aqueles que as pessoas tentam se distanciar e que acham horríveis. Mesmo essas pessoas denominadas horríveis possuem sentimentos, e não tem o coração de pedra. Enfim, é um ótimo livro, com uma história excelente e um dos melhores personagens da literatura. Mas não caiam na bobagem de achar que o livro é de terror como eu pensei. Talvez esse pensamento seja fatal para a leitura.
Frannie Black 24/11/2010minha estante
Tenho curiosidade em ler este livro...


Mika 25/03/2012minha estante
Acho que quem era o malvado de verdade foi o Dr. Frankenstein que acabou criando um monstro.


Isabela 03/04/2012minha estante
Ótima resenha! Resumiu tudo que pensei enquanto li o livro. Acho que entendo Victor Frankenstein, ele errou quando criou e abandonou o monstro, mas o monstro só foi procurá-lo depois estragar sua vida!


Mika 15/06/2012minha estante
Depois que li sua resenha resolvi ler esse livro e... achei bizarro também, e chato, tanto que abandonei ele. Não consegui continuar por que tinha Livros melhores para ler. Mas o tanto que li pude perceber e concordar com tudo que você falou aqui nessa resenha.


Lohan 25/08/2012minha estante
Um dos melhores livros que já li, concordo plenamente com você. Um dos poucos livros que li e senti uma tristeza e um abandono tão grandes como a que os personagens sentem. No fundo, no fundo acho que o Dr. Frankenstein não foi mal, só não sabia o que fazia e tomou atitudes desesperadas. O livro mostra a nossa essência, e brincando com o nome de outro livro, somos como o médico e o monstro.


Londongui 29/12/2012minha estante
Tanto que o nome do livro deveria ser "O monstro de Frankenstein" acho que algumas edições trazem o titulo assim. Talvez seja culpa dos filmes a atribuição de nome de Frankenstein a criatura. Tanto que ela não tem esse nome e é tratada em todo o livro como criatura ou monstro.


Karenms 25/01/2013minha estante
Acredito que não há como comparar uma história de terror dos dias de hoje com uma daquela época. Tem que se levar em conta a cultura da época e o estilo (Romântico); nos parece um drama mas a história é de terror. E para mim o "monstro Frankenstein" sempre foi meio infantil, mas ao ler o livro percebi o quanto as adaptações que nos são impostas durante a vida são errôneas e mal feitas. O livro é simplesmente magnífico.


Rossana 05/07/2013minha estante
Ótima resenha! Até me arrependi de ter abandonado o livro. Fui até a metade, não insisti pois achei a história muito triste e parada. Mas a simbologia apresentada pelo livro realmente é de se admirar.


Giu 23/06/2014minha estante
Acabei de terminar a leitura e pra mim, é um dos melhores livros que já li. A curiosa história do Dr. Frankenstein mostra que a ambição em excesso desgraça vidas. E a criatura não é o centro da narrativa, é sim Victor na sua cruel insanidade e ações desmedidas, ele é o vilão de toda a a trama.


Vitor Hugo 28/08/2015minha estante
Exatamente como pensei, Mateus.


kitsune 20/02/2016minha estante
bom, era terror na época em q foi escrito...e por mais incrível q possa parecer pra alguns gostei muito mais de frankenstein q de drácula de bram stoker(li os 2 seguidos). esse livro é maravilhoso. e, sim, frankenstein é o verdadeiro monstro e não a criatura.




Nat Heussinger 31/01/2011

"Devo respeitar o homem, quando ele me despreza? Se ele fosse bondoso comigo, eu, em vez de maltratá-lo, o cobriria de benefícios, com lágrimas de gratidão por me haver recebido. Mas isso é impossível; os sentidos humanos constituem barreiras intransponíveis para a nossa união."

Acho incrível a maturidade da escritora ao escrever esse livro. Com somente 19 anos e em 1818, Mary Shelley criticou a atitude do homem, seu egoísmo e incrível dificuldade para aceitar o diferente,novo. Algo que não era, digamos, comum naquela época. É um ótimo livro, principalmente seu final. Recomendo a todos,rs :)
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Rafael Palone 15/01/2010

Lendo esse livro, descobri que cometi um erro em todos os meus 14 anos de vida até ter essas páginas em mãos. Sempre achei que Frankenstein fosse o monstro, mas não, Frankenstein é o criador. Sério mesmo, foi uma surpresa para mim.

Não vou dizer que a leitura desse livro foi algo apaixonante, porque não foi. Na verdade, foi muito cansativa. É uma leitura divertida, mas cansativa. É que eu me encontro tão acostumado com best-sellers que uma palavrinha diferente e o livro já me deixa intrigado.

Comparando o livro com o filme, como sempre, o livro ganha. Ainda que no livro, a estória tem a sua realidade e algo que pode ser levado para os dias de hoje. A tentativa do homem de ser sempre maior, de tentar superar a morte, superar seus limites. Lendo esse livro, vemos que Victor Frankenstein é alguém obcecado que tem certa loucura por vencer a morte e criar o impossível. E esse impossível, após criado, gera muita polêmica. Mas a única coisa que a criatura quer, é algo que muitos seres humanos carecem... o amor.

Mary Shelley usa muitos fatos de sua vida sublinarmente nessa aventura, se procurar pela biografia da mesma, vocês irão encontrar o nome William, no mínimo, duas vezes na árvore genealógica. Uma coisa que eu também me interessei, foi a forma como o conto foi escrito. Mary Shelley morava com amigos e lá eles escreviam estórias de terror para contar a noite e o Frankenstein foi o primeiro conto a ser concluído.

Recomendo a leitura desse livro para quem for bem paciente e observador, mas quem está acostumado com best-sellers (que nem eu) e leitura fácil (que nem eu) aconselho a ler, mas manter a calma até o fim que, é claro, a estória se desenvolverá.
Jacy 05/08/2012minha estante
Poxa, no primeiro parágrafo da resenha você já solta um spoiler?! :/


an_i_nha 05/11/2012minha estante
Querida, não tem spoiler algum nessa resenha. O que ele quis dizer foi que achava que Frankenstein era o nome do monstro, quando na verdade, a criatura nem ao menos recebe um nome. Frankenstein é o nome do criador.


Thamara 27/12/2014minha estante
Eu também sempre achei que Frankenstein fosse o monstro e foi realmente uma surpresa saber que o monstro é o criador.




Nani 08/08/2011

Medo? Só se for da sociedade...
Maravilhoso. Totalmente diferente do que eu esperava que fosse. Se você for ler esperando que seja aterrorizante, que descreva como o médico conseguiu os pedaços e como confeccionou o Monstro, pode esquecer. Nada disso aparece.

É uma bela história de amor e amizade e perda. E também de preconceito e de violência, mas terror não percebi nenhum. Só se for para temer o que as pessoas podem fazer com o desconhecido, com o feio, e como julgam ao outro, e como podem magoar o outro facilmente sem perceber.

Foi muitas coisas, mas terror não.
Maravilhoso.
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Heidi Gisele Borges 10/09/2010

Frankenstein - Mary Shelley
Victor Frankenstein, universitário, desafiou a ética, “Coletava ossos dos necrotérios e profanava, com os dedos, os recônditos do corpo humano”, e as leis da Natureza, ao dar vida ao que ele próprio, depois de horrorizado por seu intento, denominou Monstro.

O criador fugiu da criatura, que se viu obrigada a vagar sem destino e começou a cometer atrocidades em nome da indiferença de Frankenstein.

E o que não se poderia cogitar era que o Monstro possuía, sim, sentimentos. Depois de reencontrar Frankenstein exigiu a ele que criasse uma companheira e assim poderia viver com um ser igual e deixaria todos em paz. Victor concordou, porém logo depois desistiu da promessa e o Monstro voltou a atacar.

Tudo começou quando Lord Byron propôs a três amigos que cada um escrevesse um conto de fantasmas.

E Mary Shelley assim concebeu, em 1818, uma das maiores histórias de horror.

*******
Mundo de Fantas no mundo dos livros
http://mundodefantas.blogspot.com/
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Carlos Patricio 29/04/2012

Mary Shelley = Gênio
Não me lembro agora de uma mulher, ao longo da história, que´foi tachada como uma "GÊNIO"... Assim como Shakespeare, Da Vinci, etc
Na minha opinião, esta moça merecia este título
Muito bem escrito. Em todos os sentidos este livro é ótimo. Ainda mais para a época.
Uma menina. Com 19 anos escreveu esta obra-prima! 19! No século XVIII (ou começo do XIX, não me lembro bem) ainda!
Se ela não pode ser considerada um gênio, que outra mulher seria?
Marcela M.F. 06/02/2018minha estante
Frankenstein é um livro que eu sempre quis ler mas sempre esqueço de pegar. Hora de colocar na minha lista!




Gláucia 20/03/2013

Frankenstein - Mary Shelley
O livro foi fruto de um final de semana tedioso no castelo de Lord Byron onde Mary Shelley e seu marido Percy B.Shelley estavam hospedados. Foi proposta uma competição onde os 3 deveriam criar uma história de terror. Assim nasceu essa história imortal, publicada em 1831.
Enganei-me ao pensar se tratar de uma história de terror. Victor Frankenstein resolve brincar de Deus e cria um ser horrendo e gigantesco e, ao se deparar com o resultado de seu trabalho foge e abandona o monstro que se vê sozinho e sedento de afeto, amor e companhia. Ele receber ou não esse afeto definirá seu comportamento. Triste e muito bem escrito.
Curiosidades: Frankenstein não é o nome do monstro mas sim de seu criador; o uso assim o imortalizou. A imagem que temos em mente como sendo a dele deve ter surgido a partir do filme com Boris Karloff pois no livro sua descrição não o cria assim em nossa mente.
Marta 20/03/2013minha estante
Muito boa a resenha, Gláucia.
Bastante elucidativa.




Nathan 23/01/2010

Frankenstein
Fico feliz em ter terminado de lê-lo, a muitos anos eu tinha esse desejo. Certamente é um livro encantador, com uma retrospectiva histórica fantástica da personagem. O livro se dá no resgate de Victor Frankenstein - para os que não sabem o monstro não tem nome, Frankenstein é o sobrenome de seu criador - este se encontra muito mal e resgatado por um navio em meio ao mar gelado do norte. Victor então resolve contar a sua história ao comandante Walton, que escreve cartas para sua irmã Margareth. O livro se dá com o relato de Frankenstein, que faz questão de contar os mínimos detalhes, o caitão escuta tudo atentamente e escreve o que escuta de seu amigo; esse livro nos revela uma história cheia de lágrimas, angústias, revela o desprezo humano, suas emoções, o seu tratar quanto a morte, a frieza. O término do livro fica a saber somente àqueles que irão ler ou os que já leram. O livro nos revela uma história fantástica, muito além do que o filme pode nos trazer.
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Pedro Agabê 27/03/2012

“Quem na face da Terra lê Frankenstein? Ah, Pedro, só você”
Foi esse o comentário da minha supervisora quando me viu com o livro; um comentário que, acredito, é muito pertinente ao enredo da obra. Revela certo preconceito, e esse é um tópico recorrente na história.

Mary Shelley, a autora, inicia o livro usando de cartas de um marinheiro à sua irmã, narrando sua sonhada expedição ao lado mais norte da Terra, almejando explorar aquelas áreas geladas nunca antes exploradas. É quando algo inesperado acontece: durante as dificuldades na navegação, um ser é visto passando de trenó. Antes que se possa ter contato com ele, porém, a criatura some. Contudo, atrás dele vem um homem, que sobe a bordo. Esse homem torna-se amigo do marinheiro e, inconformado com seus desejos, decide contar-lhe sobre sua vida.

O sujeito resgatado que caminhava pelo Polo Norte é Victor Frankenstein. Crescido numa família respeitosa, sempre foi muito estudioso e amava as ciências. Não obstante sua admiração pelos gênios errados, formou-se na universidade e desvendou um segredo obscuro: tal como Prometeu descobriu dos deuses o fogo e ofereceu-o aos homens, Frankenstein descobriu o enigma da vida. Foi assim que criou um monstro horrendo a partir de partes mortas de humanos e de animais selvagens e deu-lhe vida. Apesar do encantamento em criá-lo, arrependeu-se, assombrado com o resultado. Fugiu dele e muito tempo passou doente. Quando se curou, no entanto, uma tragédia ocorreu: seu irmão mais novo foi assassinado. E o pior: a criatura, seu “filho”, é a culpada. Frankenstein pensa que não pode se sentir pior por ter-lhe concedido a vida quando depara com ele. O demônio, após dois anos de seu nascimento, revela-se muito inteligente e pede a seu “pai” que lhe crie uma companheira em troca de que mais nenhum desastre de sua responsabilidade acontecerá.

Frankenstein é um livro extremamente bem desenvolvido e surpreende-me saber que a autora tinha apenas 19 anos ao escrevê-lo. Concebido como um livro de terror, a obra passa apenas perto do gênero. O monstro (que não se chama Frankenstein) é sim assustador, entretanto, o conteúdo do livro são, principalmente, os sentimentos humanos. O personagem principal é bastante frio a princípio, mas torna-se sentimental depois de criar seu demônio; embora seja um homem idealizado (influência do Romantismo), foi minuciosamente construído. O próprio monstro é essencialmente humano: gentil, tem bons sentimentos e seu ponto fraco é ser rancoroso. Devido à rejeição sofrida em razão de sua aparência, virou assassino, mas não é vil. Tem a capacidade de se arrepender, como qualquer ser humano.

Não recomendo a leitura para os menos experientes. As frases longas cheias de apostos, as palavras incomuns ao vocabulário e as extensas descrições de paisagens podem transformar o que me foi prazeroso em algo enfadonho.

Falando que a vida não se faz somente de aparências, Mary Shelley era uma européia à frente de seu tempo. Tratar desses temas numa das partes mais preconceituosas e xenófobas do mundo foi certamente imprevisível.
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Arine-san 06/09/2014

Sobre um monstro incrivelmente humano
Há sortes e sortes, e a de Mary Shelley, talvez, tenha sido uma das melhores. Dois séculos atrás, numa sociedade machista como a nossa, uma jovem escritora produz um romance que, mesmo após 200 anos, faz todo sentido. Pessoas ainda o leem, o sentem. Já pararam para pensar nisso? Adentrar no universo proposto pela Mary não é difícil. Frankenstein faz quase um papel de análise do comportamento da sociedade, que, tantas gerações depois, ainda parece se comportar do mesmo jeito.


Ah, a hipocrisia humana. Frankenstein, mais do que uma história de um monstro matando pessoas, é um livro que fala de hipocrisia e solidão. E, para inicio de conversa, Frankenstein não é o monstro, como muitos pensariam, a partir das histórias infantis que nos foram contadas. Victor Frankenstein é um jovem rapaz que desde muito cedo mostrou interesse no estudo das ciências. Muito curioso, estudou por conta própria teorias e mais teorias sobre ciência biológica, até que estava velho o suficiente para sair de casa rumo à universidade.


O ambiente acadêmico foi o responsável pela sua mudança. Como o livro é contado como se Frankenstein estivesse conversando com um ouvinte, ele narra de forma detalhada como o seu campo de interesse passou de assuntos comuns, para um mais sórdido e cheio de nuances más: a vida. Não a vida simplesmente. Victor Frankenstein queria entender como um ser podia respirar, fazer digestão dos alimentos e tudo mais. Mais do que isso: ele queria ser capaz de dar vida a um ser, como um deus. E depois de anos de estudo, sim, ele conseguiu. Descobriu o mistério da vida e estava pronto a fazer seu próprio ser vivo, aquele que consideraria incorruptível e perfeito. A partir dessa descoberta, toda sua vida foi mudada. Dedicou mais anos a finco, sem descanso, na construção de seu ser vivo perfeito. E, para isso, os seus métodos não foram os mais honestos e bondosos: violou a vida e corpos de muitos animais, até que conseguiu criar um ser humanide gigante em proporções mas decepcionante em aparência.


Estava criado o monstro de Frankenstein. Aquele que ele achava que seria perfeito, mas não era.


A criatura era tão feia e assustadora, que nem o próprio Frankenstein suportou ficar em sua presença. Mesmo sendo o criador do ser, ele fugiu e ficou aliviado quando descobriu que o monstro havia desaparecido. Mas pra onde ele teria ido? Frankenstein não pensou isso. Os anos de estudos tão sombrios, e a lembrança de tudo que fez para acabar construindo aquele ser horrendo em proporções e aparência, deixou o estudioso literalmente doente. E muita coisa rolou depois dai. Inclusive o assassinato do irmão mais novo de Frankenstein. E será que alguém ai consegue adivinhar quem matou a criança tão adorável que todos os Frankenstein tanto amavam? Sim, o mesmo. Ao que parecia, o monstro não desaparecera da vida do pobre Victor, como ele queria e imaginava. E essa história será muito mais longa e complexa do que ele, e o ouvinte (e nós, leitores) imaginam.


O livro é razoavelmente curto, com suas 120 páginas, mas aborda muitas questões complexas. Tentarei não contar mais detalhes da história, já que acredito que a minha experiência como leitora foi boa na mesma proporção que surpreendente. Mas uma coisa é fato: abandonado por seu próprio criador e mal tratado por todo ser humano que ele ousou se aproximar, a criatura de Frankenstein aprendeu a viver em meio ao ódio, e reverteu isso em maldade. Ele próprio, quando aparece para contar tudo que viveu, aponta o dedo acusador nessa sociedade que se diz tão boa, mas não aceita os diferentes. Não só não aceita, como violenta, escarra na cara e age com ódio. Mesmo as melhores pessoas, diante dele, agiam como algozes cheios de ódio. Um contrasenso. Os humanos só são humanos para seus semelhantes? Essa foi a discussão nas entrelinhas da narrativa de Mary.


A autora foi simplesmente genial. Não só pela discussão que trouxe, tão atual depois de 200 anos, mas também pela forma como sua escrita enfia o leitor dentro da mente do pobre Frankenstein, que sofre tanto com todas suas escolhas. Em algumas partes do livro, o sofrimento é tão intenso que o leitor é impelido a tomar um pouco de ar. O livro tem muito sentimento, e o leitor consegue sentir tudo. Amor, ódio, pena e solidão, numa história de tragédia, acaso e morte.


O livro é maravilhoso para quem gosta dessa pegada mais psicológica. Não é um tipo de leitura para todo leitor, já que Frankenstein tem um ritmo bem lento e puxado para o drama. Ou seja, é um terror, mas um terror puramente psicológico. Não há muita ação, embora eu não tenha considerado isso um ponto negativo. Como eu disse, curti muito as discussões trazidas pela autora, e recomendo bastante o livro para quem curte algo semelhante.

site: http://www.vicioempaginas.com.br/2014/09/resenha-frankenstein-mary-shelley.html
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Blog MDL 20/10/2015

Mary Shelley, seu esposo, Percy Shelley, Lorde Byron e John Polidori reuniram-se durante o verão de 1816 em Genebra e, em uma das noites dessa reunião, começam a discutir e ler sobre contos de terror, o que faz com que Lorde Byron lance um desafio: Cada um deve escrever sua própria história e ler para os demais. Eis então que, após uma noite com pesadelos, a única mulher do grupo escreve o que viria a se tornar não apenas um dos maiores clássicos do terror gótico, como também a primeira história de ficção científica.

Escrita de forma epistolar, acompanhamos o expedicionário capitão Robert Walton, que escreve para sua irmã, Margareth Saville, relatando toda sua expectativa e aventura, pois esta está rumo ao Polo Norte, um região pouco explorada.

Após algumas cartas relatando sobre as dificuldades e aventuras fornecidas pela viagem, eis que Robert relata ter visto um vulto gigante pela planície gelada, que trouxe pavor a alguns de seus homens. Horas depois, eles encontram um jovem rapaz, com aparência quase morta e sofrida. Após dar-lhe abrigo e cuidado, Robert cria um laço de afeição com esse estranho homem culto, de maneiras gentis e refinadas, que muito provavelmente havia sido nobre antes do sofrimento abatê-lo. Após algum tempo, eis que o jovem se apresenta como Victor Frankenstein e passa a relatar ao Robert, que relata à sua irmã pelas cartas, sua macabra e aterrorizante história.

De naturalidade suíça, Victor Frankenstein era um jovem bastante curioso e intuitivo, muito voltado para o avanço da ciência. Vale ressaltar que a ciência mencionada é um pouco diferente da que temos hoje, era algo mais voltado à alquimia, a prevalência do homem sobre a matéria, sobre o etéreo e mortal. Ao crescer ele resolve então dar prática a sua obcessão: criar um homem imortal.

Quando completa 17 anos, Victor parte para estudar na Universidade de Ingolstadt, na Alemanha, onde, sob a instrução de tutores, começa seus estudos práticos da ciência moderna, mas sempre com seu desejo guardado dentro de si. Após muito estudo e uso de cadáveres (ou pedaços) em seu projeto, eis que ele é bem sucedido: A partir de restos e pedaços humanos ele cria e dá vida a uma criatura.

Se a ideia previamente o animava, ao presenciar sua criação ele tem então um súbito choque e abandona sua criação, lívido de terror. Após algum tempo (não se sabe quanto), onde ele está de volta a Genebra e a seu lar, a criatura consegue localizá-lo e chama sua atenção da maneira mais terrível que pode, e a partir de então teremos Victor terá que encarar sua criatura e decidir se irá se submeter a seus desejos mortais, ou se enfrentará sua terrível experiência que deu certo.

Frankenstein é uma história densa, que nos traz diversas reflexões enquanto nos dá cenas atemorizantes. Diferente da maioria das histórias que envolvem o retorno de mortos, não temos nenhum tipo de apego por parte do Victor com à sua criação, como um amigo que faleceu e deseja tê-lo de volta. A criatura é uma experiência, ele é um mero aglomerado de partes humanas já falecidas que voltaram a se mexer graças a impulsos elétricos. É tão impessoal que nem nome tem.

A história nos fala sobre o medo do avanço da tecnologia e da ciência, e de como a linha entre o ético e imoral podem ser facilmente ultrapassadas. É uma história sobre o medo do que não conhecemos, além de um relato sobre a verdadeira natureza humana.

A criatura é maltratada e humilhada por conta de sua aparência grotesca e justifica seus atos mais torpes alegando que nunca teve chance de demonstrar bondade, pois sempre lhe foi negada.

Victor, ao meu ver, é um rapaz imprudente e irresponsável, que não soube lidar com o grande problema que tinha em mão,mas que também não merecia os infortúnios que o destino acabou por reservar-lhe.

Mary Shelley consegue brincar com nossos sentimentos durante toda a narrativa, pois podemos sentir pena de um e raiva do outro e mudar nossas opiniões no capítulo seguinte. Isso cria uma dinâmica bastante interessante e nos faz inclusive duvidar de nosso próprio senso de juízo.

Mas, apesar de uma boa temática e personagens bastante chamativos e interessantes, a história traz alguns pontos que me desagradaram demais.

O primeiro dele e principal é o narrador. A história é uma carta escrita por uma pessoa, que escutou o relato de outra e que relata o relato de uma terceira. É confuso e muito chato. Isso sem falar que não consigo ver o narrador com uma imparcialidade durante o relato, o que me levou em diversas passagens a duvidar se certos acontecimentos são, de fato, verídicos.

Outro fato que me incomoda é a criatura em si. A agilidade de desenvolvimento dela é uma coisa absurda. Ela consegue sozinha aprender a andar, falar, ler e torna-se altamente prolixo e enfadonho e diversas passagens. Sem contar que é relatada como um homem extremamente alto e corpulento, mas tem uma habilidade de se esconder digna de artes marciais. Acho muito difícil de acreditar nesse ser tão capacitado assim.

No mais, Frankenstein é sim uma leitura extremamente válida para aqueles que desejam conhecer mais sobre as origens do horror que temos hoje, no mundo do entretenimento. É um relato sobre como a ciência sem ética pode tornar-se terrível e nos faz refletir sobre quem é o verdadeiro monstro mediante tudo isso: O jovem criador com um desejo de vencer a mortalidade, ou sua criatura mortal que assusta a todos?

site: http://www.mundodoslivros.com/2015/10/resenha-especial-frankenstein-por-mary.html
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Coruja 09/12/2010

Gostaria de começar dizendo que não vejo a história como um conto de terror, de medos e fobias; que “falasse aos misteriosos medos de nossa natureza e despertasse um espantoso horror”, conforme a autora desejava.

Frankenstein pode ser interpretado sob diversos prismas, especialmente à luz da ética e da moral, com Victor tentando assumir o papel de Deus – e recebendo o castigo pela sua soberba, com a Criatura, incapaz de encontrar conforto ou companheirismo, fruto de sua convivência com o gênero humano.

Considerando todas as decepções pelas quais passou, a total solidão, privado de qualquer interação social, será que podemos realmente condenar a Criatura, o Monstro, demônio, fantasma – os muitos epítetos que Victor lhe transmitiu em vez de um nome, uma identidade própria?

Quem é mais digno de compaixão nesse conto, Criador ou Criatura? Apesar de todas as perdas que Victor sofreu ao longo da história, não seria ele mais reprovável? Como a Criatura mesmo diz, a princípio, seu espírito estava voltado para o bem; foram as circunstâncias que o transformaram num assassino, num monstro.

Se Victor não tivesse fugido, se tivesse perseverado, se houvesse tido paciência, ensinado, lhe dado um nome; se tivesse demonstrado alguma centelha de bondade pela sua criação, a história não teria sido outra? Victor deixou a Criatura sem sequer tentar qualquer comunicação – em vez disso fugiu apenas à imagem de seu monstro.

No meio das discussões do clube, surgiu a questão da aparência da Criatura, que evoluiu ainda para um comparativo literário bem interessante (do qual falo mais adiante). Então, se a Victor preocupava tanto uma boa aparência, então porque não se esforçou por lhe dar o aspecto desejado? Entre a soberba de ter descoberto a centelha da vida, e a vaidade, não sei dizer qual seria o maior defeito de nosso bom doutor.

Talvez tenha ocorrido que, inflamado pelo desejo da descoberta, exauriu-se até quase arruinar a própria saúde – nesse estado febril, ansioso por ver o produto pronto e acabado, não deu tanta atenção aos detalhes até que fosse tarde demais.

De modo geral, contudo, não consigo atinar como Victor podia esperar algo mais de uma criatura feita de pedaços de cadáveres humanos. A não ser que ele usasse cadáveres embalsamados – e mesmo assim não haveria grandes garantias. De qualquer forma, também não acho que seria possível usar cadáveres embalsamados, afinal, ele precisava de órgãos e no processo de embalsamamento são usadas substâncias químicas e processos de extirpação de vísceras, pouco provável que esse fosse o tipo certo de cadáveres para reanimar.

Eu, particularmente, preferiria corpos frescos.

Também podemos analisar o livro sob um ponto de vista histórico. Temos de lembrar que à época em que Mary Shelley escreveu seu conto, as pesquisas e conclusões de Darwin acerca da evolução humana estavam sendo amplamente discutidas – e havia um debate acirrado entre os partidários das novas teorias e os criacionistas, que atacavam a idéia da evolução como fruto do orgulho e soberba humanos.

É importante lembrar ainda que Shelley deu um subtítulo a sua obra: o Prometeu Moderno. Lembremos aqui que Prometeu, de acordo com a mitologia grega, criou a humanidade – por ordem dos deuses – mas desejando que sua criação progredisse, roubou do Olimpo o fogo, entregando-o ao homem.

Por castigo, Prometeu foi acorrentado a uma montanha e lá, todos os dias, vinha uma águia bicar-lhe o fígado, que à noite crescia para no dia seguinte ser devorado novamente.

Victor aqui se coloca na figura do Prometeu. Ele está cheio de boas intenções, mas ao usurpar uma das atribuições dos deuses – a conquista da centelha da vida, aquela coisa que anima um corpo, que a faz um ser pensante – é castigado com um exílio de si mesmo: primeiro perde, um a um, os entes que ama, depois, a pátria, a própria saúde e sanidade, perseguindo sua criação por todo o mundo, até seu próprio aniquilamento.

A Criatura, muitas vezes, demonstra muito mais sensibilidade que Victor, constantemente admirando a natureza, surpreendendo-se com o mundo. É mesmo interessante a escolha que Shelley fez de leituras para a ele – em especial o épico de John Milton, O Paraíso Perdido.

Não haveria como não identificar-se a Criatura, abandonada pelo Criador, vagando sem ter um igual, disposto a vingar-se em toda a criação humana com o Lúcifer que arremessado do Paraíso, decide levar Adão e Eva à Queda, e, ao mesmo tempo em que planeja sua derrocada, lhes inveja o mundo.

E, se a Criatura é o Anjo Caído, Victor pode ser visto como a imagem do Doutor Fausto, que vende sua alma em troca de conhecimento.

Acabou! Palavra tola! Acabou por quê?
Acabou e depois nada, a indiferença plena!
De que serve o eterno criar,
Se a criação em nada acabar?
"Acabou" o que ler desse verbo?
é como se não tivesse existido
E ainda assim gira em círculos, tivesse ele sido.
Pois o eterno vácuo eu teria preferido!

Ambos os personagens perseguiram quase que a vida inteira um ideal: o conhecimento e por isso, pagaram um preço: a própria alma. Desejaram o conhecimento pelo conhecimento, ainda que com o intuito de fazer o bem e terminam subjugados por sua soberba, pela ambição desmedida.

E é interessante perceber que essa ambição deles não se equivale propriamente à poder; eles não procuram governar outros homens, usar seu intelecto para colocar-se numa posição elevada, de mando... tanto Fausto quanto Frankenstein procuram o conhecimento, mas também brincam de Deus, com o destino de criaturas humanas. Fausto seduz Margarida e isso a leva à morte - tem a parte que ele traz Helena de volta dos mortos, mas, francamente, essa é a parte mais fraca do livro de Goethe; Frankenstein cria uma Criatura, brinca com a centelha divina e por isso também é levado à morte - bem como todos aqueles que ama.

Frankenstein, enfim, não é uma leitura simples, superficial, ainda que muitos teimem em fazê-la assim. Quando olhamos o abismo, às vezes o abismo nos olha de volta. E é isso que representa essa história: um olhar para o abismo da condição humana, do que representam nossos atos e escolhas e as conseqüências que elas podem nos trazer.

(resenha originalmente publicada em www.owlsroof.blogspot.com)
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deborap 14/05/2009

O filme não vale a pena, nem aquele "Frankesntein de Mary Shelley" que filmaram há uns dez anos atrás. Mas o livro... Apaixonante. E muito aterrorizante. O modo como o Dr Frankenstein abdica da ciência moderna e volta seus estudos para a alquimia e coisas assim até criar o ser que viria a destruir sua vida...
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Natalie 13/07/2016

Acredito que o livro dispensa apresentações. A criatura de Victor permeia o imaginário mundial como símbolo da soberba humana. É o resultado da tentativa frustrada de superar a vida e a morte e apesar de ser uma história bastante conhecida eu só tinha visto adaptações e ler o original foi uma surpresa agradável.

Mary Shelley escreveu a obra inicialmente em forma de conto, pois havia sido desafiada por Lord Byron a escrever uma história de terror. No entanto, seu marido a convenceu a acrescentar mais detalhes e transformá-lo em romance.

O enredo gira basicamente em torno das lamúrias do arrependimento de Frankenstein e suas reflexões são muito comoventes. Acompanhamos a época áurea de sua vida até os momentos mais penosos, quando chegou a perder todos os entes queridos.

Aos poucos o leitor vai descobrindo o motivo da história também ser chamada de Prometeu Moderno e no quesito "causar medo" é sensacional. Várias vezes fiquei tão envolvida nos diálogos que se ouvia um barulho repentino, como o toque do celular, por exemplo, tomava um susto enorme. Acho que a proposta da autora foi mais do que bem sucedida.
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Lima Neto 04/06/2012

Muito mais do que literatura
Frankenstein é uma obra que encera dentro de si muito mais do que literatura. trata-se de uma obra sobre angústias, dores, sofrimentos, aflições, uma obra que trata, simplesmente, da condição humana.
Nunca antes as dores e aflições foram tratadas com tamanha maestria; nunca antes sentimos tanta "pena" e nos compadecemos tanto da condição desgraçada de um personagem, como acontece com Victor Frankenstein, que, tal como Prometeu, ao desejar o Fogo Sagrado do Olimpo, sofreu um castigo eterno por sua insensatez, desejou (e criou) algo que estava muito além do que poderia, mesmo, ser capaz de domar: criou não uma vida, mas algo desgraçado, uma sobrevida, uma criatura dotada de tamanha angústia e perfídia, dotada de uma consciência maligna e vingativa, deseja acabar com a vida de seu criador fazendo-o sofrer as mais terríveis dores.
livro que fala de vinganças, sim, mas um livro que fala simplesmente dos dilemas e das condições humanas, das insensatas condições humanas...
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