O Homem Duplicado

O Homem Duplicado José Saramago




Resenhas - O Homem Duplicado


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Rafael.Augusto 01/06/2020

Não quero que isso pareça uma simples cópia : |
Quem me conhece ou me acompanha por aqui sabe que sou super fã do Saramago. Isso pode trazer uma certa impressão de parcialidade sobre minha opinião em relação a esse livro. De qualquer maneira eu continuo insistindo que leiam esse homem por favor.
Em "O homem duplicado ", José Saramago vai explorar ao máximo a questão da identidade ou falta dela. Como é habitual em suas obras, ele usa de muita criatividade e genialidade para expressar de maneira indireta e figurada uma crítica abrasadora. Nesse caso, a crítica, a meu ver, é exatamente ao fato de a identidade das pessoas no mundo globalizado em que vivemos, não está mais no indivíduo em si, mas sim nas coisas que o representam, na sua tribo, no seu partido, no seu gênero etc etc etc. Para concluir, achei o final do livro absolutamente espetacular! Ele conseguiu surpreender no final de um livro que já leváva um dez!
Dani 04/06/2020minha estante
Uai, depois dessa crítica aumentou meu interesse em ler esse livro...


Rafael.Augusto 05/06/2020minha estante
Livraço Dani! Super recomendo.




Fran Kotipelto 26/03/2011

Um lugar deve existir,uma espécie de bazar,onde os sonhos extraviados,vão parar...

Acredito que todo mundo já tenha passado pela experiência de querer dizer algo sobre algum livro,mas faltaram palavras para descrever tal maestria. É verdade, acontece com qualquer pessoa, (neste caso só com as pessoas que lêem,obviamente).

Assim que comecei a ler "O Homem Duplicado" eu sabia que deveria fazer no mínimo um comentário sobre a obra,mas eu só funciono no quesito "resenha" quando tenho algum ponto de inspiração que não seja apenas o livro que pretendo resenhar. Sendo assim, apesar de tê-lo terminado, a ideia de resenha ficou vaga, ou melhor dizendo,engavetada na mente apenas como um desejo.

Quando a minha esperança já estava saindo da caixa e perdendo o efeito,e eu caminhava desolada e desanimada para a Universidade,ouvi a voz de uma magrela garotinha de uns 8 anos de idade de mãos dadas com seu pai catarolando uns versos de uma bela canção chamada "A Moça do Sonho", do Chico Buarque e Edu Lobo:

"Súbito me encantou
A moça em contraluz
Arrisquei perguntar:

- Quem és?

Mas fraquejou a voz
Sem jeito eu lhe pegava as mãos
Como quem desatasse um nó
Soprei seu rosto sem pensar
E o rosto se desfez em pó(...)"

E eis que o verso e complemento me surge,e minha resenha começou a ser "processada".A partir daquela pergunta expressa na letra da canção, eu percebi que poderia escrever uma resenha digna de "O Homem Duplicado",ou pelo menos tentar.

A trama inicia-se com a vida de Tertuliano Máximo Afonso,um sujeito comum,professor de história,dócio e submisso,que vive sozinho em seu apartamento e sem grandes expectativas. Entediado,um dia recebe do colega professor de matemática, a sugestão de assistir ao filme "Quem Porfia Mata a Caça". Ao ver o filme,Tertuliano repara num personagem secundário que mais tarde descobre ser Daniel Santa-Clara,nome artístico do ator António Claro,uma cópia idêntica sua,e a história então tem seu desenrolar,pois Tertuliano de repente encontra-se num mar de dúvidas,não sabe o que é,quem é.E assim cheio de dúvidas,ele procura António,ou por ele mesmo,ou por ambos...

Através dessa magnífica história,Saramago visa suscitar questões bastante importantes,e que por mais óbvias que sejam, não costumamos pensar.No romance, Tertuliano não vive até a descoberta do duplicado,não atenta para as questões da existência,está perdido entre o nada e o vazio da rotina(você percebeu agora que todo mundo "vive" um pouco dessa maneira?).E quando se vê na imagem do outro, a obsessão não se enraiza por si mesmo,mas por saber-se original.

Fascina na narrativa de Saramago essa busca por uma sensibilidade esquecida em meio à humanidade repleta de respostas prontas, mostrando que o tempo da procura que marca a trajetória do personagem (e de nós mesmos),é cíclico,como a mostrar que a procura do homem por si mesmo não tem fim.

Por que ao tratar do homem duplicado,Tertuliano não vai buscar resposta na ciência? Por que ele quer encontrar o homem,razão de sua inquietação e não a explicação para o fato inusitado? Mas é arriscando a si próprio que se demonstra que o homem se faz na medida em que adquire consciência de trazer em si o seu ser. E este algo,por si mesmo toca e atinge o homem.Pois segundo Saramago,"Quanto mais te disfarçares,mas te parecerás a ti próprio".

E este estranhíssimo,singular,assombroso e nunca antes visto caso do homem duplicado, o inimaginável convertido em realidade,o absurdo conciliado com a razão é o homem no limiar da inquietação sobre sua origem,por isso a busca por respostas.Semelhante a um espelho que se repete,dá-se o encontro de Tertuliano e António numa atmosfera de dúvida entre a imagem virtual daquele que se olha ao espelho,A imagem real daquele que do espelho o olha,uma vez que o homem é incompletude.

E é esse voltar-se para si que engloba o outro,e Tertuliano reconhece que o novelo do espírito humano tem muitas e variadas pontas.Ele próprio e seu cuidado com a vida, agora é o essencial, visto que ele percebe que a única coisa que dura toda a vida é a vida.


Jow 26/03/2011minha estante
Otima resenha, como sempre Fran!
"Tertuliano não vive até a descoberta do duplicado,não atenta para as questões da existência,está perdido entre o nada e o vazio da rotina..."
Quanta gente faz isso Fran, muitos perdem o tempo de vida porque para eles, a vida é o que acontece enquanto eles estão ocupados fazendo outros planos.
Show! o/\o


Luh Costa 28/03/2011minha estante
Vc resenha divinamente bem.
Me incluo no inicio da resenha. Tento escrever mas faltam palavras. rsrs
Saramago nos insina várias questões da vida.


Gláucia 31/03/2011minha estante
Parabéns, resenha maravilhosa e adorei como a iniciou!


Alan Ventura 01/04/2011minha estante
Todas as suas resenhas são excelentes, mas essa é em minha opinião, a melhor. Parabéns.


Renata Céli 06/04/2012minha estante
Adorei a sua resenha! Esse livro realmente é muito bom!


Paulo 14/05/2012minha estante
Belíssima.


Vanuza 27/02/2014minha estante
Resenha muito boa, dá para perceber o quanto você adquiriu com esse livro!




Brendo 27/05/2020

Uma história tão intrigante quanto surpreendente, O Homem Duplicado é uma obra reflexiva, complexa e que oferece ao leitor uma trama cativante e envolvente.
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Book.ster por Pedro Pacifico 01/03/2020

O homem duplicado, José Saramago - Nota 10/10
Mais um romance brilhante de Saramago, que aborda de forma inteligente, bem humorada e instigante a temática envolvendo a identidade do ser humano. Tertuliano Afonso, um professor de história que leva uma vida comum e cheia de insatisfações, é surpreendido quando descobre um indivíduo idêntico a ele desempenhando o papel de ator secundário em uma cena de um filme. A partir desse episódio, o leitor acompanha a angústia do protagonista, que se vê acometido por uma intensa crise existencial, e a tomada de uma decisão extremamente difícil: ir ou não atrás de seu duplo? É assim que Tertuliano, acompanhado do Senso Comum, inicia uma jornada pela busca da identidade. A escrita de Saramago é impecável, consegue prender o leitor e levá-lo de forma profunda ao interior dos personagens! Gostei muito da forma com que o autor acaba tratando a dificuldade atual do ser humano em olhar para si mesmo e se reconhecer com possuidor de uma identidade própria. É um livro muito inteligente, complexo, com um final surpreendente e que, com certeza, merece uma releitura.

site: https://www.instagram.com/book.ster
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Vi 07/06/2020

Perfeito
Sabemos quando nos deparamos com uma obra-prima. É o caso de "O Homem Duplicado". Uma leitura que me surpreendeu e me tirou o fôlego várias vezes. Cheguei ao ponto de atravessar madrugadas atrás do desfecho e, quando sentia que ele se aproximava, a vontade era de abandonar a leitura terminantemente - aquele medo de que acabe, sabe? Boa leitura é esta, a que causa essa sensação esquisita de apreensão, ansiedade e satisfação.

O enredo, por si só, já vale a leitura, as personagens são bem construídas e profundas. Saramago é um psicólogo - e dos bons. Não se deixe intimidar pelos gigantescos blocos de texto; nada nas suas construções é por acaso ou mal pensado. Enfim, todo o resto é spoiler. Terás de descobrir por conta própria.
Etiene ~ @antologiapessoal 07/06/2020minha estante
tá aqui na estante só esperando o momento dele :)




Flávia Pasqualin 27/02/2020

Tertuliano Máximo Afonso é um pacato e melancólico professor de história que descobre em meio ao acaso ter uma espécie de sósia. A partir de então sua vida vira de cabeça para baixo com essa estranha coincidência. Como podem duas pessoas serem idênticas ate mesmo nas cicatrizes? O livro traz diversas reflexões filosóficas, dentre elas o que o ser humano é capaz de fazer ao ter a sua individualidade ameaçada. Uma história envolta em mistério, permeada de questões de identidade. Mais uma vez Saramago conseguiu mexer comigo.
GUGA 06/04/2020minha estante
Olá Flávia ! Aproveitei esse caos do isolamento da pandemia e finalmente li essa obra maravilhosa ! Chegou a mesma conclusão que eu , eles eram da mesma pessoa e o personagem tinha dupla personalidade ? Já assistiu ao filme ? No filme o final é diferente porém nos leva à mesma conclusão! Adorei os dois !




Samuel F. (Sansão) 25/05/2020

Simplesmente espetacular!!
Assim como todas as obras de José Saramago.. esse livro é Incrível. Um leitura que flui, que te agarra e surpreende. O final me pegou totalmente de surpresa.. É um ótimo livro, recomendo..
Jamile.Almeida 25/05/2020minha estante
Louca pra ler!


Samuel F. (Sansão) 25/05/2020minha estante
É muito bom, não vai se arrepender




Sr. Cortez 02/05/2020

Reflexão humana
Livro de Saramago é reflexivo, polêmico, ácido, como em todas as suas obras e efêmero em sua escrita. A importância da reflexão do sujeito é, com certeza, motriz que a faz tão interessante.
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Alebarros 23/07/2010

"Sensacional! Genial! Um dos melhores livros da minha vida!"

Se minha resenha se restringisse ao escrito acima, certamente não deveria ser chamada única. Diante da superficialidade do contéudo e da fácil adjetivação, que têm como irrefutável consequência a coincidência com outros relatos de teor semelhante, melhor seria chamá-la duplicada, tal qual o Tertuliano do livro.

Brincadeiras à parte com o estilo do mestre Saramago, o livro merece mesmo todos esses adjetivos. Durante a leitura, e principalmente ao término dela, me vi assombrado. Assombrado pela imaginação sem limites, pela capacidade de surpreender o leitor com reflexões que por si só dariam um livro, pela linguagem e estilo tão particulares e, principalmente, por ter me dado conta de que este gênio não vai mais nos presentear com obras tão lindas como essa.
Obrigado, mestre.
Mari 23/07/2010minha estante
Ótima resenha, Alê! Não vejo a hora de começar O Homem Duplicado! Oh, Deus... são tantos livros e tão pouco tempo =]
Parabéns pela ótima resenha! Baisers ;)


Alebarros 23/07/2010minha estante
Obrigado, Mari! O livro é lindo, recomendo muitíssimo! E é verdade, são tantos livros pra tão pouco tempo...rs. Bjs!


Nessa Gagliardi 23/07/2010minha estante
Linda resenha, Alê!
Será que meu entusiasmo se equipará ao seu? rsrsrs
beijos!!


Alebarros 23/07/2010minha estante
Obrigado, Nessa! Acho que você vai gostar muito do livro. Aliás, ele já tá separadinho pra te emprestar. ;) Bjs!


*Carina* 25/07/2010minha estante
Alê, quando li tua resenha pensei imediatamente em duas coisas: ainda bem que comprei o livro aquele dia, e ainda bem que trouxe-o comigo. :)
Adorei sua resenha, vc tem que escrevê-las mais!
Um beijo!


Alebarros 25/07/2010minha estante
Obrigadão, Cá! Agora é sua vez de curtir o livro! Bjs!


Renata Céli 03/04/2012minha estante
Adorei a resenha! Esse livro é muito bom!




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*Carina* 16/08/2010

Tu, talvez, eu só tenho estado à tua espera.
"É então quando o homem diz à mulher, ou a mulher ao homem, Que loucos somos, que estúpidos temos sido, e um deles, misericordiosamente, cala a resposta justa que seria, Tu, talvez, eu só tenho estado à tua espera."

Essa frase foi a que me fez perceber que eu precisava ler esse livro. Depois de lê-lo ela poderia ter transformado-se em apenas mais uma, mas não foi o que aconteceu. Ela acompanhou-me durante toda a leitura, e mesmo tendo marcado mais de vinte outras passagens ainda é ela que me assalta os pensamentos a todo momento, principalmente a oração final, a resposta calada que, por ser não-dita, diz tanta coisa.
Saramago mostra durante todo o livro a incompatibilidade e a não-correspondência entre as palavras e os atos, os nomes e os sentimentos. E, quem melhor do que ele, um gênio na arte da escrita, para dizer disso? Ele mostra toda a arbitrariedade presente na escolha das palavras que usamos, todo o mal entendido que existe em cada frase dita e ouvida, a total impossibilidade de traduzir plenamente o que realmente queremos dizer em algo dito.
Ainda assim, continuamos tentando, e não há outra saída. Somos humanos, seres inseridos na linguagem, que é aliás o que nos torna humanos. Sem a linguagem, sem esse objetivo inalcançável de nos entendermos completamente uns aos outros, de compartilharmos o que somos, o que sentimos, enfim, a vida, estaríamos onde estamos hoje? Sem Saramago, seríamos o que somos hoje? Eu sei que eu não seria. Eu não sou quem eu era antes de ler esse livro, de ser tomada, e marcada, e derrubada, e levantada por essas palavras.
Mas também tem o silêncio. Esse silêncio que fala. Silêncio que comunica. Silêncio que transmite uma posição. Silêncio.
Nessa Gagliardi 19/08/2010minha estante
Linda resenha! Já tá na minha listinha!


*Carina* 19/08/2010minha estante
Obrigada, Nessa! E ponha lá em cima da listinha que esse merece. Beijos!




Rosa Santana 25/05/2011

Gostei demais! Fascina-me a literatura voltada para o tema da "busca da identidade perdida"! Daquele "eu" no espelho, na sombra, no sósia, no retrato, no disfarce, enfim...

Nesse livro, o comum e mero professor de história, Tertuliano Máximo Afonso, vai em busca do sósia ator de cinema*, Daniel Santa Clara, no qual se vê refletido. Ambos são o espelho de si-mesmos, pois cada qeu” se revê no outro “eu”, como sendo este outro “eu” um espelho que lhe devolve a sua imagem.

Enfim, é aquilo que Michel Foulcault disse, referindo-se ao papel de
Diego Velazquez, no quadro Las Meninas (a mim me gusta mucho!)
"Nesse lugar preciso mas indiferente, o que olha e o que é olhado permutam-se incessantemente."**

* Arguto esse Saramago, não? O outro é logo um ator de cinema!
** Transcrito do artigo Las Meninas, do livro As Palavras e as Coisas.

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Para quem gosta do tema, mas não de Saramago: Pirandello tem no livro O Velho Deus um conto brilhante: A Desgraça de Pitágoras. Aliás esse tema é recorrente na literatura. Exemplos: O Retrato de Dorian Gray de Oscar Wilde; o conto de Machado de Assis, O Espelho; O Duplo, de Fiódor Dostoiévski; O Retrato, de Gógol; aquele O Médico e o Monstro, de quem mesmo?...

Ou seja, tão antigo como a própria literatura esse tema retrata a necessidade que tem o homem de construir uma imagem na qual se reconheça a si mesmo.

Alebarros 20/03/2010minha estante
Bacana sua resenha, Rosa! A propósito, "O Médico e o Monstro" é do R. L. Stevenson. ;)


Julio 20/09/2015minha estante
Como sempre suas resenhas me instigam à leitura do livro em questão, Rosa! Obrigado!


Ilton Paiva 09/09/2019minha estante
William Wilson, conto de Edgar Allan Poe




Lucas.Gomes 24/03/2020

Além de si
O homem duplicado é uma narrativa divertida e íntima de José Saramago. Neste livro o autor se impele das nuances dos diálogos introspectivos, problemas e dificuldades relacionais com personagens cativantes e interessantes. Seus diálogos tão naturais com o senso comum somados as quebras de quarta parede dão um tom de leveza a um livro que vai apresentando os redores um poço, até que, nos capítulos finais, o derruba para dentro dele e afoga o leitor.

Ao fim do livro estava perplexo e apaixonado com a forma com que as coisas se amarraram num cenário do qual eu sequer conseguiria cogitar. É uma obra, em minha visão, subestimada de Saramago e que vale, sem sombra de dúvida, conhecer.
GUGA 06/04/2020minha estante
Olá Lucas ! Aproveitei esse caos do isolamento da pandemia e finalmente li essa obra maravilhosa ! Chegou a mesma conclusão que eu , eles eram da mesma pessoa e o personagem tinha dupla personalidade ? Já assistiu ao filme ? No filme o final é diferente porém nos leva à mesma conclusão! Adorei os dois !


Lucas.Gomes 18/04/2020minha estante
Olá! Infelizmente ainda não pude assistir o filme, mas o farei em breve! Sim, também me deu a sensação de que possivelmente eram a mesma pessoa, dentre outras teorias, é um belo nó para se trabalhar a busca por uma identidade! Vou conferir a indicação.




Tamara 12/05/2020

Saramago é parte de mim. Tenho vários dele como meus favoritos e esse livro já entrou na lista. Final incrível, livro inquietante. Admito que a pontuação é um desafio, mas acostuma.
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Cris 15/05/2020

Tertuliano Máximo Afonso - Um personagem inesquecível da literatura
"Cada segundo que passa é como uma porta que se abre para deixar entrar o que ainda não sucedeu, isso que damos o nome de futuro, porém, desafiando a contradição com o que acabou de ser dito, talvez a ideia correcta seja a de que o futuro não é somente um vazio, a fé que o futuro não é mais que o tempo de que o eterno presente se alimenta." Pág. 187

Tertuliano Máximo Afonso é um professor de história que vive uma vida bem monótona. Ele vive sua rotina de professor, não possui hobbies, é divorciado e namora uma moça que não gosta.

Um dia, seguindo o conselho de um amigo também professor, ele aluga um filme em uma locadora para assistir em casa. A história do filme não tem nada de extraordinário, porém um detalhe chama sua atenção: um dos personagens coadjuvantes é idêntico a ele próprio. Isso o assusta e desperta sua curiosidade.

A partir de então, Tertuliano descobre o nome do ator, que se chama Daniel Santa-Clara, e resolve assistir todos os filmes estrelados por ele. Ele vai ficando cada vez mais intrigado à medida que observa o ator e vê que eles são exatamente iguais, e não apenas parecidos, ou seja, sem nenhuma diferença.

Tertuliano fica obcecado por este ator e começa a buscar informações sobre ele para que eles possam se encontrar pessoalmente. Isso me irritou um pouco na história, eu não sei se eu teria essa curiosidade toda em encontrar alguém igual a mim, mas este ponto da história tem um desenvolvimento muito interessante.

Gente, que história incrível! Há tanto sobre ela que eu poderia falar, mas quanto menos você souber sobre a história, melhor. Basta dizer que o livro questiona muito sobre os dilemas do ser humano.

Eu nunca tinha lido nada do Saramago e no começo confesso que senti um pouco de dificuldade com a leitura, porque o estilo de escrita dele é bem diferenciado. Quase não tem parágrafos, as falas dos personagens aparecem de forma “corrida”, sem separação do texto. Mas à medida que fui lendo e me adaptando à narrativa, fui ficando abismada com a genialidade da obra.

O interessante é que a história se passa em um lugar não identificado e em uma época também não especificada. Há um filme adaptado deste livro, com o Jake Gyllenhaal, que nos transmite muito da atmosfera do livro, porém segue por uma abordagem diferente e tem o final mais "WTF?!" que eu já vi.

Ao contrário do filme, o final do livro é totalmente surpreendente e genial.
Eu adorei e quero ler tudo o que este homem escreveu.

"Às vezes perguntamo-nos por que tardou tanto a felicidade a chegar, por que não veio mais cedo, mas se nos aparece de improviso, como neste caso, quando já não a esperávamos, então o mais provável é que não saibamos que fazer, e não é tanto a questão de escolher entre o rir e o chorar, é a secreta angústia de pensar que talvez não consigamos estar à altura." Pág. 242


site: http://instagram.com/li_numlivro
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