Fios de Prata

Fios de Prata Raphael Draccon




Resenhas - Fios de Prata


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neo 09/01/2014

EDITADO EM 18/11/2014. Resenha atualizada.

Li esse livro ano passado e já fiz uma resenha para meu tumblr há algum tempo, mas sinto que preciso de uma nova e mais detalhada agora. Plus, estou tão gripada que meus olhos ardem e respirar dói, e para completar coloquei aparelho ontem e no momento quero arrancar todos os meus dentes de tão nervosa que esse treco me faz ficar, com o bônus sendo que mal posso comer e isso está me levando lentamente à loucura/consideração de pensamentos assassinos. Então, sim, preciso extravasar toda a irritação que estou sentindo ou realmente acabarei matando alguém, esse alguém sendo muito provavelmente meu irmão, que vem reclamando de um bug em World of Warcraft no meu pé do ouvido desde domingo quando ele sabe muito bem que eu odeio World of Warcraft!!!!

Mas vamos ao que interessa.

Quando vi esse livro na livraria tive basicamente duas reações. A primeira foi achar a capa e o título maravilhosos. A segunda foi soltar um suspiro cansado, olhar para o céu e perguntar mentalmente, por quê?, quando percebi que o livro era do Draccon.

Sei que isso soa meio cruel e preconceituoso, mas já comprei um livro do Draccon, Dragões de Éter, e nunca consegui passar da página cem porque onomatopeias, caps lock, quebra da fourth wall e diálogos pra lá de desajeitados não são características que eu aprecio em livro algum. E a própria narrativa me pareceu infantil demais, então deixei a história, que até parecia bastante interessante, pra lá. Acho que fica fácil imaginar porque desanimei tanto ao ver que Fios de Prata era do mesmo autor de Dragões de Éter. A ideia me pareceu excelente, mas meu sexto sentido apitando loucamente não deixou que eu comprasse o livro da primeira vez que o vi.

Lá pela vigésima vez, desisti e o comprei.

Foi a última vez em que não confiei em meu sexto sentido.

(Mentira, teve O Trono de Vidro que veio depois, mas só).

Primeiro, tenho uma confissão a fazer: nunca li Sandman. Ou qualquer outra coisa do Neil Gaiman, pra falar a verdade. Pretendo o fazer um dia, mas acho que por ter colocado Gaiman e Stephen King no mesmo nível de fama/credibilidade (por motivos que eu mesma desconheço), depois de ter me decepcionado com um livro do King minha vontade de ler algo do Gaiman morreu. Sei que é uma razão estúpida, mas foi o que aconteceu. Sendo bem sincera, fico meio receosa de ler autores muito consagrados porque acabo indo com muitas expectativas e quebrando a cara, e meio que já li livros ruins demais esse ano e não preciso odiar outro livro amado por todos, muito obrigada.

(E aparentemente Sandman é HQ???? Menos chances ainda de eu ler um dia, plep).

Mas enfim, Fios de Prata começou muito bem, para surpresa minha e das minhas amigas, com quem sempre compartilho minhas opiniões sobre livros que estou lendo. As descrições eram boas e o ritmo também, e apesar dos diálogos desajeitados (de novo), eu estava disposta a perdoar defeitos menores em prol da ideia de gostar de um livro de fantasia nacional (also, se você não perdoar diálogos desajeitados não vai gostar de livro de fantasia brasileiro nenhum, porque juro que essa é a falha mais comum de todos eles). Mas minha alegrai foi curta; não demorou muito e o livro começou a desandar.

Causa número um: os personagens. São péssimos, sem mais. Ocos, sem profundidade, estereótipos puros sem a menor tentativa de originalidade ou até mesmo verossimilhança. Ariana é gaúcha, então claro que tivemos gírias gaúchas em cada frase dita pela moça, mas a "gaúchisse" dela começou e acabou aí. Ela é uma ginasta de personalidade forte, o que basicamente quer dizer que ela solta umas respostas de vez em quando, mas só. Ela acaba presa no mundo dos sonhos e nosso herói, Mikael Santiago, ou Allejo, tem como missão resgatá-la. Fazer uma pseudo-personagem feminina forte apenas para tê-la sendo salva pelo homem protagonista, hm? Por que isso não me surpreende?

O Allejo então, nem se fala. Jogador de futebol, rico, pegador, conhecedor de cultura nerd e uma boa pessoa. Tem a profundidade de uma poça no meio da estrada, e é tão ignorável quanto uma. Um Gary Stu em toda sua glória. Blah.

O resto dos personagens é tão marcante que não consigo lembrar do nome deles. Oops.

Causa número dois: o romance. Senhoras e senhores, bem vindos ao reino do insta-love, ou, para os marinheiros de primeira viagem que não costumam ler livros com muito romance, o amor instantâneo aka o melhor modo de fazer os dois pombinhos se apaixonarem sem se preocupar com coisas inúteis como desenvolvimento do relacionamento ou dos personagens. E vocês pensando que insta-love pertencia só aos "livros para garotas", hm? (O Poder da Espada, eu estou olhando para você.)

A cena que mais me marcou do relacionamento de Ariana e Allejo foi o momento em que ele se apaixonou por ela, numa cena em que ela se apresentava em alguma competição. Como se esquecer de Allejo babando nas características físicas de Ariana e se declarando apaixonado após vê-la executar um monte de saltos com nomes complicados (obviamente o autor teve que colocar os nomes deles lá, e também mencionar o quão difícil eles são)? Pra que se apaixonar após meses (ou anos) de convivência se você pode cair de amores por alguém depois de vê-los fazer um salto duplo carpado, já que se apaixonar assim custa bem menos desenvolvimento de personagem e página?

Mas pode continuar babando pela Ariana, Allejo. Eu ficarei aqui, encarando o seu relacionamento com ela (a maior causa da história existir, falando nisso), mais ou menos assim: https://p.gr-assets.com/540x540/fit/hostedimages/1416355115/11942740.gif

Mas, como eu disse, pode continuar :)

Causa número três: a escrita que, sim, começou ótima, deu alguns saltos carpados incríveis, mas terminou estatelada no chão com as pernas pra cima. Um desastre.

Sabe que Fios de Prata me lembra uma versão brasileira de A Lâmina na Alma? Não, as histórias não são nada parecidas, mas ambas as histórias compartilham uma coisa: a vontade ferrenha (lê-se desespero) de ser épica. Ou seja, usam purple prose o tempo todo.

Eu pude sentir esse livro tentando me convencer de que ele era a coisa mais épica da Terra. Ele tentou, e tentou muito. Houve longas descrições cheias de floreios, inúmeras referências à cultura pop, uma tentativa (que foi se tornando cada vez mais desesperada à medida que o livro ia se aproximando do fim) de mostrar que aquela era uma guerra que atingia a todos e influenciava a todos (e que por isso, obviamente, era tão, mas tão importante) e passagens feitas simplesmente para servir de quote, de tão forçadas e wtf que foram.

Como eu já disse, um desastre.

Causa número quatro: o final. Um final com um senhor deux ex machina, vale frisar.

Acho que o Draccon pensou que o deux ex machina soaria como um plot twist, mas esse não foi, nem de longe, o caso. Veja bem, não havia modo algum de as coisas se resolverem do jeito que elas estavam, então algo teve que surgir do nada para dar um fim à história. Basicamente um "epa não sei como concluir isso usando as coisas que foram apresentadas durante o livro, então vou ter que pegar isso aqui, algo quase sem relação alguma com tudo que aconteceu, e usar para resolver tudo. Genial!"

Mas eu ri, porque o final foi meio de desenho animado e porque eu gostei de ver alguns personagens quebrarem a cara lindamente. Mas sim, foi um deux ex machina. Ha.

Parei de ler Os Dragões de Éter porque o estilo não me agradou, mas lá cheguei a considerar a escrita do autor boa (apenas não meu tipo de escrita, saca). Fios de Prata, porém, me traumatizou demais para que eu volte sequer a considerar comprar um livro dele. Nem rola. Isso é um adeus, feliz ou infelizmente.

A única coisa boa desse livro foi o Phantasos, e não, não foi porque ele é um bom personagem. Mas tinha elfos no reino dele, so yay, call me biased, mas eu tinha que me apegar a algo bom no meio dessa bagunça. Anyway, uma estrela para Fios de Prata.

(Se eu sei que estou provavelmente destruindo minhas chances de ser publicada aqui no Brasil com essa resenha? Ô se sei, mas, obviamente, não me importo. Tsk).

site: http://lynxvlaurent.blogspot.com.br/
Letícia 17/02/2014minha estante
Já li dragoes de eter, comprei na bienal, e comprei fios de prata sem querer, quando vi que era do Draccon, meu coração apertou.
Concordo com tudo o que disse e minha amiga me ouviu reclamar todo santo dia desse livro, os ouvidos dela sangraram hauhauah


Albarus Andreos 08/01/2018minha estante
Kkkkkkk... Adorei a resenha. Espero que os dentes tenham ficado lindos. :-)




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Eder 14/04/2014minha estante
"Draccon deveria ter dado a ideia dele para um autor de verdade fazer o seu livro."
Adorei essa frase. Haha




Higor 27/06/2015

Sobre autores que estragam histórias consagradas
Raphael Draccon é um autor nacional de renome, o que é louvável, visto que não é um artista global, nem blogueiro/vlogger com centenas de inscritos; ao invés disso, é um simples autor de literatura fantástica, que, assim como Eduardo Spohr, batalhou para chegar ao lugar em que está. Acontece que Spohr é bom; Draccon não.

“Fios de Prata” é um livro que conquista pela capa, bem similar as de George Martin e Brandon Sanderson, autores de literatura fantástica épica, e também publicados pela editora Leya. O maior problema é que, apesar querer vender "Fios de Prata" como se fosse patamar, o livro não chegar nem perto de se igualar aos citados acima.

Falta de conteúdo não é, pois a história tem potencial. O que a gente vê logo de cara é a imaturidade do autor em conseguir amarrar a história em míseras 350 páginas. E digo míseras pelo fato de que, geralmente, livros do tipo ultrapassarem facilmente 500 páginas. O começo é bom, muito bom, admito, mas então aparece à mocinha da história, e o desconforto começa.

Ariana é gaúcha, o que deveria nos dar um alívio gigantesco por enfim lermos um livro em terras tupiniquins, mas Draccon logo corta o barato, ambientando a história na França, o que é um pouco plausível. Um pouco, já que os personagens são atletas em campeonatos mundiais. O problema é que, de brasileira amável, Ariana passou a ser antipática, de dar náuseas no leitor com a mera possibilidade de ela abrir a boca mais uma vez. O autor não soube usar – e dosar – o sotaque da personagem, deixando-a insuportável a cada vez que falava “tu”, “tchê” e “bah”.

O livro começa a cair a partir daí, e deslancha quando o clímax enfim chega, o que era para ser totalmente o oposto. Pior: é assim que permanece até o final. Uma historia cheia de altos e baixos – infelizmente mais baixos – e quando chega aos momentos altos, são cenas mornas, que não chegam a encher os olhos, apenas nos fazem retorcer a boca e acabar logo a leitura para passar para o próximo livro. Isso quando não sentimos vergonha alheia de certos acontecimentos.

A história é jogada, e as informações que o autor nos dá, achando ele ser o suficiente, não são. Então ficamos perdidos com o que está acontecendo, com quem é quem na história, e o porquê de esse alguém ter tanto destaque assim, já que aparentemente não passa de um mero personagem secundário que poderia ser melhor trabalhado. Além disso, a batalha não convence; o progresso do personagem principal é de rir; e a resolução, que era para ser chocante e agradável, passa a ser apenas incômoda.

O ponto alto no livro são as cenas em que uma reação em Sonhar reflete diretamente na Terra. Tudo bem que Draccon usou e abusou da técnica, mas mesmo assim, foi interessante ver, por exemplo, o que acontece na Terra quando um deus fica enfurecido, mexendo involuntariamente com o clima, os sonhos e as perspectivas de vida de cada habitante.

Enfim, “Fios de Prata” é um livro com uma ideia genial, mas que foi executado de maneira vergonhosa, amadora. Muitos foram os comentários nas resenhas, e tenho de concordar com os que disseram: Fios de Prata seria um excelente livro se não fosse escrito por Raphael Draccon.
Priscila Ferreira 27/06/2015minha estante
adoro tuas resenhas *-*




Albarus Andreos 13/05/2013

As Linhas Tortas de Raphael
Quando tenho expectativas demais, me decepciono. Isso é batata! Geralmente, quando gosto de um livro, elogio porque sou movido pela emoção e ninguém segura meu contentamento. Já quando não aprecio, sou minucioso e emito minhas opiniões baseado na análise técnica de que sou capaz, para não deixar nenhum espaço para acusações levianas. E, infelizmente, o que li até o momento, me desagradou demais!

É de se admitir, num texto longo, alguns errinhos esporádicos, ainda mais quando o autor tem um renome no meio literário. Um ou dois descuidos de português em 300 ou 400 páginas e alguma falha lógica que passou em branco por uma revisão. Alguns esbarrões na gramática pode ser considerado passável, mas, no mínimo, significa que a revisão não funcionou. O World, por exemplo, vive me aprontando e erros de concordância de gênero e número às vezes me surpreendem, mas passo logo o rodo neles quando vejo e tento fingir que não estou envergonhado. Por isso revisar é tão importante. Contudo, ao bom texto, isso não é lá tão palatável, eu acho (eu acho? Eu acho, não, né. Isso é inadmissível! Erros demais em um livro inviabilizam-no como bom livro e ponto! E existem muitos erros em Fios de Prata).

Nesse momento nem faço questão de comentar sobre o enredo ou os personagens, tamanha é a voracidade felina com que cacei os ratos soltos pelos cantos do livro (e eles encheram um enorme balaio). Pode haver até uma boa fábula por aí, mas eu ainda estou tão distraído com o todo o ruído provocado pelos deslizes e equívocos da escrita que não consegui me ater convenientemente a ela. É de se admirar que a equipe editorial da Leya tenha deixado passar o livro, justo do Draccon, nesse estado (Raphael Draccon é editor-chefe da Fantasy, um braço editorial da Leya, encarregado de publicar autores nacionais que não o próprio Rapahel Draccon). Ressalto o péssimo uso da vírgula, deixando frases inteiras sem sentido. É falta de conhecimento da língua, mesmo. Seria conveniente que a Leya deixasse o trabalho de revisão e correção com profissionais mais qualificados e não a estagiários e aventureiros.

Sim, há uma história muito interessante, que o Draccon foi buscar nas HQs do Sandman, de Neil Gaiman (publicada originalmente pela Vertigo, braço da DC Comics, e trazido ao Brasil, pela primeira vez, nas décadas de 80/ 90, pela Editora Globo, e republicada a exaustão por várias outras editoras até hoje). O livro faz até uma invocação da série no frontispício do livro: Reconstruindo Sandman, como não poderia deixar de fazer, tal a alusão mais que ideal, à obra de Gaiman. Isso, na minha opinião, aproxima muito o trabalho de Draccon ao de uma fanfic, embora ele tenha criado dois personagens, o jogador de futebol Allejo e a ginasta Ariana, para encarnar os protagonistas de sua obra, que tenta ser original em algum ponto (incluindo o viés espírita correlato aos fios de prata, que dão título ao livro). Há também momentos de boa leitura, mas esses são sempre devidos a colagens que o autor faz de notícias e acontecimentos contemporâneos ou marcantes do século XX, onde guerras, crimes e turbulências sociais das mais variadas, são creditados aos pesadelos gerados devido à guerra no Sonhar (o universo dos sonhos onde se passa grande parte da aventura).

Há também o artifício bem interessante de mudar o tom impessoal quotidiano das falas, do mundo real, para o português arcaico, em segunda pessoa, quando nos transportamos para o mundo onírico (mundo dos sonhos). E pode-se perceber claramente o trabalho de pesquisa que Draccon liga ao plot (drogas, assassinatos, atentados etc.; tudo seria consequência de pesadelos no mundo imaterial), mas Draccon escorregue, às vezes, como no episódio que fala sobre o lançamento das duas bombas atômicas no Japão, durante a Segunda Grande Guerra: para Draccon, as duas bombas foram atiradas sobre Nagasaki, o que está errado (a primeira foi sobre Hiroshima). Noutra ocasião, ele se refere a Pôncio Pilatos (governante/ magistrado da Judéia, nos tempos de Cristo) como imperador de Roma (IMPERADOR??? Tenha só...). Descuidos que desqualificam a pesquisa e que, no contexto geral, refletem a falta de cuidado com que a obra foi produzida.

A história gira em torno de Allejo, como Mikael Santiago é mais conhecido; um craque que está prestes a ser contratado pelo time francês Paris Saint-Germain. Conhece Ariana Rochembach (que, apesar do sobrenome germânico, é descendente de italianos, vai saber por quê...) e acabam se apaixonando e dividindo uma sina terrível: os sonhos que Allejo tem e que o transportam para o mundo de pesadelos e terrores. Por alguma razão, Morpheus, Phobetor e Phantasos, os lordes do reino dos sonhos e pesadelos, estão em guerra e Allejo é trocado por Ariana e seus pesadelos passam a ser habitados por ela. Uma proposta bem interessante e até ambiciosa, tendo-se em vista a imensidade de aspectos psicológicos (e parapsicológicos) a serem abordados.

O autor tem o hábito de apelidar seus personagens por adjetivos, porque, em algum momento do livro, é dito, por exemplo, que Morfheus é o irmão mais novo, então, lá na frente, Phobetor se refere ao caçula. Isso é muito confuso. Até você lembrar que o caçula é o Morfheus é um troço bem ruim. Draccon faz muito isso, com os outros personagens também. Deveria haver um tratamento mais condizente para com eles, até para facilitar para o leitor.

Em matéria de personagens Allejo foge muito do estereótipo de jogador de futebol. É que ele conhece muito da cultura popular que seria mais plausível a um nerd. Cá para mim (e isso não é preconceito, mas a simples visualização do arquétipo), jogadores de futebol profissionais (e mais ainda os profissionais que se tornam craques internacionais envolvidos em negociações milionárias), passam a vida jogando bola, só pensam nisso e só vivem nesse meio. Não tem lá muito tempo para ler Tolkien, assistir seriados de TV ou ler gibis cult como Sandman (referências muito abordadas durante a narrativa). Ignorar isso é até uma falta de bom-senso e conhecimento de mundo. Já Ariana é retratada como uma mocinha de sotaque gaúcho, e suas falas são permeadas com bás e guris por todo lado, mas o mesmo não acontece com Allejo, que não trás seus sotaque do sudeste no texto (opção do autor de fazer o gaúcho como alienígena ao seu padrão). Não ficou bom, mas nem por isso o livro poderia ser considerado ruim.

Num dado momento, Ariana some do texto e fica apenas Allejo como personagem principal. Ariana se torna apenas um joguete sobre o qual Allejo faz sua trajetória monomítica, a la Matrix, por centenas de páginas.

O pior de tudo é a péssima escrita (vou insistir) com que essa história é narrada. PÉSSIMA. As mancadas no português são de todos os tipos e dos mais cabeludos. Construções das mais bizarras, frases inteiras sem qualquer lógica, pontuação incompreensível, palavras escritas erroneamente (!), parágrafos de puro delírio literário, períodos risíveis, vocábulos equivocados nos piores lugares e por aí vai... Um exagero, sim, concordo! E não é culpa somente da revisão não! Muito pelo contrário. Imagino como esse texto deveria estar antes de ser revisado. Nada a dever para crianças de doze anos que se metem a escrever seu primeiro romance; deslizes dos mais absurdos, de uma incompetência que daria pau em qualquer ENEM.

Mesmo se dando ao trabalho de retirar as ciladas que o Word prega na gente, como já aventado, ainda assim ficam erros conceituais, de semântica, de concordância e de tempo (de tempo! Isso é imperdoável!) que denigrem qualquer imagem (a não ser que você seja um fã, e para o fã ao ídolo se perdoa tudo). Deixa eu ser mais claro: semântica é o significado de uma palavra, é a aplicação de uma palavra para exprimir o que ela é. Errar semântica é o que o Giovanni Improtta, o bicheiro, personagem de José Wilker, numa novela global (cujo mote era: Felomenal), mais fazia. É não saber o que uma palavra significa!!! É dizer navio quando se quer dizer canoa; é dizer amor, quando se quer dizer ciúmes; é achar que sapato é combinação de sapo com pato. Meu... Espera-se que um escritor saiba um mínimo da língua, certo? Ou é má vontade minha? Não é pouca coisa não! Dá dó ler um livro assim. Dó dos leitores desavisados, muitos deles crianças ainda, que um dia errarão o português num e-mail, numa questão na escola ou no vestibular por, talvez, terem desaprendido a língua com esse texto vergonhoso.
Carlos Augusto 30/05/2013minha estante
Albarus,

Corre o boato no meio literário que o seu romance, "A Fome de Íbus", foi recusado pelo selo Fantasy, atualmente gerenciado pelo Raphael Draccon.

Agora, a pergunta que não quer calar: a sua resenha (acima, sobre o livro do Raphael) teria sido influenciada por esse fato?

Obrigado,
Carlos


Vitor 22/08/2013minha estante
@Carlos Augusto:
A obra é tosca mesmo, o texto do livro é vergonhoso. Não é, portanto, "puro recalque" do Albarus direcionar à obra uma crítica tão negativa, veja bem: há outras inúmeras críticas negativas referentes a Fios de Prata. Não é por que ele não gostou que está recalcado. Eu mesmo compartilho da opinião dele.


Marcos 06/10/2013minha estante
Não é a primeira opinião "Não blog" que leio sobre o quanto os livros dele são ruins. Tenho esse livro para ler, mas tenho tanta coisa boa que esse sempre vai para o final da fila.




Ricardo Santos 02/10/2015

péssimo exemplo para novos autores
Fios de prata é um tapa na cara de qualquer aspirante a escritor de entretenimento no Brasil. Pelo menos, para aqueles autores que acham que escrever bem é o começo de todo esse complicado processo de publicar um livro, de ter uma carreira. O exemplo deste romance mostra que é mais fácil ser um sucesso praticando o oposto. Nada de texto fluido, com bom ritmo, sintaxe clara e trama bem desenvolvida (e de preferência, com alguma criatividade ou elemento novo). Nada de escrever um texto decente, que não provoque vergonha alheia. Faça apenas um texto minimamente estruturado, que consiga passar pelo crivo de uma editora profissional. Crie um universo minimamente interessante com personagens e situações cheios de fantasia. E dedique a maior parte de seu tempo se promovendo, dizendo as pessoas como você é um autor tão especial. Investir no aprimoramento do texto não é o mais importante. Os livros não são um fim, mas um meio para o autor estar em evidência. Outra coisa é o autor que rala para escrever o melhor texto possível, e depois sai promovendo um livro em tudo quanto é lugar. Ele quer ser lido. Ele quer que, no final, falem mais do seu livro do que dele. Fios de Prata é um romance que teria potencial para ser algo bom, uma muito bem-vinda novidade em nosso mercado editorial, mas que falha miseravelmente por sua execução pobre e por muitas ideias batidas. E o que piora sua situação é o fato de estar bastante ligado ao universo de Sandman, de Neil Gaiman, muito superior em todos os aspectos. Fios de Prata acaba ficando ainda mais nanico.
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gleicepcouto 10/09/2012

Fios de Prata: onde a fantasia encontra a realidade
www.murmuriospessoais.com

***

Raphael Draccon, além de autor, é roteirista e responsável pelo selo Fantasy (da Editora Casa da Palavra, Grupo LeYa). Como escritor, é mais conhecido pela trilogia fantástica Dragões de Éter (LeYa), que já vendeu milhares de exemplares. Suas obras também já foram publicadas fora do país.

Dessa vez, ele 'ataca' com Fios de Prata - Reconstruindo Sandman (LeYa), contando a história do jogador de futebol brasileiro mega famoso, Mikael Santiago, mais conhecido como Allejo. O atleta, que está prestes a fechar uma negociação de valor estratosférico com o Paris Saint-Germain, conhece a ginasta, também brasileira Ariana, e logo se apaixonam. O que Allejo não fazia ideia, entretanto, era que os dois fariam parte, cada um à sua maneira, de uma batalha onírica nunca antes vista.

Tudo porque Morpheus, ao passar a perna em Madelein, Senhora dos Sonhos Despertos, ganhou a atenção dos sonhadores terrestres, causando rebuliço entre outras entidades, inclusive os próprios irmãos Phobetor e Phantasos. Madelein aproveita esse desequilíbrio para levar adiante um desígnio que não somente era seu, mas que também fazia parte de um propósito maior.

O problema é que, em meio a tantas divergências, uma iminente guerra irrompeu pelo Sonhar, e Allejo embarcou em uma viagem à procura de sua amada, mas também do seu próprio eu, enfrentando suas várias facetas e medos. Além, claro, de alguns demônios no meio do caminho.

A leitura de Fios de Prata foi uma experiência diferente. Sabe quando você começa um livro pensando A e termina pensando B? Foi exatamente isso que aconteceu comigo. Uma história que, para mim, começou um pouco intricada; mais para frente, começou a fluir.

Acredito que parte dessa resistência inicial à história tenha relação direta com o casal protagonista. A escolha de retratar atletas, eu achei até interessante (diferente), assim como suas personalidades bem elaboradas. O que não vi em Mikael e Ariana, entretanto, foi química. Não consegui visualizá-los como um casal apaixonado. Na verdade, a história de amor deles se desenvolveu em uma velocidade/intensidade que me incomodou. Mas vá lá, o amor motiva as pessoas a lutarem contra as oposições e, "irem até o inferno" por elas; como propõe o livro.

Mas ainda bem que o Fios de Prata não é apenas um romance entre um jogador de futebol e uma ginasta. Não somente. Então, o foco é outro. E esse 'outro', Draccon desenvolveu muito bem.

Não dá para passar despercebida a estrutura milimetricamente pensada em Fios de Prata. No livro, além de encontrarmos os estágios da 'Jornada do Herói' (Um 'viva' a Joseph Campbell, por favor.) , percebemos a organização do plot com bastante clareza. (Vocês não fazem ideia de como quase choro de alegria quando vejo esse cuidado em livros nacionais.) Os pontos de virada também estão lá, bonitinhos. O (plot) twist ending, inclusive, merece uma menção honrosa. (Olha eu aí, já imaginando uma adaptação para a tela grande.)

Se consigo visualizar uma adaptação, com certeza, é porque a narrativa é eficiente. Draccon é minucioso nas descrições, às vezes, parecendo ter algum tipo de TOC. Particularmente, não me incomodo. Gosto de descrições apuradas, que tenham a capacidade de nos transportar para aquele mundo. Na verdade, em fantasia, considero esse atributo indispensável. A única ressalva que faço aqui tem relação com as cenas da guerra em Sonhar. Considerei a batalha, em si, extensa, na medida que Mikael ainda se preparava para entrar em cena. Apesar de entender as razões dessa narrativa, por vezes, a impressão que tive era de que a guerra não saia nunca do lugar, na mesma proporção que Mikael demorava a aparecer pra resolver a situação. (Ansiedade. Oi?)

A parte de pesquisa de Fios de Prata é algo monstruoso e aqui, um momento pra palmas. (Clap, clap, clap!). Draccon, visivelmente, dedicou muitas horas para pesquisar mitologia, filosofia japonesa, cristianismo, cultura pop, fatos reais. Pode parecer confuso, né? Mas não é, e acho que deu muito certo. Gostei do modo como os elementos tradicionais de mitologia (Deuses como Hypnos, Thánatos, Morpheus, Phobetor e Phantasos), cristianismo (Jesus Cristo, Dimas, Agesta) e cultura japonesa (Masamune) se 'fundiram' a assuntos contemporâneos e reais, tanto no âmbito cultural (U2, J K Rowling, Neil Gaiman) quanto no social (através das diversas menções a catástrofes – uma delas, por exemplo, o caso do índio queimado vivo por playboys, em Brasília). Draccon conseguiu harmonizar realidade com a fantasia e como esses mundos interagem, sem soar esquizofrênico, e isso é pra poucos. Como a batalha é travada entre os irmãos que representam todas as personificações dos sonhos, tudo pode acontecer e todo tipo de seres participam dela. Então há elfos, dragões, feiticeiras, orcs, basilisco e guerreiros para todos os gostos.

Sobre a linguagem na obra, considerei interessante o uso de recursos gráficos como onomatopeias e negrito, itálico e caixa alta, para dar ênfase em algumas palavras. (Confesso que não me habituei ao uso de reticências para indicar silêncio nos diálogos.) Por outro lado, o ‘sotaque’ sulista da ginasta, demonstrado através de certas expressões, me irritou. Entendo que é interessante sair do eixo RJ-SP, que o Brasil é enorme, que mostrar as diferenças é bacana e todo esse blablabla. Não é questão de preconceito linguístico meu, mas de achar que o modo da personagem se expressar deu um ar caricato à Ariana.

Em relação à parte gráfica, sem comentários. A capa é belíssima, ilustração do genial Kentaro Kanamoto - responsável também pela ilustração da capa de Ruas Estranhas (Fantasy). Simplesmente é a capa mais bonita dentre os livros nacionais lançados esse ano. Fato.

Mas não só de uma capa bonita se faz um bom livro, certo? E Draccon sabe disso. Tanto que Fios de Prata é um livro coeso, com início, meio e fim; enredo atraente, com estrutura e pesquisa impecáveis. Falem bem ou mal dessa nova geração de autores nacionais, o fato é que os itens aqui expostos, para mim, somente confirmam que o autor merece o lugar de destaque que tem na literatura nacional atual.

Avaliação: (Muito Bom)
Autor(a): Raphael Draccon
Editora: LeYa
Ano: 2012
Páginas: 352
Valor: $25 a $40
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Matheus 07/03/2015

Criando pouquíssimo e abusando das referências, Raphael Draccon faz uma história medíocre, que nos deixa com um gosto amargo na boca pelo potencial desperdiçado.
http://antarktos.blogspot.com.br/2015/03/fios-de-prata-raphael-draccon.html
Ernani 25/07/2015minha estante
só a chamada da resenha já resume meu sentimento por esse livro




Samara MaiMa 01/10/2012

DESIGN

Uma das capas mais bonitas do ano que aproveita ao máximo a proximidade que a fantasia tem da ilustração. Aliás, já conhece o portfolio do Kentaro Kanamoto, o ilustrador deste livro e de Ruas Estranhas?

De verdade acredito que se fosse uma capa fotográfica perderia imensamente a força que Fios de Prata tem. Eu esperava um relevo seco no título do livro, mas o verniz localizado fez um bom trabalho de "textura". Achei bonita a diagramação da quarta-capa que quebra o sentido de leitura que normalmente temos nesta área. Só achei que a textura de madeira da imagem de fundo ficou um pouco escura demais. O Rico Bacellar, designer responsável, disse que as cores estavam muito carregadas na capa inteira. A intenção original era que fosse tudo um pouco mais claro. Para a próxima reimpressão esperem algumas surpresas na capa.

O miolo é muito bonito! A escolha da Berkeley, que é uma fonte quase "sans serif", mas que mantém uma serifa sutil, dá uma harmonia, agilidade e faz com que a massa de texto seja muito mais agradável de olhar. Como ela é um pouco "fina" no corpo, ela não cria uma mancha pesada e preta na página. O livro é dividido em três partes com trechos da música Imagine, do John Lennon, e em capítulos numerados que, mais para o terço final do livro, ganham subdivisões por personagens.

Uma marca forte do estilo de Draccon é o parágrafo/frase solto, com uma separação intencional, ao final do capítulo. Sempre tenho a sensação de ênfase quando leio estas frases. Fora um ou outro probleminha/errinho na revisão não percebi nada de ruim no projeto gráfico. Só tenho uma pergunta: quem edita o livro do editor? ^_^

HISTÓRIA

Desde que terminei a trilogia Dragões de Éter (que tem resenha do primeiro livro aqui) fiquei meio orfã do estilo de fantasia criado por Raphael Draccon. Ainda não tive a oportunidade de ler Espíritos de Gelo, ainda mais por ser um livro de "terror". Então, quando anunciaram Fios de Prata fiquei extremamente ansiosa, tanto pelo novo livro quanto pela possibilidade de conhecer uma história completamente nova do autor.

Será que Raphael Draccon conseguiria me conquistar novamente como fez com Dragões de Éter?

Misturando várias mitologias, personagens carismáticos, descrições cinematográficas e uma oração que é a mais bonita de todas, na minha opinião, o autor cria uma história de sonhos. De Sonhadores. De uma dimensão em clímax para um guerra pelos sonhos de todas as pessoas. Pelo domínio dos fios de prata de todos os humanos que existem. De traições e trapaças e de amor incondicional e verdadeiro. E de um final único e surpreendente.

Tal qual os sonhos da gente que muitas vezes são confusos e enigmáticos, a narrativa de Fios de Prata me confundiu e me ludibriou. Por vezes pareciam duas histórias que caminhavam em paralelo, e que eu não via aonde se cruzariam. Mas quando as respostas são dadas e os acontecimentos se reúnem, o queixo cai de uma forma que você fica com a grata sensação de que "ainda bem que eu não vi essa resposta chegar"!

A escrita de Draccon continua agradabilíssima de ler. É ágil, fluida, atual. Usa de muitos conteúdos da cultura pop e referências e situações cotidianas. Uma das coisas que mais gostei foi ele utilizar os acontecimentos de sua história para "justificar" ações que vimos em nossos dias, como o caso von Richthofen.

Do jeito que o autor cria a sua dimensão do Sonhar, ela passa a ser tão crível quanto a existência do céu e do inferno, que inclusive são, locais fronteiriços aos domínios de Morpheus.

A narrativa também está um pouco mais adulta, com os personagens tendo relações sexuais (mas nada descritivo aqui, seus safadinhos!), apesar de o foco principal ser a ação e o conflito. Os personagens também são mais maduros. Draccon se permite reflexões profundas sobre idolatria, desejos, sonhos, futuro, universo, deuses, anjos, ..., a lista é longa. Mas em toda a narrativa ele faz você pensar e raciocinar junto com os personagens. E mesmo que sua opinião acabe sendo de alguma forma diferente, a semente da busca por respostas já foi plantada.

No fim das contas, existindo ou não esta dimensão para onde viajamos ao dormir, seguros por nossos fios de prata, o que importa é que todos nós sonhamos. Sejam sonhos despertos, desejos, ou não. E até onde nós iríamos para que nossos sonhos fossem vivos e realizados.

"Por você, eu iria até o inferno!"

Até a próxima! o/

Gostou da resenha? Então fique à vontade para visitar meu blog e ler todas que já escrevi. Parafraseando Livros: http://www.parafraseandolivros.com.br
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Anne 07/01/2021

As últimas 80 páginas me prenderam, de fato. Mas fora isso achei a narrativa lenta e arrastada. Muitos personagens são abordados, a história acabou ficando picotada demais.
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Júlia 10/01/2015

Cortando fios de prata
Esse livro, realmente, comprei pela capa. A capa possui uma ilustração muito bonita e que me agrada muito. Não leio muito sobre as histórias antes de ler um livro, pois não gosto de spoilers de jeito nenhum. Então, pelas poucas informações da capa + a ilustração, resolvi dar uma chance ao autor.

A premissa era boa. Mas não gostei do estilo de narração, nem da montagem da história. São muito elementos misturados, sem muita conexão, apenas na tentativa de criar descrições fantásticas. Não me identifiquei e nem fui tocada por nenhum dos personagens.

Se estiver meio sem livros na fila de leitura, vale as páginas... Mas se tiver outros de fantasia na lista, coloque este ao final...

:)
Livia Mantuano 03/05/2015minha estante
Vou seguir seu conselho =)




Vincent.Uriel 28/09/2020

Um dos melhores livros de fantasia
Sempre falo que autores brasileiros são os melhores escritores de fantasia, Fios de Prata é o melhor exemplo disso. Draccon é meu autor favorito e por um bom motivo, ele consegue transformar os mundos e personagens mais estranhos e fantasiosos em algo palpável. Fios de Prata te apresenta paisagens incríveis e personagens únicos durante toda a sua narrativa.
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LUA 17/12/2014

Salada Literária
Esse foi o primeiro livro que li para os desafios literários dos quais estou participando e será um dos últimos a ser resenhado. Porquê? Eu precisava deixar a história "assentar" para eu poder decidir o que realmente achei desse livro.

Diz a lenda grega que da união de Hypnos (personificação dos sonhos e Gracia Pasitea (uma das graças) nasceram três deuses menores, Phantasos, Deus do Inanimado que depois recebeu o reino de Phantasia, Phobetor Deus dos Pesadelos e Morpheus o lorde moldador, o senhor das memórias.
Dos três, Morpheus se tornou tão amado pelos humanos na figura do Sandman que, muitos nem conhecem seus outros irmãos oníricos. Em um pedaço do reino do Sonhar , habita também Madeleine, o anjo dos sonhos despertos. Descontentes com o reconhecimento de Morpheus e seu esquecimento, uma batalha épica com uma jogada arriscada está se delimitando e poderá atingir não só o território do sonhar, mas o fio de prata dos sonhadores terrestres.
Enquanto isso, no orbe terrestre conhecemos Milkael Santiago, o Allejo, uma promessa do futebol brasileiro vendido ao Paris San Germain por uma cifra exorbitante e Ariana Rochembach, (uma descendente de italianos, com sobrenome alemão!) ginasta brasileira, sulista - uma ressalva: colocar dois protagonistas esportistas foi de imensa criatividade, tirar o foco do eixo RJ -SP também, porém, o uso exagerado de Bah, Tchês e Guris por parte de Ariana deixa a fala dela irritante - uma promessa da ginástica olímpica nacional.
Certo dia, já em Paris ( preste atenção ao local) Allejo vai assistir a uma apresentação de Ariana e se vê apaixonado por aquela deusa das rondadas flip flap, e duplos twists carpados ( Raphael faz questão de explicar, cada salto, cada passada, como se você estivesse vendo a apresentação da Daiane dos Santos na Olimpiadas e pela televisão) e se apaixona. Faz de tudo para se aproximar de Ariana e conversar com ela e o tema inicial é claro, esportes. Ariana a princípio, não dá muita conversa a Allejo, o considera um "garoto" mas depois de um tempo, eles começam a sair e a namorar.
É quando Allejo faz uma das principais afirmações do livro:
"Por você eu iria ao Inferno"
O que liga Allejo ao reino do sonhar é que ele convive com inúmeros pesadelos onde estão demônios, súcubos e corpos com um estranho fio acoplados a eles, uma espécie de teia, um fio de prata. Porém pouco depois de iniciar seu namoro com Ariana, é ela quem passa a ter pesadelos em seu lugar. Esses pesadelos começam inclusive a interferir na vida desperta de Ariana, que sofre um grave acidente que a deixa presa em uma situação de onde só Allejo será capaz de resgatá-la.
Para esse resgaste Allejo terá de ser capaz de entender quem é (ou foi), qual o seu desígnio e aprender a confiar em pessoas e situações que nunca viu. Para salvar Ariana, ele terá que sonhar.

O livro todo se passa entre a Batalha do Reino do Sonhar e o mundo terrestre, as cenas são divididas pelo subtítulo com o nome do protagonista e muitas vezes as situações se passam ao mesmo tempo aqui ou lá.
Existem outros personagens, e é por meio deles que são feitas as ligações entre o mundo desperto e os sonhos. Personagens que seguirão e instruirão Allejo até sua batalha final.
Um ponto legal na leitura é que a cada ação praticada no reino do Sonhar corresponde uma ação aqui na Terra e Draccon usa fatos reais para demonstrar tais atos. Quando Lorde Phantasos se une a guerra no sonhar ao lado de Morpheus, o mundo que era derrota não era mais:
" A policia grega havia prendido um homem de 31 anos com uma aparência tão inofensiva e debilitada que outros sentiam pena ao avistar. O sujeito era um canibal que matou outro homem, esquartejou-o e comeu algumas de suas partes. Tentou beber o sangue do morto, mas dissera não ter se adaptado ao gosto da seiva. O homem morto era seu pai."

Ate aí o livro é muito interessante, porém do início da instrução de Allejo até sua batalha por Ariana, o livro se mostra como que eu chamei de salada literária, porque se no início você tem uma mitologia grega influenciando na conduta humana, na instrução de Allejo para a batalha,que é feita na Terra por um grupo de pessoas, que se reúne onde ,creio eu, se assemelha a um centro kardecista (lembra quando eu falei para lembrar que o encontro deles foi em Paris? A França é a terra natal de Alan Kardec), que o ensina a fazer uma viagem astral.
Depois disso, você encontra elementos não só mitológicos, como kardecistas, cristãos (nos últimos capítulos, passagens do Apocalipse são citados para ilustrar ações) e um pouco de cultura japonesa com Masamune. Além disso, como a batalha principal se dá no Sonhar a presença de dragões, elfos, feiticeiras e uma variedade extensa de guerreiros, lutando lado a lado com anjos e demônios, incluindo nesses o Arcanjo Gabriel na sua eterna luta com Lúcifer e as hordas do Inferno liderada por Baalzebu, Abadom e o Senhor das Moscas.
No mundo dos sonhos, quando Allejo questiona porque ele é tão importante para a luta, a explicação vem da teoria de reencarnações que no seu caso remonta ao tempos de Cristo (nessa parte, o livro me pregou um belo susto!)e a filosofia da dualidade do ser humano de Descartes e Lock.
E aí fiquei me perguntando, se esse livro seria incômodo a quem segue alguma religião, pois tratar dogmas como fantasia...ou se o livro não seria qualificado como fantasia, mas como leitura espiritual, chegando a auto-ajuda com elementos fantasiosos.

Sobre a escrita, a repetição de descrição de alguns dos personagens e o uso de pseudônimos me incomodaram um pouco Quando ele fala por exemplo, do dragão montado por Phobetor na batalha, ele repete em várias trecho que se tratava de uma forma pensamento criada pelos pesadelos humanos; já em outros trechos, ele chama Morpheus de o caçula, e Phantasos de O primogênito e daí você ficar lembrando da ordem de nascimento de cada um é complicado. Fora alguns errinhos de grafia (eu peguei acesso com um só s, que se transformou em aceso) e alguns erros de pontuação, porém, eu já li por aí que a revisão da LeYa não é boa, o que não é culpa do autor. Como esse é o primeiro livro da Editora que leio, não posso condená-los de todos, erros acontecem.

Eu falaria mais sobre o livro, mas o medo de contar mais do que já contei é imenso, e respondendo a pergunta sobre o que eu achei: A história é boa, a pesquisa foi interessante e fora alguns fatores irritantes eu gostei e recomendo, se essa misturada toda, não te enjoar.

" Tu inspiraste Rowling e foi nas terras de Morpheus que se moldou Hogwarts. Tu inspiraste Tolkien e foi nas terras de Phantasos que se anexaram as extensões da Terra Média. Tu inspirastes Lovecraft e em minhas terras se ficou Miskatonic. Então eu te pergunto com sinceridade, anjo: Até onde vai tua vontade de ser coadjuvante em um mundo de formas e pensamentos?"

site: www.blogmundodetinta.blogspot.com
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Mari | Triplo Books 06/01/2013

Olá, pessoas.
Eu não sou muito boa escrevendo, então a minha resenha de Fios de Prata e Espíritos de Gelo de Raphael Draccon eu fiz em vídeo nesse link:

http://www.youtube.com/watch?v=isIYMlZwJd4

É um canal literário e a ideia é fazer 1 video por semana e esse primeiro do ano eu escolhi falar de Raphael Draccon por ser meu escritor predileto.

Aceito sugestões de leitura e críticas construtivas tambpem, por que não?

Obrigada.
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weliton.joelmir 04/02/2015

Literatura ou sonho?
Quando comecei a ler este livro, estava muito empolgado para descobrir do que se tratava, logo no prefácio me lembrei que trazia o assunto de "reconstruindo sandman", um gibi que li parcialmente.
Sinceramente, esperava mais da escrita. Com personagens que possuem uma narrativa infantil, você só lembra que é um livro adulto por que há vários palavrões, que me fez pensar: "os cariocas ou os paulistas são assim, por**?" Parece até que estou vendo os personagens do "Porta dos fundos".
A história por ser baseada em um outro conto já deixa a leitura mais difícil, muito mais pra quem não está familiarizado, mas acredito que mesmo aqueles que leram Sandman da DC ficaram meio perdidos com a história.
Cheguei á pensar: "será que sou eu que não gosto de livros do gênero fantasia? Não, pois eu gostei do livro O espadachim de carvão que esperava muito menos."
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