O Lobo do Mar

O Lobo do Mar Jack London




Resenhas - O Lobo do Mar


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Ricardo1z 01/04/2016

Clássicos da literatura 2
Van Weyden é um crítico de literatura com cerca de trinta anos. O navio em que estava naufragou e ele foi resgatado pelo navio Ghost com seu brutal capital Lobo Larsen. Lobo Larsen é um homem de personalidade forte, um materialista, alguém que enxerga a vida como uma eterna batalha a ser conquistada enquanto que Van Weyden é um idealista moralista e crente em Deus, na imortalidade da alma. Embora não seja citado, percebe-se que Lobo Larsen é um adepto de Nietzche, alguém que colocou o conceito de "super homem" em prática. Mas ele também gosta de literatura, e os dois confrontam suas ideias e ideais. Os diálogos e as cenas na Ghost estão entre os mais belos que já vi, e as reflexões de Lobo Larsen nos levam a enxergar o mundo a nossa volta de uma maneira diferente. Sem dúvida um dos livros que mais me levam a devaneios.
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jota 19/03/2012

Não é Moby, estúpido, é Lobo
Aqui não há cachalotes que atacam e destroem barcos ou navios, como em Moby Dick. A fera deste livro é um marinheiro sagaz e cruel que se chama Lobo Larsen. Que também é irônico, muito irônico, e vive citando Nietzsche e Darwin. Muito apropriadamente, dado o seu comportamento e o ambiente em que impera.

Ele é o capitão da escuna Ghost e inferniza a vida de seus subordinados. Também a vida de Humphrey van Weyden, que foi resgatado num naufrágio e se torna praticamente seu escravo.

O Lobo do Mar é uma história movimentada o tempo todo, até parece um western (poeira em alto mar?). Quando não é o mar que apronta alguma para os marujos ou a escuna, tem alguém brigando ou o próprio capitão Larsen lutando contra seus comandados. E todos querendo matá-lo.

Eles formam um bando de homens rudes dentro dessa escuna que se desloca para o Japão à caça de focas. Humphrey ou Hump, que foi resgatado de um naufrágio e é um sujeito civilizado e culto está vivendo dias infernais nessa nau de insensatos. É ler para crer - você quase sente o mau-cheiro que impregna a todos. Nada estranho, o autor é, afinal, Jack London.

As coisas se tornam mais dramáticas (e também românticas) quando uma mulher, Maud Brewster, escritora, é resgatada de outro naufrágio (ocorrem vários deles durante a narrativa). Hump, o civilizado, se apaixona por ela. Larsen, o bruto, quer tê-la à força.

Hump e Larsen: dois homens em conflito. Ou o bom e o mau; o feio é o confronto sangrento em que se veem envolvidos pela "posse" da mulher. Quem irá sobreviver e ter Maud nos braços ou à força? Larsen ou Humphrey? Tem que ler para saber.

Lido entre 11 e 19.03.2012.
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Literatura com M 04/10/2016

Resenha: O Lobo do Mar
Humphrey van Weyden é um homem de 35 anos que vive de herança e o único trabalho que faz é escrever artigos literários para um importante jornal. Ele é delicado, tanto na personalidade quanto no físico. Era, inclusive, chamado de Humphrey "Florzinha", ou seja, a masculinidade propriamente dita não foi pensada como característica para esse personagem. Ele é uma pessoa que podemos considerar como boa: suas ideias são pautadas no coletivismo, no respeito, na consideração pelo próximo. Ele acredita que somos imortais, ou seja, temos uma alma imortal que, quando falecemos encontra outro corpo e a vida recomeça.
Quando voltava de um fim de semana na casa de um amigo, o navio que o transportava colide com um outro e naufraga. Mas, por sorte ou azar ele é encontrado pela escuna Ghost, cujo capitão é ninguém menos que Wolf Larsen. Totalmente oposto ao Hump, ele é a masculinidade em si, na maneira mais crua: o homem que tem uma força que ultrapassa os limites físicos e exala, intimidando quem está por perto. O homem violento, com físico perfeito, que domina, controla. Como clara consequência, é uma pessoa solitária, tanto porque não tem com quem conversar quanto porque ninguém quer fazer isso.

"Devia medir quase um metro e oitenta, mas a primeira impressão ou sentimento que me passou foi força" - Humphrey sobre Larsen.

Wolf vê todos como levedos - fungos- que apenas vivem para sobreviver, sendo que a vida, de modo geral, não é significante para ninguém além dela mesma. Por exemplo, a vida de um marinheiro só importa para ele, se ele morrer, será apenas um monte de massa. A visão da vida e do mundo de Wolf é completamente desprezível, mas ele é um autodidata, seu quarto é repleto por livros das mais variadas áreas, ele tem gosto pela matemática e sempre quer aprender. Então todos os seus argumentos têm fundamento, embora que mal interpretados. Tanto que o Hump o apresenta a poemas, a personagens, filósofos e etc. para tentar mostrar que a ideia dele é errada, mas Wolf sempre consegue articular a seu favor.
Entre esses personagens há um "climão" gerado pela relação de forte-fraco explícita e pela tensão sexual. Jack London, em suas viagens, presenciou relações entre os marinheiros, o que o deixou impressionado. Mas essa tensão é aliviada quando chega uma mulher que também estava perdida no meio do oceano pacífico. Maud Brewster é inspirada na segunda esposa de Jack, Charmian, que era feminista, embora na época não houvesse esse termo. Então, não esperem aquela mulher frágil que vive para ser salva: ainda que, sim, tenha partes que isso está um pouco presente é nítido que Maud é uma mulher a frente do seu tempo, bem como Charmian.
Sem dúvida os diálogos entre Hump e Wolf são a melhor parte do livro, seguidos de perto pelos outros integrantes do Ghost. Sério gente, eles são incríveis e têm tanta importância quanto os protagonistas porque eles também vivem um embate com o capitão. E quem não viveria, certo? Wolf é marcante não só por causa das opiniões excessivamente materialistas e individualistas, mas porque, acreditem ou não, ele é amoral. Mas é compreensível, Wolf é o super-homem nietzschiano. Além disso, a história de vida dele também influencia na ideia que ele tem do darwinismo social, porque foi, de certa forma, graças a essa ideia que, para Larsen, ele chegou onde chegou. É um personagem interessantíssimo, confesso que várias vezes eu pensei que o Hump conseguiria mudar a forma que ele via o mundo, porque o Wolf é inteligente, ele têm conhecimento e é inevitável torcer para ele. Só que ao mesmo tempo que temos esperanças temos tanta raiva dele quanto os outros personagens. Wolf tem uma profunda relação de amor e ódio com o leitor.

"...Psiu! Que fique entre nós dois e aquela escora ali, esse Wolf Larsen é o diabo escarrado e o Ghost vai ser a barca do inferno que tem sido desde que ele pisou nesse convés. Wolf Larsen é a besta, a grande besta mencionada no livro do apocalipse".

O Lobo do Mar é um daqueles que você não sai a mesma pessoa juntamente pela carga filosófica e reflexiva, está, portanto, mais que recomendado.

Veja a resenha completa no blog!

site: http://literaturacomm.blogspot.com.br/2016/10/resenha-o-lobo-do-mar.html
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Inácio 08/04/2013

Filosofia e decepção
Imagine você sendo uma pessoa bem de vida, tendo de tudo, nunca trabalhado... Fora Jesus, Buda, Epicuro e mais alguns, dificilmente alguém não iria querer isto. Pois bem, esta é a situação inicial do personagem central do romance "O Lobo do Mar", o jovem Humphrey Van Weyden.
Tudo entretanto muda quando o barco onde Humprey viajava naufraga, e ele é salvo por um barco de caçar focas que está se dirigindo ao Japão. A primeira coisa que você faria seria dar graças a Deus por ter sido salvo, ou talvez não... Isto porque o terrível capitão do navio, Lobo Larsen, não tem interesse algum de levar Humprey a algum porto seguro, fazendo deste modo com que o jovem, até então rico e bem de vida,fique, contra vontade, sendo auxiliar do cozinheiro de bordo, um sujeito que consegue ser mais desprezível que Larsen.
O que observamos lendo o livro são uma série de situações que tem como objetivo mostrar as condições grosseiras com que todos os homens daquela escuna vivem, a brutalidade, a transformação sofrida por Humphrey ao estar envolto neste ambiente, e com certeza a personagem complexa que é o capitão Larsen.
Um dos charmes da obra é que ela tem doses de aventura e também de reflexões filosóficas que se harmonizam, e você sente que estes elementos se completam na história, no que se refere as teorias pessimistas e materialistas que Lobo Larsen tem, por exemplo, que podem ser percebidas no fim da história. Sinceramente, não sei o que está esperando quem ainda não embarcou nesta aventura.
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Wueslle Thibes 11/09/2017

Uma ode à filosofia
“Somente então a crueldade do mar, sua inclemência e seu horror se revelaram para mim. A vida tinha se tornado reles e descartável, uma coisa bestial e desarticulada, um frêmito desalmado no lodo.”

“Acredito que a vida é uma confusão - ele respondeu de imediato. É como um levedo, um fermento, uma coisa que se move e pode continuar se movendo por um minuto, uma hora, um ano ou cem anos, mas que no fim vai parar de se mover. Os grandes devoram os pequenos para que possam seguir se movendo, os fortes devoram os fracos para manter sua força. E quem tem sorte devora mais e se move por mais tempo. Isso é tudo.”

Senti extrema necessidade de redigir algo a respeito dessa obra pra me ajudar a elaborar-la. Jack London, o autor de O Lobo do Mar foi um homem de muitas aventuras, desde operário numa linha de produção até pirata em uma escuna de caça, vivenciou muitas desventuras, e delas tirava suas idéias para suas obras.

O Lobo do Mar trata-se de uma ode à natureza humana, aborda de forma magistral um dos mais antigos questionamentos filosóficos, idealismo ou materialismo? O que predomina, a matéria ou as idéias? Como dois opostos, Humphrey Van Weyden é a tese com seu idealismo alemão, Wolf Larsen é a antítese com seu materialismo pessimista e por fim, Maud Brewster foi o caminho para uma síntese.

Humphrey Van Weyden era um burguês, no sentido clássico do termo, um crítico literário envolto nas mais altas elites sociais da época, sempre tivera as coisas a mão. Ao se envolver em um acidente com o navio que o levava para São Francisco, acaba sendo resgatado pela escuna de caça a focas Ghost. E aqui nos é apresentado o, à primeira vista, irascível Wolf Larsen. Homem robusto, aparentava num primeiro momento uma crueldade irracional, uma agressividade primal tais quais os nossos ancestrais.

A bordo do Ghost, toda a filosofia idealista de Hump é colocada a prova. A moral destoante do “povo civilizado” agredia-o, e a percepção constante de que sua psyche ia cedendo a esses comportamentos primitivos gradativamente começava a lhe perturbar. Não só pela perda da sua inocência, mas pela naturalidade em que ele estava recebendo tudo aquilo. As brutalidades de Wolf Larsen deixaram de lhe incomodar no momento em que Hump percebeu que o Lobo não era imoral, e por isso fazia coisas consideradas erradas por um contexto, como um louco que sente prazer ao pecar contra a sociedade. Larsen não cometia crimes contra o outro porque lhe faltava a moral que lhe diria o que é crime. Criatura amoral, o super homem nietzscheniano.

Ao passo que o protagonista precisa lidar no campo das idéias com essas asserções, desventuras circundam a vida marítima daquela escuna.

A magistralidade dessa obra aparece justamente na capacidade de trazer a tona o essencial do ser diante de debates intrinsecamente filosóficos em meio a um ambiente caótico e que por si, como uma entidade, inspira o materialismo.
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Taitasiq 21/03/2021

O lobo do mar
Essa é a história de Humphrey Van Weyden, um gentleman, homem de rendas garantidas, que tem o azar de naufragar e ficar à deriva até ser encontrado pelos marinheiros do Ghost, um navio comandado pelo nada simpático Lobo Larsen.

O comandante desde o início se mostra grosseiro e rude. Ao se deparar com um náufrago de mãos delicadas, um dos primeiros questionamentos que Larsen faz a Humphrey é: quem o sustenta?

"Quem conquistou essa renda? Seu pai, com certeza, e você vive sobre as pernas de um homem já falecido. Nunca obteve nada pelo esforço próprio. Não sabe cavar a vida, se o largarem só."

Então, Lobo Larsen oferece um emprego a ele no navio, quando tudo o que ele quer é desembarcar em qualquer porto. Esse é só o começo dessa indesejável aventura. Com o passar dos dias, Humphrey vai conhecendo mais a fundo aqueles homens "impermeáveis", como disse o protagonista. Impermeáveis aos sentimentos, às dores, ao cansaço e aos medos mundanos.

Contraditoriamente, Lobo Larsen era um admirador de literatura e questionador do sistema de privilégios que sustenta a sociedade: "Você usa roupas agradáveis. Outros teceram e coseram essas roupas - mas lá estão andrajosos, a tiritar de frio, implorando de você, ou do seu advogado, ou do seu procurador, um miserável emprego". Por aí já se vê o quanto esse personagem é peculiar e vai provocar muitas reviravoltas na vida do nosso protagonista.

A narrativa é em primeira pessoa, contada por Humphrey, o que facilita um pouco a fluidez do texto. Por outro lado, também incorre em mostrar uma visão limitada de tudo o que acontece no navio. Passamos grande parte do texto achando que há apenas personagens masculinos - muitos dos quais, detestáveis -, mas nos deparamos com algumas surpresas no caminho.

Para quem gosta de "literatura marítima", esse livro tem o poder de nos transportar direto para essa ambientação. Mas, antes que eu me esqueça: há gatilhos de violência, tanto entre os homens quanto deles para com uma espécie animal específica.

De qualquer forma, recomendo a leitura.
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Valerya insta @leslivres_ 07/02/2020

A imortalidade...
Trata-se de um livro perfeito. Bom para todos os gostos.
Nele temos divagações filosóficas sobre a vida, terror, aventura e romance.
Uma obra escrita em sua perfeição!
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BetoOliveira_autor 27/01/2020minha estante
Tô lendo o livro, ainda nas 100 primeiras páginas. Não me preocupo muito com essa coisa de spoiler, pois a leitura é singular para cada leitor. Muitas vezes a forma de contar é muito mais rica que o próprio enredo e suas tramas.
Você fez uma síntese sobre a mulher que surge no meio da narrativa. Interessante que ela desperta o amor nos dois homens, e cada passa por profundas transformações. O rejeitado, outrora impávido e brutal, definha até o fim. O outro, antes medroso e passivo, ganha coragem e enfrenta seu contendo. O que não foi capaz de fazer antes, abandonar o barco, fez depois movido pelo amor. Parece que por trás dessa melosa situação, há um forte simbolismo. Tanto o homem sofisticado como o homem bruto não escapam das forças inafastáveis das paixões.


Jessé 27/01/2020minha estante
Sim entendi esse aspecto do livro com a introdução dela, mas o meu problema com isso, é o esquecimento de outros personagens na trama. Como disse, o próprio Larsen é esquecido nas últimas páginas e tem fim meio bobo.
E como também mencionei, a qualidade dos diálogos caem muito ao meu ver. Mas foi um bom livro. Só não achei tão maravilhoso como muitos falam.




@Estantedelivrosdamylla 06/08/2019

Maestral
Sabe aquele livro que você tem vontade de sair em todas as esquinas falando que todo mundo deveria ler? Pois bem, este é um deles. "O lobo do mar" foi uma surpresa para mim, pois achei interessante a sinopse mas não esperava muito, visto que não sabia de como é aclamado pela crítica, dessa forma entrei nesta jornada de forma "ingênua".

Jack London desde os primeiros capítulos hipnotiza com sua forma de narrar uma estória, é encantador, literalmente!! Fiquei vidrada na dinâmica das palavras e na forma maestral da sua escrita. Não consegui desgrudar do livro.

Em alguns momentos ele fala sobre a embarcação na qual se encontra o personagem principal, e claro que existem termos que, para um leigo como eu, são totalmente desconhecidos, porém não é um livro enfadonho que passa muito tempo descrevendo detalhes irrelevantes, pelo contrário, não cansa, é empolgante e possui uma estória maravilhosa.

A estória e os personagens me encantaram. A forma como a filosofia foi introduzida, os conceitos trazidos por Wolf Larsen e Humphrey, as discussões entre eles e a forma como cada um levava sua vida, era fantástico. Os opostos, o moral e o amoral, o civilizado e o primitivo, o materialista e o humanitário. Ideias que nos levam a questionar os conceitos que regem a sociedade.

E por fim, um desfecho que não deixou a desejar, que só me fez querer um pouco mais de Jack London.
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Israel Miranda 03/11/2018

Clássico da Aventura
Ler O Lobo do Mar é redescobrir o prazer da boa escrita. Aliás, boa escrita é apelido, o que London faz aqui é uma verdadeira aula de como contar uma história de maneira impecável.

Uma bela aventura em alto mar que mistura ação, filosofia e terror psicológico. Fiquei um tanto quanto surpreso com a violência, esperava algo mais leve e juvenil.

Foi além das minhas expectativas e entregou um irrepreensível estudo sobre o comportamento humano, ancorado em personagens vivos, pulsantes e multifacetados.

De quebra, temos aqui um dos maiores vilões da história da literatura: Wolf Larsen. Tá esperando o quê pra começar?
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tadeufm 15/02/2011

Sensações e reações
Este foi o primeiro livro que li de Jack London. Gosto muito dos escritores que escrevem romance de aventuras entre 1900 e esse foi o simples motivo de ler Jack London. E me impressionei com o que li, um livro realmente feito pra refletir sobre as pessoas, a partir de um personagem perfeito com Lobo Larsen, que consegue ser ao mesmo tempo repugnante e genial. Um livro pra refletir sobre como vivemos nossa vida, e como a vida pode ser tão diferente neste pequeno planeta. Sensacional e perfeito.
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Mário 07/02/2014

Excelente aventura náutica repleta de discussões filosóficas que versam principalmente sobre implicações éticas e morais que o exercício do instinto de autopreservação, egoísta e muitas vezes cruel, representa em uma sociedade construída sobre o ideal da solidariedade, tolerância e fraternidade.
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Thiago Barbosa Santos 24/07/2019

Aventuras no mar
Um grande clássico de Jack London que estava na minha fila de leitura há muito tempo e só agora pude cumprir com essa missão. Teve tradução para o português de Daniel Galera.

Humphrey van Weyden era um crítico literário que vivia confortavelmente com a renda familiar. Tinha ares de lord. Bem de vida, nunca havia feito nada até em tão além de aproveitar os privilégios sociais e viver a sua rotina. Um dia, meio que por acaso, se aventurou em uma viagem marítima. Mal sabia que aquela experiência transformaria por completo a vida dele.

A embarcação naufragou e ele acabou sendo resgatado pela escuna Ghost. Era o início de um grande pesadelo. O capitão Wolf Larsen, um home forte e terrivelmente cruel, o escravizou e o fez passar pelas mais diversas provações e trabalhos duros.

Ao mesmo tempo que o maltratava e até o agredia fisicamente, o capitão gostava de conversar com ele sobre literatura e filosofia. O livro traz algumas dessas conversas de forma muito detalhada, com citações a autores.

Wolf Larsen é um homem controverso. Ao passo que é ignorante, bruto, violento e cruel, é um homem que lê muito e tem conhecimento profundo em diversas áreas. Mesmo odiando seu algoz, Hump desenvolvia bem essas conversas por medo e também porque era um momento em que ele acabava se livrando dos maus tratos.

A rotina do Ghost ganha uma reviravolta quando uma náufraga, a Maud também é resgatada do mar. Hump se apaixona por ela. O problema é que a moça também despertou o interesse de Wolf Larsen. Certo dia, o homem cruel tentou atacá-la. Hump se encheu de coragem para defendê-la. Antes de sofrer uma consequência mais séria por esse ato, acabou tendo a sorte de ver o seu algoz sucumbir diante de mais uma crise de dor de cabeça, o que vinha arrasando com sua saúde.

Hump e Maud aproveitaram o momento e conseguiram escapar em uma pequena embarcação. Passaram noites de pesadelo em alto mar, enfrentando tempestades, o furor das ondas e por pouco não morreram. Conseguiram chegar a uma pequena ilha, onde iam se virando para sobreviver, principalmente caçando focas. Aquela experiência estreitou a relação de ambos.

Um tempo depois, o Ghost foi parar na ilha. Seriam capturados novamente? Encontraram a embarcação vazia, apenas ocupada pelo capitão Wolf, que estava bem diferente. As dores de cabeça progrediram e o deixaram em estado lastimável. Nem de longe era o mesmo. Oferecia pouco ou perigo algum. Ainda tentou um ato de traição, contido por Maud. Foi definhando até morrer.

Ao casal, a grande chance de fugir de lá e voltar para o mundo civilizado. Desta vez, completamente transformados por aquela experiência, e o melhor, juntos.
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Carol | @carolreads 11/07/2019

O Lobo do Mar
Já pode ser considerado um dos melhores do ano!

O livro acompanha as desventuras do nobre crítico literário Humphrey Van Weyden que, devido a um naufrágio, é resgatado pela escuna Ghost e forçado a trabalhar nela pelo seu temido capitão, Wolf Larsen. Durante a viagem Hump percebe que o capitão é um homem complexo - além de bruto e violento ele é autodidata e tem uma predileção por filosofia e poesia - e o contraste entre os dois homens fica muito evidente.

Como dito no próprio livro, é “no peculiar embate entre os dois homens - entre a concepção de mundo primitiva do capitão e a civilidade e o moralismo de seu refém -, que Jack London ultrapassa o romance de aventura, fazendo de O Lobo do Mar uma reflexão sobre o bem e o mal, sobre os determinismos darwinianos da vida e a condição humana”.

O que tornou o livro tão interessante, para mim, foram os contrastes. A repulsa que Hump sentia das atitudes do Wolf Larsen e a sua posterior atração ao descobrir que - a sua maneira - ele era um homem sofisticado. A descrição da dura rotina da vida em alto mar e da caça às focas, com os diálogos que ocorriam na cabine do capitão... tudo foi feito com maestria pelo Jack London.

Alguém já leu esse livro? Gostaram? Quais outros livros do Jack London recomendam?

site: https://www.instagram.com/carolreads
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