Holy Cow

Holy Cow David Duchovny




Resenhas - Holy Cow


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MiCandeloro 30/04/2016

Divertidóssimo, político e questionador!
Elsie é uma vaca. Seus dias resumiam-se a pastar por horas a fio, ruminar, fofocar com Mallory, sua melhor amiga, sobre os touros além da cerca, ser ordenhada e dormir confortavelmente o sono dos justos. Elsie nunca questionou a vida que levava na fazenda, ou o que o futuro lhe reservava, até decidir sair furtivamente do celeiro à noite para desbravar o terreno.

Foi quando conheceu o Deus Caixa, um objeto estranho e inanimado que os humanos idolatravam a ponto de ficarem hipnotizados em sua presença. O poderoso Deus Caixa mostrou à Elsie a crueldade a qual os animais eram costumeiramente submetidos.

"Primeiro, vi galinhas em gaiolas, fileiras e fileiras e mais fileiras de gaiolas. As galinhas estavam empilhadas, quase sem espaço para respirar. Não sou muito fã de galinhas, mas isso não é vida para ninguém. As coitadas quase não conseguiam se mexer, por isso as garras cresciam em torno dos arames das gaiolas e os seres humanos muitas vezes tinham de cortar os pés delas para tirá-las dali. Comecei a chorar lágrimas grandes e molhadas, que embaçaram e deram um efeito caleidoscópico àquilo que eu olhava, o que tornou tudo ainda mais surreal. Aí eles mostraram porcos, centenas e centenas de porcos, encurralados aos montes também. A situação deles não parecia tão ruim, porcos gostam de andar em bando, mas, mesmo assim, o lugar estava apinhado demais e era sujo e deplorável. Então eles mostraram as vacas. As vacas eram mantidas dentro de um enorme galpão, separadas por umas baias de metal bem estreitas. Mas isso não foi o pior. Porque o impiedoso Deus Caixa mostrou o que acontecia a elas depois: um homem levava uma vara de metal à cabeça da vaca, e de repente as pernas da pobrezinha cediam, e ela caía dura, morta. Assassinada. Uma após outra, dando um último suspiro, como se um interruptor estivesse sendo desligado, simples assim. Depois o Deus Caixa mostrou as carcaças sem vida das vacas sendo penduradas em grandes ganchos de metal e abertas, já sem o couro e desmembradas como num filme de terror, sangue para todo lado. O que mais me lembro é do sangue. Um homem sem rosto com uma mangueira lavando um chão banhado de sangue."

Não bastasse os homens terem prazer em separar famílias, matarem e comerem os animais sem dó nem piedade, ainda os transformavam em roupas, bolsas, luvas, bolas de beisebol e quaisquer outros artigos de luxo que lhes conviesse. Mas o Deus Caixa também mostrou à Elsie um lugar chamado Índia, onde as vacas não eram mortas ou comidas, ao contrário, eram endeusadas e protegidas. Desde então, Elsie elaborou um plano meticuloso de fuga, ela só não imaginava que teria parceiros nessa empreitada.

O porco, ou melhor, Shalom, não conseguia nem pensar na possibilidade de ser transformado em bacon ou ser enfeitado com uma maçã. Por ser judeu e saber o quanto eles odiavam os suínos, estava certo de que ficaria à salvo em Israel devido a hostilidade de seus habitantes para com a sua raça.

Tom, o peru, era raquítico feito um anoréxico e sua condição devia-se a iminência do Dia de Ação de Graças, tão conhecido por ter em seu cardápio perus apetitosos. Ele se agarrava a ideia de que, magrinho, ninguém o comeria. Porém, como não é possível prever o comportamento humano, preferiu se juntar à trupi e partir para Turquia, o país que carregava o seu sobrenome. Tom tinha certeza de que ninguém por lá comeria um conterrâneo seu.

Assim sendo, os três animais rumaram para a cidade e embarcaram numa jornada capaz de transformar as suas vidas e, quiçá, de todos que viessem a conhecer a sua história.

Querem saber o que vai acontecer? Então leiam!

***

Quando recebi este livro de ação do Grupo Editorial Record não dei a mínima. Não sou fã de livros de fantasia e achei uma baboseira ler um livro narrado por um animal, mas isso foi puro preconceito meu, literalmente. Bastou que eu começasse a pesquisar sobre a obra, sua temática e sua origem para o meu interesse se acender e, assim que comecei a ler, me entreguei totalmente a essa alegoria!

A escrita de David é surreal! Achei incrível o fato dele ter sido capaz de se colocar na pele de uma vaca, abordando um assunto tão polêmico e delicado, de maneira tremendamente divertida e diferente.

Narrado em primeira pessoa pela destemida, boa gente e sonhadora Elsie, vamos compreendendo melhor os sentimentos dos animais, como eles encaram a vida e o que pensam dos humanos. Já é comprovado que animais têm sentimentos, apesar de ainda haver a controvérsia de se eles têm consciência, mas pelo sim ou pelo não, me doeu na alma os trechos em que Elsie se revolta contra a gente e se sente traída por ver a vida de sua espécie ser arrancada, às vezes sem nenhum propósito.

Nesse sentido, compreendo os veganos quando dizem que, se amamos os animais, nossos bichos de estimação, como somos capazes de comê-los? De vesti-los? De usar a sua carcaça em nosso dia a dia? Isto além de ser completamente incongruente, tem cada vez mais causado um desequilíbrio no nosso meio-ambiente. Sabemos que nos primórdios os homens caçavam para se alimentar e, particularmente, não acho isso errado. A morte de um animal costumava ser feita de maneira digna e respeitosa e cumpria algum propósito, como o de sobrevivência.

Hoje, tudo está banalizado. Nós, que comemos carne, sabemos realmente qual a sua procedência? Temos a ciência da quantidade de estresse e hormônios contidos em sua essência devido ao sofrimento que tais animais passaram durante a vida e a morte? E aí, vocês comeriam os seus cachorros? Porque não há diferença entre um cachorro e uma vaca. Eu não comeria os meus gatos.

E não venham me dizer que comemos os animais porque somos carnívoros (não é verdade), ou porque precisamos deles como fonte de proteínas e ferro (bobagem também). Se alimentar do leite e da carne de outros bichos é um costume culturalmente imposto do qual muitos de nós não consegue se desgarrar, mas é possível, basta querer.

Entretanto, antes que alguém dê um chilique nos comentários, quero deixar claro que não estou aqui tentando dar lição de moral ou convencer ninguém a deixar de comer carne e se tornar vegano (pesquisem o que isso significa), até porque eu também ainda não consegui (ainda), mas vale o questionamento, vale suscitar o debate, afinal, algo precisará ser feito antes que a gente destrua o mundo.

Mas para quem ficou impressionado ou se sentiu ofendido com esta minha reflexão e tem certeza de que não gostará desse livro, não se aflija, o autor não expõe essas ideias de maneira contundente. Tudo é muito sutil e as críticas ficam nas entrelinhas, enquanto Elsie e seus amigos torcem para que vocês tenham compreendido o recado.

Talvez vocês estejam se perguntando como foi possível que três bichos se passassem por gente e viajassem como eles fizeram, julgando a trama ser de uma besteira só. Particularmente, achei essa sacada genial, pois o escritor nos deixou claro que só enxergamos o que queremos ver e que estamos cada vez mais alienados e cegos com tudo que existe ao redor do nosso umbigo.

Se isso não bastasse para que a obra tenha o seu valor, saibam que me surpreendi com a originalidade do texto de David, principalmente por esta ser a sua primeira publicação. Ora escrito em formato de roteiro de cinema, pois a editora de Elsie quer muito que a história se torne um fenômeno Hollywoodiano, ora contado em formato de registro de memórias, com revelações e pensamentos íntimos da vaca, também nos deparamos com um apanhado de cultura pop com a qual certamente vamos nos identificar.

Afora isso, ainda têm os personagens fofos que refletem os nossos medos e os nossos sonhos mais puros. Ao fazer um contraponto entre humanos e bichos, David tenta resgatar a bondade que existe em nós e nos mostra que, no fundo, todos somos iguais e devemos ser tratados com mais amor e respeito, e que nem sempre as coisas são como gostaríamos, mas que o importante é lutarmos por nossos objetivos e seguirmos em frente, dando o melhor da gente.

E antes de terminar, aqui vale um pequeno adendo, para quem não sabe, David Duchovny é o famoso ator de Arquivo X, uma figura pública e famosa que botou o dedo na ferida e se posicionou contra muita coisa em sua fábula. Tinha muita curiosidade de saber se ele é vegano e se Holy Cow surgiu de sua preocupação acerca do consumo inconsciente e desenfreado dos animais e da degradação cada vez maior da conduta e postura do ser humano.

Para quem busca por um livro cheio de significados, para quem não tem medo de rever seus conceitos, para quem ama os animais e anseia por um mundo mais justo para eles, leiam Holy Cow, tenho certeza de que irão se apaixonar e dar boas risadas.

site: http://www.recantodami.com
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Hel 26/04/2016

Esse livro é animal!
"A maioria das pessoas acha que as vacas não pensam. Oi. Peraí que vou reformular essa frase: a maioria das pessoas acha que as vacas não pensam, e que não têm sentimentos. Oi, de novo. Eu sou uma vaca, meu nome é Elsie (é, eu sei). E isso não é conversa pra boi dormir. Viu? Nós pensamos, sentimos e fazemos graça, a maioria de nós, pelo menos."


É assim que a nossa protagonista e narradora se apresenta ao leitor, de um jeito humorado e, também, crítico.
Elsie vive na fazendo com as outras vacas e animais, uma vida pacata e simples, contudo, ela não é uma vaca comum! Elsie é uma vaca descolada e, além disso, é do tipo que questiona as coisas.
Certo dia, quando ela e sua amiga Mallory decidem fugir para ver os touros do outro lado da cerca, Elsie passa ao lado da casa dos humanos e se depara com uma cena que mudará sua vida drasticamente dali em diante: a família assistia ao Deus Caixa (TV) hipnotizados, e o horror dos horrores passava na tela:

"Então eles mostraram as vacas.
As vacas eram mantidas dentro de um enorme galpão, separadas por umas baias de metal bem estreitas. Mas isso não foi o pior. Porque o impiedoso Deus Caixa mostrou o que acontecia a elas depois: um homem levava uma vara de metal à cabeça da vaca, e de repente as pernas da pobrezinha cediam, e ela caía dura, morta. Assassinada. Uma após a outra, dando um último suspiro, como se um interruptor estivesse sendo desligado, simples assim."

E é desse jeito traumático que Elsie descobre o seu destino, e o da maioria das vacas, e também para onde sua mãe foi quando sumiu. Triste demais. Elsie fica transtornada, decide tomar uma decisão: vai para a Índia, pois lá as vacas são sagradas, tomadas por deusas, lá ninguém vai querer colocá-la no meio de um hambúrguer. Decidida do que faria para evitar seu destino cruel, Elsie começa a se preparar para a viagem, porém, como ela mesma diz: "Tente manter alguma coisa em segredo na fazenda. Impossível.", e, assim, o porco Jerry e o peru Tom Turquia, também amedrontados com seus destinos, resolvem se juntar a Elsie em sua viagem rumo ao Oriente Médio.

"Por que será que na hora de deixar algo para trás é que mais damos valor àquilo?"

O peru Tom Turquia quer ir para a Turquia, pois acredita que ninguém o comerá já que seu sobrenome é o nome do país. Já o porco Jerry, que decide mudar o nome para Shalom, quer ir para Israel, já que lá a carne de porco não é comida porque o animal é considerado impuro, assim, ele poderia andar tranquilamente que ninguém o veria como um bacon ambulante. Então, eles partem para a viagem que mudará as vidas e o modo como eles pensam para sempre, os unindo em uma jornada de descobertas sobre os homens e eles mesmos.
Se você procura uma leitura leve, com personagens divertidas, tiradas muito bem humoradas e cheia de referências pop, Holy Cow é o livro ideal. Mas se você quer um livro com questionamentos, metáforas e reflexões profundas, Holy Cow também é o livro ideal! Como o subtítulo informa, Holy Cow é uma fábula, ou seja, nesta narrativa, animais possuem sentimentos e comportamentos semelhantes a humanos, mas diferentemente das fábulas clássicas, aqui, os animais dão um recado muito importante em relação ao modo como o homem tem os tratado principalmente durante as últimas décadas. A questão do consumismo é a que mais aparece durante a narrativa, o modo como os homens usam os animais a seu bel-prazer, sem nenhum tipo de culpa ou ressentimento.

"Tudo que vocês, humanos, fazem é pegar, pegar, pegar da Terra e de suas criaturas magníficas, e o que dão em troca? Nada. Sei que os humanos consideram um insulto grave ser chamados de animais. Bem, eu nunca daria a um humano a honra de ser chamado de animal porque os animais podem até matar para viver mas não vivem para matar. Os humanos vão precisar reconquistar o direito de ser chamados de animais."

Nessa fala de Elsie, podemos perceber a revolta de um animal caso ele pudesse falar, mas a verdade é que os animais falam sim, com os sentimentos: uma vaca sofre ao ser apartada de seu bezerro, um porco agoniza ao ser abatido, eles têm instinto materno, têm emoções, a única coisa que os difere de nós é o grau da racionalidade, só isso! Eu não estou tentando convencer ninguém a se tornar vegetariano, assim como o autor também afirma não querer, mas acho importante repensarmos algumas atitudes nossas, o desperdício, o consumismo desenfreado, a crueldade para com os animais e o especismo, afinal, por que um cachorro é fofinho e a vaca é um bife? Essa é uma das perguntas que Elsie e o leitor acabam fazendo.
Além dessas questões, o livro também tem um tom político e até toca em questões religiosas, apesar de ser literatura infanto juvenil, acredito que os adultos também gostarão de ler Holy Cow.
A primeira parte do livro é a melhor para mim, apesar de se tratar de uma vaca falante, ainda é verossímil, contudo, a segunda parte do livro não me agradou, se tornou algo que não consegui assimilar tão bem quanto os primeiros capítulos e o final também não foi bem o que eu esperava, por isso, atribuí quatro estrelas ao livro no Skoob. Foi uma leitura muito rápida, dei boas gargalhadas e, ao mesmo tempo, refleti sobre muitas coisas. A escrita de David é sensacional, mas acredito que a leitura no original seja mais interessante devido às referências culturais que ficaram "esquisitas" na tradução, por exemplo a referência do peru Tom Turquia: em inglês, Turkey é usado tanto para o animal peru, quanto para o país Turquia, e seu nome, e não o sobrenome - que foi a saída que o tradutor encontrou para essa barreira linguística - era o motivo para ele querer ir para tal país. Entre outras referências que ficaram esquisitas em português, ainda assim curti muito o livro, o tema que ele trata, consumo de animais, me interessou de cara quando vi a premissa e comentários sobre o livro. Fiquei feliz demais quando o Grupo Editorial Record me enviou Holy Cow de cortesia!
Indico a leitura para quem está procurando um livro divertido mas não bobinho, com uma protagonista divertidíssima e um enredo fora do comum.

site: http://leiturasegatices.blogspot.com.br
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Tamirez | @resenhandosonhos 22/04/2016

Holy Cow
Elsie vive em uma fazenda junto com os outros animais e tem bem definido em sua cabeça o que é ser uma vaca e quais suas obrigações. Ela sabe que sua missão é dar leite e, no tempo certo procriar, bem como, quando sua prole estiver crescida, vai desaparecer como sua mãe um dia fez. Essa é a lógica da sua vida.

Porém, um dia ela e sua melhor amiga resolvem dar uma escapadinha e ir até o lugar onde ficam os touros, para darem uma espiada e flertar. É nesse dia que Elsie acaba se aproximando demais da casa dos humanos, os donos da fazenda, e assiste na televisão um programa que mostra de onde vem os tipos de carne.

A ignorância é uma bênção, mas o mundo tem mais a oferecer que isso, e é errado não aproveitar o que ele oferece. Não se pode ser bezerra para sempre.

É vendo seus amigos animais e depois outras tantas vacas serem carneadas e mortas que a jovem Elsie descobre que seu mundo é uma mentira, e começa a buscar opções para escapar dessa realidade. Com a ajuda inesperada de um porco e um peru que também querem ser livres, eles traçam um plano de fuga para irem em busca de lugares no mundo onde serão tratados com respeito e não somente como algo a ser devorado pelo humanos.

Elsie é engraçada e esperta e seus amigos não ficam pra trás, tendo cada um um papel muito importante no trajeto. Com uma pegada de A Revolução dos Bichos, a vaca Elsie conta sua história pelas mãos do ator David Duchovny.

Minha opinião

A proposta do livro já é super divertida sem deixar de também tratar de alguns assuntos sérios, lembrando o clássico de George Orwell. Mas, estando mais voltado em ser uma fábula e trazer as questões de forma leve, apelando para o cômico e podendo ser apreciado em todas as idades com a mesma moral, ela se afasta da Revolução dos Bichos nesse ponto, criando uma história que é somente sua.

Ei, olha essa foto minha fazendo uma careta, e essa outra com uma cara diferente. Selfie, é como eles chamam, e faz todo o sentido, porque, mesmo enviado essas fotos para outras pessoas, isso ainda me cheira a selfish.

Elsie é super bem humorada e em vários pontos do livro ela para de contar a história para falar com o leitor, expondo algumas das coisas que seu editor pediu que ela inserisse no livro, como referências à cultura pop, com bandas, cantores e filmes. Isso torna a narrativa ainda mais agradável, pois do ponto de vista de uma vaca tudo é muito novo quando ela põe seu olhar em cima das coisas.

Eu particularmente gosto bastante desse recurso, principalmente quando ele é bem usado. Tive maiores experiências com ele sendo usado na tv do que em livros, mas foi interessante ver sua inserção aqui, já que o fluxo desorganizado de pensamentos da protagonista combina com essa situação. Elsie quer ser ela mesma, mas sem desagradar seu editor e o leitor, portanto as vezes se vira pra nós e pergunta se está indo tudo bem. Ao contrário de livros em que já vi isso acontecer, aqui a trama não fica chata e nem pede ritmo por causa disso.

Na jornada de Elsie passaremos por vários momentos e por várias lições, a principal delas é a amizade e o fato de que o lar é onde você se sente bem com as pessoas ao seu redor, e isso não necessariamente significa o lugar que você pensa que quer ir ou pra onde querem que você vá. Esses três animais inusitados vão desenvolver uma amizade e dela muitas aventuras virão, bem como situações que sempre tem uma boa lição ou risada por trás.

Essas lições não estão escrachadas ou são postas como verdades absolutas e acho que isso é bastante positivo, pois impõe ao leitor o ato de pensar. Não é pra você deixar de comer carne, ou algo assim, é pra refletir sobre a forma como o homem trata os animais de acordo com as culturas de cada lugar e, como uma simples vaca aqui pode ser somente carne enquanto em outros lugares é um ser sagrado e intocável.

Dizem que a maldade está nos olhos de quem vê. Aqui, nesse livro, a moral é que estará nos olhos de quem lê. As interpretações e significados serão diferentes de acordo com as convicções de cada um, e isso é muito interessante de se analisar.

O livro fui super rápido e, apesar de ter páginas brancas pra combinar com toda a composição, tudo está muito bonito na edição e na disposição do texto, que por vezes ganha formato de roteiro e também é recheado de ilustrações que ajudam o leitor a imaginar a história e os personagens.

Assim, acredito que essa primeira parceria entre David Duchovny e a jovem Elsie deu bons frutos e quem sabe no futuro, não teremos mais aventuras dessa personagem e autora tão querida?

site: http://resenhandosonhos.com/holy-cow-david-duchovny/
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Joice (Jojo) 20/04/2016

David Duchovny analisa o ambiente pelo focinho de uma vaca
Capítulos curtos e uma história divertida e leve. Esses são os principais méritos de "Holy Cow - Uma fábula animal", de David Duchovny.

O autor tem momentos de genialidade ao narrar a aventura da vaca Elsie, do porco Shalom e do peru Tom em busca da terra prometida, onde não se preocupariam em virar a refeição do dia seguinte. Elsie, a personagem-narradora, consegue traçar ótimos paralelismos entre os seres humanos e os animais, mas senti que a partir do momento em que ela deixa a fazenda e inicia sua jornada ela passa a ser apenas uma observadora das peripécias de Tom e Shalom.

Há uma mensagem por trás dos mugidos, grunhidos e grugulejos desses personagens, mas sinto que ela poderia ter sido melhor desenvolvida, algumas ideias mais aprofundadas. De qualquer forma, "Holy Cow" diverte e demonstra a capacidade do autor de analisar e criticar o ambiente em que vive (e estou me referindo ao midiático também).

Uma boa leitura.
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Lê Golz 10/04/2016

Leve, reflexivo e divertido
Ao ver os inúmeros elogios que esse livro vinha recebendo, principalmente por conta do humor que existe nele, minha curiosidade em ler a obra foi instantânea. Agora imaginem minha felicidade quando esse livro chegou em casa! A capa e sinopse, por si só, já são suficientes para imaginar as risadas que o livro pode proporcionar, afinal, Elsie é uma vaca que fala.

Holy Cow é uma publicação da Editora Record e conta a história de Elsie, ou melhor, Elsie Bovary, uma vaca que fala, e conta sua própria história. Nossa protagonista vivia feliz em uma fazenda simples com todos os animais criados ali. Sua rotina era a mesma diariamente e, a não ser quando os humanos a ordenhavam, sua vida era tranquila e perfeita no pasto. Um dia, Elsie e sua amiga Mallory, resolvem se arriscar para fora da cerca a fim de "bater um papo" com os touros (gente, essa parte é muito engraçada). Enquanto Mallory "se empolga" com os touros, Elsie resolve espiar pela janela da casa dos fazendeiros e leva um tremendo susto: tudo aquilo em que acreditava desmorra e, ela descobre qual é seu verdadeiro destino quando vê através de um "deus caixa" a reportagem sobre uma fazenda industrial. Como poderia Elsie seguir com sua vida tranquila no pasto depois disso? É com esse pensamento que ela embarcará em uma tremenda aventura juntamente com Shalom, um porco judeu (imagine!) e Tom, um peru que tem um Iphone (pois é!).

A narrativa é extremamente envolvente e divertida. É impossível não rir, pelo menos um pouquinho, nas páginas iniciais quando Elsie descreve sua vida, suas pequenas descobertas e suas dúvidas. O fato de ela falar diretamente com nós, leitores, torna a leitura ainda mais viciante. A escrita é totalmente descontraída para facilitar a leitura e nos aproximar ainda mais da personagem. O único ponto negativo que gostaria de citar é a presença de frases na língua estrangeira que me confundiram na hora da leitura, e acredito poderiam estar traduzidas no final da página.

Se o ponto alto do livro é essa narrativa cômica, temos ainda uma série de reflexões em que Elsie, na maioria das vezes, usa toda sua ironia. O que mais mexeu comigo foi a crítica de Elsie aos seres humanos que se alimentam de carne, principalmente nesse momento que estou tentando virar vegetariana. Ela não nos induzirá a parar de comer carne, mas levantará questões que nos fará pensar que muitas coisas realmente não fazem sentido, e como de fato somos uma espécie esquisita. Além disso, em sua grande aventura fora da fazenda, iremos refletir muito sobre as guerras e conflitos que existem entre as religiões ao longo do mundo e até como isso pode afetar os animais.

Somado a todos os pontos positivos do enredo, o trabalho gráfico da editora também está ótimo. Apesar das folhas serem brancas, a leitura flui tão rápido que quando você vê, já terminou o livro. Além disso, a fonte está em tamanho ideal e a revisão sem nenhum erro aparente. As ilustrações são fofas e igualmente cômicas - adorei cada uma delas. A capa e contra capa são lindas e também me agradaram.

"E tem mais: eles acham cocô um negócio muito engraçado. Tipo, está em todas as piadas que contam. Cara, eu não entendo, é só cocô." (p. 24)

Em linhas gerais, Holy Cow é um livro extremamente divertido, que proporcionará ao leitor momentos de reflexão. As críticas e intensas doses de ironia de uma vaca, um porco e um peru, vão arrancar algumas risadas do leitor, disso não tenho dúvidas. Engana-se quem pensa que esse livro é somente para crianças, longe disso, essa obra é para todas as idades. Apesar de todas as divagações que o livro apresenta, já que muitas coisas são inverossímeis, eu amei o livro e recomendo. Se você gosta de leituras divertidas e que te fazem pensar sobre nossa própria espécie, esse livro é para você!

site: http://livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br/2016/03/resenha-holy-cow-uma-fabula-animal.html
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Ju 07/04/2016

A primeira vez que vi a sinopse desse livro achei que a convivência com ETs durantes anos não tinha feito muito bem ao Mulder (David Duchovny). Mas então eu o recebi de cortesia do Grupo Editorial Record, minha curiosidade falou mais alto e resolvi dar uma chance a leitura. E que livro bom!

Ele é uma fábula animal que nos conta a história de Elsie, uma vaca leiteira que tem uma vida feliz e tranquila na fazenda com sua melhor amiga, Mallory. Seus dias passam entre ordenhas, conversas, passeios no pasto e não há nada que ela deseje além disso. A única coisa que preocupa sua cabecinha é o abandono de sua mãe, a quem ela amava muito e não entende porque sumiu sem se despedir. Porém, isso é algo que acontece com todas as mães vacas da fazenda: um dia elas somem e os filhos acabam aprendendo a aceitar.

Uma noite, ela e sua amiga planejam uma pequena fuga para se encontrarem com os touros e Elsie acaba indo até a casa da fazenda, onde vê as pessoas reunidas na sala e hipnotizadas pelo "Deus Caixa". Essa caixa luminosa mostra diversas imagens e sons e através dela, Elsie descobre a verdade por trás do desaparecimento de sua mãe e das outras vacas. Sem chão, ela resolve fugir para a Índia, já que lá as vacas são sagradas.

Enquanto elabora seu plano de fuga, Elsie acaba ganhando dois companheiros inusitados (e não convidados) para acompanhá-la nessa jornada: um porco recém convertido ao judaísmo, Shalom, e o peru Tom. Shalom quer ir para Israel, pois lá os porcos são considerados impuros e não há risco dele virar comida. Já Tom, fugindo do Dia de Ação de Graças, pretende ir para a Turquia, que considera ser o país do seu povo. A partir daí acompanhamos esse trio com suas ideias loucas e mirabolantes para alcançar seu objetivo, que envolvem desde utilizar um smartphone para reservar passagens de avião até mesmo pilotar um avião!

Toda a história é contada por Elsie, que está escrevendo um livro sobre essa sua aventura. Há trechos em que ela narra os acontecimentos e outros em que ela dialoga com o leitor ou conta sobre suas conversas com a editora do livro, que está sempre tentando conduzir a história para um lado mais comercial e lucrativo.

"Minha editora também disse que minha história deveria ser escrita "mais como roteiro que como livro porque é aí que está o grande público - não mais nos livros, e sim nos filmes". Então é isso que venho tentando fazer sempre que possível. E ela diz que filmes de animação são os maiores, e que os animais costumam ser os astros das animações. Aí pergunto: "Como posso escrever como se fosse um filme quando se trata de uma história real?" E ela literalmente pula da cadeira e diz: "Mina de ouro!"

O livro é recheado de humor (nem sei quantas vezes eu ri ao longo da leitura) e referências de todo o tipo, principalmente música e cinema, até mesmo nos títulos dos capítulos. Seguindo os conselhos de sua editora, alguns trechos foram escritos em forma de roteiro e quase todos os capítulos são curtinhos e fluídos, dá para ler praticamento o livro todo em uma sentada só. Apesar de que eu li bem aos pouquinhos, porque estava me divertindo bastante e não queria que acabasse rápido.

Mas nem só de humor é feito o livro. Ele traz diversas reflexões e críticas ao comportamento humano, em aspectos como maus-tratos com animais criados para o consumo, desperdício de alimento, egocentrismo, preconceito e intolerância religiosa. As críticas não são tão profundamente desenvolvidas, mas não acho que isso as invalida de maneira alguma. O mundo visto pelos olhos de um animal às vezes pode fazer muito mais sentido.

"E fiquei me perguntando se eu seria o último animal na Terra a se dar conta de que os humanos não só nos comem, mas também jogam muitos de nós fora sem nem nos comer. Nos jogam fora como um lixo desprezível. Se vou ser morta para virar comida, pelo menos me coma e me cague e me deixe reingressar no ciclo da natureza. Não me mate sem motivo. E foi aí que vi - um hambúrguer pela metade. E foi minha vez de perder a cabeça."

Apesar de ser uma fábula com animais falantes, acredito ser uma história capaz de agradar a todas as idades. Na verdade acho que adultos gostarão ainda mais do que o público mais jovem. Recomendo que você abra a sua mente e venha se aventurar junto com a Elsie! Você não irá se arrepender :)

site: http://book-selfie.blogspot.com.br/2016/04/resenha-holy-cow.html
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Ingrid Micthell 06/04/2016

Acredite, Elsie Pode mudar sua vida!
Em Holy Cow, Elsie vive uma vida tranqüila, durante sua narrativa somos apresentados um mundo completamente novo, cercados de bichos onde não existe diferença entre um ser é outro, todos são iguais e unidos pelo amor, á não ser os cachorros, que na visão de Elsie, uma vaca bondosa e inteligente ( não posso me esquecer de irônica) Os cães por serem considerados melhores amigos do homem, patrulham a fazenda latindo para todos os lados exibido suas arrogância.

Nós vacas temos um ditado- não pisa na minha teta que eu não piso na sua.

Mas vamos falar de coisas boas? Não existe melhor lugar no mundo para Elsie. A grama verde, um lugar para dormir, "as boas amizades " e o sagrado momento da ordenha! No meio tarde, ela se junta com sua amiga Mallory para colocar a fofoca em dia, pois acreditem ou não, as galinhas são muito barraqueiras! É se eu fosse você não jogaria conversa fora com um canguru, querem sabe por quê? sera preciso ler para entender(hahahaha). A fazenda e divida em vários grupos, geralmente os animais não costumam ficam muitos próximos um dos outros. Mallory decide arma um plano para que ambas possam finalmente ter um dialogo com os touros, ao atravessar a porteira ás escondidas, Elsie não parece muito interessada, ela caminha em direção á casa e se aproxima da janela, quando houve "o deus caixa".

A verdade é que o deus caixa se trata de uma TV, mas Elsie não sabe disso! Através de uma rede de canal, ela observa algumas galinhas sendo mutiladas, havia sangue para todos lados, em seguida " eles mostraram as vacas a cabeça de uma delas e decepada, suas peles arrancadas e sua carne estendida por um gancho de metal. Elsie chorou e chorou, algum tempo depois, desmaiou.

Hoje eu odiava as pessoas. Todas elas. E acho que isso estava afetando meu leite, pois o menino ficava me perguntando, Qual seu problema garota?, e segurando meu rosto, e olhando bem fundo nos meus olhos, e acariciava minha cabeça, o que eu queria era cuspir ou bater nele. Então foi o que eu fiz

Elsie sempre se perguntou onde sua mãe poderia está, agora não restava duvidas, ela havia sido assassinada por humanos. Será possível que o mundo inteiro estava cercado de dor? Elsie não acreditava nisso, enquanto nos distraímos digitando no celular, nossa protagonista estava atrás de pistas, no meio dessa empreitada, surgiu outro deus, seu nome era Discovery- ele nos mostra terras bonitas, de um lugar chamado Índia, onde as vacas são veneradas é ninguém as come.

O plano estava armado, Elsie encontraria um meio de fugir e se juntar ao seu povo, mas... Ela não era á única a estar inteirada sobre os assassinatos, um porco que dizia ser chamar Shalom, e um peru magricela cujo nome é Tom Turquia, não estavam dispostos a fica e morrer. Juntos eles embarcam em uma aventura com o mesmo objetivo, viver e ser amado.

Inicie a leitura como quem não quer nada, e admito que com certo preconceito, afinal qual é o problema em ler uma estória que foi narrada por uma vaca? Não e muito diferente de uma animação! Mas o ponto principal é- a magia por trás das estórias, os momentos de reflexões e aprendizado.

Elsie me ensinou muitas coisas: Não importa o quão difícil pareça ser, não desista dos seus sonhos, e muito menos de seus objetivos, não importa o que a sociedade pensa desde de que você seja feliz com suas escolhas! Não importa qual profissão você decida escolher se este é o caminho certo que você decidiu seguir. Elsie me mostrou que não existe diferença entre um animal é o outro, um cachorro ou um gato, eles não são superiores a qualquer animal que seja.

Holy Cow passa longe no quesito de ser apenas um livro a leitura e bastante leve e divertida, com diálogos muito bem construídos, cada capitulo leva seu próprio titulo, de uma forma engraçada o que me fez dar boas risadas. Em determinado momento durante a viagem, a estória se tornou maçante por um curto período de tempo, por isso resolvi dar quatro estrelas! Li algumas criticas negativas sobre como o autor construiu os personagens, que de alguma forma não me incomodou, David fez questão de deixa uma nota dizendo Aprendi na escola a confia na história, não no autor . O final e um pouco previsível, mas confesso que eu não faria de outro modo. Leitura recomendada

site: http://resenhaatual.blogspot.com.br/
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GVertamatti 03/04/2016

Moooito divertido e contagiante!
Livro fantástico com humor ácido e criticas sociais, todo envelopado num formato de fábula.
As quebras de quarta parede e definição/particularidades de cada personagem enriquecem muito esse texto que pode ser lipo por um adulto para seu próprio deleite (sem trocadilhos aqui) ou para colocar seus filhos na cama.
Recomendo a leitura e convido para lerem a análise completa dessa obra no site.

site: http://gamehall.uol.com.br/meialua/holy-cow-uma-fabula-animal-david-duchovny-review/
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Rafa 30/03/2016

Holy Cow uma fábula animal
Holy cow é aquele livro que você começa lendo a introdução e já se diverte, sabendo que a protagonista é uma vaca. Quero apresentar para todos vocês a protagonista dessa fabula maravilhosa, seu nome é Elsie, uma vaca de personalidade e de opinião formada e claro, de pulso firme.

Elsie tem uma vida tranquila e sem nenhum esforço, sua rotina é pastar, dormir e ser ordenha todas as manhãs e sair para paquerar os bois da cerca vizinha.

Percebeu o que acabei de fazer? Coloquei você num suspense poético. Pág 28.

O autor é bem conhecido do público em geral, ele é ator, roteirista, produtor, diretor, compositor, cantor e claro, escritor. A maioria conhece como o agente Fox Mulder do seriado de Tv, Arquivo X.

O Deus Caixa estava falando com as pessoas. Dava para saber por causa do silencio obediente delas e da luz tremulante. Pág 64.

O responsável por esse livro incrível é o David Duchovny, a obra é muito bem escrito e se você pensa que o livro é voltado só para crianças, está completamente engano, pois o livro serve para todos os leitores e traz muitas referências da cultura pop atual.

Tudo vai mudar quando Elsie e sua amiga Malorey saem para desbravar tudo ao redor da fazenda, Elsie para em frente da janela da casa do fazendeiro e nota que todos estão praticamente hipnotizados em frente de uma caixa luminosa, da qual Elsie chama isso de Deus Caixa, com uma voz meio robótica, o Deus Caixa mostra cenas aterrorizantes e Elsie presencia imagens de varias vacas e bois totalmente pendurados em um abatedouro e uma poça de sangue ao redor deles.

Nós vacas não conhecemos bem os perus. Eles são meio que mantidos numa área afastada. Pág 83.

Com a mente e suas emoções abaladas, Elsie tem um plano de fugir do destino óbvio, ser levada para um abatedouro. Um mapa roubado, ela já tem tudo planejado e eis que aparecem dois animais para à fuga. Dois animais entram em ação, Shalom o porco judeu e Tom, um peru com anorexia que acha que é uma espécie de James Bond com penas. Os três animais vão passar por diversos desafios e lógico com muito bom humor e piadas inteligentes para os leitores.

Os humanos conseguem ser decentes e compreensivos às vezes. Pág 145.

Elsie, Shalom e Tom vão deixar nós, os leitores pensando um pouco mais sobre a raça humana e tudo que temos feitos com os animais e até com nós mesmos os seres humanos.

site: http://www.livreando.com.br/2016/03/resenha-holy-cow-uma-fabula-animal.html
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Elder F, 29/03/2016

Embora seja um livro infantil, "Holy Cow" traz questionamentos p/ todas as idades
A aposta de que youtubers, atores/atrizes e pessoas famosas no geral podem, ao terem seus livros publicados, gerar um retorno financeiro expressivo para as editoras tem feito com que inúmeros títulos de famosos, sejam os mesmos advindos das redes sociais, do cinema ou reality shows, estejam sendo publicados continuamente. Holy Cow é um desses livros que foi escrito por um famoso, o ator David Duchovny, conhecido por interpretar o agente Fox Mulder no seriado de TV Arquivo X, mas com a exceção de que - para a minha grata surpresa - Duchovny possui um vasto conhecimento literário e o título de mestre em literatura inglesa pela Universidade de Yale.

A fábula Holy Cow é infantil, embora a obra do escritor norte-americano possa assumir diferentes releituras, tanto infantis quanto adultas, o que torna a sua leitura agradável para todas as idades. A história não possui, evidentemente, muita densidade, mas não é a isso que a história se propõe. Na verdade, a história de Elsie Bovary, uma vaca muito feliz em sua bovinidade, é divertida e relaxante. No seu modo inocente e compassado, a história desperta pequenos questionamentos no leitor sobre os direitos dos animais, práticas pecuaristas que degradam o meio ambiente e o entendimento de que somos todos um só.

Elsie Bovary é uma vaca feliz, que vive em paz com o seu destino bovino e em harmonia com o ciclo que se repete na vida das vacas: as mamães e papais misteriosamente desaparecem depois que os filhotes se tornam capazes de também serem mamães e papais. Até que uma noite Elsie se vê atraída por um barulho na casa da fazenda e, através da janela, observa a família reunida em volta da TV. A televisão, para o seu espanto, revela o real destino das vacas e gados: o açougue, o churrasco, o hambúrguer, etc. A realidade a perturba e a aterroriza, o que a faz começar um diálogo interno sobre a dualidade humana que com a mão direita mata vacas, galinhas e porcos e com a esquerda afaga os cachorros e brinca com os gatos.

Nesse momento da história, pensei ter compreendido a "lição" da fábula de David Duchovny e ter acertado a bandeira que ele iria defender: a do veganismo. Mas errei feio e, melhor do que tomar posições e fazer julgamentos desnecessários, o autor levanta questionamentos e faz convites à reflexão, deixando para o leitor a tarefa de decidir o que é certo ou errado. O meu outro erro durante a leitura foi ter tentado "compreender a lição" quando eu ainda não tinha lido nem a metade do livro e, mais uma vez, fui surpreendido: Elsie, depois da experiência traumática, decide ir embora para a Índia, onde ela descobriu que as vacas são tratadas como deusas.

No ritmo dos planos de fuga, Elsie acaba se unindo a Tom, um peru tranquilão que nas vésperas do feriado de Ação de Graças começa uma rígida dieta para emagrecer e não ser escolhido para o abate, e Shalom, um porco recém convertido ao judaísmo que vê Israel como o destino ideal para os porcos, visto que carne suína não é assim tão apreciada por essas bandas de lá. Na aventura animal, o leitor é bombardeado de tiradas envolvendo a condição animal e as expressões do mundo humano, como "nem que a vaca tussa", etc. Não cheguei a gargalhar, mas inúmeras vezes lancei sorrisos faceiros de "ei, eu vi o que você fez aqui, David".

Ao construir uma fábula animal repleta de indiretas aos leitores, nós humanos, David Duchovny cria uma história que pode trazer um certo incômodo, o que, na narrativa, a própria Elsie percebe, mas como ela mesmo diz, "às vezes é preciso abrir o coração e soltar o verbo". É através do verbo solto de Elsie que a reflexão se materializa e a história faz sentido, pois não importa se um adulto ou criança entram em contato com a narrativa, ambos são forçados a se questionar. Por trazer questionamentos tão adultos em um livro para crianças, Holy Cow já se sustenta como muito além de "mais um livro de algum famoso", mas sim como um livro ponto de partida para discussões interessantes sobre relações sociais e direitos dos animais.
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Ivna 26/03/2016

Holy Cow - Uma fábula Animal
David Duchovny acertou nesse livro se o propósito foi criar uma obra de leitura rápida, cômica e ligeiramente infantil. Na verdade, engraçadinho é a melhor descrição.
O livro, Holy Cow, conta a estória de uma vaca que inconformada com seu destino de virar Vitela na América do Norte, decide mudar seu cruel destino e aventurar-se além das porteiras. E nesse caso, não haveria destino melhor para um vaca que a Índia, pelo menos é o que se espera de um lugar onde as vacas são sagradas.
Junto com Elsie - a vaca desiludida - resolvem aventurar-se também um porco judeu e um peru como sobrenome de Turquia (essas informações farão algum sentido se você ler a obra).
Mas enfim, a estória é repleta de reviravoltas, e o que parece bom pode não ser tão bom assim. Então, se você procura algo pra descontrair a mente, vale a leitura! Ahhh, já ia esquecendo, autor faz uma espécie de associação de alguns capítulos com alguma músicas, como uma trilha sonora, e isso é legal!
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Marcos 24/03/2016

Divertido e inteligente
Oi, meu nome é Elsie. Eu sou uma vaca muuuu-ito legal; juro, isso não é conversa para boi dormir. Obviamente, eu não vou escrever essa resenha. Fazer a resenha do meu próprio livro feriria algo como a imparcialidade jornalística ou coisa assim. Nós vacas somos muito honestas e éticas, ok?! Em segundo lugar, eu tenho cascos e eles não se dão bem com teclados de computador. Pedi ao Marcos para contar como foi a minha aventura. Então se prepare; você vai ver como eu sou incrível.

Oi, meu nome é Marcos. Eu não sou um boi; sou um humano, é claro. Depois de ruminar esse livro por alguns dias, resolvi fazer a resenha. O motivo? Você precisa conhecer a Elsie, uma amiga minha. Ela é uma vaca, literalmente. Aliás, até um dia desses, ela era uma vaca bem normal. Ela pastava, dormia, paquerava os bois e só. Porém, em certa noite, ela viu uns humanos adorando o seu deus televisão. Nela, passavam imagens para lá de chocantes! Os humanos matavam vacas e as comiam. Pode imaginar algo assim?! Claro, Elsie ficou desesperada. Ela precisava fazer algo, afinal, não queria ser comida.

Então, a Elsie começou a bolar um plano para fugir da sua fazenda. Sua ideia era chegar à Índia, pois, segundo ela ouviu dizer, por lá as vacas eram adoradas. Contudo, viajar para um lugar tão distante não seria fácil. Então, ela se uniu com outros amigos meus: Shalom, um porquinho judeu que quer ir morar em Israel, e Tom, um peru que é ótimo com novas tecnologias. Juntos, eles resolveram salvar suas vidas e nos matar. Calma, não matar de verdade, eles não são vingativos; resolveram nos matar de rir.

A maioria das pessoas acha que as vacas não pensam. Oi. Peraí que vou reformular essa frase: a maioria das pessoas acha que as vacas não pensam, e que não têm sentimentos. Oi, de novo. Eu sou uma vaca, meu nome é Elsie (é, eu sei). E isso não é conversa para boi dormir. Viu? Nós pensamos, sentimos e fazemos graça, a maioria de nós, pelo menos. Minha tia-avó Elsie, de quem herdei o nome, não tem o menor senso de humor. Nenhum. Zero. Ela não gosta nem de piadas de seres humanos fazendo coisas idiotas (p. 9).

Partindo dessa premissa, David Duchovny Elsie cria um livro para lá de espirituoso. Fingindo ser apenas uma comédia boba, ele ela aproveita para tratar de assuntos importantes, como a crueldade no abate dos animais, vegetarianismo, dignidade, cooperação e humanidade. Através de uma narração muito divertida, ele ela dilui esses assuntos de maneira muito inteligente, fazendo com que apenas os leitores mais atentos consigam captar suas mensagens.

Claro que, apesar de tratar de pontos importantes, o grande trunfo da obra é o humor. David Elsie cria uma narrativa leve, rápida e muito divertida. Repleta de piadas diretas, de duplo sentido e referências à cultura pop, o livro te prende do começo ao fim, fazendo-te ter uma catarse através do riso. As risadas são tão constantes e a curiosidade para saber o final da aventura é tamanha que dificilmente você não lerá o livro de uma vez só.

Aliás, grande parte dessa atração toda que o livro exerce sobre o leitor é motivada pelos bons personagens criados. Elsie, nossa grande narradora e protagonista, é uma das personagens mais divertidas e humanas, mesmo sendo uma vaca, que eu já conheci. Com a língua afiada e totalmente sincera, ela faz cada pedaço de sua aventura torna-se um grande espetáculo. Tom também ganha o leitor. Afinal, não é todo dia que conhecemos um peru traumatizado por não saber voar e que compensa isso usando muito bem o seu Iphone. Por fim, ainda tem o Shalom, que é, no mínimo, muito inteligente. Afinal, o que é mais esperto do que se tornar um porco judeu e ir morar em Israel?

Então eu estava livre. Por assim dizer. Sim, eu continuava presa na fazenda, mas estava livre por dentro, na minha cabeça, que é o verdadeiro lar da liberdade (p. 63).

Além das muitas risadas e do enredo, a diagramação também contribui para que a leitura seja muito agradável e rápida. Isso ocorre porque as letras possuem o tamanho ideal e o espaçamento é excelente; a obra também conta com uma ótima tradução e revisão. Ademais, para completar a parte física, temos uma capa que é bem chamativa e já apresenta o que podemos esperar da obra.

Diante de todos esses aspectos, é claro que eu indico Holy Cow. Se você gosta de livros engraçados e com algumas piadas inteligentes, esse livro é para você. Dê uma chance para a minha amiga Elsie; você irá amá-la.

site: http://www.desbravadordemundos.com.br/2016/03/resenha-holy-cow.html
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Maria - Blog Pétalas de Liberdade 18/03/2016

Elsie
Quando eu abri um pacote que chegou na minha casa, e vi que dentro tinha um exemplar do livro "Holy Cow", um marcador, um ímã e uma carta escrita por uma vaca muito engraçadinha, tudo o que eu conseguia fazer era sorrir e mostrar para todo mundo o meu livro novo de vaquinha. Sou dessas. E quando li o livro, também ri bastante, mas, surpreendentemente, foi uma leitura que também trouxe reflexões.

"Holy Cow" é narrado por uma vaca, a Elsie, que tinha uma vida tranquila numa fazenda dos Estados Unidos. Sua vida se resumia a acordar, ser ordenhada, comer e passar o resto do dia no pasto com seus amigos animais (mais especificamente com as outras vacas). Era uma vida feliz. Até que, um dia, Elsie espiou pela janela da casa dos fazendeiros e viu na televisão (ou o Deus Caixa, como ela chamava) uma reportagem sobre o que era feito com as vacas que não eram leiteiras: elas eram mortas e cortadas aos pedaços para serem vendidas. Para nós, isso não é nenhuma novidade, mas para a Elsie, foi algo extremamente chocante. E Elsie não queria esse destino para ela, nem para as filhas que um dia ela talvez tivesse. Então, Elsie decidiu fugir para a Índia, onde a vaca é considerado um animal sagrado. Mas tente manter algo em segredo dentro de uma fazenda! Logo outros animais ficaram sabendo do plano de Elsie.

O porco Jerry queria fugir também, o destino dos bovinos era igual ao destino dos suínos. Ele queria ir para Israel, já que, entre os judeus, o porco é considerado um animal intocável. E tinha também Tom, o peru, que estava cansado de fazer regime para não parecer apetitoso o bastante para se tornar um prato no Dia de Ação de Graças. Tom queria ir para a Turquia, e como eles precisariam de um smartphone para viabilizar a fuga (pesquisar rotas, comprar passagens de avião pela internet...) e nem Elsie nem Jerry conseguiam usar um (touch screen e cascos não se dão muito bem) mas Tom conseguia, ele foi aceito no grupo.

O trio teve que treinar para conseguir andar em duas patas (se bem que o Tom já andava) e se disfarçar de humanos, enquanto esperavam o dia da fuga. Partir não seria fácil, assim como também não seria fácil enfrentar os obstáculos que surgiriam no caminho. Será que os três conseguiriam viver em segurança em outro país? O fato é que Elsie decidiu contar a sua história no livro, embora o seu maior desejo era uma adaptação cinematográfica, um filme, sobre sua aventuras (tanto que escreveu alguns diálogos em forma de roteiro e usou várias dicas passadas por sua editora, vai que algum roteirista lê o livro, né?!).

"Peraí, só um instante enquanto penso na minha mãe. Os sentimentos vão e vêm, a menos que você não se permita sentir. Porque aí eles ficam, e doem, e crescem até adquirir um formato de pera, uma coisa estranha. Por isso é que quando nós, vacas, somos invadidas por um sentimento, nós sentimos até que o sentimento passe. E aí muuuu-damos de assunto. Bum. Por essa você não esperava, né?" (página 13)

Eu li "Holy Cow" em um final de semana. O livro tem capítulos curtinhos e uma leitura bem fluida. Acho que nunca li um livro onde o narrador fosse um animal (já li alguns onde um humano havia sido transformado em animal), ainda mais uma vaca. Durante toda a leitura eu senti que era realmente a vaca Elsie que estava contando a história, em nenhum momento me parecia ser uma pessoa, e parabenizo o autor por ter conseguido manter o tom da narração durante toda a obra. Como disse anteriormente, a Elsie queria ter um filme de sua história, e para isso ela contava com os concelhos de sua editora para tornar o texto melhor (conselhos que ela nem sempre seguia), e era muito engraçado ver uma vaca usando frases que eu já vi em livros narrados por humanos, a situação era divertidamente inusitada. Confesso que do meio para o final do livro, o trama deu uma esfriada, mas os capítulos finais voltaram a valer a pena.

Como disse no começo, além de fazer rir, a obra também faz com que pensemos sobre a forma como tratamos os animais, como e o quanto os consumimos. Fica claro que não é errado comer carne, mas a questão é: como o animal (do qual aquela carne veio) foi tratado? E se ela veio de um ser vivo, é certo desperdiçar? É certo desperdiçar a vida?

"Vocês, humanos, bebem o nosso leite e comem os ovos das galinhas e das patas. Isso já não é suficiente? Não é suficiente darmos a vocês as nossas crianças e o que seria destinado a nossas crianças? E se não é, quando será? Tudo o que vocês, humanos, fazem é pegar, pegar, pegar da Terra e de suas criaturas magníficas, e o que dão em troca? Nada. Sei que os humanos consideram um insulto grave ser chamados de animais. Bem, eu nunca daria a um humano a honra de ser chamado de animal porque os animais podem até matar para viver mas não vivem para matar. Os humanos vão precisar reconquistar o direito de ser chamados de animais." (página 58)

Sobre a parte visual: a edição está uma gracinha! A capa é bem lindinha, tem tudo a ver com a obra, o título está em alto relevo e no interior da capa tem manchas pretas, como se fosse uma vaca malhada. As páginas são brancas, as margens são grandes, o espaçamento e a fonte são de bom tamanho. Tem algumas ilustrações e cada capítulo tem um título, alguns são letras de músicas.

É um livro bem divertido (nem consigo calcular quantas risadas eu dei, queria ter colocado algumas citações engraçadas na resenha, tem muitas, mas acabei não marcando nenhuma), uma fábula que pode agradar tanto os leitores mais novinhos quanto os já adultos. Tem várias referências a livros, filmes... coisa culturais, talvez eu não tenha detectado todas por não ser muito ligada no que rola fora do Brasil (exceto quando o assunto é literário), e eu não ia ficar pedindo que me explicassem o que uma vaca estava falando. E se alguém se lembrr do clássico "A revolução dos bichos", a Elsie deixa bem claro que sua história é totalmente diferente da de George Orwell. Fica a dica para quem, independente da idade, procura um livro diferente e divertido.

"A ignorância é uma benção, mas o mundo tem mais a oferecer que isso, e é errado não aproveitar o que ele oferece. Não se pode ser bezerra para sempre." (página 16)


site: http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/2016/03/resenha-livro-holy-cow-david-duchovny.html
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Dreeh Leal @blogmaisquelivros 17/03/2016

Holy Cow: Uma Fábula Animal - David Duchovny
Elsie é uma vaca. Sua vida na fazenda é pacata e rotineira, porém confortável. O dia começava com a ordenha, transcorria com a pastagem - momento que aproveitava para interagir e fofocar com as outras vacas, principalmente sua BFF Malorey - e terminava com uma nova ordenha. As coisas começaram a mudar quando um desejo louco de estar perto dos touros surgiu tanto nela, quanto em Malorey. E numa noite, aproveitando um descuido de um dos filhos do fazendeiro, lá foram elas explorar o mundo.

"A ignorância é uma benção, mas o mundo tem mais a oferecer que isso, e é errado não aproveitar o que ele oferece. Não se pode ser bezerra para sempre"

Sem saber exatamente o porque, ela foi atraída até a casa da fazenda e lá conheceu o Deus Caixa. Ele tinha uma voz humana meio robótica, emitia uma estranha luz e hipnotizava os humanos que o cultuavam. É por estarem em transe que não percebem a presença de uma vaca ali na janela enquanto ele mostra a realidade dos abatedouros. Galinhas, porcos, vacas... todos vivendo trancafiados, sem menor dignidade, até se juntarem ao mar vermelho criado por aqueles aparatos.

"Vocês, humanos, bebem o nosso leito e e comem os ovos das galinhas e das patas. Isso já não é suficiente? [...] Tudo que vocês humanos fazem é pegar, pegar, pegar da Terra e de suas criaturas magníficas e o que dão em troca? Nada."

As descobertas devastaram Elsie e acabaram por afastá-la dos outros animais. Fugir para pastar noite a dentro virou uma rotina. Era um bom momento para pensar na vida. Foi numa dessas andanças que ela se deparou com um novo deus da caixa e a solução para a eu problemas lhe saltou da tela. Do outro lado do oceano existia um lugar chamado Índia, e lá as vacas eram sagradas, adoradas. Nada de morte sangrenta para virar churrasquinho!

Com um mapa roubado ela consegue traçar seu plano de fuga, mas como comprar um passagem, como embarcar em um avião? É aí que entram Shalom, o porco judeu, e Tom, o peru com anorexia. Todos tinham em mente um destino mais interessante que nossos pratos e juntos criam um plano para que cada um alcance sua Terra Sagrada. Será que eles vão conseguir?

A primeira vista, o livro escrito pelo ator, roteirista, produtor, diretor, escritor, compositor e cantor, David Duchovny pode se passar por uma obra mais juvenil, mas não se deixem enganar pelos animais que falam. Os assuntos abordados são uma reflexão bem adulta, porém, o jeito leve como o autor trás tantas críticas a sociedade me fazem pensar que esse seria um excelente livro para ser abordado nas escolas.

De uma forma geral, pode-se dizer que o assunto principal do livro é a triste realidade da natureza humana. O melhor é saber que a editora de Elsie a alertou sobre os riscos de falar tão abertamente sobre o assunto. Isso poderia afastar o público e sua ideia de transformar sua história em um filme iria por ralo a baixo. Afinal de contas, nós sabemos o quanto somos cruéis - com a natureza, com os animais, um com o outro -, apenas não nos importamos com isso.

"Sei que muitos humanos consideram um insulto grave ser chamados de animais. Bem, eu nunca daria a um humano a honra de ser chamado de animal porque os animais podem até matar para viver mas não vivem para matar. Os humanos vão precisar reconquistar o direito de ser chamados de animais."

A gama de críticas ao modo como vivemos é enorme. Vai da nossa incapacidade de retribuir a natureza à forma narcisista como agimos. E antes de encerrar minha opinião sobre esse livro, deixo uma confissão para vocês: se eu tivesse a menor inclinação para ser vegana, eu teria me convertido antes da última página.

"É por isso que eles chama o celular de "I phone"? Porque é tudo eu eu eu. Igual a falar para ouvir a própria voz. Porque eles não se comunicam ao vivo e em cores como animais normais? Tem tanto coisa nos seres humanos que eu não entendo..."

Holy Cow é um livro graficamente bem fofinho. A parte interna da capa tem uma estampa de vaca! As páginas são brancas e as fontes, além de não seguem a tradicional times, são levemente maiores do que o normal. Os capítulos são titulados e bem curtinhos. A capa é a mesma que a original e ao longo do livro existem algumas gravuras com esse mesmo traço.

Apesar de ser narrado em primeira pessoa, na verdade é praticamente um monólogo onde a narradora conversa diretamente com o leitor, há também alguns momentos de diálogos, mas esses foram expostos como se fosse um roteiro (lembram que eu comentei sobre a ideia de transformá-lo num filme?). Essa Elsie não perde tempo mesmo.

Holy Cow: Uma Fábula Animal é um livro singelo, de leitura rápida, mas que vai além de um simples passatempo.

"Se vou ser morta para virar comida, pelo menos me comam e me cague e me deixe reingressar no ciclo da natureza. Não me mate sem motivo."

site: http://www.maisquelivros.com/2016/03/resenha-holy-cow-david-duchovny.html
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Babi 14/03/2016

Pelo menos escute o que a vaca tem a dizer
Quem viu o último vídeo de Cheiro de Livro Novo (caixa de correio), do blog Um Metro e Meio de Livros, vai lembrar da minha empolgação com esse livro quando ele chegou por aqui. Acontece que muitas vezes quando nossas expectativas estão altas demais acabamos quebrando a cara, ou melhor, ficando com aquela sensação de que faltou alguma coisa. E, infelizmente, foi com essa sensação que fiquei ao terminar de ler a história da Elsie. Só que até agora eu ainda não consegui entender muito bem do que eu senti falta no livro do David Duchovny.

Mas é fato que Holy Cow é um livro muito divertido, fácil e rápido de ser lido que é narrado por uma vaca chamada Elsie Bovary. Elsie mostra logo de cara que é uma vaca super alto astral, cheia de energia e ao mesmo tempo um animal bem de boas. Só que ela deixa de ser de boas com os humanos quando, ao espiar pela janela da casa do fazendeiro, o Deus Caixa (uma TV) lhe faz algumas revelações nada agradáveis - e todas essas revelações só acontecem porque ela e sua amiga Mellody resolvem dar uma escapada do pasto para jogar um charme para os touros. HashtagSafadenhas.

Ao mesmo tempo que Elsie fica empolgada com a escapadinha, ela também fica receosa. Ela tem medo de se envolver com algum touro, já que sabe que se virar mãe em algum momento vai acabar desaparecendo. Pois é isso que aconteceu com a sua mãe, com a mãe da sua mãe, com a mãe da mãe da sua mãe e por aí vai. Mas uma das grandes revelações do Deus Caixa é que, na verdade, sua mãe não simplesmente desapareceu e a abandonou porque essa era a lei da natureza, ela desapareceu porque foi assassinada pelos humanos que só queriam sanar suas ambições. A segunda grande revelação é que existe um lugar mágico onde as vacas são veneradas e tratadas como deusas - exatamente, estamos falando da Índia. A partir daí, Elsie começa a bolar um grande plano para chegar à Índia e poder viver uma longa vida.

Mas o que ela achava que ia ser uma aventura solitária, acaba sendo uma grande aventura entre amigos. Elsie ganha dois companheiros nessa jornada, um porco chamado Jerry - que resolve virar judeu e troca seu nome para Shalom - e um peru anoréxico chamado Tom Turquia, que tem absoluta certeza que na Turquia, entre família, ninguém vai querer transformá-lo em refeição no Dia de Ação de Graças. Esses dois personagens vão ser os principais responsáveis por boa parte das risadas durante a leitura - eles e as conversas que Elsie narra com sua editora, que insiste que Elsie faça várias referências da cultura pop para atrair o público (e Elsie acaba levando o conselho tão a sério que é difícil encontrar uma página sem algum trocadilho com músicas, filmes, livros).

Ao mesmo tempo que gostei dos personagens, também achei algumas características da personificação deles exageradas demais. David Duchovny, em Holy Cow, faz uma grande crítica às fazendas industriais que transformam animais em apenas mais um produto a ser comercializado, fazendo de suas vidas um verdadeiro inferno. No entanto, essa crítica acaba perdendo sua credibilidade quando o autor apresenta cenas em que as vacas se mostram extremamente preocupadas com a vaidade - Mellody chega a se maquiar para ver os touros e a própria Elsie, diante da ideia de seu livro virar um filme de Hollywood, diz que precisa perder uns quilinhos. Sem falar nos touros que agem como perfeitos babacas e machistas quando veem as duas se aproximando deles. Sabe aqueles caras que te olham no meio da rua como se você fosse um pernil assado e ainda soltam um "Que isso, hein, princesa"/ "Hum, gatinha, vem com o papai" ? Pois é, é com esse perfil que Duchovny personifica os touros.

Tirando esse detalhe, o livro de Elsie tinha tudo para ser uma grande história, mas que acaba ficando no meio termo. Pode ser que o autor tenha se perdido um pouco do foco do livro ao começar a narrar a viagem dos três. Pode ser que, apesar da mensagem passada e da crítica, a história em si não mostre nenhuma originalidade no enredo. Não sei bem o que foi, só sei que alguma coisa se perdeu no meio do caminho e talvez algum dia eu até chegue a reler Holy Cow: Uma Fábula Animal para tentar identificar a peça perdida desse quebra-cabeça.

site: http://www.ummetroemeiodelivros.com
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