Se Eu Fechar os Olhos Agora

Se Eu Fechar os Olhos Agora Edney Silvestre




Resenhas - Se eu fechar os olhos agora


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Lucas S. 04/05/2021

O Brasil de 61 ainda é o mesmo do Edney de agora, e de seus seguidores
Aqui, Edney, um grande jornalista e prosador contemporâneo, disseca um tema batido mas não abatido, o da sociedade de espúrias à brasileira: traz corrupção, aliciamento político e comportamento cultural conservador expostos na década de 60, pré-ditadura, e décadas depois ainda vigente por aí, por aqui.

A trilogia que ele planejou, trazendo Paulo neste, Bárbara em "A Felicidade é Fácil" e os unindo em depoimentos da derroca diversas do Brasil em "Vidas Provisórias", e a mim lendo-os de trás pra frente (na época não sabia de suas ligações), confirma que tudo continua igual - não perde-se nada nem confunde-se -, seus temas recorrentes nas três obras permitem um acesso a mais, porém de menos quando mudanças ocorrem à uma nova ordem, revolta, golpe, e os dissabores egoístas humanísticos se sobressaem ao coletivo, ao utópico. Seus personagens presenciam tudinho. E por vezes, reproduzem. Ele, democrático e assertivo, escancara como o deve ser feito.

Os protagonistas Paulo e Eduardo, oferecem uma jornada típica de romance de formação (seus 12 anos não serão os mesmos), com ingredientes do policial (o que essa mulher assassinada fez ao Poder?) ao histórico (era um ex Rio capital), escritos com maestria pelo Edney - sério, seríssimo. Seu final, particularmente agridoce, mas sensível e sensato, denota tudo o que expus desde o começo da impressão, sua escrita, e, portanto, para nós, sua leitura, é síncrona com o Brasil do hoje, de Bolsonaros, de milícias, de negacionismo, da direita ininteligível exacerbada, do conformismo cultural em manter comportamentos e reproduzi-los mesmo depois de esmiuçados à nossa fuça. Aí é que tá, a literatura está pra expiar essas demandas, e que bom que existe um quinhão de pessoas que a valorizem. Leiam esses autores que nos querem bem. Esta é, ainda, sua melhora obra.
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Karoline 18/04/2021

"Os mortos não ficam onde os enterramos"
Que thriller nacional maravilhosooo!! A cada capítulo a tensão e o mistério crescem e você só quer saber de respostas. As personagens são muito bem construídas, me apaixonei pelo trio principal. O contraste entre a inocência infantil com a experiência de vida de um idoso fez da dinâmica entre Paulo, Eduardo e Ubiratan um dos pontos fortes do livro.

Muito interessante também como a narrativa está alinhada em seu contexto histórico do Brasil pós era Vargas, me fazendo querer pegar um livro de história no momento em que terminei a leitura. E eu simplesmente AMO romances que me fazem sentir isso, que me dão essa sensação de querer saber mais e mais.

O tema da amizade aqui é tão potente e tão real. Me emocionei muito no final e terminei querendo ter conhecido essas personagens. Achei essa sutileza um ótimo contraste com as barbáries do crime que Paulo e Eduardo se vêem no meio. As descrições são muito duras, cruas e diretas, muitas vezes difíceis de serem lidas, até.

Recomendo para quem gosta de histórias de mistério, de amizades que marcam as vidas das pessoas, se quer ser transportado para o Brasil dos anos 60, ou se apenas quer ler um daqueles livros que você não vai querer largar até saber como tudo vai acabar.
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gabi 21/03/2021

"os mortos não ficam onde os enterramos"
depois de um início um pouco monótono e desmotivador, o livro pega ritmo do meio para o final. a escrita é simples e direta, por isso a leitura não fica maçante em praticamente nenhum momento, e o autor (que também é jornalista) contextualiza MUITO bem a história no brasil da década de 1960.
depois de engatada, a leitura é rápida e fluida. edney silvestre escreve tão bem que o desfecho do livro é até relevado. fiquei imersa na história a ponto de criar minhas próprias teorias e suspeitar de vários personagens.
com exceção dos protagonistas, os demais personagens são machistas e misóginos. em diversas situações senti grande repulsa, tanto pelo crime em si quanto pela forma com que a vítima foi tratada antes e depois de morta. ainda que de uma forma velada, em uma análise sobre o contexto, é possível fazer recortes de raça, classe e gênero.
no mais, a história é muito bem amarrada. a partir de um certo momento, você fica mais intrigado em descobrir o porquê de anita ter sido assassinada do que por quem. é um livro que merece ser mais conhecido e divulgado.
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Marina 16/03/2021

Instigante
Bem escrito, muito cativante. O livro conta a história de 2 meninos que, ao encontrar o corpo de uma jovem mulher morta, iniciam uma investigação amadora sobre o assassinato ao lado de um velho professor de história que mora num asilo. No processo, eles acabam descobrindo amplas redes de poder e conivência na cidade.

A prostituição, a hipocrisia católica, o racismo e o machismo que permeiam as relações sociais no Brasil na década de 1960 são adentrados e observados por um velho idealista, torturado na ditadura Vargas por ser comunista, e dois meninos de 12 anos, marcados pela inocência da infância.

O livro prende muito do início ao fim. O mistério é constante e bem construído.

Só criticaria o exagero em algumas conclusões mórbidas ou nas descrições da mutilação da mulher.
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Adriano 10/03/2021

Ótimo!
 início de ?Se eu fechar os olhos agora?, romance do jornalista e escritor Edney Silvestre, dá ao leitor, primeiro, a impressão de estar diante de um livro infanto-juvenil, por apresentar os dois protagonistas, Eduardo e Paulo, garotos de 12 anos de idade, no momento em que fazem mais uma de suas travessuras, matando aula para nadar em um lago; depois, o livro dá uma guinada e o leitor se vê enredado em uma trama policial: os garotos encontram, nas imediações do lago, uma mulher morta a facadas. Mas, na verdade, e apesar de haver em ?Se eu fechar os olhos agora? uma espécie de aura juvenil e de uma investigação ocupar grande parte do livro, o que se tem diante dos olhos é um romance de formação.

Ambientado na década de 1960, em Valença, pequena cidade fluminense ? terra natal do autor ?, ?Se eu fechar os olhos agora? é o primeiro livro de ficção de Edney Silvestre, que tem várias outras obras publicadas ? de crônicas e coletâneas de entrevistas. Um dos personagens, já adulto, é a voz que dá início ao livro: ?Se eu fechar os olhos agora, ainda posso sentir o sangue dela grudado nos meus dedos. E era assim: grudava nos meus dedos como tinha grudado nos louros cabelos dela, na testa alta, nas sobrancelhas arqueadas e nos cílios negros, nas pálpebras, na face, no pescoço, nos braços, na blusa branca rasgada e nos botões que não tinham sido arrancados, no sutiã cortado ao meio, no seio direito, na ponta do bico do seio direito?.
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Karine 11/02/2021

o livro realmente começa do meio pro final e apesar de ter gostado fiquei levemente incomodada com a superficialidade da história e a violência constante e desnecessária (quer dizer, a mulher já tinha sido assassinada de forma brutal, pra que a ablação do seio?). além disso, em alguns momentos pareceu mais uma resenha do estado novo até 1961, onde situações do cotidiano dos meninos iam se embrenhando nos momentos históricos até aquele momento.

vale todinho pelos capítulos finais e pelo personagem ubiratan
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CarsMatheus 11/02/2021

Mais uma leitura obrigatória
Alguns escritores brancos tem um fetiche esquisito em escrever situações de pessoas negras sofrendo violência racial, alguns escritores homens tem um fetiche esquisito em escrever mulheres sendo vítimas de crimes brutais.
Esse livro tem os dois, interseccionados.
A leitura social é rasa, a leitura racial é extremamente problemática,
além de discursos meritocratas na leitura social, o que é uma bela bosta.
A história começa lenta, é lenta até uma parte considerável da metade final e termina de forma abrupta, o final não é ruim, mas não gostei do livro.
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Gustavo.Borba 24/01/2021

Só abrindo os olhos
#LivrosQueLi
 
Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre. Ed. Record. O livro relata a investigação do assassinato de uma mulher cujo corpo foi encontrado por dois meninos de 12 anos, que se juntam a um idoso de um asilo. Acompanhamos paulatinamente as descobertas desses inusitados investigadores, de forma que ficamos a todo momento imaginando quem teria cometido o crime, e quais as motivações. Nos sentimos instigados a todo momento com as novas descobertas. E também nos enojamos com o que as investigações revelam de tudo o que está em torno à vítima e às pessoas com quem ela se relacionava. Não pude deixar de pensar na alegoria sobre o Brasil, em que as elites governam, têm a posse de todas as fontes de riqueza, exploram o povo e ainda nos violentam, nos vilipendiam, nos retiram o direito à dignidade, nos assassinam e ainda saem ilesos de tudo isso. Também considerei como símbolo de um Brasil que se urbaniza e alimenta crenças em possibilidades de desenvolvimento os dois garotos protagonistas, inocentes diante do jogo sujo que os cerca, assim como associei o idoso investigador com uma esquerda militante (ele era partidário do PCB) que tenta expor as artimanhas de nossas elites, mas sempre presa às velhas metodologias do passado, sem se preocupar em realizar a necessária atualização, chegando sempre perto de desvendar o jogo que nos escraviza, sem conseguir alcançar sua meta. Enfim, gostei bastante da leitura, me estimulou a ler outros livros do autor.
 
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Paula Brindeiro 19/12/2020

Quotes do livro
"Os mortos não ficam onde os enterramos."
(página 253)
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Felipe 01/09/2020

Um romance policial brasileiro
Assisti uma crítica sobre esse livro em algum canal no youtube e resolvi dar uma chance. Apesar de que esse livro ficou quase um ano nas minhas listas de leitura, "Se eu fechar os olhos agora" prendeu minha atenção do início ao fim.
Se trata de uma investigação de um assassinato muito profunda, cheia de reviravoltas e segredos no melhor estilo "Sidney Sheldon", mas que apesar de escandaloso, não deixa de trazer um toque de pureza, já que dois dos protagonistas (Paulo e Eduardo) são crianças.

Mais que recomendado, uma leitura agradável e marcante!
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Lena 27/08/2020

Um livro que me despertou emoções boas e ruins, mas a experiência de lê-lo, foi maravilhosa. Descobri este livro por meio de um clube de leituras, do qual participo (@indiesbookclub); e tenho muito a agradecer a eles por terem me proporcionado a descoberta deste livro que já se tornou um de meus favoritos da vida. O melhor de tudo foi a possibilidade de discutir com amigos sobre o progresso da leitura, e compartilhar ideias e insights sobre a história. É um livro que tem muito a contar, e eu posso até dizer que é um livro sobre a sociedade brasileira e sua podridão... Essa nossa nação que nasceu do estupro, da corrupção, da violência e da exploração.
O mais lindo e tocante do livro, sem dúvidas, é a amizade de Paulo e Eduardo. Vemos a maneira como os dois compartilham as descobertas do mundo e a perda da inocência, e é muito fácil nos identificamos com os dois, pois quem nunca teve uma amizade de infância que nunca esqueceu e carrega sempre no coração?
Este livro tem tudo o que é necessário para se tornar um cânone de nossa literatura contemporânea e merece ser descoberto por mais pessoas assim como eu o descobri.
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Pamso 18/08/2020

Flechada
Esse livro é rápido, intenso, intrigante e tem um final muito afetivo. O contexto histórico é usado aqui de maneira muito interessante e imersiva.
Não é fácil para o adulto descrever os sentimentos de inquietação, bravura, curiosidade e angústia da criança sem cair na armadilha da caricatura, mas aqui o autor cumpre esse desafio de forma brilhante e encantadora.
O pano de fundo é difícil, choca por ser tão real e cruel, mas é escrito de forma delicada e fluida.
Recomendo a leitura!
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Alê 19/07/2020

Leitura recomendadíssima
É uma trama absolutamente instigante, a cada página surgem novos detalhes que te fazem teorizar e querer saber mais, assim como uma boa história policial deve ser. Ao mesmo tempo é quase um romance de formação de dois amigos que muito cedo se depararam com a crueldade humana direta ou indiretamente em suas vidas. Um livro emocionante que fala sobre machismo, corrupção, racismo, perversidade, tudo de mais errado que pode existir na sociedade. Leitura recomendadíssima
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Lara 15/07/2020

A leitura é instigante. Além da história ser incrível e trazer vários ensinamentos sobre desigualdade social, ainda dá uma aula de história sobre o Estado Novo, Era Vargas e ditadura. Você se apega desde o primeiro momento aos personagens. Com certeza será aquele livro de cabeceira que você relê várias vezes e não cansa.
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Neto 13/05/2020

Se eu fechar os olhos agora
Se eu fechar os olhos agora posso imaginar cada momento dessa estória como se fossem recordações da minha infância.
Ver coisas proibidas durante a aula, falar com estranhos, fugir da escola, sair escondido dos pais... alguém aí se identifica? Este livro conta a história de dois grandes amigos (Eduardo e Paulo), sua aventura parece tão familiar que é como se estivéssemos lendo um diário antigo.
A premissa de investigação sobre o aparecimento do corpo de uma mulher mal vista na sociedade e que foi brutalmente assassinada torna-se coadjuvante, nas entrelinhas desta obra estão as verdadeiras intenções do autor: tirar o véu que encobre a podridão sobre a sociedade de uma cidadezinha do interior que muito representa o Brasil. Edney Silvestre foi eficiente em tratar temas tão delicados como o racismo, o abuso sexual, a violência, a hipocrisia moral brasileira e a corrupção. Por diversas vezes senti dificuldade em continuar a leitura por sua linguagem tão crua e pontual em chocar o leitor com a crueldade de alguns personagens.
No meio das investigações, desconfianças e revelações surpreendentes, o desabrochar da fase adulta na vida dos dois garotos protagonistas se revela como o verdadeiro princípio do livro. A construção dos personagens e suas relações afetivas merecem destaque, terminei-o com o coração apertadinho torcendo pelos dois heróis, ao finalizar pude refletir que uma amizade verdadeira transpõe todas as coisas, o tempo, a distância, a morte e as lembranças. Eu recomendo esse livro a todos que desejam voltar à infância, mesmo que pra isso seja necessário se envolver em uma trama de assassinato, mesmo que seja preciso enfrentar os piores adultos, vale a leitura.
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