A Ilha do Dr. Moreau

A Ilha do Dr. Moreau H. G. Wells




Resenhas - A Ilha do Dr. Moreau


39 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3


Gustavo Rafael 26/11/2012

Um livro excepcional. É muito interessante como o Wells traz esse paradoxo: O homem tentando humanizar os animais e ele, ao mesmo tempo, se animalizando; e o incrível é que essa é uma tendência contemporânea. Quantas vezes não vemos que a forma do tratar humano em relação aos animais - especialmente domésticos - não é um tratar deveras humano. As expectativas que depositamos sobre esses animais, as roupas que os forçamos usar -os animais na ilha também com a humanização se cobriram com roupas, dado ao sentimento de pudor. Em contra partida, quantas vezes também não vemos, hoje em dia, homens movidos somente pelo instinto, desprezando aquilo que nos faz diferente dos animais, a razão, a capacidade de pensar, discernir e ponderar ideias. Fica claro no livro, quando o Prendick sai da ilha, que ele encontra na sociedade verdadeiros "monstros", tais quais ele encontrou na ilha, mas aqueles da sociedade não se mostram monstros no seu aspecto físico, mas na maneira de se comportar e a forma como conduzem seus pensamentos. O horror que Prendick passou na ilha, não se limita a ilha. É um horror mascarado, mas também encontrado no seio da sociedade humana.
O Dr. Moreau, apesar de ser criticado por suas experiências, não se faz tão diferente dos homens presentes tbm na sociedade. Um ser humano vazio, movido puramente por uma egoísmo no pensar. Moreau não demostrava nenhuma razão convincente para realizar aquelas atrocidades, ele não fazia para desenvolver a medicina ou reverter aquilo em algo benéfico à sociedade. Ele fazia puramente pelo egocentrismo e pelo sentimento de poder. Ele brincava de deus, criando e punindo suas obras de arte imperfeitas.

O intuito do Wells com esse livro, foi mais crítico do que qualquer outra coisa. O fato, creio eu, dos personagens não serem mais profundos e o fato das partes mais dramáticas- morte do Moreau e saída do Prendick - não serem mais detalhados, é pq eles não eram realmente importantes para a sustentação da crítica. O Wells, vejo eu, criticou a religião - instrumento alienador e controlador das massas -, o processo colonialista - já que os impérios do velho mundo, ao chegarem nas terras recém-descobertas, encaravam os nativos como animais e utilizavam do caráter moralizador e, principalmente, do discurso humanizador para tentar controlá-los - e por fim, uma crítica social no ponto em que o homem tenta humanizar os animais, enquanto ele mesmo sofre um processo interno de animalização.
ProfessorGeo 26/07/2013minha estante
Eu ainda não tinha relacionado o livro com a expansão do imperialismo europeu. Concordo totalmente com sua interpretação. A conversão forçada dos indígenas ao cristianismo - a Lei... - a tortura - a casa da dor - para aquele que insiste em outras crenças... Wells mostra sua genialidade e compreensão profunda do mundo.





Glaucio 11/02/2014minha estante
Um livro inesquecível, talvez por ter lido na adolescência. Estou querendo reler, mas com medo de estragar as boas lembranças que tenho da história.
Já ouviu falar no livro "a filha do louco" escrito por outro autor e que tenta pegar carona na continuação da história? Se sim, conhece alguma coisa acerca da qualidade deste livro?
Parabéns pela ótima resenha




PyroKorwin 19/04/2009

[Ilha do Dr. Moreau] [4/5 Estrelas]
Humanizar ao possível suas criaturas, ao ponto de falarem e agirem o mais perto possível de pessoas civilizadas. Fazê-las fugir do selvagem, esquecerem o instinto, se tratarem como humanos, ao ponto de usarem roupas e não beberem água diretamente com a boca. Fazê-los seguirem regras sem hesitar.
Esse é o propósito do Dr Moreau, que se isolou em uma ilha para poder alcançá-lo.

Fazê-los passar por experiências macabras enquanto ainda vivos, rearranjar suas peles, seus organismos, impor-lhes regras para que se possível se tornem melhores que os homens que habitam a Terra. Mas obviamente existem os imprevistos e os problemas, e nesse caso eles não deixam de ser fatais.

Até hoje não descobri se posso encaixar em suspense ou terror, mas com certeza é uma ficção imperdível que se você se interessou até agora creio que venha a gostar do livro.
comentários(0)comente



Gontijo 11/02/2012

Assustador.
Esse é um dos melhores livros de H.G.Wells que eu já li. Melhor, inclusive, que sua (considerada) obra-prima, "The Time Machine". Ele conta a história de um náufrago que acaba em uma ilha onde experimentos genéticos são feitos usando cobaias vivas. Um misto de ficção científica com horror. O romance leva até o limite o questionamento "até onde somos humanos?". Excelente. H.G.Wells mais uma vez provando ser um dos patriarcas da ficção científica.
Jean Thallis 21/07/2013minha estante
Com certeza cara, os livros de Wells sempre trazem algo de macabro, alias esse é o livro mais macabro que já li. Desde o Inicio Wells cunha a Ficção Cientifica com esse elo de perversidade e horror.




Gabriela 22/10/2015

Dr. Moreau - O Retrato da Crueldade Humana
Apesar de o livro possuir uma boa pontuação no skoob (4,0), ser um clássico e adorado por muitos leitores do gênero, eu não gostei muito. O livro abarca dois gêneros que eu gosto muito: terror e ficção científica. A linguagem não é difícil e a narrativa é bem interessante, clara e detalhista, como outros livros de H.G. Wells.

Porém, algo no livro não me agradou. Não sei se foi a crueldade gratuita do Dr. Moreau, realizando experiências macabras em animais ou a falta de horror propriamente dito, visto o viés absurdo daquelas tentativas de humanização animal.

Claro que quando lemos um livro que trata de vampiros ou zumbis sabemos que é uma alegoria, que não existem de fato. Mas dependendo do livro, passamos a "acreditar" e temer esses seres. A Ilha do Dr. Moreau, entretanto, não me trouxe medo ou mesmo uma ínfima possibilidade de temer aquelas criaturas. Ao contrário, senti certa compaixão pelos espécimes do Dr. Moreau, uma vez que eram vítimas inocentes de uma crueldade humana, sendo que esta, a meu ver, existe desde os primórdios da humanidade.

Hoje, ao que saibamos, não há experiências nem mesmo remotamente semelhantes às do Dr. Moreau. Contudo, há guerras, egoísmo, poder e tantas outras selvagerias que tornam o ser humano o pior dos predadores.

Sendo assim, acredito que o livro traz algumas reflexões, mas não foi algo que me agradou, por isso a nota 3/5.

site: http://arquivoliterariogb.blogspot.com.br/
Claridade Literária 06/08/2017minha estante
Me senti mal após ler esse livro. Não gostei e olha que gosto de ficção científica.


Gabriela 07/08/2017minha estante
É um livro bem pesado mesmo. Já assistiu Orphan Black?


Claridade Literária 07/08/2017minha estante
Não assisti. É ficção científica também?


Gabriela 10/08/2017minha estante
Sim! É sobre clonagem humana. A série é ótima. E tem referência ao livro "A Ilha do Dr. Moreau". Tem todas as temporadas na Netflix ;)


Claridade Literária 10/08/2017minha estante
Vou procurar, obrigada pela indicação :*




LuKa 16/09/2011

Um homem e a ciência: A sua vontade de ser Deus e suas horríveis consequências.
Uma ilha é o cenário perfeito para uma estória de suspense e terror.
Ainda mais uma ilha que está fora da rota de qualquer embarcação.
Onde experiências macabras são realizadas e os seus resultados permanecem escondidos da sociedade.

Seres vivos: nem humanos, nem animais... Privados da sua verdadeira identidade, forçados a negar seus instintos, obedientes a uma Lei que tem a sua força baseada na ignorância e no medo dessas pobres criaturas.
Imagine-se, por um infortúnio do destino e sem nenhuma outra opção, neste lugar... Tendo que aprender a conviver e suportar a bizarrice, a crueldade e a desumana realidade desses fatos.

E então tudo começa a dar errado, o caos se instala e você é obrigado a usar todo e qualquer recurso para se manter vivo e, mais importante ainda, conservar a sua sanidade!
Até que um milagre aconteça e você consiga ir embora (ou não)...
Ou talvez até a morte pareça melhor do que continuar vivendo entre eles.
comentários(0)comente



Leo 06/07/2012

Bom.
Podia ser melhor. Desenvolver mais o enredo, tudo acontece rápido, sem muito suspense.
Mas ainda assim é um bom livro. Vale a pena ler.
comentários(0)comente



_vspetrus 14/12/2014

Desbravando as atrocidades da vivissecção
Publicada originalmente em 1896, A Ilha do Dr. Moreau foi um bom aproveitamento da temática que vinha sendo abordada naquele final de século na literatura e que teve como um dos principais representantes o conhecidíssimo Julio Verne e suas Vinte Mil Léguas Submarinas: o isolamento insular. O livro conta com uma introdução do próprio tradutor do livro, Bráulio Tavares, que relata como Wells aproveitou bem esse tema e foi um dos pilares do assunto “cientista louco”. Tavares também nos mostra como essa obra de Wells influenciou em outros títulos famosos e faz comparações com outras obras conhecidas da Ficção Científica.

Avanços medicinais e novas descobertas sobre a anatomia humana – características do século XIX – foram incorporados nessa obra, já que a vivissecção são experimentos de cunho altamente experimentais, anatômicos e biológicos, além de terem sido bastante usados nessa época. Querem uma boa referência? Há uma cena em Sherlock Holmes (2009) em que aparecem sapos sendo abertos para testes de toxinas. Apesar disso, eles são abominados. Mas seria o uso desse assunto que fez essa obra causar um rebuliço quando lançada?

Há um determinado momento da obra, depois de Prendick fugir de Moreau e seu ajudante Montgomery, que ele vai parar numa comunidade de Homens-Animal e lá ele percebe que, mesmo isolados naquele ilhéu, há leis e regras a serem seguidas. Uma Lei maior que eles devem acatar para viver bem, em bando, e não sofrer as punições de Moreau. Os ritos lembram muito as orações religiosas e na obra em si pode ser feito um paralelo religioso onde Moreau é Deus, os vivisseccionados (qual a palavra certa?) são os homens, a ilha é a Terra (ou o universo). O Mestre da Lei pode ser considerado uma espécie de padre, pastor ou sacerdote.

O livro também tem um forte embasamento na teoria da evolução de Darwin e mexe muito com a filosofia, principalmente os pensamentos que envolvam o homem o meio. Depois de passados meses entre os monstros, Prendick acaba se afeiçoando a eles, o mesmo que aconteceu com Montgomery nos seus dez anos na ilha. Depois que Prendick consegue sair da ilha e voltar para a sociedade, ele diz que não consegue ser o mesmo homem, pois o que ele viu lá, os animais humanizados, acabou mexendo com o seu modo de ver as pessoas.

O livro é contado em forma deum grande relato, onde no primeiro capítulo já sabemos que Prendick saiu da ilha e tudo o mais. A partida que Wells usa nesse livro é como ele foi parar lá, como ele sobreviveu lá, o que ele viu e, finalmente, como ele conseguiu sair.

As descrições dos homens animais, às vezes, é quase inimaginável por causa da pouca descrição, mas isso se deve ao fato do livro ser contado em primeira pessoa e o autor, algumas vezes, comenta o quão difícil é descrever aquele tipo de criatura.

Há ainda duas adaptações para o cinema desse livro: uma de 1977 e outra de 1996. Caso eu encontre algumas delas por aí, assistirei e comentarei aqui sobre a fidelidade a obra, atuação e, talvez o mais importante: como eles conseguiram produzir bem as monstruosidades.

site: www.sobrevivendoanoite.blogspot.com.br
comentários(0)comente



Tauan 24/09/2015

Há muito tempo ensaio para ler esse livro, mas sempre postergava a leitura. Cheguei a comprar o livro e deixá-lo esperando na estante até a “hora certa”. Em um belo sábado, senti que era chegado o momento.
Comecei a ler no sábado e terminei no domingo, lendo boa parte durante a noite. Só me arrependi de não ter começado a ler antes. Logo ao terminar, já comprei também outros livros do mesmo autor, pois vale a pena.
Em a Ilha do dr. Moreau, conhecemos Edward Prendick, que após naufragar, vive os maiores tormentos de sua vida. Ele é conduzido a uma ilha misteriosa e pouco conhecida, embora sua presença não seja desejada lá.
Na ilha, ele tem contato Montgomery e o doutor Moreau, os únicos habitantes do lugar. Ou melhor, os únicos habitantes verdadeiramente humanos, pois gradativamente, Prendick conhece outras pitorescas figuras que vivem ali. Tratam-se de criaturas humanóides, mas com modos animalescos.
À medida que conhece melhor a ilha e hábitos dos moradores, o náufrago é tomado, cada vez mais, por um medo nascente da desconfiança dos métodos utilizados por Moreau em suas pequisas.
A certa altura, ele se lembra de um célebre pesquisador que fora exilado por suas técnicas pouco ortodoxas e por sua obsessão de transformar animais em humanos por meio da vivissecção, que mistura cirurgia mutiladoras e hipnose.
O livro tem uma narrativa perturbadora e instigante, levando o leitor a conjecturar junto com o personagem. Também ressalto o potencial pedagógico do livro, devido aos conceitos científicos que ele utiliza.

O escritor britânico Herbert George Wells nasceu em 21 de setembro (assim como Stephen King) de 1866. Era filho de um pequeno comerciante e trabalhou desde muito novo. Ingressou na carreira universitária e estudou biologia com Thomas Huxley, mas se tornou jornalista e escritor profissional.
Escreveu mais de uma centena de livros, entre romance, ensaios, textos educacionais e contos, mas ficou famoso mesmo com sua ficção científica.
comentários(0)comente



Tauami 17/11/2016

O monstro em cada um de nós retratado no livro clássico de H.G. Wells
Escrito em 1896, A Ilha do Dr. Moreau é tido como uma das obras literárias basilares para os que se dizem entusiastas do gênero terror e ficção científica. Quais seriam as razões que elevam esse livro a tal patamar? Antes de irmos às respostas dessa questão, se faz necessário explicitar as condições históricas em que o livro foi produzido.

Vivissecção é uma determinada conduta cirúrgica feita com propósitos experimentais em organismos ainda vivos. Normalmente, esse processo ocorre em seres que possuem sistema nervoso central para análises mais apuradas sobre as reações dos experimentos efetuados. Atualmente, esse processo é rigidamente controlado por um conselho de ética que estipula normas para que esses processos sejam feitos dentro de condições mínimas de conforto para o ser que está sendo vivesseccionado. Com os avanços da tecnologia, espera-se que esse tipo de procedimento seja abolido. Entretanto, esse movimento contrário ao procedimento é extremamente recente.

A primeira organização a ser criada com o claro intuito de combater a vivissecção foi a NAVS (National Anti-Vivisection Society). Fundada em 1875 por Francis Power Cobbe, no Reino Unido, essa organização criou um profundo e intrincado debate com a sociedade médica que até aquele momento possuía como um de seus fundamentos a prática da vivissecção exploratória. Durante o século XVI, Andreas Vesalius, considerado um dos pais do estudo da anatomia humana, acreditava enfaticamente que estudantes de medicina deveriam se utilizar de animais vivos para aprimoramento de seus conhecimentos sobre anatomia ao invés de debruçar sobre ilustrações feitas em livros. Entre as conquistas obtidas pela NAVS, está incluída a criação de uma ação (Cruelty to Animals Act 1876), aprovada pelo parlamento do Reino Unido, que regulariza os termos em que a vivissecção se torna legal, nos termos da lei. Posteriormente (1898), a British Union for the Abolition of Vivisection também foi criada, endossando os movimentos que lutam até os dias de hoje contra essa prática.

H.G. Wells, que já havia alcançado notoriedade com A Máquina do Tempo, publicada em 1895, estava ciente dessa crescente discussão sobre os limites da intervenção humana. Lembremos que autor era letrado nas ciências biológicas, tendo sido orientado pessoalmente por Thomas Henry Huxley, um conhecido biólogo evolucionista que influenciou profundamente o sistema educacional público inglês. Assim sendo, não há como negligenciar esses acontecimentos na construção da narrativa de A Ilha do Dr. Moreau.

O livro é trabalhado como se estivéssemos diante de um fato ocorrido na vida de Edward Predick, um rapaz abastado que é resgatado do mar após sofrer um trágico naufrágio. No navio de seus salvadores, Predick observa um desconforto geral por parte da tripulação em relação a um de seus passageiros. M’ling, devido sua aparência bestial, acompanhado de Montegomery, médico responsável por manter Predick vivo após o resgate. Ambos esperam a chegada do navio à ilha onde moram.

A medida que os pormenores dos experimentos de Moreau vão sendo expostos, ganhamos o conhecimento de que ele está conduzindo a criação de seres humanoides a partir de animais comuns e que seu sucesso havia sido tanto que esses seres desenvolveram, por meio de preceitos de cunho religiosos postulados pelo próprio Moreau, uma organização social própria.

A trama é trabalhada a partir das memórias de Predick a respeito dos acontecimentos que o cercaram em sua estadia na ilha, o que faz com que o leitor tenha que se ater a ideia de que todo o desenrolar da narrativa é um constructo partindo de um único ponto de vista. Através dos olhos de Predick, enxergamos as abomináveis criaturas feitas pelo injustificável narcisismo de Moreau. Vemos o inconsolável Montegomery se digladiando contra a correspondência entre ele e as bestas. Vemos a similitude entre os preceitos morais pífios impostos por Moreau a sociedade das criaturas e os preceitos morais que regem o nosso mundo dito civilizado.

O tempo e o espaço do livro estão profundamente relacionados. Quando nos lembramos de algo, não conseguimos resgatar todos os dias do passado, apenas aqueles acontecimentos que possuem certo peso para nós. O livro traz isso. Embora Predick passe praticamente um ano preso na ilha, a narrativa não tem tanto volume como normalmente essa quantidade de tempo pediria. Isso decorre em grande parte devido ao local onde ele se encontra. Uma ilha isolada e hostil não é um bom lugar para nutrir boas recordações. Tive a impressão de que, a todo o momento, Wells buscava metaforizar a memória através do que é a ilha, um pequeno punhado de terra (memória) cercada por todos os lados de água (acontecimentos reais).

Agora, voltemos à questão: O que torna A Ilha do Dr. Moreau uma leitura obrigatória? Bom, alguns poderiam dizer que a grandiosidade do livro se encontra na necessária comparação da organização do povo bestial e do mundo civilizado. Outros colocariam que é a inadiável queda do ser humano quando ele busca usurpar o trono de Deus, representado pelo trágico final do Dr. Moreau. Mas, em minha leitura, o brilhantismo da obra se encontra no modo como Wells demonstra que determinados acontecimentos em nossas vidas jamais nos permitirão voltar a ser o que já fomos.

Ao final do livro, depois de escapar da ilha, Predick se torna um homem de letras recluso, incapaz de lidar tranquilamente com a sociedade, pois ele viu de frente tudo o que a humanidade é – apenas um bando de animais. Quando isso se torna claro, não há volta.

Com essa conclusão, a relação que a obra cria a temática da vivissecção de torna mais complexa. Ao se deparar com a animalidade que cada ser humano possui dentro de si, Predick enxerga que abrir um animal para quaisquer que sejam os propósitos tornou-se uma atitude contra a própria noção de humanidade. É como se cada criatura que é vivissecionada pelo Dr. Moreau fosse um ser humano.

Não é possível passar indiferente pela leitura desse livro. A Ilha do Dr. Moreau traz aos nossos olhos que o mais profundo horror se encontra de cada ser humano. E lá esse horror aguarda, pacientemente, uma oportunidade de se manifestar. Com críticas filosóficas apuradas, uma linguagem acessível e a capacidade de ainda ressoar seus incisivos apontamentos, que vão desde vivissecção até o modo como nos relacionamos socialmente, fazem dele um livro necessário.

Ficha técnica:

H. G. Wells – A Ilha do Dr. Moreau – 1896
Tradução: Braulio Tavares
Lançamento no Brasil: 2012
Editora Alfaguara Brasil

site: https://101horrormovies.com
comentários(0)comente



Matheus Peres 24/09/2013

Uma critica genial aos desenfreados ufanismos da religião, sociedade e ciência. Uma obra repleta de simbolismo, mostrando o preço do fanatismo, da manipulação, da podridão de uma intitulada instituição teocrática a base do medo. Leitura super recomendável.
comentários(0)comente



Weslley Machado 09/05/2015

Um clássico da ficção científica
“A Ilha do Dr. Moreau” foi meu primeiro contato com a obra de H.G Wells. Quando descobri o livro logo fiquei muito interessado em começar a leitura, a sinopse me prendeu logo de cara. Gosto muito de histórias que se passam em um local isolado, como é o caso desse livro, onde Prendick relata como foi sua experiência após sofrer naufrágio da embarcação Lady Vain. Vamos conhecer como Prendick foi salvo pelo médico Montgomery por outra embarcação e acabou indo parar em uma ilha onde coisas estranhas acontecem.

O livro vai falar muito sobre a vivissecção, processo onde animais são manipulados e transformados em criaturas diferentes. No livro o Dr. Moreau, dono da ilha, faz experimentos com diversos animais. Moreau já mora na ilha a anos, onde conta com a ajuda do médico Montgomery. O leitor vai acompanhar os momentos de terror e angustia de Prendick nessa ilha onde Moreau pratica a vivissecção. Debilitado e sem encontrar nenhuma maneira de ir embora, Prendick terá que conviver com as aberrações que ali existem.

A narrativa de H.G. Wells é fácil, apesar de todas as referências científicas. O enredo consegue prender a atenção, criando aquele clima onde você sempre vai querer saber o que vai acontecer. Como Prendick vai sobreviver em uma ilha onde coisas tão estranhas acontecem? Será que o melhor a fazer é se adaptar? H.G. Wells me surpreendeu, sua ficção é simples e inteligente.

site: http://goo.gl/Om4m2z
comentários(0)comente



Rittes 28/05/2018

Feras e homens
Obra clássica e famosa de Wells, já exaustivamente adaptada para o cinema, com Marlon Brando e Burt Lancaster, entre as mais famosas (e que deve ganhar uma outra adaptação em breve), esta novela de terror com ares filosóficos é bem interessante e, apesar de muito antiga, não envelheceu mal. Jamais o conceito de cientista louco foi tratado com tanta propriedade, assim como a nossa suposta superioridade sobre nosso lado animal. Como disse antes, muito interessante.
comentários(0)comente



Gláucia 14/01/2013

A Ilha do Dr. Moreau - H.G.Wells
O livro é classificado como romance científico, na verdade uma novela possível ser lida num dia.
Escrito em primeira pessoa sob a forma do diário de Edward Prendick, sobrevivente de um naufrágio que foi parar numa ilha onde uma espécie de cientista louco pratica experimentos abomináveis. Mas como ele e sua sanidade mental sobreviverão aos horrores que presenciará nesse local é a grande questão.
Leitura rápida com uma boa dose de suspense.
comentários(0)comente



Lucas Furlan - Valeu, Gutenberg! 22/09/2018

A ilha do dr. Moreau
Publicado em 1896, "A ilha do dr. Moreau" mistura aventura, terror e ficção científica e é mais uma prova da imaginação fantástica de H. G. Wells.

O romance é narrado em primeira pessoa pelo personagem Edward Prendick, e relata o período que ele passou numa ilha isolada no oceano Pacífico, depois de sobreviver a um naufrágio.

Na ilha, ele conhece Moreau, um controverso cientista que tinha sido banido da Inglaterra devido aos seus polêmicos experimentos com animais. Prendick logo descobre duas coisas: 1) Moreau, ao lado de seu assistente, Montgomery, fez do local o seu novo laboratório, intensificando cada vez mais suas pesquisas; 2) A ilha é habitada por criaturas monstruosas, que têm relação direta com o trabalho do cientista.

É lógico que uma hora vai dar m…

Pra não dar spoilers do livro, não vou mencionar a natureza das experiências de Moreau. Apesar de serem cientificamente inviáveis, elas funcionam no contexto fantástico da obra e ainda são capazes de chocar e assustar o leitor contemporâneo.

Wells compensa a falta de rigor científico com muita tensão e suspense. Prendick nunca sabe até que ponto pode confiar em Moreau e em Montgomery, e as feras que vivem soltas são uma ameaça constante ao protagonista.

O autor também usou "A ilha do dr. Moreau" para fazer várias críticas sociais. Ao longo do livro é possível encontrar alfinetadas contra a Inglaterra colonialista, contra as religiões baseadas no medo e no castigo e também contra o comportamento humano:

"Um animal pode ser feroz e pode ser sagaz, mas para dizer uma mentira é necessário ser um homem de verdade."

"A ilha do dr. Moreau" é divertido, criativo, influente (é difícil não lembrar de "Jurassic Park") e trata de temas que continuam atuais, como a ética com os animais. Uma leitura excelente!

site: www.valeugutenberg.wordpress.com
comentários(0)comente



Leo 10/10/2014

A Ilha do Dr. Moreau tem como tema principal algo que não é muito raro dentro da ficção científica, mas as pessoas que têm preconceito contra esse gênero talvez não acreditem que seja muito frequente, é o lado negro da Ciência.

Não duvido que a maior parte das pessoas não valorize a ficção científica enquanto gênero literário; talvez tenham até certo desprezo, acham que quando se fala de livros, filmes ou o que quer que seja dentro deste gênero, pensem imediatamente em aliens disparando lasers contra robôs que explodem planetas, e que é tudo muito engraçado, mas sem profundidade nenhuma, meras histórias para exibir armas e sociedades futuristas, em que um herói salva o mundo graças às maravilhas da tecnologia.

Há livros assim. E filmes. Mas limitar a ficção científica a isso é como dizer que os romances históricos são sobre os homens da caverna. A ficção científica é muito mais que isso, e uma obra dentro do gênero tanto pode ser propaganda positiva da Ciência, como avisos sobre seu lado negativo, ou apenas uma boa história sem segundas intenções. Isto porque, e gostaria que todo mundo se convencesse disto, a ficção científica não é um gênero menos literário que os outros. Esse é um preconceito que não pode estar mais errado.

A ilha do Dr. Moreau é a prova disso. Para começar nem sequer há uma sociedade futurista, nem seres extraterrestres, interdimensionais, nem robôs, ou replicantes. Há um cientista louco, Moreau, e uma ilha povoada de experiências ambulantes desse cientista. Toda a história é seguida pelos olhos de Edward Prendick, o único sobrevivente de um naufrágio que acaba vivendo numa ilha isolada durante uns tempos, juntamente com Moreau e seu assistente, Montgomery, mais as experiências ambulantes.

Como a sua escrita clara e cuidadosa; Wells tece aqui uma trama sobre a condição humana e aquilo que nos distingue dos animais irracionais, bem como da loucura e crueldade humana, e de como a Ciência, e a paixão pela Ciência, podem levar a caminhos tortuosos e indesejáveis.

Na minha perspectiva, a mensagem não podia ser mais clara. Em a Ilha do Dr. Moreau, Wells deixa uma aviso: a paixão pela Ciência é como qualquer outra paixão; pode cegar e levar a uma sede de conhecimento que ultrapassa a ética e a moral, com argumentos aparentemente lógicos e racionais para justificar todas as crueldades possíveis e imagináveis.

Acredito que tenha sido algo no estilo que aconteceu com os cientistas nazis durante a Segunda Guerra Mundial, com as suas experiências com gêmeos e coisas assim. Houve mais motivos que isso, claro, mas acho que é importante reter disso, e deste livro maravilhoso, é que a Ciência, enquanto propósito e enquanto paixão, tem que ser guiada com cuidado, para não esquecer a Humanidade que deve ser inerente e para ter cuidado com os monstros, que raramente são outra coisa se não pessoas.
comentários(0)comente



39 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3