Adam Bede -

    George Eliot

    Penguin Books
    2008
    704 páginas
    23h 28m
    ISBN-13: 9780140436648

    Carpenter Adam Bede is in love with the beautiful Hetty Sorrel, but unknown to him, he has a rival, in the local squire’s son Arthur Donnithorne. Hetty is soon attracted by Arthur’s seductive charm and they begin to meet in secret. The relationship is to have tragic consequences that reach far beyond the couple themselves, touching not just Adam Bede, but many others, not least, pious Methodist Preacher Dinah Morris. A tale of seduction, betrayal, love and deception, the plot of Adam Bede has the quality of an English folk song. Within the setting of Hayslope, a small, rural community, Eliot brilliantly creates a sense of earthy reality, making the landscape itself as vital a presence in the novel as that of her characters themselves.

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    jota 1106/11/2022Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    MUITO BOM: um tanto longo, primeiro romance de Eliot já traz as qualidades que iriam consagrá-la definitivamente em Middlemarch, sua obra-prima

    Lido entre 26 de setembro e 04 de novembro de 2022. Com Adam Bede (1859) minha lista de obras lidas de George Eliot, ou Mary Ann Evans (1819-1880), cresceu um pouco mais, foi para quatro. Primeiro li o excelente, monumental (882 páginas) Middlemarch (1871), depois o ótimo Silas Marner, o Tecelão de Raveloe (1861) e em seguida o apreciável O Moinho à Beira do Rio Floss (1860). Em Portugal a primeira obra de Eliot recebeu o título de O Carpinteiro do Vale dos Fenos, que era mesmo a profissão de Adam. Desconheço se houve alguma tradução brasileira desse livro alguma vez. A história do hábil e trabalhador moveleiro se desenvolve entre 1799 e 1807 num fictício vilarejo rural inglês, Hayslope, e envolve personagens de comportamento bastante diverso. Adam Bede ama Hetty Sorrel, bela e vaidosa jovem que vive na fazenda arrendada pelos tios; ela ama o simpático Arthur Donnithorne, filho do dono de terras e futuro herdeiro delas; o quadro é ainda acrescido por Dinah Morris, jovem pregadora metodista, coisa pouco comum para mulheres naquela época. Por sua vez, Dinah desperta a paixão do abnegado Seth Bede, convertido ao metodismo, mas diz-lhe que não pretende abandonar suas prédicas religiosas para casar-se um dia, o que deixa o irmão de Adam bastante frustrado. Como eu ignorava o que era o metodismo, consultei a Wikipédia e transcrevo aqui o que encontrei: “Metodismo foi um movimento de avivamento espiritual cristão ocorrido na Inglaterra do século XVIII que deu origem à Igreja Metodista em 1739 e enfatizou a relação íntima do indivíduo com Deus, iniciando-se com uma conversão pessoal e seguindo uma vida de ética e moral cristã.” Dinah pregava então nos vilarejos próximos e seus tios eram os mesmo tios de Hetty; o comportamento das duas moças, tão distinto numa e noutra, gerava enorme contraste. Assim como depois veremos o imprudente egoísmo de Arthur contrastar fortemente com a seriedade de princípios de Adam. Conforme a narrativa vai crescendo dramaticamente então os personagens vão mudando psicologicamente, mostrando outras facetas que desconhecíamos, mas não apenas isso. Pois Eliot se preocupava também com a caracterização do ambiente social na mudança do século XVIII para o XIX, destacava o papel da mulher, da religião, das relações entre as classes sociais, meios de produção, vida familiar cotidiana etc. Quer dizer, o pano de fundo histórico e social é quase tão importante quanto as relações amorosas que se dão entre os personagens centrais. Por sua literatura adulta George Eliot mereceu mais tarde a admiração de outra importante escritora inglesa, Virginia Woolf. Até certo ponto Adam Bede parece ser uma história essencialmente romântica, de encontros e desencontros amorosos – e é grande parte do tempo isso mesmo, ainda que envolva sedução e traição –, mas depois se torna quase uma narrativa policial ou uma história bastante dramática. E tudo isso porque a bela e sensual Hetty se deixa levar cada vez mais pelos encantos do aristocrata Arthur, que a considera apenas um flerte. Hetty sonha que o jovem nobre irá desposá-la um dia e então se tornaria uma dama. Ela deixaria a casa dos tios e o trabalho de produzir manteiga, sua especialidade, teria uma vida rica, divertida, confortável. Cede seu corpo ao rapaz, que logo depois parte de Hayslope pois será escudeiro do reino, sem saber que Hetty estará grávida em breve. Conhecendo apenas parte da verdade do romance entre Arthur e Hetty, Adam quer a moça assim mesmo para casar-se com ela. Mas pouco antes da realização do matrimônio Hetty foge do vilarejo em busca do amado Arthur. Tem muita dificuldade em seus deslocamentos, falta-lhe dinheiro para o transporte, alojamento e alimentação, não consegue encontrar o rapaz, então por vezes pensa em se matar. O bebê nasce no meio do caminho e esse fato vai complicar muito mais as coisas para ela. Porém contar além disso seria entregar um tanto do suspense que envolve boa parte do livro e faz crescer o interesse do leitor pelo final da história. Que alguns capítulos antes traz de volta à cena a pregadora Dinah Morris: com sua bondade e espiritualidade ela procura confortar Hetty Sorrel em seus piores momentos. Então ficamos à espera do desfecho: o que acontecerá com a bela inconsequente, presa e julgada por um tribunal e o sofrido e ainda apaixonado por ela Adam Bede? É ler para saber.

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