Ensaio Sobre a Cegueira

Ensaio Sobre a Cegueira José Saramago




Resenhas - Ensaio Sobre a Cegueira


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Marília 06/05/2018

Escolhas
O pior cego ora é aquele que não quer ver ora aquele que escolhe ver pelos olhos alheios. Na mais branda das hipóteses, é por ignorância; mas, a mais comum e pior é por um terrível comodismo humano que a não percepção da realidade traz.
A passagem pela praça onde havia discursos pregadores e a ida na igreja revelam muitas coisas.
Beatriz.Ferreira 28/09/2018minha estante
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Maria 03/05/2018

PERFEIÇÃO
Única palavra que posso falar sobre esse livro!
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rapha 27/04/2018

Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.
“Tenho de abrir os olhos, pensou a mulher do médico. Através das pálpebras fechadas, quando por várias vezes acordou durante a noite, percebera a mortiça claridade das lâmpadas que mal iluminavam a camarata, mas agora parecia-lhe notar uma diferença, uma outra presença luminosa, poderia ser o efeito do primeiro lusco-fusco da madrugada, poderia ser já o mar de leite a afogar-lhe os olhos. Disse a si mesma que ia contar até dez e que no fim da contagem descerraria as pálpebras, duas vezes o disse, duas vezes contou, duas vezes não as abriu. (...) Como estará a perna daquele, perguntou-se, mas sabia que neste momento não tratava de uma compaixão verdadeira, o que queria era fingir outra preocupação, o que queria era não ter de abrir os olhos.”

José Saramago adora escrever ensaios. Ele busca, na maioria de suas obras, partir duma premissa “e se...?”. No caso deste livro, temos “E se todos de repente ficassem cegos?”. E, diferente da cegueira comum, onde você é cercado pela escuridão, aqui no livro os personagens são acometidos pela ‘cegueira branca’, descrita como um mar de leite diante dos olhos.

O livro começa com o primeiro cego (Yusuke Iseya), um homem comum dirigindo seu carro, e fica cego de repente. Começa toda aquela confusão estressante de um veículo parado no meio da rua até que um ‘bom samaritano’ ajuda o primeiro cego a ir para casa. Já é legal acompanhar esse personagem pelas suas inseguranças, medo de ter sua visão tirada sem mais nem menos, e como ele se torna assustando e dependente da esposa (Yoshino Kimura), que o leva no oftalmologista assim que chega em casa.

Já no consultório, passamos a acompanhar mais personagens, que estão lá por motivos diversos: o velho da catarata (Danny Glover), o menino estrábico, a rapariga dos óculos escuros (a maravilhosa Alice Braga) com conjuntivite, além do próprio médico (o queridinho Mark Ruffalo). Este, ao chegar em casa, comenta com a esposa (Julianne Moore) o estranho caso que teve hoje com o paciente da cegueira branca, que perdeu a visão de uma hora pra outra. Ao acordar no dia seguinte, entra em choque, pois cegou também. E assim vai se alastrando a cegueira branca, que diferente da normal, parece se propagar por contágio nas pessoas.

A cegueira branca então se alastra como gripe pela cidade, e o governo rapidamente toda uma decisão: mandar todos os novos cegos para quarentena, que se dá num hospício abandonado. Cercados e contidos por militares, eles recebem refeições em determinada hora do dia, mas tudo o que acontece dentro do hospício (como limpeza e organização de espaço) fica por conta dos cegos.

Vamos aqui destacar a personagem, que pra mim é a principal, dada como mulher do médico. Sim, ela não tem nome, assim como todos os outros personagens do Saramago, ele não costuma nomear as coisas (a própria cidade em que acontece essa catástrofe é só “cidade”, então você fica livre pra imaginar qualquer lugar do mundo). Ela, após saber que todos os cegos estavam sendo mandados para a quarentena, fingiu que ficou cega para ir junto do marido. Então ao chegar no hospício, ela começa a ser a grande organizadora do espaço, uma vez que é a única que ainda vê, começa a amarrar cordas entre as câmaras, ensina os caminhos até o banheiro e muito mais.

Talvez a personagem mais complexa do livro, a gente vai acompanhando seu desenvolvimento, aonde ela deixa de viver para si e passa a viver cuidado de todos os cegos, a cada dia mais numerosos, jogados ali à própria sorte.

O filme Blindness foi lançado em 2008, e produzido pelo Japão, Brasil e Canadá. Isto talvez explique o elenco bem diversificado, que conta com brasileiro, mexicano, japoneses e norte-americanos. E ganhou uma caralhada de prêmios do cinema brasileiro, como maquiagem, fotografia, direção de artes e efeitos especiais. Tudo muito bem merecido, já que o filme tem esse tom claro de luz branca que nos ‘cega’ por uns momentos, grande sacada.

Bem fiel à obra, tem um ritmo lento que lembra o livro, mas mesmo aos poucos muita coisa acontece. Os atores conseguem passar bem toda a confusão, medo, insegurança e desespero que tais situações trazem.

A única cena que me deixou querendo mais foi a do supermercado, aonde a mulher do médico entra em desespero ao se ver sozinha num escuro armazém, aonde sua visão, que até agora era sua única vantagem, a deixa na mão e ela precisa se virar sem isto. Todo o desespero dessa cena te deixa angustiado.

E os vários debates que Saramago trás por entrelinhas, que muito me lembra uma música do Capital Inicial: “O que você faz quando/ Ninguém te vê fazendo/ O que você queria fazer/ Se ninguém pudesse te ver?”

Num mundo aonde todos são cegos, como se organizar? Qual vantagem você teria sobre o outro? E como controlar aquilo que é seu, se você não o vê? Definitivamente um livro que te deixa pensando dias e dias.

A minha dificuldade maior foi sem dúvida o jeito que Saramago escreve, desenfreado, sem travessões ou parágrafos, que deixa a leitura um pouco cansativa. É difícil achar pontos para parar e retomar depois, o que exige uma leitura contínua que não é fácil por ser densa. Muitas vezes me vi perdida sem saber o que tinha acabado de ler e fui obrigada a voltar. Mas mesmo assim, a proposta do livro é excelente, e mal posso esperar para ler outras obras do autor.

site: https://elefantenaestante.wixsite.com/blog/inicio/livro-x-filme-ensaio-sobre-a-cegueira-jos%C3%A9-saramago
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Mila.Mesquita 26/04/2018

Real...
Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não veem.?


Através de uma cegueira física, Saramago ilustra a cegueira da nossa própria alma.
A História retrata o egoísmo do ser humano e sua capacidade de machucar outras pessoas, vemos o ser humano "pedindo" favores em troca de "atos de generosidade". Nos faz perceber como um mundo sem esperança, sem respeito ao próximo, sem uma reflexão em nossas atitudes, nossos gestos,isso sim, nos faz cegos.
É algo delicado para se encontrar em um livro, mas mostra a verdadeira essência humana.
Estou nunca ressaca incrível.

Um dos melhores livros que li na vida. Sensacional!
Andresa 26/04/2018minha estante
Show! Quero muito ler!


Charlene 26/04/2018minha estante
Uma amiga levou muiiito tempo pra se recuperar dessa leitura!


Mila.Mesquita 02/05/2018minha estante
Lee é incrível a forma descrita por saramago e estou encantada quero ler tudo desse autor agora. Kkkk
Ps: mesmo sendo pesado alguns pontos, foi um tapa na cara a realidade vivida hje de certa forma( e uma obra q é da época q nasci, rs).
Leia acredito q irá gostar.


Char ia pegar para ler algum clássico, mais só consigo ler livros de romance e q sejam mega fluidos de como a história me pegou.




Livro a Bordo 23/04/2018

Ensaio sobre a cegueira de José Saramago
O livro resenhado de hoje é do Nobel de Literatura (1998) José Saramago, escritor português, que possui em sua extensa obra, romances, crônicas, peças teatrais, contos e poesias. Saramago é autor de romances como O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Caim e Ensaio sobre a Lucidez. Outro livro bastante aclamado pela crítica e por leitores de todo o mundo é Ensaio sobre a Cegueira que foi publicado em 1995 e narra a história de habitantes de uma cidade que é acometida por uma epidemia de cegueira branca subitamente.

Essas pessoas são trancafiadas em um local, em quarentena, e é lá que a história assume os contornos mais selvagens do ser humano, levando os personagens a mostrarem seu lado mais sombrio. Assim podemos vivenciar entre eles, a ganância, a violência, e a cegueira do ser humano frente aos outros.

A marca registrada de Saramago é a sua escrita. Sem parágrafos e sem muitas pontuações a não ser vírgulas e pontos, é assim que o autor constrói uma narrativa fluida e envolvente.

Sobre o livro, o autor certa vez escreveu: "Este é um livro francamente terrível com o qual eu quero que o leitor sofra tanto como eu sofri ao escrevê-lo. Nele se descreve uma longa tortura. É um livro brutal e violento e é simultaneamente uma das experiências mais dolorosas da minha vida. São 300 páginas de constante aflição. Através da escrita, tentei dizer que não somos bons e que é preciso que tenhamos coragem para reconhecer isso”

A obra de Saramago nos leva a reflexão sobre a perca da humanidade em um mundo onde prevalece às injustiças e a luta pelo poder. O livro ganhou uma adaptação para o cinema em 2008 que foi dirigida por Fernando Meirelles.

A edição é da @companhiadasletras e possui 300 páginas de uma história angustiante, reflexiva e contundente.
É impossível ser a mesma pessoa depois de ler esse livro. Confesso que a história ainda ecoa em minha mente e já está na minha lista de releituras.

E que tal começar a leitura da obra desse grande autor por esse livro arrebatador?
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Bruna Baggio 03/04/2018

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.
“O médico suspirou, a convivência ia ser difícil. Encaminhava-se já para a camarata quando sentiu uma forte necessidade de evacuar. No sítio onde se encontrava, não tinha a certeza de ser capaz de chegar às latrinas, mas decidiu aventurar-se. Esperava que alguém, ao menos, tivesse tido a lembrança de levar para lá o papel higiénico que viera com as caixas da comida. Enganou-se no caminho duas vezes, angustiado porque a necessidade apertava cada vez mais, e já estava nas últimas instancias da urgência quando pôde enfim baixar as calças e agachar-se na retrete turca. O fedor asfixiava. Tinha a impressão de haver pisado uma pasta mole, os excrementos de alguém que não acertara com o buraco da retrete ou que resolvera aliviar-se sem querer saber mais de respeitos. Tentou imaginar como seria o lugar onde se encontrava, para ele era tudo branco, luminoso, resplandecente, que o eram as paredes e o chão que não podia ver, e absurdamente achou-se a concluir que a luz e a brancura, ali, cheiravam mal Vamos endoidecer de horror, pensou. Depois quis limpar-se, mas não havia papel. Apalpou a parede atrás de si, onde deveriam estar os suportes dos rolos ou os pregos em que, à falta de melhor, se teriam espetado uns bocados de papel qualquer. Nada. Sentiu-se infeliz, desgraçado a mais não poder, ali com as pernas arqueadas, amparando as calças que roçavam no chão nojento, cego, cego, cego, e, sem poder dominar-se, começou a chorar...”p.97
ANIMAIS. Nossa higiene, nossos costumes, nossa personalidade, QUEM SOMOS, isso não é nada quando estamos frente à fome, a necessidade de sobrevivência, ou a falta de coisas essenciais como a visão, que passam tão despercebidas em nossas vidinhas privilegiadas e limpas. SOMOS SIMPLES ANIMAIS. A certeza de sabemos o que somos, o que somos capazes ou não de fazer aos outros e com nós mesmos se dissolve se nos colocarmos por um minuto na distopia de Saramago. A “mulher do médico” foi capaz de matar uma pessoa. A “Rapariga” foi capaz de assumir os cuidados de uma criança. O ladrão de carros foi capaz de perdoar.
Mas também, somos capazes de cuidar uns dos outros em meio os destroços. Nós mulheres, mais ainda. A sororidade retratada no livro é impecável. "Surdas, cegas, caladas, aos tombos, apenas com vontade suficiente para não largarem a mão da que seguia à frente, a mão, não o ombro, como quando tinham vindo, certamente nenhuma saberia responder se lhe perguntassem, ror que vão vocês de mãos dadas, tinha calhado assim, há gestos para que nem sempre se pode encontrar uma explicação fácil, algumas vezes nem a difícil pôde ser encontrada." p.178.
Por fim, ficou mais que esclarecido que os cegos já eram cegos antes de cegarem. Todos nós também somos cegos, pois a cegueira de Saramago é o medo. Mas, quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira?
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Edu 03/04/2018

No limiar entre a tristeza e a esperança
A forma como a história é narrada é muito particular. Aproveitando linhas de ponta a ponta, sem uma só brecha, o livro não só ? bem aproveitado esteticamente mas bem aproveitado em termos de desenvolvimento. É uma leitura de inserção, por algumas 300 páginas você também experimenta a cegueira e experimenta aquela sensação nervosa de, "meu, nada de bom pode sair daqui" enquanto sente os personagens se afogarem cada vez mais num mar de lama. É um livro pra ler com calma, no silêncio e na paz por que só assim, sua mensagem tão evidente e ao mesmo tempo tão metafórica surge através da cegueira. Somos todos cegos, afinal.
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Kleiton 01/04/2018

Maravilhosa Surpresa
SARAMAGO. Texto corrido. Literalmente. Narrativa fluida e dinâmica. É preciso se acostumar à escrita do autor. Mas após um breve período de adaptação o gosto pela tipo de leitura torna-se único.
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João 31/03/2018

Devastador
É sempre bom ir ler livros de autores muito famosos e cultuados com um ''pé atrás'', comecei a ler este livro justamente por há muito tempo ouvir falar do autor. Apesar de todo o hype, fui com poucas expectativas, não sei se foi o certo, mas que foi surpreendente foi. Saramago justificou toda sua fama para mim com esse livro. Realmente, uma história a primeira vista mirabolante, mas que a cada palavra realista mostrou a fragilidade do comportamento humano e mesmo sua fragilidade física e que aquilo não é algo impossível de acontecer. A cada passagem a degradação moral e das condições mínimas de vivência provavam de diversas formas e de inúmeras analogias ao cotidiano como estamos alheios aos outros, talvez uma forma de cegueira. A forma como o governo tratava os cegos não difere em nada em como nossa sociedade trata seus apenados ou as pessoas que vivem à margem da sociedade. Ao jogar os cegos em um mesmo local para viverem a própria sorte sem comida ou mínimas condições de salubridade nos mostra a monstruosidade pela qual muitas pessoas vivem mundo a fora. Esse tratamento indiferente é como diariamente em nossas dificuldades por muitas vezes ou somos ignorados ou isolados e tratados como algo que possa ser descartado. No apanhado de tudo fica a reflexão da qual devemos abrir bem os nossos olhos e enxergar toda as situações e procurar entender a todos de forma que não passemos despercebidos como os cegos passavam a tudo o que acontecia ao seu redor.
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Dani | @aliteratar 28/03/2018

Entrou para meus favoritos!
Como começar uma resenha sobre um livro que até agora não encontro palavras para o descrever? Como classificar essa obra e suas intenções, sem passar por todos os tipos de sensações? Com toda certeza, “Ensaio Sobre a Cegueira” foi o melhor livro que li do Saramago até agora (desculpe Claraboia, você caiu para segunda colocação), e sem hesitar, um dos melhores que já li na vida! Sim, ele entrou para meus favoritos!

A princípio, o livro aborda o primeiro caso da cegueira de um homem que se encontrava no trânsito e sem mais explicações, ficou cego instantaneamente. Com toda confusão e pavor, o Primeiro Cego é descolado para o consultório de um oftamologista e relata detalhadamente o que lhe ocorreu. Consequentemente, o próprio Doutor esclarece que seus olhos e afins, estão em perfeito estado! Não obstante, o Primeiro Cego continua a afirmar: “Vejo uma cegueira branca doutor. Como se a luz nunca acabasse“. Embora, não encontre nada grave e sem motivos, o Doutor começa a investigar as possíveis causas dessa cegueira instantânea em sua casa após o expediente, e como se não bastasse, no mesmo momento a cegueira se alastra ao próprio Doutor.

Dessa maneira, começamos a profunda e cruel realidade do livro. Minutos após minutos, a cegueira começa a se espalhar como fumaça, sendo considerada uma “cegueira coletiva” sem causas e razões. Todas as pessoas que tiveram contato com o Primeiro Cego e assim sucessivamente, começam a cegar e o pânico vira generalizado. Na medida que a população começa a entrar em colapso, os primeiros cegos foram enviados à um isolamento, sendo escolhido um manicômio abandonado destinado a quarentena daqueles afetados. Com um fio de esperança e correndo contra o tempo, o Governo começa a investigar as possíveis intervenções e qual seria a epedemia para tal acontecimento. No entanto, apenas uma única pessoa não foi diagnosticada com a cegueira: a Mulher do Doutor. E sem demonstrar que ainda vê perfeitamente, a mesma finge estar cega junto com o marido e ambos são enviados para a quarentena sem destino. E lá que o Inferno começa…

Um ponto brilhante que achei no livro foi o modo como Saramago descreve os personagens: eles não possuem nomes. Exatamente! São apenas apresentados como “Primeiro Cego“, “Doutor“, “Mulher do Doutor“, “Homem da Venda Preta“, “Mulher dos Óculos Escuros” etc… De fato, esse mero detalhe engrandesse imensamente o livro, pois ao decorrer da leitura percebemos que um cego é igual ao outro, sem mais. Ter um nome naquele momento não faria nenhuma diferença. Eles não era “alguém” e sim “mais um cego” entre milhões. Na decorrência disso, a leitura começa a ser fluída ao mesmo tempo que sentimos o limite do ser humano, uma dicelaração de dentro para fora, capítulos angustiantes com um toque magnifíco. Sentimos como se nós mesmo estivéssemos cegos comos os personagens, isso foi de tal modo surreal.

Em vista disso, Saramago consegue com clareza manifestar sua opinião e crítica sobre uma sociedade egoísta e hipócrita, dando-nos a visão da miséria humana e sua crueldade. A necessidade das pessoas em encontrar novamente a sua humanização, os seus princípios e ordem. Apesar de ser somente uma “cegueira”, o país inteiro encontra-se ao fim, sem esperança, sem controle e higiene. Pessoas tornando-se animais irracioinais, animais tornando-se seres sobreviventes. Um Governo que apenas pensanva em si mesmo, mas que ao longo da calamidade, se vê em ruínas e igualmente desgraçado como seu povo. A falta de alimentação e locais apropriados para pernoitar são uma das lutas diárias desses sobreviventes ao caos. Sobretudo, o livro não mostra a busca da cura da cegueira, e sim, a busca da nossa própria dignidade como humanos e a volta de autoconhecimento consigo próprio.

Entretanto, mesmo ao meio de todo Inferno e dor, a única pessoa responsável e capaz de orientá-los ao meio do pandemônio é a Mulher do Doutor – àquela que com sua generosidade e bondade, sua determinação em ajudar o próximo e força de conseguir uma saída – é representada divinamente, tornando-se uma personagem essencial e inspiradora!

Agora, como será que a população irá sair desse fim? Como a única pessoa a enxergar conseguirá cuidar de todas aquelas pessoas ao seu redor? Será que no fnal, haverá uma cura ou a humanidade padecerá sobre este mal?

Outro ponto incrível é o livro não ter uma base temporal! A história pode ser no passado, presente ou futuro. Não há nome, não se sabe onde e como. É um livro que transcede qualquer espaço de tempo e local. Ele poderia ser um relato do passado, como uma previsão do futuro. Além disso, não podemos esquecer a escrita ímpar do autor, que de todo o modo, está fascinante!
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Sanoli 21/03/2018

http://surteipostei.blogspot.com.br/2018/03/ensaio-sobre-cegueira.html
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Alan 19/03/2018

É preciso cegar-se para poder enxergar a alma do outro
Este livro é simplesmente maravilhoso, é muito pesado e grotesco, definitivamente não é uma leitura para todos.
Pelo menos duas vezes pensei em parar de lê-lo, nos leva a pensar como somos apenas animais em busca de se manter vivos. Obrigado Saramago por ter existido e ter me proporcionado tal leitura, ganhou mais um fã
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Grace 16/03/2018

Fiquei pensando o que falar desse livro, sem entregar a história, porque apesar de achar que todo mundo já sabe o enredo ou ter assistido ao filme baseado no livro nada nos prepara para essa viagem ao inferno, esse sentimento de claustrofobia que se instala conforme avançamos na história, como sempre Saramago é maravilhoso. A história começa quando um homem de carro, grita "estou cego", de repente, outras pessoas começam a cegar e esse mal passa a ser chamado de a "treva branca", a partir disso pessoas são colocadas em quarentena, e o que acontece quando é tirado de nós um dos sentidos e mesmo assim temos que comer, fazer nossas necessidades, sobreviver, nos transformamos em animais? E se só você pode enxergar no meios dos cegos? Com todos cegos, teria uma organização? Teria uma classe dominante? O que seria da humanidade? São muitas questões levantadas por Saramago nesse livro, não dá para falar todas, mas dá para pensarmos nessa história por um bom tempo.
"Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, Cegos que vêem, Cegos que, vendo, não vêem."
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Evandrojr. 14/03/2018

Se nós fossemos todos cegos? Mas nós ja estamos todos cegos. Cegos da razão!
“Se nós fossemos todos cegos? Mas nós já estamos todos cegos. Cegos da razão, porque não a usamos para defender a vida, usamos a razão para destruí-la. Por isso escrevi esse livro”. Através das palavras do próprio Saramago tem-se a dimensão desta grandiosa obra de ficção aclamada no mundo inteiro, fazendo jus ao único escritor de língua portuguesa a ganhar o prêmio Nobel de literatura até hoje. Ensaio sobre a cegueira é de uma crueza admirável, angustiante, aflitivo, desesperador. Incrível como Saramago vai direto ao ponto, te leva para dentro do drama, te faz estar ali convivendo com a degradação humana diante de uma cegueira repentina que acomete toda uma população gerando o caos e o primitivismo cada vez mais crescentes a cada página, te fazendo refletir a todo o momento o que nós realmente somos, interna e externamente. A identificação com a dor e o sofrimento de cada personagem é tão intensa que o mais ilógico acontece na narrativa de Saramago: simplismente os infelizes protagonistas não tem nome nem sobrenome, sequer apelido. São retratados apenas como “a mulher do médico”, “o primeiro cego”, “o garoto estrábico” e assim por diante, do começo ao fim da obra, e incrivelmente você não consegue jamais esquecê-los. Das melhores leituras em toda a minha vida!
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