O Vermelho e o Negro

O Vermelho e o Negro Stendhal




Resenhas - O Vermelho e o Negro


117 encontrados | exibindo 76 a 91
1 | 2 | 3 | 4 | 6 | 7 | 8


diogofaria 29/07/2016

Diálogo interior
Esse livro me trouxe de volta ao mundo da literatura. Há muito tempo não vinha lendo livros fora do meu estudo e trabalho.

Foi reconfortante e envolvente.

O diálogo interior apresentado pelo narrador nos faz entrar realmente na história...
comentários(0)comente



Fátima 06/06/2012

J. Sorel, filho de carpinteiro, ambicioso, rejeitado desde o berço pelo pai e ignorado pelos irmãos, é enviado à casa do prefeito de Verriéres e contratado como preceptor de seus filhos. Desde então, vive a batalha de enriquecer e conquistar status em meio a burguesia, apaixonando-se pela esposa do prefeito, Sra de Rênal e em seguida, pela filha de seu protetor, Mathilde de La Mole.
comentários(0)comente



Victor Vale 25/08/2016

Excelente livro que mergulha na mente do personagem Julien Sorel, um ambicioso homem a frente de seu tempo que demonstra claro entusiasmo a Revolução Francesa.
Livro de transição entre o romantismo, como demonstrado na primeira parte e no final da segunda parte do livro, e realismo. em toda obra onde a ambição e o uso das faculdades psíquicas são sobrepostas ao romantismo.
Uma obra indiscutivelmente necessária.
comentários(0)comente



J.Jardini 11/01/2016

Identidade em Crise: uma resenha crítica de O Vermelho e o Negro



Em O Vermelho e o Negro, a princípio, Stendhal nos remete ao habitual ambiente bucólico consagrado pelo movimento romântico do século XIX. Julien Sorel, seu personagem, se mostra, à priori, como um um ente frágil e disperso; um verdadeiro sujeito fragmentado em seu ainda não totalmente desenvolvido processo de individuação; aquele através do qual concretiza-se identidade própria através do devir, da superação das contradições enfrentadas bem como das experiências vividas, no incorrer da maturidade.

A perspicácia de Stendhal sugere-nos, em nítido e expresso conteúdo filosófico permeado em sua obra, não o retrato móvel - e quiçá espalhafatoso - de uma crise identitária mas sim, mais precisamente, faz-nos apreender em seus diversos momentos, as idas e vindas não só de uma consciência moralmente instável mas, de uma verdadeira identidade em crise.

Tal fato teria seu subsídio no truculento ambiente familiar de Julien Sorel. Este, vítima de abusos físicos e psicológicos por parte de seu pai e irmãos, lhe é imposta à livre definição de sua individualidade, uma conflituosa flutuação entre a reprovação de seu comportamento e a violência à ele dirigida por sua aparente “natureza frágil”; destacadamente, frente à primazia de sua inteligência, uma franca dissonância para com os árduos trabalhos braçais da madeireira de seu pai, o velho Sorel.
Esta identidade em crise, absolutamente inseparável da trama principal, coloca à este jovem rapaz, intencionalmente deslocante, sempre imerso em uma noção de movimento, momentos que caracterizam rupturas; deixar sua família, o distanciamento para com o ideal de Napoleão, incursões e dispersões apaixonadas em relação à mulheres, constantes viagens e um incerto câmbio dos meios pelos quais atingirá seus sonhos e Desejos. Este quadro de rupturas fornecerá, esta matéria prima a qual, ao desenrolar de seus momentos culminantes, em desfechos que acompanham ao passo que desafiam o gênero romântico, agem quase como degraus que o elevam a garantir-se personalidade e se tornar um Ser que na medida em que progride torna-se cada vez mais complexo e autêntico.
Este atualizar constante da personalidade e das vontades de Sorel torna toda a história proposta numa inebriante mistura de drama e tragédia; uma progressão rumo à edificação de uma autêntica e marcante personalidade, verdadeira oscilação que entre o Vermelho e o Negro, sobressai-se um Sorel cada vez mais certo de si.

Stendhal não economiza adentrar aos rincões mais obscuros da consciência humana; ganância, joguetes de poder, orgulho, vaidade, prepotência, hipocrisia. Todo entre aprofundamento psicológico meio às podridões moralmente reprováveis da alma humana é marca de um estilo crítico, livre e necessário para com a naturalidade de sua proposta, através de uma sutil, quase gramatical ironia, estes conflitos constituem nada mais do que a própria realidade destituída de grandes alardes. O ser humano emerge aqui, destacadamente em Julien Sorel, como essencial e moralmente relativista, composto de uma intrincada síntese de diversos predicados os quais conferem à obra como um todo, uma verdadeira representação universal.

Neste sentido, a artificialidade própria dos salões franceses ou mesmo o evidente jogo de interesses subordinados da aristocracia provinciana em seus âmbitos propriamente ditos são determinantes; são como verdadeiras exteriorizações desta complexa e contraditória amálgama que o consciente romântico de Stendhal propõe à nossa observação.

Stendhal, como dito, parte de um cenário comum pertencente à uma literatura já há muito explorada e difundida. No entanto, ilustra sua destreza ao integrar, à plenitude de um descritivismo equilibrado, um cativante novíssimo frescor ao roteiro do que seria uma narrativa já esperada. Stendhal adiciona à fórmula romântica um crescendo exponencial de profundidade, bom senso, complexidade e de um imersivo sentimento em constante catarse, o qual perpassa-nos a saga do jovem Sorel.
Este, longe de se enquadrar em moldes de herói romântico, quebra totalmente com as preconizações de estilo e gênero ao ser posto como um ente falho, vítima de uma consciência que oscila entre uma despretensa leveza e o martírio sobre a retenção de suas angústias frentes à impulsividade e o imperativo absolutamente incontingente de seus interesses ideais e carnais.

Sorel longe de quitar-se completamente à uma ‘’futilidade do mundo” e imergir em uma angústia existencial própria, incorpora em si mesmo as mais superficiais vaidades e, assim, denota-se marcante em sua personalidade, a despeito de suas incumbências religiosas, uma cumplicidade para com as paixões mais terrenas, as quais afirmam em si, um caráter egocêntrico, passional e claro, profundamente hedonista. Seu percurso, ao transcorrer da obra, longe de ser maçante e retilíneo é inundado por atentas percepções e articuladas estratégias. Em interessantíssimas digressões de pensamento tomadas das atentas observações de Sorel ou mesmo na figura de um suposto filósofo, estabelecem-se francas interlocuções as quais é confuso afirmar se é Sorel ou o próprio Stendhal que que nos conecta à uma ponte direta entre o desenvolvimento da trama e a necessária detenção de seus momentos específicos, para com o leitor, em uma reflexão quase como conjunta.
Define-se, então, uma marca de estilo autêntica que pela simplicidade empregada em todo seu vocabulário, em sua divisão piedosa de capítulos, e ausência de escrúpulos quanto ao ordinário, qualifica esta obra como uma leitura densa e profunda ao passo que fluida e apreensiva.

Toda a proposta literária elaborada por Stendhal estabelece-se em alicerces que constituem um aprofundamento gradualmente intenso da trama psicológica que se prescreve. Um aglomerado denso, cativante e emocionalmente carregado se traduz não só durante toda a trama mas, destacadamente, ao seu final, num sentimento de profundo êxtase, identificação e eterna separação para com Julien Sorel. Neste ponto, este crítico em específico, acredita em uma interessante aproximação não só da exploração do âmbito moral e imoral em questões práticas bem como toda a edificação constitutiva de Julien Sorel como uma curiosa ressonância entre este mesmo e Willhelm Meister, do romance de formação Os Anos de Aprendizagem de Willhelhm Meister, de Goethe.

Destacando assim, em suas devidas proporções, a profundidade desta obra prima de Stendhal, não obstante, ter-se qualificado como uma das Imortais da Literatura Universal justamente, frente á universalidade e destreza com as quais Stendhal pinta, com científicas dissecações e matizes estudadas, a natureza do ser humano.


site: http://reflexoepoesias.blogspot.com.br/
comentários(0)comente



spoiler visualizar
comentários(0)comente



Raquel Lima 26/12/2009

Deveria ter colocado em vou ler...
Não tenho nada contra...Comecei a ler há muitos anos, ainda muito criança ( e olha que faz tempo isso...rsrsr) e por falta de maturidade literária, eu acredito, não entendia nada...Parei. Hoje não tenho mais o livro, mas vou colocar na lista dos que devo reler...
comentários(0)comente



Quero Morar Numa Livraria 26/11/2018

O vermelho e o negro
É bem mais fácil encontrar livros com narrativa deliciosa e final decepcionante do que o contrário. Atravessar as 500 páginas de O vermelho e o negro é uma tarefa árdua. O enredo é monótono e os personagens não são cativantes, no entanto, possui um dos mais belos e trágicos desfechos que a literatura já viu.

Julien Sorel é um jovem francês de origem humilde mas extremamente ambicioso e grande admirador de Napoleão Bonaparte. Um erro na Paris de 1830. A França vivia a restauração da monarquia, um período de instabilidade política e ideológica.

Com o pé entre o sagrado e o profano, o primeiro erro de nosso anti-herói foi se envolver com Louise Rênal (quase um anagrama de Julien Sorrel), uma mulher mais velha e casada, antecipando assim o realismo de Flaubert. Na maioria das vezes Julien é calculista, arrogante e tem um certo complexo de inferioridade.

Depois de uma estadia no seminário, Julien é agraciado com um emprego que lhe permite realizar um de seus mais ambiciosos planos: morar em Paris. Na mansão do marquês de La Mole, se envolve com Mathilde, uma moça altiva e obcecada pela história de Boniface e Marguerite, a soberana eternizada por Alexandre Dumas em A Rainha Margot.

Julien está prestes a alcançar a tão sonhada ascensão social: um sobrenome nobre e uma pequena riqueza que lhe permitam viver com honra e prestígio. Mas o arrivista não contava com uma baixa reviravolta. Nesse momento é que todos os leitores se chocam com a cena seguinte. O que posso dizer para não estragar a surpresa é que a história de 30 de abril de 1574 está fadada a se repetir.
comentários(0)comente



Brisa 26/02/2012

Nunca estamos satisfeitos
Stendhal é realmente formidável ao descrever psicologicamente personagens e situações, quando nos reconhecemos de diversas maneiras.

Mas o que mais me cativou em sua obra foi a frágil condição dos sentimentos humanos... Julien amava e deixava de amar como dormia e acordava: bastava se sentir por baixo, subalterno à Mathilde, e logo se deixava seduzir como só um louco pode. Quando sentia a segurança do amor dessa mulher, rapidamente se sentia superior e logo esquecia as causas que o tinham levado a adorá-la. O mesmo se passou com a senhora de Rênal: é como se o amor feliz tivesse a sina de não ser duradouro, já que o prazer da conquista e do sofrimento é o que davam energia a ele.

No final, acho que ele amou mesmo a sra. de Rênal, apesar de ter precisado sentir remorso para resgatar o terno sentimento.

Consigo enxergar isso nas nossas vidas: somos tomados por uma vontade de ter algo e, logo que conseguimos, a felicidade é efêmera; ou, logo que conseguimos, não nos lembramos porque desejamos tanto aquilo.

Outra ponto que me encantou foi perceber que é da condição humana ter uma autoconfiança tão instável. Precisamos a todo tempo de provas dos outros pra nos sentirmos fortes e capazes. Com a energia de Julien fica mais fácil vencer essas fraquezas. E, nesse aspecto, o caráter militar do personagem o ajuda a ser tão resoluto e fiel aos seus objetivos.

comentários(0)comente



Edna 10/02/2017

Individualista e sensível
O Vermelho e o Negro, uma literatura clássica de Stendhal escrita em 1830
relata a vida de Julien Sorel, um gato pobre que sonha em ser rico. Como nesses tempos ele só via um caminho para tornar o sonho realidade, tornar- se padre. Se espelha em Bonaparte, sofre com a hipocrisia da classe que tem como base para a realização do seu sonho.
Praticamente 500 páginas vão detalhar sofregadamente os episódios que hora sentirá raiva de Julien e outras o amará e lutará com ele, um personagem delicioso que se envolve em varias contradições mas nao perde o foco.
Julien sofrerá com a monarquia que retoma o poderei tenta se estabelecer no trono, uma sociedade na época da restauração francesa, época em que as aparências contam muito, cheio de falsidade. Julien é íntegro, orgulhoso, o que causa extremo sofrimento por discordar desse mundo sem espírito, onde as mulheres fazem casamentos por interesse. Embora seja um clássico mas é bastante conflitivo e meche com o lado psicológico, além de fazer citações cômicas ao longo da leitura, sofri com ele quando era isolado dos demais alunos no seminário por ser reconhecido pelo professor.
Julien vai conhecer outros amores mas guardará em seu coração o grande amor que sentiu pela Sra. de Renau, esposa do Prefeito em Verriéres onde a historia começou.

Um livro rico em psicologia e filosofia.
Confesso que tinha abandonado a leitura lá pela página 180 e ao ler "Quando Nietzsche chorou" senti Saudades de Julien e interessei em trilhar a sua trajetória.
Só posso dizer que valeu o retorno à Obra e conheci a Narrativa de um autor que foi excluído, que foi acusado de Plágio e que não desistia.
Terminar com duas citações do Autor.
"Já vivi o suficiente para ver que a diferença provoca o ódio."
"Posso fazer uma obra que não agrade ninguém é que será reconhecida como bela no ano 2000." Um Autor que nasceu à frente do seu tempo.
comentários(0)comente



Adriana Scarpin 06/01/2014

Julien Sorel é fascinante e as oscilações que lhe ocorrem conforme irá ganhando experiência são descritas de forma brilhante por Stendhal, tudo entremeado pela paixão de Sorel por Napoleão, é na vida de Bonaparte que ele vai buscar inspiração para suas conquistas amorosas, eclesiásticas e militares. Nada disso dá muito certo, mas que Stendhal percorre um belo caminho de intrigas e psicologia profunda, isso é verdade.
comentários(0)comente



Cris 12/01/2015

Não está entre os grandes clássicos da literatura à toa! O Vermelho e o Negro critica a sociedade francesa do início do séc XIX, dividida entre a nobreza, o clero e a burguesia.
comentários(0)comente



Matheus.Darone 12/01/2017

O livro, que trás Julian Sorel como protagonista, é escrito de forma linear, as emoções são pontuais, mas nem por um segundo deixa de ser um livro interessante. Os temas abordados, mesmo tendo passado na época pós-napoleônica, trás uma contemporaneidade, que nos faz refletir sobre o desgaste social causado por alguns desses tópicos. A narrativa pode ser um pouco cansativa, por possuir muitas reflexões sobre os fatos e menos ações de fato, mas ela prende o leitor de uma maneira surpreendente.

Uma frustração que tive foi em função de resenhas querendo explicar o título do livro, por apenas uma das visões. Não se apeguem nessas versões, pois a própria história irá mostrar várias interpretações.
comentários(0)comente



Fabio Martins 14/10/2016

O vermelho e o negro
Certa vez, Ernest Hemingway (autor de Por quem os sinos dobram), recebeu um jovem escritor em busca de orientação. O conselho do futuro Prêmio Nobel de Literatura foi para o garoto ler os livros clássicos, pois eles já haviam passado pelo teste do tempo. Ao ser questionado, então, quais clássicos ele recomendava, Hemingway fez uma lista com 17 obras fundamentais, entre elas Anna Karenina, de Tolstói, Os irmãos Karamázov, de Dostoiévski, e o livro que é tema desta resenha: O vermelho e o negro, de Stendhal.

Stendhal é o pseudônimo do francês Henri-Marie Beyle, nascido em 1783, que acompanhou de perto momentos importantes da história do país, como a Revolução Francesa, e fez parte do exército de Napoleão Bonaparte em campanhas na Áustria, Alemanha e Rússia.

Só depois disso tornou-se escritor. O vermelho e o negro foi publicado em 1830, em meio à revolta que derrubou o Rei Carlos X. O livro, baseado em acontecimentos reais, conta a história de Julien Sorel, filho de um carpinteiro da pequena (e fictícia) cidade de Verrières que quer de qualquer forma mudar o seu futuro infeliz. Seu sonho era ascender socialmente como fez Napoleão, à base da espada, mas como os tempos eram outros, dedicou-se aos estudos de latim e a vida eclesiástica.

A partir deste diferencial, sua trajetória de vida muda completamente. Ele é escolhido para ser o educador dos filhos do prefeito da cidade, o Sr. de Rênal, e lá tem acesso a pessoas de outros níveis sociais. Enquanto sua erudição e polidez impressionam a todos, um romance inconcebível faz com que os planos do jovem sejam alterados e levados para o seminário na cidade de Besançon.

Após este período complicado (que também é a parte mais arrastada do livro), Julien é contratado para prestar serviços ao Marquês de La Mole, em Paris, e é lá que ele percebe com mais intensidade o desprezo por sua origem, as maquinações políticas e novamente um amor louco proibido. Dessa vez é com Mathilde, a filha do Marquês, moça jovem, bela e de caráter duvidoso. Este relacionamento revela-se cada vez mais errático e inviável, em meio a um turbilhão político que precedia a Revolução de Julho de 1830. E as consequências dele mostram-se irreversíveis, fato que dá um fôlego interessante ao final da leitura.

O vermelho e o negro é um livro muito bom. A descrição é limpa, mas ainda assim com um toque de classe pertencente aos grandes da literatura. Uma característica interessante da narrativa é que ela é feita com ênfase nos pensamentos de Julien: os seus sentimentos, análises e planos são expostos com bastante frequência, proporcionando ao leitor a opção de concordar ou discordar de suas. Isso porque ele não é um herói, mas um homem ambicioso, calculista, que ao mesmo tempo em que despreza a alta sociedade, quer fazer parte dela a todo custo.

Apesar de toda essa complexidade, Stendhal soube conduzir muito bem a sua história. Vale a pena seguir a dica de Hemingway e ir atrás de obras desta estirpe.

site: lisobreisso.wordpress.com
comentários(0)comente



Tico 15/08/2017

Ruim
Embora com certo valor histórico, não podemos nos apegar aos clássicos intitulando-os como bons somente por serem clássicos. É um livro que certamente merece seu lugar na história, assim como deve ser lido. Porém, não é um bom livro. O romance não convence, e o protagonista não se faz admirar por ser herói, ou odiar por ser vilão, ao invés se perde em devaneios e ataques de inveja ou sensibilidades extremas.
comentários(0)comente



Natalia 30/07/2018

Resenha publicada no blog O que tem na Nossa Estante
Em O Vermelho e o Negro, Stendhal pinta um retrato arrebatador da França do início do século XIX - suas classes sociais, profissões, política e costumes - em Paris e nas províncias. Os personagens do romance representam praticamente todos os níveis de inteligência e sensibilidade, em um enredo envolvendo paixão, intriga, sátira e reviravoltas de última hora. Mudando de cena e foco com tanta frequência que frequentemente tem sido chamado de ?cinematográfico?. Julien deixa sua casa no interior para se tornar um tutor, se esforça para se elevar profissionalmente e socialmente, se envolve em uma série de escapadas românticas e, finalmente, enfrenta um julgamento no final. Até que Stendhal escolheu a frase enigmática O Vermelho e o Negro como título pouco antes da publicação do livro, ele chamou o romance de Julien. Embora Julien seja indiscutivelmente o personagem central do romance, saber se o veremos como herói é uma questão em aberto. No final do romance, Stendhal nos coloca na mesma posição que o júri do julgamento de Julien, na verdade nos pedindo para avaliar Julien e comparar nosso veredicto com o da corte.

Julien, personagem muito interessante, logo conquista todos com sua polidez e habilidade nas letras. Tendo decorado a Bíblia, não demora para atrair todos os olhares para si, inclusive da Sra. de Rênal, com quem passa a envolver-se em segredo.
Esse relacionamento amoroso é muito sutil, não havendo no livro nenhuma passagem que possa chocar o leitor. O romance proibido é conduzido com maestria pelo autor (lembre-se é um clássico da literatura lido há mais de 185 anos) e prende o leitor na trama. Era uma época em que o simples toque de mãos rendia amores impossíveis, paixões arrebatadoras que faziam as pessoas chorarem de dor pela simples ideia de poderem um dia se afastar.

Lógico que esse romance não poderia acabar bem. O marido traído toma conhecimento, por meio de uma carta anônima (hoje seria um e-mail ou mensagem de WhatsApp) que sua mulher está de sorrisos com outra pessoa, fato que obriga o jovem Julien Sorel a sair da cidade rumo à Paris. Deixa, assim, na pequena Verrières, amigos fiéis como Fouqué e inimigos sedentos pela sua queda.

Chegando em Paris, por gozar de suas boas referências, consegue estudar em um seminário. Não tarda para conhecer o marquês de La Mole, dono de grandes propriedades e pessoa respeitada por toda a sociedade francesa, que o acolhe em sua residência, permitindo-o conviver com membros da alta nobreza. O Sr. de La Mole é pai de uma filha encantadora, não tardando para que esta ceda aos encantos do esbelto Julien Sorel. Resultado: a moça rica fica grávida do camponês (velho e conhecido conflito entre o rico e o pobre). Contudo, em razão do amor infinito que a Srta. de La Mole sente pelo rapaz, abdica de tudo para viver com ele. O sogro de nosso intrépido personagem, lógico, não concorda com a atitude da filha e entrega a Sorel uma grande quantia em dinheiro e terras valiosas, tornando-o, ainda, militar de alta patente.

Resenha completa no blog!
comentários(0)comente



117 encontrados | exibindo 76 a 91
1 | 2 | 3 | 4 | 6 | 7 | 8