A Elegância do Ouriço

A Elegância do Ouriço Muriel Barbery




Resenhas - A Elegância do Ouriço


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Ladyce 15/02/2010

Homenagem a René Magritte?
Acabo de ler A Elegância do Ouriço de Muriel Barbery, escritora francesa, que encanta com um texto divertido e irônico. A história se passa num elegante bairro de Paris e é narrada por duas personagens diferentes: conhecemos Paloma, uma adolescente esperta, que percebe mais do mundo à sua volta do que deixa transparecer, principalmente em relação à sua família, aos seus amigos e à sociedade em geral; e Renée, zeladora do edifício onde Paloma mora, leitora inveterada, bastante mordaz, que tem sempre uma resposta pronta para qualquer ocasião, que também percebe à sua volta muito mais do que os moradores do edifício lhe dão crédito. É através dos olhos delas que somos apresentados a uma gama de moradores do prédio, parisienses com suas maneiras de viver, congeladas por séculos de civilização. Vemos também o quanto têm em comum estas duas personalidades que se revelam através da narrativa.

A história se passa quase inteiramente no edifício à Rua de Grenelle, 7, onde ambas residem. Paloma e Renée passam a vida preocupadas em apagar os traços de suas existências e têm bastante sucesso em se tornarem quase invisíveis aos outros, apesar de terem vidas interiores muito ricas e de quase não perderem nada do que acontece ao seu redor, principalmente quanto às intenções das pessoas que conhecem e seus preconceitos. Elas se protegem contra qualquer indiscrição, contra qualquer comportamento, que possa levá-las a serem descobertas, que possa revelá-las como as pessoas sensíveis que são, inteligentes, cultas e mordazes na caracterização dos habitantes do edifício e da sociedade francesa em geral.

Os capítulos do livro, com as impressões de cada uma, são intercalados e assim sabemos de seus pensamentos mais íntimos. Eles nos orientam na narrativa. Visualmente o livro também é dividido. Cada narradora tem seu texto em tipografia diferente, facilitando o reconhecimento das diferentes vozes narrativas. Paloma e Renée são ambas pessoas que não se encontram nem se enquadram entre a maioria na sociedade. E lá pelas tantas acabam estabelecendo uma amizade entre elas, atravessando barreiras culturais e sociais estabelecidas há séculos e descobrem que têm muito em comum quando percebem e analisam o mundo à sua volta.

Só são descobertas por um novo residente, um oriental, um japonês, que se muda e passa a viver neste abrigo de alto luxo da burguesia parisiense. Sua chegada ao edifício causa muita curiosidade da parte de seus moradores mais tradicionais. Ele, no entanto, assume que é realmente uma pessoa de fora, apesar de usar precisa e corretamente a língua francesa. Como um estranho no ninho, por assim dizer, como uma pessoa de fora, que não precisa nem saber, nem se limitar às regras sociais estabelecidas, ele consegue estender sua amizade às duas mulheres que conhecemos, compreendendo-as e deixando suas personalidades florescerem.

O livro é cheio de observações de muito humor sobre a vida moderna; divertidas descrições do que é esperado no comportamento de cada um e irônicas coincidências que geram preciosas observações sobre literatura, escrita, envelhecimento, psicanálise, e muitos outros aspectos do dia a dia atual. Tudo isto vem bem empacotado numa maravilhosa escolha de vocabulário, contrastes irônicos e num tom jocoso, sem igual. Eu me achei não só sorrindo, mas em algumas ocasiões rindo comigo mesma, para espanto de qualquer pessoa próxima, com as divertidas observações de Paloma e Renée. E se você é uma dessas pessoas, como eu, que gosta de marcar uma passagem particularmente irônica, ou que seleciona uma frase espetacular, que sublinha seu livro a lápis, para poder voltar mais tarde e encontrar um trecho específico, será melhor ter uma apontador próximo e um lápis ao alcance da mão, porque você acabará se resignando a um livro cheio de anotações e de marcas de colchetes e parênteses.

Muitas vezes, durante a leitura deste livro, eu me encontrei pensando nos quadros do pintor belga René Magritte. As observações de Paloma e Renée são tão bem colocadas que se parecem com a superimposição de imagens característica dos trabalhos de maior humor e ironia do pintor. É só nos lembrarmos de um de seus quadros [ele fez muitas versões do mesmo] mais conhecidos: Ceci n’est pás une pipe, [Isto não é um cachimbo] para entendermos como trabalha o humor presente neste livro de Muriel Barbery. Magritte, assim com Renée e Paloma, está sempre brincando com o significado das palavras ou com o significado das imagens, colocando-as juntas e nos obrigando, frequentemente, a pensar visualmente por causa de suas justaposições.

E me pergunto se a autora não teria homenageado o pintor já que uma das personagens principais se chama Renée, a forma feminina do primeiro nome de Magritte. Tão jocoso quanto os nomes que a autora escolheu para as duas irmãs, moradoras do prédio, Paloma e Colombe, que têm como seus primeiros nomes duas palavras com o mesmo significado: pomba, em línguas diferentes. Esta possibilidade ainda se torna mais crível quando nos lembramos de que a autora é professora de filosofia e certamente estaria familiarizada com os trocadilhos visuais que Magritte se empenhou em aprimorar. No final do século XX, os quadros deste pintor ilustraram muito conceitos de filosofia e lingüística. Tenho certeza que na próxima vez que vier a ler este livro ainda serei capaz de encontrar mais “coincidências” interessantes que me escaparam na primeira leitura.

Leio muito. E faz algum tempo que não encontro um livro que me deixasse tão encantada, tão absorvida. Recomendo com muitas estrelas. É definitivamente um livro para quem gosta de livros e de idéias.











08/07/2008
Dani 03/06/2016minha estante
Belíssima resenha, Ladyce! Terminei o livro ontem e me peguei chorando copiosamente. Confesso que o final atendeu às minhas expectativas, mas ao mesmo tempo foi muito surpreendente. Assim é a vida, uma caixinha de surpresas.
Tive que me preparar para a despedida, porque os personagens se tornam amigos e é difícil dizer adeus.
Como vou sentir saudade...




Claire Scorzi 23/08/2009

Do Medo da Felicidade - na vida e nos livros
Confesso que me empolguei no começo da leitura desse romance. Confesso que, passando da página 200, fui encontrando uns clichês chatinhos - os ricos e os pobres (ah, as novelas da Globo não são as únicas), aquela atitude estilo "Sou socialista mas vejo os defeitos da esquerda" (Pepetela também a exibe em "Mayombe"), a revolta atéia de tom um tanto imaturo (porque a autora não a atribui só à menina de 12 anos, mas também à concierge de 54, e os argumentos soam tão adolescentes quanto) - enfim... Mas, hoje cedo, até a página 270 mais ou menos, ainda julgava estar diante de um grande livro contemporâneo, apesar daqueles senões.

Mas depois disso, temos: explicações do passado da concierge em tom melodramático e banal (os ricos e os pobres, again!), e ainda - chega-se à página 306... E aí - não dá! Despencou tudo. A autora não soube finalizar seu livro sem recorrer ao clichê que já é conhecido por leitores que leram muito: "quando as coisas melhorarem para os protagonistas, e tudo ameaçar um final feliz, mate um deles". Eu já li isto: em "Relações Exteriores" de Alison Lurie, em "Contraponto" de Aldous Huxley, em tantos outros que nem lembro agora; até o vi em filmes.

A filosofia por trás disso parece ser: um final feliz é subliteratura com certeza; e um autor que concede em escrevê-los (mesmo quando seria o natural pelo rumo dos acontecimentos da história, como é o caso de A Elegância do Ouriço) corre o risco de ser execrado pela crítica literária séria. Minha conclusão é que Muriel Barbery cria uma personagem que teme a felicidade em sua vida enquanto ela, autora, tem medo da felicidade nos livros, a tal ponto que sacrifica a coerência da narrativa com um desfecho abrupto, infeliz, para não ser confundida com uma escritora de best-sellers (oh! oh!).

Se o leitor não se importar com essa receita-de-como-escrever-um-romance-que-será-levado-a-sério-pela-crítica, pode ler.
Claudia Furtado 06/12/2010minha estante
Nossa! Você exprimiu exatamente o que senti e pensei ao terminar este livro! Só que fui menos generosa que você...


GCV 13/03/2011minha estante
Interessante você ter comentado essa aspecto do happy end. Achei o livro todo uma grande defesa dos 'altos valores' de uma 'alta cultura' - ora francesa, ora japonesa -, e a autora parece não querer ceder ao 'gosto popular' de um best-seller. Um happy end poderia ser uma conciliação entre bárbaros e cultos, e, já que isso é impossível, os cultos devem sucumbir no fim à barbárie.


Claudia 05/04/2012minha estante
Também concordo. A autora não soube como terminar o livro. E eu achei o mesmo com relação ao badaladíssimo "A visita cruel do tempo".


Carol 18/09/2015minha estante
Tive a mesmíssima sensação. Final abrupto, apenas para evitar o "happily ever after". Algumas reflexões interessantes ao longo da história, mas no geral, muito clichê.




Márcia Regina 28/09/2009

“A elegância do ouriço”, de Muriel Barbery

Amei os personagens do livro, os principais e os coadjuvantes, mesmo não os considerando muito viáveis como seres reais. E talvez o objetivo seja exatamente este: um jogo de construir e desconstruir estereótipos servindo como caminho para a filosofia que permeia a história, na medida em que ela questiona o quanto somos capazes de ver além do que esperamos ver. Ou seja, a presença maciça de estereótipos usada como instrumento para que percebamos o quanto nós e os que nos cercam podemos ter mundos maiores do que os que nos permitimos enxergar.

E há também outro aspecto nesse ponto: se eu fizer uso de imagens pré-existentes ou o contrário destas (princesa fantasiada de borralheira, sabedoria japonesa, adolescente rebelde contra a família, irmã dondoca, socialistas burgueses...), o que acontece? A imagem já existe, logo, posso concentrar o leitor na idéia, sobra mais tempo e espaço para que as sensações, a filosofia, a emoção se instalem.

Nessa linha, o objetivo seria falar de outra coisa: não de pessoas, mas de momentos que podemos alcançar como pessoas; não da invisibilidade, mas da importância de enxergar; não da história romântica de um casal (que eu adorei, diga-se de passagem), mas do amor; não de uma morte trágica e estereotipada, mas da morte em si, do significado dela.

Renée me seduziu. Fiquei perguntando enquanto lia: o fato de ter optado por tornar-se invisível para um grupo de outras pessoas significa que se anulou? Que tinha medo da vida? Seria mais “completa” se tivesse mostrado sua "superioridade" para os outros? O olhar exterior, o ser visto é o que a faria "ser"?
Penso que não, esse julgar pelo reflexo do outro é um caminho perigoso, pode levar a confundir "sucesso" social (financeiro e de reconhecimento externo) com opção de vida, formas de ser feliz, bem, mal...

Não consigo ler a Renée como uma pessoa triste. A concierge é um dos seres mais completos que já encontrei. E essa completude veio por ela, não pela imagem daqueles com os quais convivia. Ela teve a melhor amiga que qualquer um de nós poderia sonhar, cozinhava o que queria, assistiu os filmes, ouviu as músicas e leu os livros que quis, teve uma liberdade que o "sucesso", como o vemos, não teria viabilizado.

O que ela seria se tivesse seguido uma vida diferente? A irmã mais velha de Paloma? O professor da irmã mais velha? Teria casado com um cara estilo os demais moradores do prédio? Teria dinheiro para comprar os livros que retirava da biblioteca? Teria em casa os quadros e obras de arte que via em museus? De que forma essa diferença teria atuado na vida dela?

Sabem o que é mais complicado? Eu faço várias leituras, especialmente duas, dependendo do meu momento (que nada tem a ver com o livro). Às vezes, penso que ela se enclausurou e serviu de alerta para a adolescente não fazer o mesmo. Outras, que ela foi completa por ser assim e permitiu à adolescente se aceitar e perceber o ser assim como um caminho viável.

Mas também me incomoda quando me vejo lendo o livro como se a vida fosse algo com início meio e fim. Não é. A vida é um momento. Sublime, concordo, mas um momento. Não tenho controle sobre ele. Posso escolher a forma como quero ir vivendo, mas não até quando.

E por que sempre esperamos que o final dê a cada personagem o que merece? Não estamos querendo ser um pouco "donos da verdade" nisso? Afinal, a vida não está muito para o justo/injusto/certo/errado. Ela acontece. E vamos passando por situações e nos posicionando frente a elas. Às vezes bem, às vezes mal. E um dia morremos. Pronto!

Para finalizar, “A elegância do ouriço” me levou a ler “As Irmãs Makioka”. E só isso já vale o livro.
Teca Dabul 05/10/2009minha estante
Márcia, sua resenha é ótima, sua percepção profunda. Foi um prazer ler algo tão bom a respeito de um livro que troxe reflexão e crescimento. Boas leituras! Teca


Márcio M. 04/10/2011minha estante
Adoro o filme e ainda não li o livro. Excelente a resenha, uma das melhores que li no Skoob. Me emocionou.


Mariana. 22/06/2012minha estante
Adorei a resenha, Márcia, mas gostei ainda mais das reflexões a que o livro te levou. Certamente um livro para (re)pensar muitas coisas.




Paula 25/11/2013

Encantador.
Estou revisitando alguns livros de minha estante sobre os quais, não sei porque motivo, deixei de registrar minhas impressões. Hoje decidi então escrever sobre um livro que me é muito querido: A Elegância do Ouriço, da escritora francesa Muriel Barbery. Lembro que fiquei sabendo desse romance logo que ele foi lançado pela Companhia das Letras, em 2008, quando meu pai me mostrou um comentário na revista Carta Capital falando sobre o livro e me disse que ele tinha tudo a ver comigo pela descrição. Uma personagem que é a zeladora de um prédio muito chic em Paris e que esconde um segredo: uma paixão pela arte e pela literatura. E logo que ele terminou de me dizer isso eu já estava na livraria comprando o livro. E ele tinha toda razão, porque me apaixonei pela história. Depois disso, acho que já comprei duas ou três edições que acabaram virando presente para pessoas queridas, que depois de uma conversa gostosa sobre a história ficaram com muita vontade de ler também. E hoje procurando o livro me dei conta de que não tenho mais a edição em português. Nesses momentos, ter mais de uma edição de um livro favorito, ainda que em outro idioma, não tem preço. (tudo culpa dessa mania de ser precavida, viu, gente? Precaução: motivo maior de se ter mais de uma edição do mesmo livro) =]

Toda a história se passa em um prédio luxuoso de Paris. As pessoas que moram lá são bem esnobes, a alta burguesia que precisa realmente esbanjar tudo o que tem, sendo que na verdade sabe muito pouco ou quase nada sobre o que tem. Entre os moradores do prédio, uma família se destaca: a família Josse. O pai de Paloma é um político muito influente; a mãe é uma super dondoca que durante todo o livro dará demonstrações claras do quanto é vazia; a irmã de Paloma, que segue o mesmo caminho da mãe e com quem Paloma não tem nenhuma afinidade. E por fim, Paloma, uma menina de 11 anos, brilhante e extremamente inteligente, além de muito sensível. Na verdade, ela é a pessoa mais lúcida dessa família onde as relações são muito superficiais. Paloma sofre com isso, por não sentir que pertence a esse meio em que se encontra, e planeja se suicidar no seu próximo aniversário, tamanha é a sua solidão. É lendo o diário de Paloma que vamos compreendendo esse universo e o que se passa pela cabeça dessa personagem que imediatamente nos cativa. Dá vontade de adotar Paloma como filha.

A outra personagem principal é a zeladora Renne, uma mulher discreta, calada, meio sisuda, sobre a qual ninguém sabe nada. E é aqui que talvez esteja a grande crítica da Muriel Barbery: será que a Renne realmente esconde um segredo ou será que ela é invisível pela condição social que ocupa entre os habitantes desse prédio? Os moradores entram e saem sem lhe dirigir o olhar. Muitos deles nem sabem o nome da zeladora, que segue cuidando e mantendo a rotina do prédio em funcionamento e, ao final do dia, encontra no seu quarto um pequeno refúgio, espaço para seu gato e para os muitos livros que devora. Renné é uma leitora voraz, uma mulher extremamente culta, mas que não fica esnobando esse conhecimento todo para os outros. E é isso o que eu mais gosto nessa personagem. Renne tem um conhecimento vasto sobre os clássicos da literatura mundial, que acumula em cada canto disponível do seu quarto; sabe muito sobre teatro, sobre ópera, sobre música clássica. Paloma, essa menina inteligente, mas que anda cultivando pensamentos mórbidos, é a única moradora do prédio que consegue de fato “ver” Renne. E Renne, por sua vez, sendo igualmente sensível diante do universo que habita, consegue ver que Paloma está sofrendo, pois entende como ela se sente. As duas, através do amor à literatura e à arte, desenvolverão uma amizade bonita e redentora. Por conta de Renne, os planos de Paloma talvez mudem. E com Paloma, talvez Renne se faça notar, sem esconder o que de belo tem na alma.

Enquanto essa amizade se desenvolve, é o gato de Renne que vai mudar todo o destino da história. Um novo morador chega ao prédio, um japonês muito educado chamado Kakuro Ozu, e notando o nome do gato de Renne percebe imediatamente que ela não é tão comum quanto o que os outros moradores pensam. Ele também tem olhos que conseguem ver as pessoas como elas são e o muito que elas podem trazer para nossas vidas.

A Elegância do Ouriço não é só um livro sobre amizade. É um livro sobre a vida, sobre a importância do conhecimento (mas do conhecimento que se compartilha e que nos enriquece, sem esnobismos), uma reflexão bonita e, em alguns momentos, até filosófica sobre o ser humano (acredito que por conta da formação da autora em filosofia) através de personagens extremamente complexos.

Hoje fiquei com muita vontade de reler essa história (já estou com minha edição em inglês em mãos) e isso já é o suficiente para dizer o quanto esse livro é especial. São poucos os livros que podemos revisitar. Só aqueles dos quais sentimos saudades. Não posso deixar de recomendar também o filme que é igualmente lindo e tem cenas muito engraçadas: A Elegância do Ouriço (Mona Achache, Le Hérrison, 2009.

Muriel Barbery. A elegância do ouriço. São Paulo: Companhia das Letras, 2008. 352 páginas. Tradução: Rosa Freire D'Aguiar

site: http://pipanaosabevoar.blogspot.com.br/2013/10/a-elegancia-do-ourico.html
su fern@ndes 03/10/2013minha estante
Paula...conhece o filme? eles conseguiram manter tudo isso de bom q vc falou. amo o livro e tbém gostei bastante da adaptação. :)


Paula 03/10/2013minha estante
Oi, Su!

Conheço sim! :) Na verdade, essa resenha curtinha é de 2008, a resenha completa (que fala mais detalhadamente sobre o livro e o filme) está no meu blog! :)

Amei o livro e o filme também!

beijo,

Paula


Eloiza Cirne 07/10/2013minha estante
Extraordinário livro. Recomendo o filme, também maravilhoso.




Dirce 14/12/2009

Xepa
“É só estender a mão e colher o livro
como um fruto maduro que lentamente degusto
e, milagrosamente,
permanece inteiro, íntegro, intacto
entre folhas e flores
e surpreendentemente se renova e multiplica
em inusitados sabores.”

Escolhi esses versos de J.G. Araújo Jorge para colocar no meu mural porque eles refletem exatamente como me sinto toda fez quem um novo livro passa a integrar minha Estante.
Depois de ter-me “lambuzado” com os deliciosos Pássaros Feridos e Faz me falta,durante a leitura do livro A elegância do Ouriço, eu me senti como uma xepa que colheu um fruto bem ruinzinho num final e feira.
Não resta dúvida que a intenção da autora foi boa: a de levar o leitor a uma reflexão sobre o mundo contemporâneo, porém, a maneira como ela o fez foi bem indigesta. Pra mim, tudo o que ela conseguiu foi apequenar os seres humanos ainda mais. As pessoas são rotuladas a todo instante: pessoas bonitas e ricas não podem ser inteligentes e boas – somente os pobres e feios são agraciados com essas qualidades. Em suma, não gostei, e assim sendo, das duas uma: ou eu tenho sério problema, ou o livro é bem “podrinho” mesmo.
Mag 11/07/2010minha estante
É dirce!Eu tmb não gostei...Achei que o conteúdo do diário da garota de apenas 13 anos está muito além do que alguem nessa idade pode entender da vida...Não falo de inteligência não mas só se chega a certas conclusões contidas ali através de experiência de vida...Resumindo, achei o livro um SACO!


Dirce 13/07/2010minha estante
Oi Mag!
Sua opinião me serviu de consolo haja vista que pessoas, com os as quais tenho compatibilidade literária, disseram ter gostado muito desse livro.
Eu achei qua a abordagem foi feita de forma muito intolerante, enfim, sei lá...


Silvana (@delivroemlivro) 04/08/2010minha estante
Não ter gostado de uma obra como "A Elegância do Ouriço" me choca na mesma medida quando, (muito raramente), ouço alguém dizer que não gosta de chocolate...ou de sexo.


Dirce 04/08/2010minha estante
Oi Silvana!
Pode estar certa que reconhecer publicamente não ter gostado de um livro, que é aclamado quase por unanimidade neste site, inclusive, por leitoras que tenho afinidade e respeito, não é uma tarefa nada fácil.Deve ser tão difícil como admitir não gostar de sexo ou chocolate. Requer uma dose e tanto de coragem.
Mas valeu. Obrigada pela seu comentário. Acho que é essa a finalidade do site:cada qual expressar o que sentiu em relação a determinada obra,mas esse livro, realmente, não "falou" ao meu coração.
Quem sabe em uma outra obra teremos a mesma opinião.
Abraços.


Silvana (@delivroemlivro) 08/08/2010minha estante
Antes que alguém se ofenda com meu comentário anterior, gostaria de dizer o seguinte:não gostar de algo considerado bom por quase toda a humanidade não é crime! Não é errado! Não é pecado! É apenas estranho... Nasci nesse país e não gosto de calor, também detesto Carnaval. Não suporto cerveja, nem cheiro de cigarro. Mas pelo menos não sou vegetariana, pois sendo gaúcha, seria estranheza demais para uma pessoa só. *r* Dirce, obrigada pela sua compreensão, afinal de contas somos todos estranhos sob algum aspecto dessa vida!


Dirce 08/08/2010minha estante
Pois é, Silvana, os estramentos existem sejam eles, relacionados a algo ou a vida, e, coincidentemente, terminei de ler O Lustre de Clarice Lispector e ele trata do estranhamento diante da vida.
Sinta-se à vontande para comentar minhas resenhas, mas PLEASEEEEEEEEE, não pegue muito pesado (risos)


*Rô Bernas 13/05/2011minha estante
Olá! Estou acabando a leitura deste livro e confesso...está arrastada demais, pois estou achando o livro chato e monótono...e isso acontece quando não tem diálogos, pois a leitura fica extensa e cansativa...então quando vim aqui ler as resenhas onde todo mundo elogia a sutileza, beleza e profundidade, fiquei me perguntando a mesma coisa que você: "será que tenho sérios problemas?" rs Por isso respirei aliviada ao ler sua resenha e o comentário da Mag...não estou sozinha (UFA!) rsss
Mas o legal é isso...a diversidade de opiniões feitas com respeito, como a Silvana fez...acho isso fantástico, afinal a minha percepção de uma leitura é diferente da do outro.
Bjkas ;-)




Anica 19/12/2010

A elegância do ouriço (Muriel Barbery)
A elegância do ouriço de Muriel Barbery é daquele tipo de livro que chega como quem não quer nada e vai encantando aos poucos. Quando você está quase no fim, percebe que já está completamente apaixonado. Os desdobramentos de um enredo até bem simples acabam seduzindo o leitor, que vai devorando as páginas sem sequer sentir o tempo passar.

Inicialmente somos apresentados aos dois fios que conduzem a história: a narrativa da Sra. Michel, uma zeladora de um edifício luxuoso de Paris; e os escritos diários de Paloma, uma menina de doze anos que vive no mesmo prédio que a Sra. Michel e está decidida a fazer duas coisas no dia do aniversário, suicidar-se e atear fogo no apartamento.O interessante de A elegância do ouriço é como esses dois fios vão se cruzando, e personagens que são completamente estranhas uma para a outra, descobrem-se e tornam-se amigas. O truque de mesclar os dois tipos de narrativa inclusive ajuda a criar um efeito interessante quando a voz de uma é interrompida pela outra bem em um momento importante: fica a curiosidade de saber o que vem a seguir, o que faz com que o leitor permaneça preso à leitura.

Quanto às personagens, inicialmente tive dificuldades em aceitar Paloma, confesso: não gosto de crianças prodígio nem na vida real, nem na Literatura. Mas as ideias cativantes apresentadas nos diários acabam fazendo com que a idade da menina seja só um detalhe, como acontece para a própria sra. Michel.

No caso da zeladora, o que encanta é perceber o quanto ela se parece com Paloma, fingindo ser algo que não é como uma forma de se proteger das outras pessoas. Mais ainda, ela torna óbvio o quanto medimos as pessoas pelo que fazem e o que parecem, esquecendo de realmente ouvi-las e conhecê-las de fato. Sob a fachada ranzinza da zeladora, esconde-se uma figura doce e inteligentíssima, que atrai não só as personagens do livro, mas também o leitor.

Em dado momento, o livro divide-se em dois. Temos um romance filosófico, com ótimos questionamentos levantados pelas personagens e temos um romance sobre solidão e amizade. E foi uma excelente escolha de Barbery usar um edifício como espaço para a história, porque ele representa exatamente o que suas personagens parecem gritar a todo momento: vivemos em comunidade, com outras pessoas, mas estamos todos sozinhos em nossos pequenos mundos.

É uma história gostosa, simples, doce e realmente cativante. Seja pelo conteúdo filosófico, seja pela leveza do enredo, é daquele tipo de livro que quando você fecha ao concluir a leitura, já começa a sentir saudades das personagens que acabara de conhecer.
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roberto tostes 12/09/2010

Livros de Papel ou Ouriços Elegantes
Para começo de conversa, adoro internet, tecnologia, novas ferramentas de comunicação, ler e pesquisar on line. Mas Livro pra mim é Livro. Papel para tocar com as pontas dos dedos, tato na forma , com cheiro de coisa nova, principalmente essa relação de “olhar e pegar”. Não digo que nunca vou ter um Kindle ou algo do tipo, mas nada para mim susbtitui o livro. Principalmente aqueles títulos que mexem com a gente. Você não consegue parar de ler ou depois lembra de algo e não pára de pensar, relembrar.

Quero falar de um livro que começou assim com uma relação meio difícil mas depois me “pegou”. Chama-se “A elegância do ouriço” de Muriel Barbery. É um título genial, chamativo, mas ao mesmo tempo difícil. Mas tem tudo a ver com a história. Como se durante o decorrer da leitura você fosse realmente desviando dos espinhos da defesa do bicho e fosse penetrando em seu interior.

A história aborda duas personagens distintas. Uma delas, Renée, a zeladora do prédio que por trás de sua submissão ao trabalho e aos moradores esconde uma personalidade inquieta, com fome intelectual de ler, de ouvir e ver instigante. A outra, Paloma, uma menina adolescente, crítica e também muito inteligente, fazendo uma análise mordaz da família da alta sociedade parisiense e os jogos de poder em um prédio chique de Paris.

Não é uma construção simples. Eu que adoro começar livros, mergulhar em um universo novo, amplo, demorei para me habituar com a narrativa e as personagens. Mas a ligação foi crescendo e terminei o livro com aquela sensação de quero mais.

O que me levou a escrever sobre a escritora é também sua conexão com os tempos atuais de links, comexões, citações, reflexões. A autora faz isso de maneira surpreendente e sutil, filosofando ou discorrendo sobre música, esporte, filosofia, literatura e política de forma leve, sem prejudicar a narrativa, pelo contrário, reforçando isso na mente da senhora ou da garota.

Não querendo apenas me ligar pela memória, atualmente tão volátil pela quantidade de informação que recebemos, de diversas fontes, peguei o livro e fui anotando as ligações externas e internas. Temos referências musicais (Mozart, Purcell ), cinematográficas (cineastas como Ozu, Greenway ou filmes como Blade Runner, Black Rain e Nothing Hill) literárias (Tolstoi, romances policiais, Bashô e tradições japoneses), pintores (holandeses, italianos) e filosofia (Marx, Husserl, Descartes). Tudo colocado de uma forma natural, dissolvida em conversas e pensamentos internos. Mas faz você pensar , ouvir e querer coisas além do livro. Aí voltamos à internet. Estas 350 páginas podem te levar muito além da simples leitura.

Parei algumas horas ouvindo as músicas e trechos de óperas citadas. Comprei o Guerra e Paz do Tostoi para dar uma lida. Enfim, você se vê perdido em labironto dentro de outro , ou sonho dentro de outro (buscando “Origens”). Assim conseguimos extrair o melhor de uma única coisa, dando voltas no mesmo caminho. Não existe o envolvimento ou cartse com o heróis de susbtituição, mitologias, superação, é mais um enfrentamento da nossa realidade diária, dos pequenos grandes vazios da existência. Pensamos juntos com a senhora e sua sagacidade e ingenuidade ou nos irritamos jutos coma garota destemida e impulsiva. A vida pulsa de uma forma estranha neste universo reduzido, de um prédio e suas habitantes, e suas mesquinhas indiferenças ou repetitivas rotinas.

Esta história tornou-se incomum e me marcou porque em tempos de edições digitais volto ao elogio da forma com capa, volume e papel. Todo livro é um ouriço elegante. Espérando ser decifrado e lido em seu macio interior, que pode ser surpreendente e infinito. O livro cabe na minha mão e quero guardá-lo na estante pra ver e tocar de novo.

Para quem quiser passar por estas sensações e entender a elegância do bicho, só lendo, e prestem muita atenção na última frase do livro. Boa leitura!
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Carlo 12/06/2010

Um livro belo e elegante
Você é inteligente, mas não tem qualquer formação acadêmica, filha de camponeses pobres e analfabetos. Ao longo das décadas você leu seu Marx e Kant, apreciou Mozart, e ainda conhece profundamente a pintura holandesa do século 17. Você contrabandeia livros eruditos em sua bolsa de compras junto com nabos e comida de gato. Você é uma criatura monótona e invisível, e não confia em ninguém. Esta é Renee Michel, a uma espécie de porteira em um prédio de ricos, aonde se desenrola toda a estória.



Você é precocemente inteligente, mas tem apenas doze anos de idade. Sua irmã estuda para conseguir um mestrado na Sorbonne, mas é uma pessoa fútil, sem talento e possuidora de uma personalidade estéril. Sua mãe é uma burguesa esnobe, socialista fake, enquanto seu pai é um alto funcionário do governo que tenta esconder sua desimportancia. Você leu Dawkins e conclui que a vida é apenas uma luta inútil de primatas para reproduzir seus genes. Cercada por tanto vazio e mediocridade, o que fazer? Esta é Paloma Josse e esta determinada a cometer suicídio em seu aniversário de 13 anos se não descobrir o sentido da vida.



Um dos moradores do prédio, particularmente repugnante morre e alguém se muda. Um japonês, rico, idoso, e enigmático, com nome de cineasta renomado.



Renee culta e civilizada, e Paloma em suas decepções diárias, finalmente encontram alguém que não conseguem enganar.



Certezas primárias são reformuladas a medida que a história se aproxima da sua conclusão chocante.



Este é um belo livro: inteligente, bem-humorado e por vezes trágico.



Adorei! 5 estrelas é muito pouco para expressar a minha satisfação ao ler esta obra fantástica!
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Maria Ferreira / @impressoesdemaria 15/06/2014

A elegância da profundidade
Este livro é narrado em primeira pessoa por Renée, a zeladora de um condomínio de luxo localizado no número 7 da Rue de Grenelle, em Paris.

Alternadamente, também temos uma narração em primeira pessoa feita por Paloma, uma garota de doze anos, dona de uma inteligência muito aguçada e surpreendentemente critica. Ela faz parte de uma das famílias que moram nesse condomínio, mas vive infeliz porque não se identifica com o modo de viver de seus familiares. Então, toma uma decisão: no seu aniversário de treze anos, vai se suicidar e colocar fogo no apartamento em que mora, afim de dar um susto em seus pais. Enquanto seu aniversário não chega, ela vai escrevendo pensamentos profundos para ver se encontra algum motivo para continuar vivendo.^

Voltando a Renée, ela é uma zeladora muito culta, que lê Marx e que tem consciência de sua condição social, mas não deixa que isso transpareça para os moradores do condomínio, porque sabe que isso os incomodaria. Ela leva sua farsa adiante, até que um dia, o condomínio recebe um novo morador, o senhor Ozu. Ele é um japonês que tem dois gatos e a partir de sua chegada, as coisas começam a mudar para Renée.

"A Elegância do Ouriço" foi publicado em 2006 e rapidamente se tornou um dos grandes nomes da literatura contemporânea. E com razão! É um grande romance filosófico, desses que nos fazem refletir sobre nossa atuação na vida das pessoas, na sociedade, sobre nossa relação com o tempo, a justiça, a beleza, a arte e principalmente, com o amor.

Eu o peguei na biblioteca, mas é um dos poucos livros que eu faço questão de ter. E não só ter, mas também quero dá-lo de presente para alguns amigos em especial, porque é tão lindo, tão profundo... e eu gostaria que eles sentissem o mesmo que eu.

site: http://www.minhassimpressoes.blogspot.com.br/2014/06/resenha-elegancia-do-ourico.html
Renata CCS 07/07/2014minha estante
Já li diversas resenhas sobre este livro, e são sempre muito positivas. A sua resenha só veio confirmar que devo colocá-lo no topo da lista de futuras aquisições!




*Rô Bernas 13/05/2011

Ouriço sem Sal
A sinopse do livro aliada as resenhas me empolgaram a ler o livro, mas...me decepcionei. Achei o livro chato toda vida e muito cansativo. Por não ter diálogos a leitura ficou extensa e cansativa...não gostei.
A medida que ia lendo tentava me animar com a história, mas definitivamente não consegui. Até achei que eu tinha algum problema por não gostar do livro que todo mundo aclamou como maravilhoso...sério! Mas como leitura é uma coisa muito pessoal, me convenci que este ouriço estava mesmo muito sem sal pra mim.
Leiam e avaliem! :-)
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Gilberto 23/04/2013

A Elegância do Ouriço – Muriel Barbery

Qual o total de páginas, do ponto de vista de conteúdo e experiência do livro a elegância do ouriço? Em alguns momentos flui tão rápido e me diverte tanto, que poderia jurar que ele tem menos do que trinta páginas, já em outros momentos em que penso no livro, há lá tantas coisas que aprendi e que me rendem tantas horas pensando no bendito que chego a imaginar que ele deveria ter umas setecentas páginas. Na verdade a quantidade real de páginas que o livro possui é bem pequena, são apenas 350 páginas, de puro prazer, seja pelo seu humor, ou pelas inúmeras referenciam culturais e artísticas, ou seja, simplesmente pelo fato de ele distrair o leitor.
Renée é a zeladora do número 7 da Rua de Grenelle, um luxuoso prédio onde mora algumas famílias ricas e esnobes, apesar de ser muito culta ela tenta disfarçar sua cultura e inteligência, para que ninguém possa suspeitar de que ela seja uma leitora ávida e extremamente inteligente. No mesmo prédio vive a garota Paloma, uma menina superdotada e que apesar de observar o mundo de uma maneira muito lúcida, pretende se suicidar, no seu aniversário de 13 anos, se não achar um sentido para vida, e atear fogo no apartamento, pois tem consciência de que se os seus pais souberem que ela é superdotada vão passar a exibi-la como um objeto de luxo.
Na verdade a elegância do ouriço vai à contra mão dos outros best-sellers, enquanto neste o objetivo aparente é de fazer ocorrer o maior número de fatos em menos tempo, em a elegância o maior movimento ocorre nas idéias e digressões feitas por ambas; Renée através de sua narrativa, Paloma que escreve em seus diários vão intercalando as vozes narrativas. Uma coisa que fica bem obvio é que sempre quando vai acontecer um grande fato na vida de uma das duas sua narrativa é cortada e começa a narrativa da outra, estes dois focos narrativos só irão se encontrar com a chegada de um novo hóspede ao prédio, um japonês que logo percebe Paloma e Renée entre a variedade de habitantes do prédio, e trava amizade com as duas e ajuda uma a tomar consciência da outra.
Um outro ponto positivo dentro da criação do livro são os personagens secundários; Colombe, a irmã de Paloma, que estuda filosofia e vive infernizando a irmã, a mãe das duas uma mulher com doutorado em literatura, mas é completamente viciada em calmantes e em fazer análise. Junto a Renée também há outros não menos fascinantes, como Manuela, uma mulher que imigrou de Portugal para Paris e tem, apesar da vida pobre, uma alma luxuosa, ou também Leon o gato de Renée que é quase um importante personagem na trama, mas o terceiro personagem central o japonês só ira entrar na trama na metade do livro em diante e servira quase que exclusivamente como gancho para juntar Renée e Paloma, os movimentos dele ira afetar o movimento delas duas assim como as bolas coloridas no jogo são afetados pelo movimento da bola branca, o comportamento inicial delas no livro será alterado após a chegada dele.
É para mim uma coisa bem difícil falar sobre este livro, pois quando falo em livros bons posso ficar horas falando sobre ele, para ou convencer a pessoa a ler pelos meus argumentos, ou para ela simplesmente concordar em ler para que eu cale a boca (risos), também há uma dificuldade quanto ao limite de ate onde posso estender minhas considerações sobre o texto, pois sinto que poderia ficar horas escrevendo sobre ele então vou finalizar por aqui com um conselho leiam ele!
Ladyce 18/06/2013minha estante
Estava lendo a sua resenha, e francamente é muito boa. Parabéns!


Gilberto 18/06/2013minha estante
aprendi lendo as suas ;)




fsamanta (@sam_leitora) 09/08/2015

O livro começou bem e foi caindo, caindo. Apresenta idéias e nuances filosóficas interessantes, mas se deixa seduzir pelos esteriótipos mais caricatos do pobre x rico. Personagens extremamente inteligentes, mas que, com o tempo, cansam com seu mimimi adolescente de injustiçados pelo mundo. O final é particularmente decepcionante, uma verdadeira farsa.
Dirce 09/08/2015minha estante
Eu também não gostei. Crianças precoces são chatas ( na minha opinião) e, concordo com você: final decepcionante.


Thaís Vitale (@LiteraturaNews) 10/08/2015minha estante
Nossa, que pena! Parecia tão interessante.


Dirce 10/08/2015minha estante
Thais, mas faço parte dos poucos que não gostaram. Pode ser que você goste.


Thaís Vitale (@LiteraturaNews) 10/08/2015minha estante
Vou ler, Dirce, mas agora desanimei. Como a minha lista de leitura é enorme (rsrs), vou deixar para o final, bem no futuro.


fsamanta (@sam_leitora) 11/08/2015minha estante
Como coloquei na resenha, o início realmente me empolgou, mas foi o desenvolvimento foi decepcionante.


Felipe Lobato 27/03/2016minha estante
Comprei esperando ser um grande livro, porém como você disse, o mimimi adolescente me cansou também, abandonei a leitura, que menina fala daquela maneira? Não convenceu, além daqueles esteriótipos de sempre. Em outro momento retomo a leitura.




Egídio Pizarro 03/02/2012

Sinceramente, não gostei. Na minha visão, vi 2 narradoras "se achando" demais por serem muito cultas e, por isso, achando todo o mundo à sua volta mesquinho e fútil demais.

O momento que Renée revela sua angústia não me aliviou essa ideia. Acabei a leitura achando o final por demais depressivo.
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GCV 13/03/2011

Em defesa da alta cultura
Paris sempre foi um local privilegiado para o encontro da intelectualidade ocidental - até mesmo em períodos em que sua produção e o número de pensadores por metro quadrado não fossem tão impressionantes. De qualquer maneira, é inegável seu simbolismo nos campos cultural, artístico e político.

O ponto de partida de 'A elegância do ouriço' parece ser justamente a contradição entre o simbolismo da ‘Capital Intelectual do Ocidente’ e o que se faz, atualmente, nela - como, por exemplo, uma tese de questionável relevância sobre o pensador do século XIV Guilherme de Ockham. A princípio, é uma narrativa muito sedutora, principalmente para intelectuais, que não se cansam de dizer que vivem em meio a uma selva de burrice. Na Paris néscia de Barbery, salvam-se a concierge Renée (periferia da elite), a criança Paloma (periferia do adulto), e o oriental Ozu (periferia do ocidente). O adulto classe média-alta ocidental é demolido por essas três personagens, que observam as contradições, as falsidades e, principalmente, as burrices do status quo.

A tese da Colombe sobre Guilherme de Ockham é contestada tanto pela concierge quanto pela irmã - de 12 anos, é bom lembrar -; a literatura russa, uma das paixões da intelectualidade francesa, é muito mais bem conhecida e apreciada por Renée do que por esses mesmos intelectuais; e até mesmo a gastronomia é posta em xeque pela presença de uma imigrante portuguesa. Esse cenário funciona muito bem até metade do livro. A partir daí, surgem novas contradições.

Os valores da intelectualidade e cultura francesas, sejam representados por Guilherme de Ockham, Dostoievski ou mesmo um vol-au-vent, não são de fato questionado. A crítica é passageira em relação a quem detém tais valores, e, tão logo eles mudem de mãos, do adulto ocidental de classe média-alta para uma criança, uma concierge ou um oriental, eles são imediatamente ratificados. Nem mesmo a noção de periferia é questionada: o importante mesmo é salvar a cultura dos rufiões que não são dignos de seu usufruto.

'A elegância do ouriço' parece ser uma Revolução Francesa disposta a guilhotinar a decadente realeza intelectual, mas o que faz, ao final, é apenas dar a coroa a classes antes tomadas como periféricas - as prerrogativas reais, contudo, são mantidas nessa transferência.
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Dani 26/09/2010

Dificil falar de uma experiência de ler um texto onde o autor veste personagens pra falar do absurdo. O absurdo da existência. Difícil, porque é uma leitura que fala sobre algo que forma o próprio motivo da experiência da escrita. Afinal, pra quê escrevemos? Por quem? Escrevemos pra registrar a solidão de um indivíduo diante do absurdo, nada mais. Personagens, situações e cenários são meras alegorias. Escrevemos para marcar as paredes de nossas cavernas - "eu estive aqui. O leitor lê e pensa "alguém esteve aqui, assim como eu estou agora". Por um momento eles compartilham o absurdo da vida. E a cada página Reneé e Pamela investigam seus próprios sentimentos diante dessa condição humana e da consciência da efemeridade do ser.
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