Barba Ensopada de Sangue

Barba Ensopada de Sangue Daniel Galera




Resenhas - Barba ensopada de sangue


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Arsenio Meira 06/01/2013

Não há - para mim - dúvida alguma de que o escritor Daniel Galera merece ser chamado como tal: Escritor. É o primeiro livro que leio deste autor, e vou em busca dos demais.

A obra , em síntese, literalmente transporta o leitor ao Estado de Santa Catarina. Galera detém total domínio da técnica narrativa eleita (realismo ao extremo), e cativa-nos, de saída, com esse louvor de descrição minunciosa (geográfica e humana.)

Daí o painel apresentado ser tão rico e primoroso e o cumprimento aos ensejos da Literatura: dialogar com o leitor, convocá-lo para refletir e dar nome aos bois desgarrados.

A trama, inusitada, reflete igualmente o talento de Galera.

É um escritor influenciado por um realismo que chamo de benigno; um estilo bacana, (quando manuseado com maestria), na mesma esteira de DeLillo e Thomas Pynchon.

Não há qualquer prejuízo, em minha opinião, a torrente de informações que desponta na obra, e arrematando, interessante notar o olhar atento do escritor, que não se faz de rogado, e finca posição no que lhe parece errado ou ocioso, como as (pertinentes) críticas às "autoridades", aos chefões de nossa política raquítica, homicida e desmazelada. Essa gente, não duvidem, não difere muito dos mais "refinados" carteis do narcotráfico. Ambos, à sua maneira, metralham inúmeras vidas.

Não dei 5 estrelas pois acho que ele poderia deixar um pouco mais nas entrelinhas alguns trechos que permeiam o romance (que não revelo para evitar o spoiler.) No entanto, é questão pessoal mesmo, pois gostei demais do livro.
Walter 15/11/2016minha estante
Arsênio, seu comentário traduziu muito do que eu queria dizer. Também foi meu primeiro livro do Daniel Galera e me senti transportado ao ambiente e muito próximo ao protagonista, quase num estado de imersão.




Daniel 11/01/2013

Parece filme
Muito bom!!!

Prosa inovadora, bem escrita, lírica, verosímil.
Personagens bem caracterizados.
Interesse constante na narrativa, trama flui num crescente arrebatador.
Descrições detalhadas da paisagem e do cotidiano de uma cidadezinha como se o leitor estivesse de viagem ao litoral sul do Brasil. E cada descrição não cansa: descansa.
Abundância de cheiros, gostos, sons e sensações táteis.
Mergulhos no mar, caminhadas ao vento, sob sol, chuva e frio.
Reflexões aqui e ali sobre relações familiares, amores frustrados, amizade e o tal (ou a falta de) sentido da vida...



No final temos a impressão que não lemos o livro, mas vimos o filme. Dos bons, e em 3D.
Karla 12/05/2013minha estante
O livro é ótimo... e termina 'redondo'!! Terminei ler faz dois dias e curiosamente sinto falta da leitura!! As descrições são incríveis e fazem a gente se sentir na cena... o mesmo acontece com a 'descrição' dos sentimentos!! Adorei ter lido!!


Mariana 18/11/2014minha estante
Daniel, muito legal mesmo o livro. Acabei de ler, mas parece que o livro "continua" na cabeça.
Vi o pessoal reclamando pacas das descrições detalhadas, algo que realmente nem sempre é legal de se ler, mas concordo contigo: no caso de "Barba ensopada de sangue", as descrições não cansam, a meu ver porque criar o ambiente faz parte da história. Tanto em termos de cenário, quanto como construção da personalidade do protagonista.
Muito, muito bom!




Celso 03/01/2013

Mais um livro chega as minhas mãos pelo Clube de Leitura da Companhia das Letras que acontece aqui no Conjunto Nacional. Para dizer a verdade, até então, não tinha nenhum interesse pela obra e foi só ser apresentada que percebi o monte de volumes na porta de várias livrarias e com chamadas de até de uma página em algumas revistas brasileiras.

Diante disso, parecia que a leitura seria das melhores, mas me decepcionei um pouco com o livro. Aliás, até agora fico pensando onde o autor gostaria de chegar ou se não poderia fazer tudo de uma forma menos longa.

Muita gente tem elogiado Barba Ensopada de Sangue, alguns têm apostado que se trata de um grande escritor nacional que vem se despontando, eu não duvido de nada disso, mas não encontrei um livro marcante. Sem dúvida, a forma como o autor desenvolve os diálogos e caracterização dos personagens seja o maior trunfo ao criar uma obra, diria, inovadora.

O livro conta a história de um rapaz com um problema neurológico: não consegue gravar a fisionomia das pessoas. Para isso, usa dos mais variados artifícios para lembrar das pessoas que gosta e da sua própria fisionomia. Diante do suicídio anunciado do pai, a perda do seu grande amor levado pelo próprio irmão e ao ter herdado uma cachorrinha que deveria ter sido morta – de acordo com a promessa feita em vida ao pai -, este sujeito parte para Garopada, interior de Santa Catarina, para fazer novos amigos e reconstruir sua história. Bem, pelo menos eu acho que era isso.

Como disse acima, a forma como autor apresenta alguns diálogos e não usa símbolos como de travessão, vírgula ou itálico para separar o que é fala e ação, parece ser inquietante. Por exemplo, alguns diálogos, entre vários personagens, são descritos em um só parágrafo em duas ou três páginas. Tentei descobrir um pouco da lógica do autor, mas não tive muito êxito.

Outro ponto que vale a pena destacar é a criação dos personagens que não deixa de ser rica e muito bem feita. Algumas discussões sobre a religião, a existência, o budismo e até mesmo sobre como viver em São Paulo, não deixam de deixar claro o talento do escritor.

Não sei se recomendo. Alguns o classificaram com um épico, bem!, acho que é por aí. Mas, não gostei muito. Senti um pouco irritado em muitas partes por não saber onde o autor estava querendo ir ou nos levar. Se era pela história do pai morto, do avô assassinado ou do amor perdido. Também, não consegui entender a “redenção” ou o “ganho” do personagem ao ler a última palavra. Porém, tem muita gente elogiando por ai e muita propaganda em jornal e revista.

Mais resenhas em: www.blogdocelsofaria.blogspot.com
Rosa Santana 27/08/2014minha estante
Uma voz a fazer coro com a minha. Tb não gostei. Não gosto de descrições tão detalhadas, a ponto de dizer ao leitor que picolé é gelado...
Galera outra vez? Tô fora!


Amanda 15/01/2019minha estante
Tbm não gostei. Achei as descrições exageradas e acabaram se tornando cansativas. Fora o fato que a história não leva a lugar nenhum. Apesar do excesso de detalhes parece a história principal se dividiu em vários assuntos como vc disse: a história do pai, da ex e do vô, fora umas discussões nada a ver. E no fim parece que não chegou a lugar algum.




gleicepcouto 26/01/2013

A natureza humana narrada em um simplicidade desconcertante
http://murmuriospessoais.com/?p=5763

***
Barba Ensopada de Sangue (Cia das Letras) é o quarto romance de Daniel Galera, escritor e tradutor literário brasileiro. Ele foi um dos precursores do uso da internet para a literatura, editando e publicando textos em portais e fanzines eletrônicos entre 1997 e 2001. Já traduziu 13 livros, predominantemente das novas gerações de autores ingleses e norte-americanos; e participou em algumas antologias de contos. Seu penúltimo livro, Cordilheira, ganhou o Prêmio Machado de Assis de Romance, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional em 2008, além do 3° lugar do Prêmio Jabuti.

Nesse lançamento, Galera narra a história de um professor de educação física que, após a morte do pai, vai para um balneário em Santa Catarina. Ele vai em busca de respostas para a morte sem explicação de seu avô que lá morava. Como companhia, leva a cadela do falecido pai, a Beta – que, ele prometeu sacrificar. Aos poucos, o professor vai se relacionando com a comunidade local, mesmo com um pouco de dificuldade – já que tem uma condição neurológica congênita que o obriga a interagir com as outras pessoas de um modo peculiar. Gradativamente, ele vai não só descobrindo as respostas para a morte de seu avô, mas também as para a sua própria vida.

"Não tem nada mais ridículo do que uma pessoa tentando convencer a outra. Trabalhei com persuasão minha vida toda, a persuasão é o maior câncer do comportamento humano. Ninguém nunca devia ser convencido de nada. As pessoas sabem o que querem e sabem do que precisam. Sei disso porque sempre fui especialista em persuadir e inventar necessidades."

Ah, quisera eu ter lido algo do Daniel Galera antes. Já conhecia o autor de nome, claro, mas ainda não tinha tido a oportunidade de ler um livro dele. Sinto como se tivesse perdido um tempo precioso navegando por uma literatura nacional oca e desprovida de vida; enquanto que o talento estava a apenas alguns centímetros de minhas mãos. Mas tudo bem, o importante é que me deparei com o autor. Antes tarde do que nunca.

A narrativa de Galera é marcada pela espontaneidade, mas sem perder o foco. Ele sabe para onde está indo, mas é como se deixasse espaços para improvisos e mudanças na rota da história, para logo depois retornar ao caminho inicial. Basicamente, há frescor em seu texto. Vida. Vai além de uma história contada no papel.

E esse realismo da obra de Daniel vem pincelado com uma leve fantasia. Sempre paira uma dúvida no ar se um fato é realidade ou faz parte da imaginação do personagem, ou se, até mesmo, há algo de sobrenatural. Essa ambiguidade dá um clima de thriller à obra, que, no geral, é constituída de uma simplicidade desconcertante por conta das descrições sem excessos do cotidiano.

O ponto alvo é a forma sensível como a natureza humana é evidenciada. Galera expõe o lado complexo do ser humano com intensidade. Aqui vemos o seu melhor lado, através do amor, amizade, companheirismo; mas também o pior, com toda sua mesquinhez, brutalidade, ignorância. Como resultado, temos um livro intenso, que, como um reflexo de espelho, faz o leitor olhar para dentro e se autoanalisar.

Nem mesmo a ausência de indicação de diálogos (aspas ou travessões) faz com que o leitor se perca. Inicialmente, pode causar desconforto, mas não passa disso – até porque o conteúdo dos diálogos é de uma eloquência ímpar. Galera usa uma linguagem moderna e coloquial, abraçando gírias regionais. Ele faz isso com cautela, porém, não colocando em xeque o compreendimento do livro. Um outro recurso interessante utilizado pelo autor são as notas de roda-pé, que funcionam, pertinentemente, como uma espécie de complemento à história.

Os personagens são bem desenvolvidos, possuindo diversas nuances. O modo como interagem com o protagonista indica os vários tipos de relacionamentos que temos ao longo da vida. Seja com familiares, amigos, amores e até mesmo animais de estimação. Em todas essas vertentes, o autor consegue nos emocionar com a sensibilidade narrativa que impetrou na história. Aliás, só o fato de não ter nomeado o protagonista, assim como também a sua condição neurológica, podem apontar diversas coisas. Uma delas, a dificuldade do ser humano reconhecer a si próprio – sendo a imagem e o nome fatores não determinantes para que esse objetivo seja alcançado.

Barba Ensopada de Sangue, por fim, é uma trama, por demais, original. Repleta de tensão entre o interior e o exterior ao homem, Galera conseguiu unir assuntos introspectivos a entretenimento substancial. Como disse lá no início, decreto aqui o início do meu desbravamento de águas mais profundas e ricas na literatura nacional contemporânea. Daniel Galera foi a primeira “terra abastada” que descobri. Que venham outras.
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Rosa Santana 28/08/2014

MUITO PELO, POUCA PELE!
Barba Ensopada de Sangue, Daniel Galera - Companhia das Letras, 424 páginas!

O que dizer dessa "Barba"? Que é muito pelo para pouca pele!
Achei o livro bom em parte: história bem construída, personagens verossímeis, embora o personagem principal seja meio que um anti herói, para o qual nada dá certo, eles são, sim, muito bem construídos, coerentes e bem realizados.
Gostei da forma com que o autor iniciou a narrativa. Só mais lá para o final fui compreender o porquê do recurso
A história é instigante, só que...
Sempre tem um "mas", quando as cinco estrelas não vem!
No meu caso, achei muita palavra para o conteúdo proposto. Descrições intermináveis, e, ao meu ver, dispensáveis porque infrutuosas! Detesto livros que usam esse tipo de recurso, porque ao dizerem mais do que é necessário subestimam o leitor.

Não sei se lerei outro livro do Galera, francamente!
Com tanta coisa boa por aí...
Paula 29/08/2014minha estante
Senti a mesma coisa em relação ao autor quando eu li Cordilheira, ele não me convence nas personagens femininas... e quando terminei de ler fiquei realmente pensando se ia tentar outro livro do autor. Adorei a definição: muito pelo, pouca pele! :) acho que isso resume bem o que sentiu. Gosto mais de pele, viu? :)

beijo!


Rosa Santana 31/08/2014minha estante
Paula, obrigada por fazer coro comigo. Poucos dos meus amigos o fazem. Quase todos gostam do livro...
E, ó, eu tb gosto mais de pele... Hehehe! Em todos os sentidos!
Beijo!!




Silvio 15/11/2016

Não faz jus à fama nem ao sucesso.
A propaganda é, de fato a alma (e a arma) do negócio! O livro não tem nada; não tem uma história, uma trama, uma mensagem, um estudo...é apenas o cotidiano simples e comum de uma pessoa simples e comum. Alguns trechos começam interessantes, terminam no nada, sem mais, nem menos...
Muito mal escrito...ele tenta "piratear" o estilo saramaguês: sem pontuação e a colocação de inúmeros termos inúteis que engordam o livro. Também tenta imitar o estilo de João Ubaldo Ribeiro: parágrafos de cinco, seis páginas, misturando muitos assuntos aleatoriamente, sem nenhuma ligação entre si; um vocabulário estranho e exagerado, para demonstrar conhecimento.
Há um número absurdo de descrições inúteis exageradamente detalhadas, aliás, detalhes inúteis. Há mais adjetivos nesse livro do que no dicionário.
Os erros de português - alguns propositais para caracterizar personagens, muito outros, não - são gritantes e enchem o saco; a concordância verbal foi esquecida.
Não entendo como um livro desses possa ser publicado e, ainda, fazer sucesso. E um monte de gente diz que gostou... não acredito! (tá certo que gosto não se discute)
David Atenas 10/02/2017minha estante
Deve ser um cara absurdamente chato, na convivência.
Nenhum dos livros dele é realmente bom.




e.duardo 28/11/2012

Esse livro mexeu bastante comigo, assim como Cachalote, também do Galera.

Acho que o grande trunfo dele é que ele vem chegando, às vezes bem devagar mesmo, e conforme as conversas ou os momentos de ação parada chegam ao seu fim, eles se desdobraram rapidamente e as explicações, motivos e estímulos que você procurava estão lá, de uma vez. É como uma piada bem contada, e você sempre acaba rindo aqui.

A sensibilidade sem afetação que dá o tom ao livro inteiro talvez seja o motivo de uma amiga ter me dito que Barba é 'um livro bem masculino, né?'. Acho que sim, e basta olhar para o personagem principal e sua falta de qualquer coisa impressionante para confirmar isso: ele nada, ele corre, é seco na maioria do tempo. Mas também é desprovido de ironia e aquela sensação de superioridade que parece ser chavão nos protagonistas; ele se impõe de modo sincero e aceita suas limitações sem se fazer de coitado. Talvez mais importante, se relaciona com o restante dos personagens de forma simples e amorosa. Em suma, ele é um homem bom e isso basta.
(Acho que esse olhar sobre ele e o fato de isso tornar o livro um livro masculino não faça tanto sentido fora da minha cabeça, mas mesmo assim foi uma impressão muito forte).

A sensação que tive com o final é difícil de explicar, um pouco de frustração com o nadador e ao mesmo tempo uma compreensão de suas decisões, que afinal nem sempre podem ser bonitas, carinhosas, etc. Lembra um pouco a gente mesmo, claro.

Outra coisa bem legal é o modo como a formação de uma lenda vai acontecendo e sendo explicado; é interessante poder apreciar as histórias que sustentam o mito e ao mesmo tempo saber da verdade.

De resto, a mesma coisa, achei bem escrito e muito gostoso de ler, principalmente pelo fato de Garopaba ser um lugar real. Passava sempre um tempo vendo fotos da cidade e passeando por suas ruas, além de ficar procurando os animais citados e as frutas que devem ser bem normais só para quem mora no Sul. Talvez tivesse sido melhor ter imaginado tudo do zero, mas desse jeito também funciona.

Ah, e se você chegou até aqui espero que não se importe se eu disser que um dos momentos mais bacanas é quando o título surge na narrativa, coroando uma bela passagem de violência.
Gustavo Batista 04/12/2012minha estante
Gostei da resenha. Muito boa. Só esse finalzinho com spoiler que foi sacanagem kkkk




Sérgio 15/02/2013

Uma jornada de busca por mais de uma verdade
Gênero: Romance
Ano de lançamento: 2012
Ano desta edição: 2012
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 426
Idioma: Português

Citação: "Tu não leu aquele conto do Borges que eu mencionei antes né.
Não.
'O Sul'.
Não, não li nada do Borges.
Claro, tu não lê porra nenhuma.
Pai. A pistola.
Bueno.
O pai abre a garrafa de conhaque, enche uma pequena taça de vidro, bebe tudo de uma vez. Não oferece ao filho. Pega a pistola e a analisa por um instante. Aciona o mecanismo que libera o pente para fora do cabo e o recoloca em seguida, como se apenas quisesse mostrar que a arma está descarregada. Uma única gota de suor escorre por sua têmpora chamando a atenção para o fato de que ele já não transpira por todo o corpo. Um minuto antes, estava coberto de suor. Prende a pistola na cintura da calça e o encara.
Eu vou me matar amanhã."



Eu fiquei tremendamente interessado em "Barba Ensopada de Sangue" ao ler o primeiro capítulo do livro (disponível para leitura no site da Cia das Letras, e de onde saiu a citação desta resenha) e fiquei tremendamente interessado. Não conhecia Daniel Galera, e agora ele é o autor de um dos meus livros favoritos de todos os tempos. Simples assim. Por vários motivos.

Daniel Galera escreve muito bem. Tem sacadas ótimas em momentos inesperados ("Giram as tampinhas de suas long necks, o gás escapa dos gargalos com interjeições de desdém, brindam a nada específico"), e por isso mesmo não é óbvio. Seu romance começa com uma história intrigante, antes mesmo da história: um prefácio dá a entender que parte da história é baseado em um parente do escritor. A partir daí, começa o verdadeiro mistério, com o pai chamando o filho mais novo para uma conversa, contando da morte misteriosa do pai, um gauchão tradicional da fronteira, que foi morar no litoral catarinense, em Garopaba. O pai pede ao filho para sacrificar sua cadela de estimação, Beta, pois já não tem mais tesão de viver, e não quer que a bichinha definhe até a morte, depressiva. O filho, cujo nome nunca é revelado, contraria o último pedido do pai, larga sua vida em Porto Alegre, e parte para Garopaba, para investigar a morte misteriosa do avô.

Tem tanta coisa para comentar, só nesse parágrafo. Galera não dá nome ao protagonista (que é um professor de natação, e por isso ganha vários apelidos ao longo do livro: nadador, professor), e isso acaba, a meu ver, facilitando uma identificação com ele, já que não há uma identidade definida para o personagem. Além disso, Galera omite o pronome "ele" na maioria das frases, tornando a leitura agradável, não infantil ou repetitiva ("Dá as costas ao oceano e enxerga a praia. Nadou mais longe do que havia calculado. Vê a fileira dos galpões dos pescadores encarando as ondas com suas frentes de madeira cinzenta ou pintada em tons suaves"); ele sabe bem o que faz, torna a leitura ágil e mostra que não é um escritor enfadonho (pelo menos não nesse aspecto). Parece pouco, mas faz toda a diferença. O professor também tem uma doença neurológica que interfere no relacionamento com as pessoas, e acaba sendo um ótimo pretexto para Galera exercitar sua verborragia descritiva, tanto no que tange a pessoas, quanto a lugares; em alguns momentos chega a ser enfadonho (como quando ele descreve a quermesse da cidade), mas nada é por acaso, e poucas páginas depois os motivos das longas descrições se revelam (nesse mesmo caso da quermesse, remetendo a um causo contado no primeiro capítulo). E, é claro, Beta, a pastor australiana que proporciona alguns dos momentos mais emocionantes do livro (os amantes de cachorro vão ficar com o coração na boca), e que tem papel importantíssimo na construção do personagem professor.

A história é linear, mas não necessariamente contínua; há saltos de dias, ou até mesmo semanas entre um capítulo e outro, o que torna a narrativa dinâmica; Galera resume em poucas linhas o que houve de relevante, e já apresenta novos aspectos da vida do professor em Garopaba: suas novas amizades, romances, e suas investigações sobre a morte do avô, apelidado de Gaudério, e que ele percebe ser um assunto proibido na cidade ("A mulher [...] quer saber quem ele é e por que está atrás de informações do avô. [...] Ela pergunta se ele anda fazendo perguntas a respeito do avô por aí e quando ele diz que sim, que perguntou para algumas pessoas, ela quer saber para quem."). Sem cacoete de investigador, e lidando com sua vida pessoal junto a seu interesse no avô, o professor segue sua investigação sem método muitas vezes sem investigar, simplesmente vivendo sua vida à beira da praia. E aí brilha novamente Galera. Em suas conversas despretensiosas, ele nos presenteia com diálogos espetaculares da vida cotidiana, nunca óbvios, sempre interessantes, mostrando que não somente Tarantino consegue construir diálogos relevantes (mesmo quando irrelevantes) e atraentes, desta maneira construindo personagens complexas, mesmo as secundárias. Todas as personagens são ricas e trazem verossimilhança suficiente para acreditar que são reais, com seus defeitos e qualidades, manias e atitudes. E é por meio dessas interações que conhecemos ainda mais o professor, em seus relacionamentos amorosos, a amizade com o budista porra louca Bonobo, e tantos outros pequenos encontros através do livro. Galera não utiliza travessão para indicar a fala das personagens, lembrando um pouco Saramago, mas seu texto é construído de forma clara e nunca há confusão quanto a quem está falando ali, se o narrador ou alguma das personagens. Galera também pincela referências pop aqui e ali (como um filme que "tem o Brad Pitt nascendo velho e morrendo criança"). Tais referências são colocadas naturalmente, nunca soam pedantes, mostrando a categoria de Galera e proporcionando uma localização temporal da história. Juntando tudo isso, os saltos de tempo, as pequenas histórias apresentadas a cada capítulo, o livro vira quase uma coletânea de pequenos contos, que vão se unindo, sendo costurados sutilmente por uma linha maior e mais complexa.

Os relacionamentos amorosos também são parte importante na história do professor, e um dos trechos mais marcantes do livro é quando Galera apresenta a melhor definição que eu já li sobre o que é estar apaixonado: "Fantasia que estão vivendo juntos e tiveram um filho e quanto mais debocha de si mesmo e tenta sufocar essas ideias mais sua mente as elabora e maior é o contraste entre as fantasias e as manhãs que acorda sozinho com o mesmo dia pela frente e com a rotina que normalmente aprecia assombrado minuto a minuto por uma sensação de impotência. Ele se sente doente". Sempre achei uma bobagem as mulheres na faculdade suspirando pelo Mr. Darcy de Jane Austen, mas confesso que me peguei torcendo bastante pelo relacionamento do professor e Jasmim, desde o início, por me identificar muito com ele.

O professor se perde de sua busca primordial, mas acaba sendo trazido de volta a ela, e o clímax da descoberta do que realmente aconteceu com seu avô é cheio de significado. E aí a grandeza da personagem da cadela Beta (que sofre demais nessa busca e, oh, de novo, eu assumo, como eu sofri por ela, junto com o professor!), que se mistura a tudo que foi vivenciado pelo protagonista e o humaniza, mostra sua fragilidade, e a revelação se dá, óbvia e ao mesmo tempo brilhante: a busca pela real história de seu avô não passa de um pretexto, e Galera nos brinda com uma maravilhosa história de busca interior, de crescimento, de descoberta própria. Ao chegar ao último capítulo, mais do professor é revelado, sua complexidade, e defeitos e qualidades, e olhando para o primeiro capítulo (ou, melhor ainda, para o prefácio que passa a fazer mais sentido), você vê toda a jornada que ele precisou percorrer para chegar onde está, para se tornar esse novo homem, ainda o mesmo, e mesmo assim completamente diferente, evoluído.

Eu poderia continuar escrevendo sobre este livro ainda mais, comentar mais a fundo outras personagens, as notas de rodapé providenciais que Galera introduz em momentos oportunos, os momentos hilários de fazer gargalhar algo... Mas acredito que, para tal, nada melhor do que a própria leitura do livro, para provocar a catarse, a identificação com a história, trazer um ano da vida de um completo estranho que luta para dar significado à sua vida, e acaba nos ajudando a dar significado às nossas próprias. Uma obra memorável, de um dos meus novos autores favoritos.

Leia esta e outras resenhas: http://catharsistogo.blogspot.com.br/2013/02/barba-ensopada-de-sangue-daniel-galera.html
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Tatiane Buendía Mantovani 07/02/2013

Este livro me fez querer querer ter uma barba...
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Vilto 02/12/2012

Resenha: Barba ensopada de sangue – Daniel Galera
Para início de conversa, há muita coisa a se falar sobre este livro. Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera, publicado pela editora Companhia das Letras, é um romance dotado de ricas metáforas e diversas reviravoltas.

No início da trama, temos o personagem principal indo até a casa do pai para ouvir a trágica notícia que este vai se matar. Diante da eminência do suicídio, o personagem é obrigado pelo pai a jurar várias coisas, como: que cuidaria de Beta, a cachorra; que não contaria que sabia que o pai desejava se matar; e ainda ficou sabendo a história de seu avô; do qual, até ali, desconhecia os fatos. Segundo o pai, o avô, a cara do personagem principal, havia morrido em Garopaba; pela população local. Nesta época, o pai morava em Porto Alegre e demorou dias para ser comunicado; mas ao saber foi até a cidade catarinense. Entretanto, ao chegar lá, havia um túmulo, porém um corpo não tinha sido enterrado ali; pois fora apenas um enterro simbólico.

A narrativa, a partir daí, pós morte do pai, ganha contornos de jornada épica moderna. O personagem vai morar em Garapoba; e então passa conhecer pessoas diferenciadas, solucionar o mistério sobre a morte do avô e lidar com fantasmas emocionais típicos de um protagonista com profundidade.

“Persuadir uma pessoa a não seguir o coração é obsceno, a persuasão é uma coisa obcena, a gente sabe do que precisa e ninguém pode nos aconselhar. O que eu vou fazer está decidido há muito tempo, antes de eu próprio ter a ideia”.

Daniel Galera escreve de um jeito moderno, mas sem cair numa linguagem demasiado popular. O texto é leve, fluído, com sintomas poéticos. O tempo do livro, sempre no presente, faz com o leitor acompanhe a história como se ela estivesse acontecendo naquele momento. Além disso, o autor também se priva do uso abusivo de acentuação gráfica, ausentando-se os travessões dos inícios das falas, por exemplo, mas sem comprometer o texto.

No meu caso, a minha experiência de leitura do livro foi afetada por uma ocorrência. Há menos de um mês, conheci Porto Alegre, a praia do Rosa e de Garopaba, o que acabou por permitir que eu mergulhasse nas minuciosas descrições do Galera, sentindo no rosto o gosto do vento salgado da beira-mar; ou vendo cada detalhe. E isto acrescenta muito, pois você se sente parte da história. Outro ponto de identificação foram as enchentes que ocorreram em 2008; o qual o autor cita nalgumas ocasiões, destacando a cidade de Blumenau, onde resido.

Enfim, o impacto visual da capa aliado ao título poderia fazer o leitor esperar por algo forte e violento; conquanto não se possa dizer que não há cenas de ação, o livro é permeado muito mais por diálogos marcantes e bem construídos; mesclados com descrições que conduzem o leitor ao universo da história.

Mais do que recomendado.

Título: Barba ensopada de sangue
Autor: Daniel Galera
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 423

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Lauren 15/02/2013

A propaganda que causa expectativa
Não foi, não é e não será a primeira vez que compro/leio um livro por ser amplamente divulgado e comentado.
O problema de seguir este impulso é daquilo que se desenvolve no encontro leitora (eu) e o livro.
Creio que o problema de não ter gostado tanto deste livro foi isso.
Expectativa imensa.
Já aconteceu de terminar a leitura e pensar: _ Poxa, mas era só isso?!
Não foi a sensação ao final de "Barba..", já que fiquei um tanto quanto presa ao enredo do livro. A vontade que fiquei foi de ler os outros livros, não tão divulgado pelo MKT agressivo da Cia das Letras.
O estilo de Galera é bastante interessante e provocativo em alguns momentos. A história que tenderia a ser algo pesado, duro. Torna-se uma janela em que se vê o desenrolar da vida do protagonista. Creio que não seja por acaso que as janelas e as imagens panorâmicas de Garopaba são fortemente repetidas.
De qualquer forma é um bom livro e demonstra que esta nova geração de autores brasileiros nos darão ótimos títulos. Ou quem sabe já nos deram e eu é que não estou sabendo...
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Danielle 30/12/2013

Barba Ensopada de Sangue.
Barba... [Cia. das Letras, 2013], elevou Daniel Galera ao posto de autor de maior destaque na literatura brasileira contemporânea. Antes uma boa promessa, Daniel conseguiu, com este livro, fechar negócio com diversas editoras internacionais antes mesmo do Barba... ser lançado em terras tupiguaranis. Chegou como destaque na Feira do Livro de Frankfurt e, por esses dias, ganhou o Prêmio São Paulo de Literatura.

Barba ensopada de sangue conta a história de um homem (o personagem nunca é nomeado no livro) que, depois de perder seu pai, vai se refugiar numa praia do litoral catarinense na qual, anos antes, seu avô também tinha procurado abrigo e, misteriosamente, desaparecido. Apesar do título passar uma sensação de violência, ela não aparece da forma que pensamos. Ela (a violência) demora a chegar e, tão rápido veio, vai (não sem antes te deixar com a boca sangrando, o supercilho aberto, a barba ensopada de sangue) (calma, passa logo-logo).

Daniel parece arrancar sua história do mármore, como Michelangelo fez com Davi. Ele sabe pra onde está indo e não fraqueja. A narrativa é lenta (alguns podem achar chata) (por que lento é sinônimo de chato? Nunca saberemos), mas ôpa, Daniel é totalmente consciente da lentidão dos acontecimentos: ele está falando da vida, das adaptações, das pequenas mudanças. Você passeia com o personagem pelas ruas da pequena cidade litorânea, se embebeda com os amigos, passeia com sua cachorra*, se apaixona e sofre com o frio, com o vento da praia deserta. Não, ele não está te enrolando.

O tempo.

O tempo aqui é trabalhado de maneira quase genial porque é personagem. Ele se arrasta, ele acelera, ele fica, ele cura e abre feridas.

É fácil entender (não explicar. explicar nunca.) porque este livro fez tanto sucesso no meio literário. Memorizem isso: o tempo pode tranformar Barba ensopada de sangue numa obra-prima.

***

Tem cinco sujeitos numa das mesas. O bigodudo está atrás do balcão secando copos com um pano branco. Todos o observam e ninguém diz nada. Ele já não lembra do rosto deles e fica olhando de um para outro, sentindo o sangue escorrer nos olhos, piscando sem parar e franzindo o rosto inchado. Quatro dos cinco usam boné, três são loiros, e mais que isso ele não consegue reparar. Põe a mão em volta do queixo e espreme a barba ensopada de sangue de cima a baixo, até a ponta, fazendo escorrer um filete rubro que forma uma pequena poça nas lajotas brancas do pavimento.
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Rodrigo 26/12/2012

Tenso, forte, violento, viciante
"Barba Ensopada de Sangue" é um livro que te permite conviver por 420 pgs com o protagonista inominado. Ele está vivendo na cidade de Garopaba, com a cadela Beta, e lá se envolve.

O livro é, basicamente, sobre identidade. Como podemos realmente descobrir quem somos, do que somos capazes? Na trama ele é confrontado com um ambiente novo e por isso vai se descobrindo.

Ao final, o que Daniel Galera propõe é isso : vamos passar a nos conhecer melhor. Vamos reafirmar nossas atitudes, marcar presença na vida, e lutar pelo que consideramos correto. Mesmo que isso traga consequências trágicas. Precisamos ser coerentes com nós mesmos, sem hipocrisia. É, sim, um livro forte, com um capítulo inicial angustiante, e um final seco, trágico, sem meias palavras nem floreios.

Obra-prima!
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Isla Wolff 30/10/2015

Coeso, instigante e verdadeiro!
O livro do Galera é surpreendente em todos os âmbitos, estava em busca de uma leitura tão minuciosa e coerente do inicio ao fim, como este foi. Acredito que tudo foi ainda mais marcante por conhecer muito bem o cenário onde ocorreu a estória, na praia de Garopaba e arredores, na qual me peguei tendo uma boa sensação de nostalgia e saudades dos períodos que passei por lá e que pretendo retomar nas próximas férias.
Gostei de experimentar o tipo de escrita do autor, o jeito e a inquietação que causa naqueles mais curiosos, quando parece haver uma informação/peça faltando na estória para ligar os fatos. Até compreender isso, me peguei algumas vezes retomando as páginas já lidas em busca de tal dado.
A trajetória do personagem principal, no qual não foi divulgado o nome no decorrer de todo o livro, é uma intensa busca em todos os sentidos. A redescoberta de uma nova vida em um novo lugar, onde nada se conhece e tudo começa a partir do zero, sem identidade, sem passado, SÓ O AGORA -apenas com poucas informações sobre o avó. Muito me imaginei na estória e tenho certeza que me sentiria preenchida com o controle total de minha vida apenas em minhas mãos, o não depender de ninguém nem para ser feliz, mas também para não ser triste. O terço final do livro, era tudo e mais um pouco do que eu esperava, esta na hora de quebrarmos aquele paradigma de que todos devemos voltar, casar, ter filhos e ser felizes para sempre; procuro mais uma realidade palpável e coesa, o entender da psique humana.
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CooltureNews 03/02/2013

Publicada em www.CooltureNews.com.br
Essa foi uma leitura que posso definir em 2 palavras, intensa e envolvente. O que logo de cara me chamou a atenção para o livro foi a capa e os comentários otimistas que encontrei na internet (e aqui no Coolture News, essa é a segunda obra do autor resenhada pelo site) sobre a escrita do autor, a partir deste ponto só tinha uma convicção, que teria que ler o livro antes que o ano de 2012 terminasse, e consegui terminar somente no dia 31.

Com uma narrativa extremamente rica em detalhes, aonde em alguns momentos chega até a cansar esse leitor que é a favor e fã desse tipo de escrita, Galera nos leva através de um cenário desconhecido para muitas pessoas desprivilegiadas que, assim como eu, não tiveram a oportunidade de conhecer o Sul do país, e nos conta a história de um personagem de nome desconhecido. Um professor de educação física que possui uma rara doença e não consegue memorizar os rostos, inclusive o seu. Ao saber desse detalhe através da sinopse, cheguei a acreditar que essa doença iria ditar todo o ritmo da leitura, mas não foi o que houve.

Logo no inicio do livro temos a oportunidade de participar como ouvinte de um dos melhores diálogos que já vi nesses anos de leitura, nosso personagem principal em uma conversa com seu pai acaba descobrindo um pouco mais sobre o passado de sua família e quando essa narrativa chega ao fim seu pai o informa que pretende de matar no dia seguinte, simplesmente porque cansou de viver. Após esse fato se concretizar, o personagem – É muito difícil se referir a alguém sem dizer seu nome, nesse momento me sinto um pouco do que o personagem sente ao se deparar com um conhecido e simplesmente não saber quem é – resolve mudar de vida e parte para Garopaba, cidade onde seu avó foi visto pela última vez e acabou sendo misteriosamente assassinado.

E é neste cenário que a trama se passa, onde o personagem resolve reconstruir sua vida e investigar a morte de seu avô, ou era isso que ele esperava até começar a fazer perguntas sobre o misterioso assassinato. Neste ponto, grande parte da população começa a olha-lo como uma ameaça, principalmente quando resolve deixar a barba crescer se tornando assim muito mais parecido com seu avô. Neste meio tempo, temos a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre o personagem e suas motivações, mesmo que o autor relute em contar sobre seu passado de forma mais direta, alguns detalhes simplesmente passamos a conhecer, assim como acontece com alguém que você conhece há poucos anos na vida real.

O que posso dizer do livro é justamente isso, esse foi um dos livros mais reais que tive a oportunidade de ler em minha vida, desde as características dos personagens, como suas motivações, defeitos e casos amorosos. Tudo isso com uma linguagem fácil, mesmo usando e abusando das gírias do sul do país, e moderna posso dizer que essa é uma obra completa. Leitura recomendada.
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